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Como referenciar imagens conforme as normas da ABNT?

Para referenciar imagens corretamente nas Referências Bibliográficas de um trabalho acadêmico, é necessário seguir os mesmos princípios de padronização que regem livros, artigos e demais fontes, conforme as orientações da ABNT. A regra fundamental é que toda imagem utilizada deve ser tratada como um documento consultado, e por isso precisa aparecer na lista final de referências, garantindo a rastreabilidade e a transparência da pesquisa.

Quando a imagem é retirada de um livro impresso, a referência deve seguir o modelo tradicional de obra, indicando autor, título, edição, local, editora e ano. Nesse caso, a figura inserida no corpo do texto terá a legenda com a fonte completa, e na seção de referências bibliográficas o registro será idêntico ao de qualquer citação textual. 

Se a imagem for proveniente de um artigo científico, a referência deve obedecer ao padrão de formatação acadêmica para periódicos, incluindo autor, título do artigo, título do periódico, volume, número, páginas e ano. Já no caso de imagens obtidas em meio digital, como sites ou bancos de dados, é necessário acrescentar o endereço eletrônico completo e a data de acesso, o que reforça a confiabilidade da fonte. Assim, uma fotografia retirada de um portal poderia ser referenciada da seguinte forma: 

MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO. Acervo fotográfico. Disponível em: <www.maspsite.org.br>. Acesso em: 20 jul. 2026.

Quando a imagem é de autoria própria, não há necessidade de incluí-la na lista de referências, bastando a indicação “Elaboração própria” na legenda. No entanto, se a figura for adaptada de outra obra, deve-se registrar a fonte original nas referências e indicar na legenda “Adaptado de”, evidenciando a modificação. Esse cuidado é parte da normalização científica, que assegura tanto o rigor metodológico quanto o respeito às produções intelectuais de terceiros.

Em síntese, referenciar imagens nas Referências Bibliográficas significa tratá-las como documentos legítimos, aplicando os mesmos critérios de citação que se aplicam a textos. Essa prática fortalece a credibilidade do trabalho e demonstra domínio das normas de referência bibliográfica, além de garantir que qualquer leitor possa localizar a fonte original da figura utilizada.

Como referenciar matéria ou artigo publicado em jornal on-line conforme as normas da ABNT?

Para referenciar corretamente uma matéria ou artigo publicado em jornal on-line segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas, o primeiro elemento que deve aparecer é o nome do autor da matéria, grafado em letras maiúsculas e seguido de vírgula. Caso não haja autoria explícita, utiliza-se o nome do jornal como responsável pelo conteúdo. Em seguida, insere-se o título da matéria em destaque, mantendo a coerência com as regras de formatação de títulos. Logo após, é necessário indicar o nome do jornal em itálico, seguido da cidade de publicação e da data completa em ordem cronológica: dia, mês e ano.

Como se trata de um artigo disponível em meio digital, deve-se acrescentar a expressão “Disponível em:” seguida do endereço eletrônico completo, garantindo que o link seja funcional e conduza diretamente ao conteúdo citado. É igualmente obrigatório informar a data de acesso, precedida da expressão “Acesso em:”, pois os conteúdos digitais podem ser alterados ou removidos ao longo do tempo. 

Um exemplo ilustrativo seria: 

SOBRENOME, Nome. Título da matéria. Nome do Jornal, Cidade, dia mês ano. Disponível em: <URL>. Acesso em: dia mês ano. 

Como citar documentos on-line sem indicação de página conforme as normas da ABNT?

Quando nos deparamos com artigos de portais de notícias, páginas institucionais, blogs especializados ou relatórios digitais, a regra básica da norma técnica permanece ativa: é preciso dar o devido crédito à autoria e indicar a localização do trecho utilizado. No entanto, a forma de indicar essa localização exige adaptações específicas para garantir o rigor acadêmico sem comprometer a precisão do registro.

Ao elaborar uma citação direta, aquela na qual o texto original é transcrito exatamente como o autor escreveu, a indicação da fonte é obrigatória no corpo do trabalho. Quando a página impressa tradicional não existe, a orientação da norma é substituir essa informação por elementos alternativos de localização presentes no próprio texto digital. A estratégia mais comum e aceita consiste em indicar o parágrafo em que a frase se encontra, utilizando abreviações padronizadas. Dessa forma, a inclusão do nome do autor e do ano de publicação vem acompanhada do número do parágrafo contado a partir do início do documento eletrônico.

Outra alternativa bastante eficiente para textos mais extensos e estruturados em seções é a utilização do título do capítulo, da subseção ou do cabeçalho sob o qual o trecho está localizado. Essa solução facilita a busca por parte do leitor, permitindo que qualquer pessoa localize a passagem citada apenas navegando pelos tópicos da página web. A junção do nome do autor, do ano de veiculação e da denominação da seção correspondente cria uma ancoragem precisa, demonstrando domínio das diretrizes de citação direta e garantindo a rastreabilidade da informação utilizada na fundamentação teórica.

Nos casos em que o pesquisador opta por uma citação indireta, ou seja, quando sintetiza as ideias do autor original utilizando as próprias palavras, a exigência de indicar o parágrafo ou a seção torna-se opcional. Nesses cenários, basta indicar o sobrenome do autor e o ano de disponibilização do conteúdo no corpo do parágrafo, mantendo a fluidez do texto acadêmico. Contudo, independentemente da escolha entre a transcrição literal ou a paráfrase, o compromisso com a integridade científica exige que todos os documentos consultados sejam devidamente registrados na lista final do trabalho.

A construção das referências ao final da monografia ou do artigo exige atenção redobrada aos detalhes do ambiente digital. O registro precisa conter o sobrenome e o nome do autor ou da instituição responsável, o título da página ou do artigo, o ano de publicação, o endereço eletrônico completo precedido pela expressão de acesso e a data exata em que a consulta foi realizada. Essa data de acesso é fundamental porque os conteúdos virtuais sofrem alterações constantes ou podem ser tirados do ar, justificando o estado do documento no momento em que a pesquisa foi executada.

Exemplo de citação direta:

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2023, par. 4), "a promoção da saúde mental deve ser integrada às políticas públicas de forma transversal e contínua".

Exemplo de citação indireta: 

Como destaca Silva (2022, seção Considerações Finais), "o impacto das redes sociais na atenção dos estudantes exige novas abordagens pedagógicas".

Exemplo de citação indireta (Paráfrase):

Conforme aponta Silva (2022), as transformações no padrão de atenção dos estudantes em decorrência das mídias virtuais demandam a reformulação das práticas de ensino.

Como referenciar tese de doutorado de acordo com as normas da ABNT?

O ponto de partida é identificar os elementos obrigatórios: autor, título, subtítulo (se houver), ano de defesa, número de páginas, tipo de trabalho, instituição e local. O nome do autor deve ser escrito em letras maiúsculas, seguido do título em itálico ou negrito. Em seguida, acrescenta-se a especificação “Tese (Doutorado em [nome do curso])” para indicar a natureza do trabalho. Logo após, insere-se o nome da instituição responsável pela defesa, o local e o ano de publicação. Essa estrutura é parte integrante das normas de referências bibliográficas, que exigem rigor na disposição dos dados.

Um exemplo prático com suporte on-line: 

SILVA, Frederico de Lima. O pudor da Esfinge ou, simplesmente, mais uma divida/dúvida sobre as mulheres?: um estudo da perversão feminina na literatura de Rinaldo de Fernandes. 2025. 324 f. Tese (Doutorado em Letras) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/37167. Acesso em: 21 jul. 2026.

Outro aspecto importante é a consistência tipográfica. O uso de itálico ou negritos para títulos, a padronização das maiúsculas nos sobrenomes e a ordem dos elementos não são meros detalhes estéticos, mas requisitos normativos. A observância dessas diretrizes garante que a referência esteja em conformidade com os padrões de normalização científica, evitando problemas em avaliações acadêmicas ou publicações.

