Quando lidamos com obras produzidas por múltiplos cientistas ou pensadores, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) nos oferece ferramentas de simplificação para tornar a leitura do texto principal mais fluida. É exatamente aí que entra a expressão latina et alii, comumente abreviada como et al., que significa literalmente "e outros". Como revisor, percebo que o uso desse termo ainda gera muitas dúvidas, principalmente após as atualizações normativas recentes que trouxeram mais flexibilidade ao pesquisador.
Para aplicar essa abreviação de forma impecável, o primeiro passo é compreender quando ela se torna um recurso viável. De acordo com as diretrizes vigentes da ABNT para citações em documentos, a expressão é recomendada para simplificar a menção a obras que possuem quatro ou mais autores. Quando um trabalho tem até três autores, a norma determina que todos os nomes sejam obrigatoriamente listados, separados por ponto e vírgula no sistema autor-data. No entanto, ao cruzar a fronteira dos quatro autores, você ganha o direito de citar apenas o sobrenome do primeiro deles, seguido imediatamente pela abreviação et al. e pelo ano da publicação.
Um ponto crucial que costuma confundir muitos acadêmicos é a grafia correta do termo. A palavra et é uma conjunção completa em latim, o que significa que ela nunca deve receber um ponto final. Já a palavra al. é a abreviação de alii, razão pela qual o ponto final decorrente da abreviação é obrigatório. Portanto, escreve-se sempre et al. com o ponto logo após a letra "l". Se a citação ocorrer ao final de um parágrafo, esse ponto da abreviação acumula a função de ponto final da frase, dispensando a necessidade de duplicar o sinal gráfico. Além disso, embora seja uma expressão de origem estrangeira, a norma atual da ABNT não exige o uso do itálico para o et al., permitindo que ele seja grafado em texto redondo regular, embora o uso do itálico ainda seja aceito por questões de padronização visual de algumas editoras ou periódicos específicos, desde que mantida a uniformidade.
A aplicação prática do termo exige atenção ao modelo de citação escolhido para o corpo do texto. Se você optar por incluir os autores de maneira direta na narrativa, fora dos parênteses, apenas a primeira letra do sobrenome do autor principal será maiúscula, seguida pelo termo et al. em letras minúsculas e pelo ano entre parênteses. Por outro lado, caso decida realizar uma citação indireta remetendo a autoria para o final da frase, todo o bloco de informações deve figurar entre parênteses. Nesse cenário específico, o sobrenome do primeiro autor deve ser escrito inteiramente em letras maiúsculas, seguido por uma vírgula, pela expressão et al. em minúsculas e, finalmente, por outra vírgula que antecede o ano de publicação.
É fundamental destacar uma novidade essencial trazida pela última grande revisão da norma de citações da ABNT: o uso do et al. para quatro ou mais autores deixou de ser uma imposição absoluta e passou a ser uma opção de estilo.
Isso significa que o pesquisador agora tem a liberdade de listar todos os autores da obra, independentemente do número de integrantes, tanto nas citações ao longo do texto quanto na lista de referências ao final do trabalho. O grande segredo para não cometer erros e garantir o rigor metodológico é a consistência. Se você decidir adotar a abreviação et al. na primeira citação com mais de quatro autores, deverá manter esse mesmo padrão de simplificação em todas as outras ocorrências semelhantes ao longo de toda a sua dissertação, tese ou artigo. Da mesma forma, a escolha feita no corpo do texto deve refletir fielmente o critério utilizado na construção da sua lista de referências bibliográficas.