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12/09/2026

O que significa Princípio do Prazer para a Psicanálise?

A psicanálise, desde os primeiros momentos da sua fundação, dedica-se a compreender as forças inconsciente que regem a conduta, os afetos e os sofrimentos da psique humana. Um desses elementos, conceituados por Sigmund Freud, serve como horizonte para a compreensão do funcionamento mental: o Lustprinzip, traduzido para o português como Princípio do Prazer. Na metapsicologia freudiana, o Princípio do Prazer funciona como um regulador econômico e energético da mente, cuja função principal é gerir os níveis de excitação que chegam ao aparelho psíquico, visando manter a tensão no nível mais baixo e constante possível.

A mente humana é constante e inevitavelmente bombardeada por estímulos que provêm de duas fontes distintas: o mundo externo, através dos sentidos, e o mundo interno, por meio das necessidades corporais e das exigências pulsionais. Quando a tensão psíquica aumenta, decorrente do acúmulo de energia não descarregada, o aparelho psíquico vivencia esse estado como desprazer. O Princípio do Prazer entra em ação justamente como um imperativo biológico e psíquico que busca a descarga imediata dessa energia acumulada. A redução dessa tensão é traduzida subjetivamente como a sensação de prazer. Assim, na teoria freudiana clássica, o prazer não é interpretado como uma conquista positiva de euforia, mas sim como o alívio decorrente da diminuição de uma tensão dolorosa ou desconfortável.

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Nos primeiros estágios do desenvolvimento humano, durante a infância mais remota, o bebê é governado de maneira quase exclusiva por essa lógica do imediato, isto é, pela influência quase absoluta do id. O recém-nascido, ao sentir fome, dor ou frio, vivencia um aumento insuportável de tensão interna. Incapaz de adiar a satisfação ou de realizar ações complexas no mundo externo para sanar a sua dor, o bebê exige uma solução instantânea. Essa forma primária de funcionamento psíquico conecta-se ao processo primário, no qual a energia flui livremente de uma representação mental para outra, buscando a descarga por meio do caminho mais curto possível. Quando o objeto real de satisfação, como o seio materno, não está presente, o psiquismo do bebê recorre à alucinação primária da satisfação, revivendo a memória visual ou tátil de alimentações anteriores para tentar diminuir a angústia do desamparo.

No entanto, a realidade objetiva tende a se impor. A satisfação alucinatória não é capaz de saciar a fome fisiológica por muito tempo, e a ausência do objeto externo força o aparelho psíquico a reconhecer que o mundo ao redor não responde instantaneamente aos seus desejos. É a partir desse choque inevitável com o ambiente que tem início uma transformação crucial na economia mental. O ego, em seu processo de diferenciação e amadurecimento, passa a mediar as exigências das pulsões e as limitações do mundo exterior. O Princípio do Prazer não é abolido ou destruído, mas sim modificado e diferido pela emergência de um novo regulador: o Princípio da Realidade.

A transição da hegemonia do Princípio do Prazer para a convivência com o Princípio da Realidade representa o próprio alicerce da civilização e da maturação psíquica. Sob o domínio do Princípio da Realidade, o indivíduo aprende a tolerar certo grau de tensão e desprazer momentâneo em nome de um prazer mais seguro, duradouro e socialmente viável no futuro e contribui com isso que conhecemos como cultura. O processo secundário substitui o fluxo livre de energia, introduzindo o pensamento lógico, a memória reflexiva, o julgamento de realidade e a capacidade de planejamento. O desejo deixa de exigir uma descarga imediata para se submeter a caminhos indiretos. Contudo, é fundamental ressaltar que o Princípio da Realidade serve aos mesmos propósitos do Princípio do Prazer: ele garante a sobrevivência do indivíduo para que a satisfação continue sendo possível, evitando que o alívio impulsivo resulte na destruição do sujeito ou em retaliações do ambiente.

Apesar da consolidação do Princípio da Realidade na vida adulta, o Princípio do Prazer continua a reinar absoluto em certas instâncias da mente, manifestando-se de forma vigorosa no inconsciente. A vida dos sonhos é o exemplo mais vívido e cotidiano dessa permanência. Quando dormimos, a motilidade é suspensa e o teste de realidade enfraquece, permitindo que os desejos inconscientes reprimidos encontrem caminhos transversais para a sua realização fantasiada. Nos sonhos, o tempo linear dissolve-se, as contradições coexistem e a lógica do processo primário ressurge, revelando como a busca pela descarga energética continua ativa nas camadas mais profundas do psiquismo.

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Além dos sonhos, o Princípio do Prazer encontra vazão através dos sintomas neuróticos, dos atos falhos e dos chistes. O sintoma, sob a perspectiva clínica psicanalítica, é uma formação de compromisso entre a pulsão que busca a satisfação e o ego que tenta reprimi-la. O sujeito neurótico sofre com o seu sintoma, mas esse mesmo sintoma carrega em seu núcleo um ganho secundário ou primário de prazer inconsciente, uma satisfação substitutiva que contorna as proibições do ego e do superego. É por essa razão que os pacientes frequentemente oferecem resistência ao tratamento analítico, pois abandonar o sintoma implica renunciar a uma certa forma de gratificação que a mente construiu a custas de grande sofrimento.

A teoria do Princípio do Prazer passou por uma grande revisão no ano de 1920, quando Freud publicou a obra intitulada Além do Princípio do Prazer. Atendendo às observações clínicas trazidas pelos traumatizados da Primeira Guerra Mundial, pelas neuroses de guerra e pelas brincadeiras infantis repetitivas, como a famosa cena do jogo do fort-da praticado por seu neto, Freud percebeu que a busca pelo alívio da tensão não explicava a totalidade dos fenômenos psíquicos. Os pacientes traumatizados retornavam compulsivamente, em seus sonhos e pensamentos, ao evento aterrorizante que lhes causara dor, demonstrando um funcionamento que parecia contrariar diretamente a busca pelo prazer e a esquiva do desprazer.