Como fazer uma citação direta longa com recuo de 4 cm no Word?

Para elaborar uma citação direta longa em um trabalho acadêmico no Word, é necessário compreender que esse tipo de recurso se aplica quando o trecho transcrito ultrapassa três linhas. De acordo com as normas da formatação acadêmica, o texto deve ser destacado com recuo especial, sem aspas, em fonte menor e com espaçamento simples. O Word oferece ferramentas precisas para configurar esse padrão, e o processo pode ser realizado de forma prática e rigorosa.

O primeiro passo consiste em selecionar o trecho que será transformado em citação. Com o texto marcado, deve-se acessar a guia “Layout” ou “Design da Página”, dependendo da versão do Word utilizada. Dentro desse menu, encontra-se a seção “Parágrafo”, onde é possível ajustar o recuo. Para atender às exigências da norma ABNT, o recuo deve ser configurado em 4 cm apenas no lado esquerdo. Esse ajuste garante que o trecho se destaque visualmente do restante do texto, sinalizando ao leitor que se trata de uma transcrição literal e extensa.

Após definir o recuo, é importante verificar a formatação da fonte. A prática recomendada pela padronização científica é utilizar tamanho 10 ou 11, sempre menor do que o corpo principal do trabalho, que geralmente se apresenta em tamanho 12. Além disso, o espaçamento deve ser simples, sem justificar o texto em excesso, para que a leitura da citação seja fluida e clara. O alinhamento permanece à esquerda, reforçando a distinção em relação ao texto corrido.

Outro detalhe essencial é a ausência de aspas. Diferentemente das citações curtas, que permanecem no corpo do texto entre aspas, a citação direta longa deve aparecer isolada, com o recuo de 4 cm e sem qualquer sinal gráfico adicional. Ao final do trecho, deve-se inserir a referência completa, seguindo os critérios da normalização acadêmica, indicando autor, ano e página. Esse cuidado assegura a credibilidade da pesquisa e evita problemas de plágio.

Como atualizar o Currículo Lattes?

O processo de atualização do Currículo Lattes, plataforma gerida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), constitui uma prática imperativa para a fidedignidade da memória científica e para a transparência na prestação de contas da produção acadêmica nacional. Estruturado como um sistema de informação de grande porte, o Lattes exige do pesquisador um fluxo metodológico contínuo de inserção de dados que garanta a integridade metodológica de seu histórico intelectual. Essa manutenção sistemática não se restringe a um dever burocrático, mas reflete o dinamismo da atividade investigativa e assegura a elegibilidade do docente ou discente em processos de avaliação de agências de fomento, editais de financiamento e progressões funcionais.

Para dar início ao procedimento de atualização, o pesquisador deve acessar o portal da Plataforma Lattes e autenticar-se no módulo de edição por meio de suas credenciais de acesso ou pelo provedor de identidade unificado do governo federal. Uma vez no ambiente interno do sistema, a interface disponibiliza uma arquitetura modular que segmenta a trajetória acadêmica em dimensões específicas, tais como dados gerais, formações acadêmicas, linhas de pesquisa, produções bibliográficas, técnicas e artísticas, além de orientações e participações em eventos. O pesquisador deve transitar por esses módulos com rigor analítico, inserindo novos registros ou modificando os já existentes com base em documentos comprobatórios, como certificados, declarações e o identificador de objeto digital, o qual automatiza e valida a importação de metadados de artigos publicados.

O preenchimento dos campos requer atenção minuciosa aos critérios de indexação e padronização da plataforma. Ao registrar uma nova produção bibliográfica, por exemplo, é indispensável correlacionar o trabalho ao periódico correto por meio do código internacional de catalogação de publicações seriadas, além de detalhar a paginação, o volume e o ano de publicação. Da mesma forma, a inserção de novos projetos de pesquisa demanda a vinculação adequada das instituições parceiras, das agências financiadoras e dos demais membros da equipe, garantindo a rastreabilidade da rede de colaboração científica. A precisão na alimentação dessas variáveis textuais e numéricas evita discrepâncias nos indicadores de produtividade que impactam diretamente a avaliação de programas de pós-graduação stricto sensu pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A etapa final e mais crítica do fluxo de atualização consiste na submissão dos dados ao servidor central do CNPq. As alterações realizadas no ambiente de edição permanecem em estado de rascunho local e não se tornam públicas imediatamente. Para consolidar as modificações, o pesquisador precisa acionar explicitamente o comando de envio, momento em que deve ler e aceitar a declaração de responsabilidade sobre a veracidade das informações prestadas. Após essa validação eletrônica, o sistema processa a nova versão do documento, que costuma ser publicada e disponibilizada para consulta pública na rede mundial de computadores em um prazo que varia de algumas horas a um dia útil, garantindo assim a atualização do perfil do cientista perante a comunidade acadêmica global.

Quais são os elementos essenciais para referenciar trabalhos apresentados em eventos científicos (Anais)?

Ao elaborar referências de trabalhos publicados em anais de eventos científicos, é fundamental compreender que esses registros possuem características próprias, distintas de livros, artigos de periódicos ou capítulos de coletâneas. 

O primeiro aspecto essencial é a identificação do autor ou autores, sempre respeitando a ordem em que aparecem no trabalho original. A grafia deve seguir o padrão estabelecido pela norma de referência adotada, geralmente em formato “SOBRENOME, Prenomes”. Essa etapa assegura que o crédito seja corretamente atribuído e que o leitor possa localizar outras produções do mesmo pesquisador.

Em seguida, deve-se indicar o título do trabalho, que precisa ser transcrito exatamente como publicado, sem adaptações ou traduções não autorizadas. O título é o elemento que confere identidade ao texto e permite ao leitor reconhecer o conteúdo específico dentro do conjunto dos anais.

Outro componente indispensável é a menção ao título do evento científico, acompanhado de sua numeração, quando houver, e da natureza do encontro (congresso, simpósio, seminário). Essa informação deve vir seguida do local de realização e do ano do evento, pois são dados que contextualizam a produção e permitem distinguir edições diferentes de um mesmo congresso.

A referência deve incluir também a identificação dos anais ou proceedings, geralmente apresentados como publicação em formato impresso ou digital. É necessário registrar o nome da entidade responsável pela edição, o local da publicação e o ano em que os anais foram disponibilizados. Quando houver, acrescenta-se o editor ou organizador da obra, reforçando a responsabilidade editorial.

Não se pode esquecer da página inicial e final do trabalho dentro dos anais, pois esse recorte delimita o espaço ocupado pelo texto e facilita sua localização. Em casos de publicações digitais, é recomendável acrescentar o link de acesso ou o DOI, quando disponível, garantindo a rastreabilidade em ambientes virtuais.

Assim, uma referência completa de trabalhos em anais deve contemplar autor, título do trabalho, título e dados do evento, informações editoriais dos anais e a paginação correspondente. Esses elementos, quando apresentados em conjunto e de forma padronizada, asseguram a precisão bibliográfica e fortalecem a credibilidade da produção acadêmica.

Como deve ser apresentado o título e o subtítulo de uma obra nas referências bibliográficas acadêmicas?

A apresentação formal do Título e do seu respectivo subtítulo é um dos pilares mais criteriosos na elaboração de Referências Bibliográficas segundo as normas científicas vigentes. Compreender essa diferenciação visual e estrutural garante não apenas a precisão técnica do trabalho acadêmico, mas também assegura a rápida identificação do conteúdo por parte da comunidade pesquisadora. A regra fundamental consiste em reconhecer que ambos os elementos cumprem papeis complementares na indicação da obra, porém demandam tratamentos tipográficos completamente distintos na mancha gráfica.

