No universo da produção acadêmica, é comum nos depararmos com situações em que uma obra indispensável para o nosso trabalho é mencionada por outro autor, mas o acesso ao documento original se mostra inviável, seja por se tratar de um livro esgotado, de um manuscrito antigo ou de um periódico de difícil circulação. Para contornar esse obstáculo sem cometer plágio e mantendo a honestidade intelectual, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) prevê o uso da citação de citação, um recurso técnico conhecido pela expressão latina apud, que significa "citado por".
A estrutura básica dessa modalidade exige que o pesquisador identifique primeiramente o autor da ideia original (aquele que ele não leu), seguido do termo apud em itálico e, logo em seguida, os dados da obra que ele de fato tem em mãos (o autor que ele leu). Na prática, caso o autor Silva, em uma obra de 2010, mencione uma definição marcante de Santos, publicada em 1995, e o pesquisador só tenha acesso ao livro de Silva, o texto deve indicar a linha temporal e a autoria de forma clara.
Tanto se a menção ocorrer no corpo do parágrafo como feita ao final do trecho, dentro dos parênteses, o sobrenome do autor original é grafado apenas com a inicial maiúscula, seguido pelo ano de sua obra, o termo indicativo e o sobrenome do autor consultado, este também acompanhado pelo ano e pela página específica de onde a informação foi extraída. Em um fluxo textual, a construção se apresentaria afirmando que, de acordo com Santos (1995 apud Silva, 2010, p. 45), o fenômeno observado responde a critérios preestabelecidos. No caso da citação seja feita ao final do trecho, dentro dos parênteses (Santos, 1995 apud Silva, 2010, p. 45).
Existe uma diferença fundamental e crucial que costuma gerar dúvidas no momento de consolidar a lista de referências ao final do trabalho acadêmico. Na seção de referências bibliográficas, o pesquisador deve constar apenas e exclusivamente a obra que ele efetivamente consultou. Portanto, utilizando o exemplo mencionado, a referência completa conterá apenas os dados do livro de Silva publicado em 2010. Os dados de Santos não ganharão uma entrada própria na lista final, permanecendo registrados apenas no corpo do texto ou em notas de rodapé explicativas, caso o autor do trabalho deseje fornecer mais detalhes sobre a obra original para facilitar futuras buscas de seus leitores.
Por fim, cabe ressaltar um preceito metodológico essencial: o uso do apud deve ser encarado como um último recurso na investigação científica. A comunidade acadêmica preza pela consulta direta às fontes primárias para evitar distorções de interpretação que ocorrem naturalmente quando uma ideia passa por múltiplos filtros. Assim, a citação de citação legitima o texto sob o ponto de vista normativo da ABNT, mas o seu emprego comedido é o que assegura o rigor e a credibilidade dos argumentos desenvolvidos pelo pesquisador.