Ao registrar o Título principal de um livro, artigo ou monografia, deve-se aplicar obrigatoriamente o recurso de destaque definido pela opção do autor ou pelas diretrizes editoriais adotadas. Esse destaque pode ser configurado por meio do uso do Negrito ou do Itálico, devendo a escolha ser mantida de forma rigorosa e uniforme por toda a extensão do trabalho. É indispensável ressaltar que apenas a denominação principal da obra recebe a ênfase visual, enquanto as informações complementares permanecem na grafia normal.

O separador padrão entre o Título e o subtítulo é o sinal de dois-pontos. Logo após este caractere, insere-se a sequência do texto sem a utilização de qualquer recurso estilístico de diferenciação. Isso significa que o subtítulo deve ser redigido em texto limpo, sem o emprego de Negrito ou Itálico, iniciando-se com letra minúscula, a menos que a primeira palavra subsequente aos dois-pontos constitua um nome próprio. Esse cuidado evita ambiguidades sobre onde termina o nome essencial da publicação e onde começa a sua especificação temática.

Ao referenciar um livro com quatro ou mais autores, qual é o procedimento padrão recomendado para a indicação da autoria?

A regra geral para essa situação faculta duas abordagens distintas, sendo uma delas amplamente recomendada para conferir fluidez ao texto. O procedimento padrão e mais frequente consiste na indicação do primeiro autor individualizado, seguido imediatamente pela expressão latina et al., grafada em estilo normal e sem itálico, finalizada por ponto. Essa locução abreviada de et alii sinaliza ao leitor que a obra conta com outros colaboradores além do primeiro mencionado. Vale ressaltar que essa uniformização deve ser rigorosamente mantida tanto ao longo do corpo do texto quanto no elemento pós-textual correspondente.

Na prática da citação indireta, ao incorporar a ideia da obra no fluxo da frase, escreve-se o sobrenome do primeiro autor em letras minúsculas, com apenas a inicial maiúscula, seguido da abreviação latina, do ano de publicação e da página, caso seja aplicável. Por outro lado, quando a menção ocorre no formato entre parênteses ao final do parágrafo, o sobrenome do primeiro autor deve ser grafado inteiramente em letras maiúsculas, acompanhado do marcador de coautoria, do ano e da respectiva página. Essa dupla possibilidade atende às diferentes necessidades de estilo da escrita acadêmica, mantendo a coerência estrutural.

A mesma lógica se aplica ao momento de elaborar as referências bibliográficas ao final do documento. A forma preferencial orienta citar o sobrenome e o prenome do primeiro autor, acrescentar a locução indicativa de outros autores e dar prosseguimento ao título do livro, edição, local, editora e ano de publicação. No entanto, é importante destacar que a norma atual também permite a indicação de todos os autores na lista final, desde que essa escolha seja aplicada de forma homogênea em todo o trabalho. Essa exceção costuma ser adotada quando a menção a todos os pesquisadores é indispensável para destacar a relevância da contribuição coletiva.

Como deve ser feita a referência de livro com um autor considerando apenas os elementos essenciais da NBR 6023?

Para a citação de uma obra monográfica de autoria única, a NBR 6023 estabelece uma ordem padronizada de informações que garante a identificação precisa da fonte consultada. A estrutura básica dos elementos essenciais é composta sequencialmente pelo autor, pelo título do livro, pelo número da edição, pelo local de publicação, pela editora e pelo ano em que a obra foi lançada.

A construção da referência inicia-se pelo elemento de autoria, no qual o sobrenome do autor deve ser grafado em letras maiúsculas, seguido do nome e demais prenomes. O nome do autor pode aparecer por extenso ou abreviado, mantendo-se a mesma escolha em todo o trabalho acadêmico para garantir a padronização científica. Logo após o ponto final da indicação do autor, insere-se o título da obra, que precisa obrigatoriamente receber destaque gráfico, como o uso de negrito ou itálico, devendo a opção escolhida ser uniforme em toda a lista de fontes. Caso a obra possua um subtítulo, este deve ser inserido após dois pontos, sem o destaque gráfico aplicado ao título.

A indicação da edição é o elemento seguinte e só deve figurar na referência caso a obra esteja a partir da segunda edição. Essa informação é apresentada de forma abreviada, utilizando o número cardinal seguido de ponto e da abreviatura da palavra edição na língua da publicação. Na sequência, insere-se o local de publicação, que corresponde à cidade onde a editora está sediada, seguido de dois pontos. Se o nome da cidade não constar na obra, mas puder ser identificado, ele deve ser colocado entre colchetes, ao passo que a ausência total dessa informação exige o emprego da expressão latina correspondente à falta de local.

Após a indicação do município, insere-se o nome da editora responsável pelo lançamento, omitindo-se os termos jurídicos como editora ou S.A. A referência finaliza com o ano de publicação da obra em algarismos arábicos, encerrando-se a estrutura com um ponto final. Todo esse conjunto de dados compõe a formatação acadêmica adequada, assegurando que o leitor localize a fonte consultada com exatidão e que a pesquisa atinja o nível de rigor exigido no ambiente universitário.

SOBRENOME, Nome. Título do livro: subtítulo do livro. 3. ed. São Paulo: Nome da Editora, 2024. 

Em uma referência de artigo publicado em periódico científico, qual elemento deve receber o destaque tipográfico (negrito)?

A regra geral da padronização documental estabelece que o recurso visual de realce, seja ele o negrito ou itálico, deve ser aplicado estritamente a um único elemento da referência, mantendo-se a uniformidade em toda a lista final do documento.

No caso específico dos artigos de periódicos, o elemento que deve obrigatoriamente receber o destaque em negrito é o título da publicação ou do periódico, e não o título do artigo em si. Essa distinção ocorre porque o artigo representa apenas uma parte integrante de uma obra maior, enquanto a revista ou o jornal constitui o veículo principal que abriga o texto. Dessa forma, ao redigir a referência, o nome dos autores e o título do artigo permanecem em fonte normal, seguidos pelo título do periódico devidamente destacado, o local de publicação, o número do volume, o número do fascículo, a paginação inicial e final, e o ano de publicação.

A aplicação prática dessa regra exige um cuidado redobrado com os elementos complementares do título da revista. Se o nome da publicação científica contiver um subtítulo, este não deve receber o destaque gráfico, permanecendo em tipo normal logo após o título em negrito, separado apenas por dois pontos. Da mesma forma, pontuações consecutivas e dados como o volume e o fascículo não herdam a formatação destacada, preservando a clareza visual necessária para que o leitor identifique rapidamente a fonte primária da qual a informação foi extraída.

Como referenciar dissertação de mestrado de acordo com as normas da ABNT?

Para compreender como referenciar uma dissertação de mestrado segundo as normas da ABNT, é essencial observar que esse tipo de trabalho acadêmico se enquadra na categoria de documentos não convencionais, exigindo atenção especial à padronização. A referência deve conter elementos fundamentais que garantam a identificação completa da obra, permitindo que qualquer leitor localize o material com facilidade.

O primeiro elemento é o nome do autor, que deve ser grafado em letras maiúsculas, seguido do título da dissertação em destaque, geralmente em itálico ou negrito, conforme o padrão editorial adotado. Logo após, deve-se indicar a natureza do trabalho, especificando que se trata de uma dissertação de mestrado, acompanhada da área de concentração ou programa de pós-graduação. Esse detalhe é indispensável para diferenciar o documento de outros tipos de produção acadêmica e reforça a credibilidade da referência dentro das normas da normalização científica.

Na sequência, é necessário informar a instituição responsável pela orientação e defesa do trabalho, incluindo o nome da universidade e da faculdade ou departamento. Esse dado deve ser seguido pelo local da instituição, ou seja, a cidade onde o trabalho foi apresentado. Por fim, registra-se o ano de defesa, que completa a referência e estabelece o marco temporal da produção.

Um exemplo prático de referência em suporte on-line ficaria assim: 

SILVA, Frederico de Lima. Literatura e violência: efeitos do desmentido na contística de Rinaldo de Fernandes. 2017. 205 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal da Paraíba, 2017. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/11915. Acesso em: 21 jul. 2026.

Vale destacar que a consistência é um dos pilares da padronização científica. Isso significa que, ao elaborar a lista de referências, o pesquisador deve manter o mesmo estilo em todas as entradas, evitando variações que comprometam a uniformidade do trabalho. Além disso, é recomendável revisar cuidadosamente cada detalhe ortográfico e gramatical, garantindo que a referência esteja impecável e em conformidade com os padrões exigidos.

Quanto tempo demora para o Currículo Lattes ser atualizado e ficar visível na plataforma?

A dinâmica de processamento e a consequente publicização dos dados na Plataforma Lattes, mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), respondem a um fluxo sistêmico que integra etapas de submissão, validação interna e indexação em banco de dados. O tempo decorrido entre a ação de envio por parte do pesquisador e a efetiva visibilidade pública das atualizações varia majoritariamente em um intervalo de vinte e quatro a quarenta e oito horas, a depender da demanda instantânea nos servidores da autarquia.

Do ponto de vista teórico-estrutural, esse intervalo é determinado por um modelo de processamento em lotes (batch processing), no qual as modificações salvas localmente na interface de edição não são replicadas em tempo real no servidor de consulta pública. Quando o usuário finaliza a inserção de novos metadados, sejam eles produções bibliográficas, orientações ou projetos de pesquisa, e manifesta o consentimento formal de envio, o sistema encapsula essas informações e as direciona para uma fila de processamento.

Subsequentemente, o ecossistema do CNPq executa rotinas automatizadas de consistência de dados e atualização dos índices de busca. Esse hiato técnico é fundamental para garantir a integridade do banco de dados relacional e a estabilidade da plataforma frente ao volume massivo de acessos simultâneos da comunidade científica brasileira. Portanto, o reflexo visível da produção acadêmica no currículo público não é imediato, demandando esse período de latência técnica para a completa sincronização e propagação dos dados nos espelhos de consulta.

Como se deve referenciar um trabalho publicado em anais de um evento científico (congresso, seminário, simpósio)?

Ao elaborar referências de trabalhos publicados em anais de eventos científicos, é essencial compreender que esse tipo de produção possui características próprias e exige atenção rigorosa às normas da formatação acadêmica. O registro adequado garante não apenas a credibilidade do texto, mas também a rastreabilidade da fonte consultada, permitindo que outros pesquisadores localizem o material original com precisão.

A construção da referência deve iniciar pela identificação do autor ou autores, sempre respeitando a ordem em que aparecem no trabalho. Em seguida, é necessário apresentar o título do artigo exatamente como publicado, mantendo a fidelidade ortográfica e gramatical. Logo após, insere-se a expressão “In:” para indicar que o texto faz parte de uma coletânea, seguida do nome do evento científico, que deve ser grafado por extenso, incluindo o número da edição, o ano e o local de realização. Esse detalhe é crucial, pois diferencia os anais de outros tipos de publicações e reforça a especificidade da normalização científica.

Na sequência, deve-se mencionar o título dos anais, quando houver, ou simplesmente utilizar a palavra “Anais” acompanhada da forma de publicação, como CD-ROM, online ou impresso. É igualmente importante registrar o local de publicação e a entidade responsável pela organização ou editoração, além do ano de disponibilização. Por fim, acrescenta-se a paginação correspondente ao artigo, elemento indispensável para a localização exata dentro do conjunto. Quando os anais estiverem disponíveis em meio eletrônico, recomenda-se incluir o endereço eletrônico e a data de acesso, respeitando as diretrizes da referência bibliográfica.

Esse encadeamento de informações deve ser feito de maneira contínua, sem omissões, e sempre em conformidade com as normas da ABNT. A precisão na aplicação dessas regras assegura que o trabalho acadêmico mantenha sua integridade formal e se insira corretamente no universo da produção científica. Em síntese, referenciar um artigo de anais de evento científico é um exercício de rigor metodológico que exige atenção aos detalhes e respeito às convenções estabelecidas, consolidando a credibilidade do texto e a confiabilidade da pesquisa.

Exemplo:

SILVA, F. L; RODRIGUES, H. F. Quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra (na Geni): a perversão consentida na sociedade pós-moderna. In: II Jornada Gênero e Literatura, 2015, João Pessoa. Anais do III Seminário de Estudos Medievais da Paraíba e II Jornada Gênero e Literatura, João Pessoa: Editora da UFPB, 2015. 

Quando se referencia um capítulo de livro onde o autor do capítulo é o mesmo do livro, qual sinal gráfico é usado após o 'In:'?

Quando se trata da elaboração de referências acadêmicas, especialmente em conformidade com as normas da formatação acadêmica, é comum surgirem dúvidas sobre o uso correto dos sinais gráficos. Uma situação recorrente ocorre quando o autor de um capítulo é o mesmo autor do livro em que o capítulo está inserido. Nesse caso, a estrutura da referência exige atenção especial ao ponto que sucede o termo “In:”.

O uso do “In:” tem a função de indicar que o texto citado faz parte de uma obra maior. Quando o autor do capítulo coincide com o autor do livro, não há necessidade de repetir o nome do autor após o “In:”. O que se faz, seguindo a padronização da referência bibliográfica, é colocar o título do livro imediatamente após o “In:”, separado por dois pontos. Assim, o sinal gráfico utilizado é o dois-pontos, que cumpre o papel de introduzir o título da obra principal, evitando redundância e mantendo a clareza da referência.

Esse detalhe é fundamental porque garante a precisão e a uniformidade exigidas pela norma ABNT. O emprego do dois-pontos após o “In:” não é apenas uma questão estética, mas sim uma convenção que assegura que o leitor compreenda que o capítulo citado pertence ao mesmo autor e está contido em sua própria obra. Dessa forma, a referência se mantém coesa e evita confusões que poderiam surgir caso se repetisse o nome do autor ou se utilizasse outro sinal gráfico inadequado.

Ou seja, sempre que o autor do capítulo for o mesmo do livro, o “In:” deve ser seguido por dois-pontos e, em seguida, pelo título da obra.

Exemplo: 

SILVA, J. Fundamentos da pesquisa científica. In: Metodologia da pesquisa acadêmica. São Paulo: Editora Acadêmica, 2020. p. 45-68.

Como referenciar monografia de acordo com as normas da ABNT?

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Professor escrevendo a palavra tutorial em um quadro

O elemento inicial de uma referência é a autoria, que deve começar pelo último sobrenome do autor em letras maiúsculas, seguido pelos prenomes abreviados ou grafados por extenso. Em seguida, registra-se o título do trabalho em itálico, mantendo apenas a primeira palavra e substantivos próprios com inicial maiúscula. Caso haja subtítulo, este deve ser inserido após dois-pontos, mantendo o texto em fonte normal, sem o uso do itálico, de modo a destacar visualmente o título principal do documento.

Na sequência da identificação da obra, é fundamental informar a natureza do trabalho acadêmico. Essa especificação engloba o tipo do documento, o grau pretendido, a vinculação institucional e o local de apresentação. Para uma monografia, indica-se entre parênteses o tipo de documento, como Trabalho de Conclusão de Curso ou Monografia, seguido do grau almejado, como Bacharelado ou Licenciatura, e da área do conhecimento. Logo após, inclui-se o nome da faculdade ou departamento, a universidade responsável pela concessão do título e a cidade onde a instituição está sediada.

📖 Leia também: Quais são os elementos pré-textuais obrigatórios em uma monografia de graduação?

A finalização do registro bibliográfico exige a indicação do ano de defesa ou de publicação do estudo, expresso em algarismos arábicos. Se o material for consultado em meio digital, torna-se obrigatória a inclusão do endereço eletrônico completo precedido pela expressão Disponível em, além da data em que o arquivo foi acessado, informada no formato do dia, mês abreviado e ano, sucedidos da expressão Acesso em.

Para ilustrar a aplicação prática desses elementos, considere o seguinte exemplo discursivo de uma monografia em formato online. 

SILVA, Frederico de Lima. Da letra ao inconsciente: dimensões do desejo perverso. Orientador: Hermano de França Rodrigues. 2014. 45 f. Monografia. (Graduação em Letras - Licenciatura Plena em Língua Portuguesa) – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2014. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/3086. Acesso em: 21 jul. 2026.

Além da lista bibliográfica ao final do documento, o autor deve registrar as chamadas no corpo do texto. Ao realizar uma citação indireta, ou seja, ao parafrasear as ideias da monografia, basta indicar o sobrenome do autor e o ano entre parênteses no final da frase, ou integrar o sobrenome no fluxo da sentença com o ano destacado. Já no caso de uma citação direta, que consiste na cópia literal de um trecho, acrescenta-se obrigatoriamente a indicação da página de onde o texto foi extraído.

O conceito de Hiato na Língua Portuguesa

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Professor de Língua Portuguesa escrevendo em um quadro

Na Língua Portuguesa, o hiato é um fenômeno fonético e fonológico que ocorre quando duas vogais aparecem juntas na sequência de uma palavra, mas pertencem a sílabas diferentes. Essa separação silábica impede que as vogais se fundam em um único som, como acontece nos ditongos, e faz com que cada vogal mantenha sua individualidade sonora. Em outras palavras, o hiato representa uma disjunção vocálica, na qual há uma pausa perceptível entre as vogais durante a articulação.

📖 Leia também: O conceito de Tritongo na Língua Portuguesa

Do ponto de vista fonético, o hiato se caracteriza pela presença de duas emissões vocálicas sucessivas, cada uma com seu núcleo silábico próprio. Já sob o enfoque fonológico, ele é relevante porque altera a estrutura silábica da palavra, influenciando diretamente a contagem de sílabas e, consequentemente, aspectos métricos e rítmicos da língua. Exemplos clássicos como saída, poeta e viúvo ilustram esse fenômeno: em todas essas palavras, as vogais contíguas não se unem, mas se separam em sílabas distintas — sa-í-da, po-e-ta, vi-ú-vo.

A ocorrência do hiato está intimamente ligada à natureza das vogais envolvidas e à posição que ocupam na palavra. Em geral, ele se manifesta quando uma vogal tônica é seguida ou precedida por outra vogal que não forma ditongo com ela, ou quando há o encontro de vogais idênticas, como em voo ou cooperar. Além disso, o hiato pode ter implicações ortográficas, como na necessidade do uso do acento gráfico para indicar a separação silábica e preservar a tonicidade, caso de saída ou baú.

Referências Bibliográficas

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

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BECHARA, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

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CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Edição com gabarito. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

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CUNHA, Celco; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Lexikon, 2025.

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HOUAISS, Antônio. Pequeno Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Editora Moderna, 2015.

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LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

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O conceito de Tritongo na Língua Portuguesa

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Professor de Língua Portuguesa escrevendo em um quadro

Na Língua Portuguesa, o tritongo é um fenômeno fonético e fonológico que consiste na sequência de três vogais pronunciadas numa única emissão de voz, isto é, dentro de uma mesma sílaba. Essa sequência é formada por uma semivogal + vogal + semivogal, sendo que as semivogais são sons vocálicos de menor intensidade articulatória, geralmente representados pelas letras i e u, enquanto a vogal central é o núcleo da sílaba, o som mais forte e proeminente.

📖 Leia também: O conceito de Hiato na Língua Portuguesa

Do ponto de vista fonético, o tritongo caracteriza-se pela continuidade articulatória: o aparelho fonador realiza um movimento suave e contínuo que passa pelas três posições vocálicas sem interrupção. Já sob o enfoque fonológico, o tritongo é relevante porque mantém a unidade silábica, ou seja, não há divisão entre as vogais na estrutura da palavra. Exemplos clássicos incluem Uruguai, quão e saguão, em que se observa a fusão dos sons [u], [a] e [i] ou [ã] dentro de uma mesma sílaba.

É importante distinguir o tritongo de outros encontros vocálicos, como o ditongo, que envolve apenas duas vogais na mesma sílaba, e o hiato, em que as vogais pertencem a sílabas diferentes. Essa diferenciação é essencial para a análise da estrutura silábica e da prosódia do português, pois interfere diretamente na métrica poética, na ortografia e na pronúncia culta.

Referências Bibliográficas

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

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BECHARA, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

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Como criar um Currículo Lattes pela primeira vez?

A Plataforma Lattes, instituída e mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), consolida-se como o padrão nacional de registro da trajetória de estudantes, docentes e pesquisadores no Brasil. Ela cumpre um papel duplo na infraestrutura da ciência brasileira: funciona simultaneamente como um portfólio individual de mérito acadêmico e como um banco de dados relacional que subsidia a avaliação de programas de pós-graduação e a concessão de auxílios e bolsas de fomento. A criação de um perfil nessa base de dados pressupõe um processo de cadastramento estruturado e validado, que exige do ingressante o fornecimento metódico de informações pessoais, institucionais e de produção intelectual.

O percurso inicial para o estabelecimento desse registro ocorre obrigatoriamente no portal eletrônico da plataforma, onde o usuário inicia o fluxo de inserção cadastral por meio da criação de novas credenciais de acesso baseadas no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). A primeira etapa procedimental consiste na validação da identidade do proponente, um mecanismo de segurança projetado para evitar a duplicidade de registros e assegurar a integridade dos dados governamentais. Após essa verificação primordial, o sistema solicita dados básicos de identificação e o registro de uma senha pessoal, configurando o núcleo de autenticação que permitirá modificações futuras no currículo.

Uma vez estabelecida a autenticação, o fluxo metodológico direciona o usuário para o preenchimento de suas informações de contato e localização geográfica. Esse bloco abrange dados residenciais ou profissionais, sendo o endereço de vínculo institucional o mais indicado para indivíduos que já possuem inserção ativa em entidades de pesquisa ou ensino. Em seguida, a plataforma exige o detalhamento da formação acadêmica e profissional, segmento crucial onde o ingressante deve registrar seus títulos em ordem cronológica de obtenção. Para os que estão iniciando a trajetória universitária, o registro da graduação em andamento e da instituição de ensino superior constitui a base estrutural que valida sua condição de estudante-pesquisador.

A etapa subsequente envolve a declaração da atuação profissional e das linhas de pesquisa de interesse científico do cadastrado. Mesmo diante de uma carreira acadêmica incipiente, as atividades de monitoria, iniciação científica ou projetos de extensão devem ser devidamente registradas, vinculando o perfil a uma ou mais subáreas do conhecimento conforme a tabela de áreas do CNPq. Essa categorização é de suma importância para a indexação correta do pesquisador nas ferramentas de busca interna da plataforma, facilitando sua localização por agências de fomento ou potenciais colaboradores em projetos multidisciplinares.

Por fim, o encerramento do processo inicial exige a revisão criteriosa de todos os campos preenchidos e a submissão formal dos dados à base do CNPq. É importante salientar que o Currículo Lattes não se torna visível imediatamente após a conclusão do preenchimento, pois o sistema opera sob uma rotina interna de validação e processamento de dados que costuma levar até vinte e quatro horas para ser concluída. Após esse período de latência técnica, o currículo é publicado e recebe um identificador único de dezesseis dígitos, conhecido como link permanente do Lattes, o qual servirá como o documento oficial de identidade científica do pesquisador perante a comunidade acadêmica nacional.

O significa Estranhamento na Teoria da Literatura?

Vamos analisar minuciosamente o conceito de Estranhamento, uma formulação teórica que alterou definitivamente a nossa percepção sobre o que é o fenômeno literário e como a linguagem artística opera em nossa cognição.

Para compreender o estranhamento em toda a sua densidade teórica, precisamos nos transportar para as primeiras décadas do século vinte, mais especificamente para o ambiente de efervescência intelectual da Rússia pré e pós-revolucionária. Foi nesse contexto que se consolidou o Formalismo Russo, um movimento de crítica literária determinado a conferir um estatuto estritamente científico aos estudos da literatura. Os formalistas estavam profundamente insatisfeitos com a crítica de sua época, que tendia a reduzir a obra literária a uma mera extensão da biografia do autor, a um reflexo sociológico de seu tempo ou a um tratado filosófico em prosa. Para pensadores como Viktor Chklovski, Roman Jakobson, Boris Eikhenbaum e Iuri Tynianov, a literatura precisava ser estudada a partir de seus próprios elementos constitutivos, ou seja, a partir de sua forma e de sua linguagem.

Foi nesse cenário, precisamente no ano de mil novecentos e dezessete, que Viktor Chklovski publicou um ensaio que se tornaria o manifesto inaugural dessa nova abordagem crítica: A Arte como Procedimento. É nesse texto que o autor cunha o termo ostranenie, traduzido para o português como estranhamento ou, em algumas vertentes acadêmicas, como desautomatização ou desfamiliarização. A tese central de Chklovski parte de uma observação perspicaz sobre a psicologia da percepção humana e a forma como interagimos com o mundo cotidiano que nos cerca.

O teórico argumenta que, à medida que realizamos as mesmas ações, vemos os mesmos objetos e utilizamos a mesma linguagem repetidamente, nossa percepção passa por um processo inexorável de automação. Nós deixamos de ver as coisas e passamos apenas a reconhecê-las. Quando andamos por uma rua que percorremos todos os dias, não estamos verdadeiramente apreendendo a textura das paredes, a tonalidade exata das folhas das árvores ou o desenho arquitetônico das janelas; nós apenas identificamos esses elementos como sinalizadores espaciais necessários para a nossa locomoção. A vida, quando imersa nessa rotina cognitiva, perde o seu frescor e a sua vivacidade. Chklovski chega a afirmar textualmente que a automatização devora os objetos, os hábitos, os móveis, as roupas e até mesmo o medo da guerra. Se a vida complexa de tantas pessoas passa inconscientemente, diz ele, então essa vida é como se não tivesse sido.

É exatamente para combater essa anestesia sensorial, essa morte em vida provocada pelo hábito, que surge a arte. A função da arte, portanto, não é fazer-nos compreender uma mensagem moral ou transmitir um conteúdo factual que poderia ser facilmente comunicado por outros meios. A função da arte é devolver-nos a sensação da vida, fazer-nos sentir os objetos, fazer com que o que é de pedra seja verdadeiramente de pedra. Para alcançar esse objetivo humanitário e cognitivo, a arte utiliza o procedimento do estranhamento.

O estranhamento consiste, essencialmente, em retirar o objeto de sua percepção habitual, tornando-o deliberadamente difícil, desconhecido ou bizarro, de modo que o receptor da obra seja forçado a demorar-se na sua contemplação. Em vez de uma percepção automatizada que se resolve em uma fração de segundo através do mero reconhecimento, a obra de arte impõe uma percepção laboriosa, uma recepção retardada. O tempo de recepção na arte é um fim em si mesmo e deve ser prolongado ao máximo. A literatura realiza isso manipulando o seu material exclusivo: a linguagem.

Na linguagem cotidiana, aquela que utilizamos para comprar pão, redigir um relatório técnico ou pedir direções na rua, a palavra funciona como uma espécie de moeda de vidro. Ela é perfeitamente transparente. Nós olhamos através dela para atingir o referente, o significado prático que está por trás. Se alguém diz que o dia está chuvoso, a atenção do interlocutor se volta imediatamente para a necessidade de buscar um guarda-chuva, e não para a sonoridade das palavras ou para a tessitura sintática da frase. Na literatura, contudo, ocorre o oposto. A linguagem literária opõe resistência ao leitor. Ela se torna opaca, rugosa, densa. O leitor é obrigado a olhar para a palavra, para a sua forma, para o seu ritmo, para as suas ambiguidades, antes de conseguir atravessá-la em direção ao sentido.

Para ilustrar como esse procedimento funciona na prática textual, Chklovski recorre frequentemente às obras de Liev Tolstói. O romancista russo era um mestre supremo do estranhamento, utilizando-o como uma ferramenta de crítica social e filosófica. Em várias de suas narrativas, Tolstói descreve episódios e instituições humanas perfeitamente familiares como se os estivesse vendo pela primeira vez, abstendo-se de nomear as coisas pelos seus nomes habituais e descrevendo-as como se fossem fenômenos completamente inéditos e incompreensíveis.

Um dos exemplos mais célebres ocorre no conto Kholstomer, no qual toda a história é narrada sob o ponto de vista de um cavalo. Ao adotar a perspectiva equina, Tolstói consegue estranhar o conceito estritamente humano de propriedade privada. O cavalo expressa sua absoluta perplexidade diante do fato de que os homens usam palavras como meu e teu para se referirem a seres vivos, à terra e a objetos que eles sequer utilizam. O animal não consegue compreender como um homem que nunca o montou e que jamais cuidou dele pode afirmar que é seu dono, enquanto aqueles que de fato convivem com ele não possuem esse direito legal. Ao deslocar o foco interpretativo para os olhos de um ser exterior à cultura humana, o texto literário despe a propriedade privada de sua aura de naturalidade, revelando-a como uma convenção social arbitrária, absurda e potencialmente violenta.

O mesmo procedimento é empregado por Tolstói em Guerra e Paz ao descrever uma noite na ópera. Em vez de utilizar o jargão teatral ou a terminologia musical que normalizaria a experiência para o leitor aristocrático, o narrador descreve o espetáculo como uma sucessão de panos pintados, tábuas de madeira serradas e pessoas vestidas de maneira ridícula que se movem de um lado para o outro emitindo gritos modulados sem qualquer razão aparente. O efeito desse estranhamento é duplo. Primeiramente, ele renova a nossa percepção sensorial do que é um espetáculo teatral, despindo-o de suas convenções automáticas. Em segundo lugar, ele funciona como uma fina ironia contra a artificialidade dos costumes da alta sociedade russa, que encontrava seriedade e elevação moral em um ritual que, visto de forma puramente factual, beira o absurdo.

Essa capacidade da literatura de desnaturalizar o mundo é o que nos permite traçar uma distinção rigorosa entre a linguagem literária e a linguagem comum. Roman Jakobson, outro pilar do Formalismo Russo, desdobraria essas intuições na formulação do conceito de literalidade, ou seja, aquilo que faz de uma determinada obra uma obra literária. Para Jakobson, a literatura se caracteriza pela predominância da função poética da linguagem, que ocorre quando a mensagem se volta sobre si mesma, quando a seleção e a combinação das palavras adquirem uma relevância estética superior à mera transmissão de informações. O estranhamento de Chklovski é, fundamentalmente, a manifestação perceptiva dessa função poética descrita por Jakobson.

É de suma importância ressaltar que o estranhamento não é uma propriedade intrínseca e imutável de certas palavras ou de determinados temas. O estranhamento é uma relação dinâmica que se estabelece entre o texto e o horizonte de expectativa de uma determinada época histórica. Um procedimento que causou profundo estranhamento e escândalo estético no século dezenove pode, perfeitamente, transformar-se em um clichê desgastado no século vinte e um. Quando os poetas românticos começaram a utilizar uma linguagem mais próxima do falar cotidiano e a tematizar elementos da natureza interior em oposição ao rigor clássico das musas greco-romanas, eles causaram um choque de estranhamento em seus leitores contemporâneos. Com o passar das décadas, contudo, a própria dicção romântica foi assimilada, normatizada e automatizada pela tradição literária, exigindo que os movimentos subsequentes, como o Realismo e o Simbolismo, criassem novos procedimentos de ruptura para restabelecer a opacidade da arte.

Esse caráter histórico e evolutivo da literatura foi amplamente teorizado por Iuri Tynianov em seu ensaio Da Evolução Literária. Tynianov concebe a literatura como um sistema dinâmico no qual as formas literárias estão em constante luta e transformação. Uma forma artística não evolui de maneira pacífica e linear; ela se transforma por meio da paródia, da contestação e da recontextualização de formas anteriores que se tornaram automatizadas. O estranhamento, portanto, é o motor propulsor da própria história da literatura. Quando um determinado gênero ou estilo literário perde a sua capacidade de desautomatizar a percepção, ele entra em declínio, abrindo espaço para que novas vanguardas subvertam essas convenções e devolvam ao leitor a experiência do choque estético.

Podemos expandir essa reflexão teórica ao colocá-la em diálogo com outras correntes da Teoria da Literatura que absorveram e ressignificaram o conceito formalista. O caso mais emblemático é o do dramaturgo e teórico alemão Bertolt Brecht, que desenvolveu o conceito de efeito de distanciamento para o seu teatro épico. Embora Brecht tenha formulado sua teoria com objetivos eminentemente políticos e ideológicos, as bases cognitivas de seu pensamento dialogam diretamente com a ostranenie de Chklovski.

No teatro aristotélico tradicional, o espectador é convidado a mergulhar em uma ilusão realista, identificando-se emocionalmente com os personagens através da catarse. Brecht argumentava que essa identificação emocional contínua adormecia o senso crítico do espectador, fazendo-o aceitar as injustiças sociais apresentadas no palco como se fossem o destino inevitável da condição humana ou leis imutáveis da natureza. Para combater essa passividade, o teatro épico brechtiano utiliza uma série de procedimentos de distanciamento, como a interrupção das cenas por canções, a exposição explícita dos refletores de luz, a leitura de cartazes informativos e a atuação distanciada dos atores, que não devem se transformar plenamente nos personagens, mas sim apresentá-los criticamente ao público.

O objetivo do distanciamento brechtiano é fazer com que o espectador olhe para a realidade social representada, o desemprego, a exploração do trabalho, a guerra, e perceba que esses fenômenos não são naturais nem eternos, mas sim construções históricas realizadas por seres humanos e que, portanto, podem ser transformadas pela ação humana. Vemos aqui como o estranhamento, originalmente concebido pelos formalistas russos como um procedimento estético focado na renovação da percepção sensorial e linguística, adquire uma dimensão profundamente política e revolucionária na práxis teatral do século dezenovo e vinte. A literatura e a arte em geral deixam de ser apenas um refúgio contemplativo e passam a atuar como ferramentas de desmistificação da ideologia dominante.

Ao analisarmos a literatura contemporânea, percebmos que o conceito de estranhamento continua perfeitamente válido e necessário para darmos conta das experimentações narrativas atuais. Pensemos, por exemplo, na literatura de Franz Kafka. Em sua obra-prima A Metamorfose, o estranhamento é levado a um paroxismo radical logo na primeira frase do texto, quando o caixeiro-viajante Gregor Samsa acorda de sonhos intranquilos metamorfoseado em um inseto monstruoso. O que torna o texto kafkiano tão perturbador e esteticamente denso não é apenas o fato fantástico da transformação em si, mas a forma como esse fato é narrado. Gregor Samsa não reage à sua nova condição com o desespero metafísico ou o terror que esperaríamos de uma situação sobrenatural; sua principal preocupação imediata é o fato de ter perdido o trem das cinco da manhã e a bronca que receberá de seu chefe no escritório.

Ao tratar o monstruoso e o absurdo com a linguagem sóbria, burocrática e naturalizante de um relatório comercial, Kafka exerce um duplo estranhamento. Ele estranha o fantástico ao torná-lo cotidiano, e estranha o próprio cotidiano e a rotina do trabalho assalariado ao revelar que a vida sob o capitalismo burocrático é tão desumanizante que acordar transformado em um inseto é encarado como um mero contratempo profissional. O leitor é arrancado de sua zona de conforto interpretativa, sendo forçado a reavaliar as estruturas de alienação que regem a sua própria existência.

Aprenda mais sobre esse conceito lendo…

Teoria da literatura: Textos dos formalistas russos

Por: Tzvetan Todorov

Segundo Jakobson, “o ‘formalismo’, etiqueta vaga e desconcertante que os difamadores lançaram para estigmatizar toda análise da função poética da linguagem, criou a miragem de um dogma uniforme e consumado”. O presente livro traz a público as traduções feitas por Todorov de ensaios dos principais integrantes da chamada escola “formalista” russa, para que os leitores possam tecer suas próprias análises a respeito dessa vertente analítica.

O que significa Literariedade na Teoria da Literatura?

Olá! É um prazer receber você nesta nossa aula de Teoria da Literatura. Acomode-se, pois hoje nos dedicaremos a investigar um dos conceitos mais fundamentais, complexos e divisores de águas dos estudos literários modernos: a literariedade.

Para compreender a fundo o que esse termo significa, precisamos fazer um recuo histórico e nos posicionar no início do século XX. Imagine o cenário dos estudos sobre arte e literatura até aquele momento. A crítica literária tradicional era profundamente marcada pelo biografismo, pelo psicologismo e pelo historicismo. Isso significa que, se alguém quisesse analisar um poema de Álvares de Azevedo ou um romance de Machado de Assis, o foco quase sempre recaía sobre a vida do autor, seu estado psicológico no momento da escrita ou o contexto social e político da época. A obra em si era tratada quase como um pretexto, um documento histórico ou um sintoma da mente do escritor. O texto literário, portanto, carecia de um estatuto de autonomia; ele não era estudado por aquilo que era, mas pelo que refletia.

É justamente contra essa postura que se levanta um grupo de jovens intelectuais na Rússia, por volta de 1915, fundando o que mais tarde conheceríamos como o Formalismo Russo. Nomes como Roman Jakobson, Viktor Shklovsky, Boris Eikhenbaum e Yuri Tynianov provocaram uma verdadeira revolução epistemológica. Eles perceberam que, para que os estudos literários pudessem reivindicar o status de ciência, uma ciência da literatura, era preciso delimitar com clareza o seu objeto de estudo. E o objeto da ciência literária, como propôs dramaticamente Roman Jakobson, não é a literatura em sua totalidade vaga, mas sim a literariedade (literaturnost).

Nas palavras célebres de Jakobson, o objeto da ciência da literatura não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que faz de uma determinada obra uma obra literária. Para os formalistas, o historiador da literatura tradicional se comportava como a polícia que, querendo prender uma determinada pessoa, entrava em uma casa e saía levando tudo o que encontrava pela frente: os móveis, as roupas, os moradores e até os transeuntes da rua. Ou seja, a crítica antiga misturava sociologia, psicologia, filosofia e história, mas esquecia-se do principal: a materialidade do próprio texto.

A literariedade, portanto, pressupõe a existência de uma especificidade na linguagem literária que a distingue de qualquer outro tipo de discurso. Não se trata de buscar a "essência" metafísica ou a "beleza" abstrata do texto, mas sim de observar os procedimentos técnicos e formais que operam na linguagem para transformá-la em arte. A grande virada teórica reside no fato de que o foco se desloca do conteúdo (o "quê" o texto diz) para a forma (o "como" o texto diz). A mensagem literária deixa de ser um meio de transmissão de informações ou de sentimentos para se tornar o próprio fim da comunicação.

Para aprofundarmos essa mecânica textual, precisamos recorrer a outro conceito basilar formulado por Viktor Shklovsky: o estranhamento, também traduzido do russo como desfamiliarização (ostranenie). Shklovsky argumentava que, no nosso cotidiano, a percepção que temos do mundo e das palavras se torna automatizada. Nós não vemos os objetos; nós apenas os reconhecemos pelo hábito. Se andamos pela rua, olhamos para uma árvore e automaticamente a catalogamos como "árvore", sem de fato perceber sua textura, suas cores ou a forma como a luz incide sobre suas folhas. O mesmo acontece com a linguagem cotidiana, que busca a máxima transparência e eficiência: usamos as palavras como ferramentas utilitárias para transmitir recados rápidos, dar ordens ou expressar necessidades imediatas. A palavra, na vida prática, é um vidro transparente através do qual olhamos para a realidade.

A arte, por outro lado, atua como um elemento perturbador dessa automação. O procedimento do estranhamento consiste em retirar o objeto de sua percepção habitual, fazendo com que ele pareça novo, estranho e, consequentemente, visível em toda a sua densidade. Na literatura, o escritor não usa a linguagem para nos fazer reconhecer as coisas, mas para nos fazer ver as coisas através de uma percepção renovada. A linguagem literária, longe de ser um vidro transparente, comporta-se como um vidro opaco, trabalhado, facetado, que chama a atenção para a sua própria superfície. Nós deixamos de olhar apenas através da palavra e passamos a olhar para a palavra.

Esse processo de desautomatização linguística é a engrenagem viva da literariedade. O escritor manipula o ritmo, a sonoridade, a sintaxe, as metáforas e a disposição das palavras na página de modo a desacelerar a leitura. Essa desaceleração é intencional. Ao criar uma resistência na leitura, o texto literário prolonga o tempo da nossa percepção estética. Nós saboreamos a forma, percebemos as colisões fonéticas, as ambiguidades semânticas e as tensões estruturais que constituem o tecido textual. A literariedade, sob essa ótica, é o resultado de uma violência organizada praticada contra a linguagem comum.

Anos mais tarde, o próprio Roman Jakobson, já integrando as discussões do Estruturalismo e da Linguística, refinou essa teorização ao propor o modelo das funções da linguagem. Ele postulou que a comunicação humana se articula em torno de seis elementos: o emissor, o receptor, a mensagem, o contexto, o código e o canal. A cada um desses elementos corresponde uma função linguística predominante. Quando o discurso está centrado no contexto, temos a função referencial, focada na informação objetiva. Quando está centrado no emissor, temos a emotiva. No entanto, quando o foco do discurso se volta inteiramente sobre a própria mensagem, sobre a sua própria construção e organização interna, estamos diante da função poética.

A função poética é a tradução linguística da literariedade. Jakobson explicou que essa função opera projetando o princípio da equivalência do eixo da seleção sobre o eixo da combinação. Trata-se de uma formulação técnica densa, mas que pode ser desmistificada. No cotidiano, quando construímos uma frase, operamos em dois eixos. Primeiro, selecionamos palavras em um estoque de sinônimos (eixo da seleção) e, depois, combinamos essas palavras seguindo as regras gramaticais (eixo da combinação). Na linguagem comum, escolhemos as palavras pela sua adequação ao sentido que queremos transmitir. Na função poética, a seleção é feita não apenas pelo sentido, mas pela equivalência de som, de ritmo, de rima e de métrica. As palavras são combinadas de modo que sua proximidade física no texto gere novos sentidos e sonoridades inesperadas. O plano da expressão caminha de mãos dadas com o plano do conteúdo, de forma indissociável.

É fundamental ressaltar que a literariedade não é uma propriedade fixa, imutável ou uma essência perene que habita certas palavras e abandona outras. O próprio desenrolar da Teoria da Literatura tratou de relativizar e dinamizar o conceito formalista inicial. Com o avanço dos estudos estruturalistas e, posteriormente, com a Estética da Recepção e a Semiótica, compreendeu-se que a literariedade possui um caráter marcadamente histórico, social e institucional. O que funciona como literário em uma determinada época pode perder essa condição em outra, assim como textos originalmente produzidos sem qualquer intenção artística podem passar a ser lidos como literatura devido a uma mudança nos códigos de leitura de uma comunidade.

Pensemos, por exemplo, nas cartas de navegação do período dos descobrimentos ou nos diários de viagem dos cronistas do século XVI. Em sua origem, esses textos possuíam uma função puramente prática, referencial e documental; eram relatórios destinados a reis e investidores. Contudo, ao longo dos séculos, esses mesmos documentos passaram a ser lidos e estudados sob a ótica da historiografia literária, pois passamos a enxergar neles procedimentos narrativos, construções metafóricas e uma densidade retórica que ativam a nossa percepção estética. O estatuto de literariedade, portanto, também é conferido pelo olhar do leitor e pelas convenções da comunidade crítica.

Yuri Tynianov, outro brilhante formalista, já antecipava essa percepção ao tratar a literatura como um sistema dinâmico. Ele percebeu que as formas literárias sofrem um processo inevitável de desgaste e envelhecimento. Um procedimento que hoje provoca estranhamento e desautomatização pode, pelo uso repetido e pela imitação exaustiva, tornar-se ele próprio automatizado e clichê amanhã. Quando uma metáfora se torna desgastada, como a clássica associação entre os cabelos brancos e a neve, ela perde sua literariedade primordial e se transforma em mero automatismo linguístico. Para que a literatura continue viva, o sistema exige uma renovação constante de seus procedimentos, uma nova quebra de expectativas que empurre a linguagem de volta para a zona do estranhamento.

Essa dinâmica nos mostra que a literariedade não reside no vocabulário em si. Não existem palavras inerentemente poéticas ou palavras intrinsecamente prosaicas. O termo mais chulo, a gíria urbana mais efêmera ou o jargão técnico mais árido podem ser elevados à condição de literariedade dependendo da forma como são articulados, friccionados e estruturados dentro do arranjo textual. A literariedade provém da arquitetura do texto, da sintonia fina entre suas partes e do modo como o autor subverte a gramática da obviedade.

A importância desse conceito para a consolidação da Teoria da Literatura como disciplina autônoma não pode ser subestimada. Ao isolar a literariedade como seu objeto de inquérito, a crítica literária rompeu com o amadorismo impressionista que dominava os jornais e as academias. Deixou-se de lado o julgamento meramente subjetivo baseado no "gosto" pessoal ou na busca moralista por uma mensagem edificante. A crítica passou a dispor de ferramentas analíticas precisas para esquadrinhar o texto, demonstrando como as rimas de um soneto de Camões criam uma rede de correspondências semânticas, ou como a fragmentação temporal e o fluxo de consciência em James Joyce ou Virginia Woolf emulam e reconstroem a própria textura da experiência psicológica humana.

Ao longo do pós-estruturalismo, teóricos como Roland Barthes e Jacques Derrida expandiram e tensionaram ainda mais as fronteiras desse debate. Barthes nos alertou para o prazer do texto e para a sua pluralidade constitutiva. A literariedade, sob a ótica barthesiana, está ligada à capacidade que o texto tem de se abrir a múltiplas leituras, de resistir a uma interpretação única e fechada. Um texto utilitário ou informativo é um texto legível: nós o consumimos e extraímos dele um sentido unívoco. Já o texto literário é escrevível: ele exige a participação ativa do leitor na cocriação do sentido, pois suas frestas, suas ironias e suas metáforas impedem o fechamento dogmático do significado.

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Teoria da literatura: Textos dos formalistas russos

Por: Tzvetan Todorov

Segundo Jakobson, “o ‘formalismo’, etiqueta vaga e desconcertante que os difamadores lançaram para estigmatizar toda análise da função poética da linguagem, criou a miragem de um dogma uniforme e consumado”. O presente livro traz a público as traduções feitas por Todorov de ensaios dos principais integrantes da chamada escola “formalista” russa, para que os leitores possam tecer suas próprias análises a respeito dessa vertente analítica.