Essa constatação levou à formulação do conceito de compulsão à repetição e à introdução da dualidade entre a pulsão de vida, designada como Eros, e a pulsão de morte, denominada Thanatos. A compulsão à repetição configura-se em um nível mais primitivo do que o próprio Princípio do Prazer. Enquanto o Princípio do Prazer busca gerir e descarregar as excitações para manter a homeostase psíquica, a pulsão de morte busca o desligamento total, o retorno do organismo a um estado inorgânico de ausência absoluta de tensão. A partir desse momento da metapsicologia freudiana, o Princípio do Prazer passa a ser visto não mais como um ditador absoluto da vida mental, mas como um aliado de Eros, que tenta ligar e organizar a energia psíquica para defender o sujeito das forças desagregadoras e silenciosas da pulsão de morte.

A complexidade do Princípio do Prazer também pode ser "observada" no paradoxo da dor psíquica e no masoquismo. Se a mente é guiada pela busca do prazer e pela fuga do desprazer, como compreender o indivíduo que encontra satisfação no próprio sofrimento? A psicanálise indica que o masoquismo erógeno, moral e feminino demonstra como o desprazer consciente pode se articular como uma condição necessária para a obtenção de um prazer inconsciente. O afeto doloroso, quando erotizado ou atrelado a exigências punitivas do superego em relação à culpa inconsciente, transforma a dor no único caminho disponível para a quitação da tensão psíquica. A dor torna-se, nesse contexto, um veículo ambíguo para a realização do desejo.

Na prática clínica da psicanálise, o entendimento do Princípio do Prazer é essencial para orientar a escuta do analista. O paciente que chega ao consultório traz uma demanda articulada pelo sofrimento, mas traz também uma fixação inconsciente em modos arcaicos de satisfação. A análise não busca eliminar a capacidade de sentir prazer, nem tampouco submeter o indivíduo a uma adaptação rígida e castradora ao mundo externo. O objetivo do processo analítico é auxiliar o sujeito a reconhecer as suas fantasias, a integrar os seus conteúdos reprimidos e a flexibilizar as suas defesas, de modo que ele possa encontrar formas menos destrutivas e mais criativas de satisfação pulsional. Trata-se de permitir que o indivíduo transite com maior liberdade entre os imperativos do desejo e as exigências da realidade objetiva e cultural.

É importante entender que a cultura exige de cada um de nós um tributo pesado do Princípio do Prazer. Como Freud analisa em suas obras sobre a sociedade e a civilização, a vida comunitária só é possível mediante a renúncia pulsional e o adiamento da satisfação. A agressividade e a busca desmedida pelo prazer individual precisam ser inibidas para que a convivência social seja preservada. Esse sacrifício contínuo do desejo imediato em prol da segurança e da ordem social gera um mal-estar estrutural no indivíduo. O mal-estar na cultura é o preço inevitável que o ser humano paga pela proteção civilizatória, mantendo um conflito eterno entre as exigências intransigentes da pulsão e as imposições do coletivo.

O Princípio do Prazer atravessa todas as instâncias da personalidade humana, desde as formações do inconsciente até as construções mais refinadas da arte e da sublimação. Ao sublimar, por exemplo, o indivíduo redireciona a energia de uma pulsão sexual ou agressiva para objetivos não sexuais e de alto valor social, como a criação artística, a investigação científica ou o trabalho intelectual. A sublimação representa uma das maneiras, digamos, mais "refinadas" pelas quais o ego contorna o conflito entre o Princípio do Prazer e o Princípio da Realidade, permitindo a gratificação e a descarga de tensão em harmonia com as demandas do mundo exterior.

Referências Bibliográficas

FENICHEL, Otto. Teoria Psicanalitica Das Neuroses. 1. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2000.

FREUD, Sigmund. Além do princípio de prazer. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2020.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. Tradução de Pedro Tamen. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2022.

NASIO, Juan-David. O prazer de ler Freud. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de psicanálise. Tradução de Vera Ribeiro e Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.

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Revista Urdimento abre chamada para dossiê sobre artes cênicas e a psicanálise do corpo falante

A Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas está com chamadas abertas até 20 de setembro de 2026 para a submissão de trabalhos que integrarão o volume 3, número 59 do periódico, com publicação prevista para dezembro do mesmo ano. Sob coordenação de Luciana Eastwood Romagnolli (USP/CNPq) e organização de Sílvia Fernandes (USP), Antônio Teixeira (UFMG), Flavia Cera (UFSC), Gresiela Nunes da Rosa (UNISUL) e Patrick Pessoa (UFF), a edição proporá uma reflexão profunda sobre as intersecções entre o giro performático nas artes contemporâneas e a psicanálise lacaniana.

O dossiê busca investigar as disputas discursivas e teóricas em torno dos corpos contemporâneos a partir do conceito lacaniano de "corpo falante", que tensiona a relação entre linguagem, imagem e pulsão. A publicação convida pesquisadores e artistas a abordarem os arranjos entre arte e psicanálise, questionando os efeitos dos discursos dominantes da atualidade e explorando como as invenções da escrita e da cena oferecem novas saídas para o mal-estar da época. Entre os eixos sugeridos para contribuição estão as conformações do imaginário, a dimensão do olhar e da voz no âmbito pulsional, os limites da representação e o impacto de uma ética do singular na perspectiva crítica da cena.

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As submissões aceitam não apenas artigos científicos, mas também relatos de experiência, debates e dramaturgias. Todas as contribuições submetidas passarão pelo processo de avaliação pelos pares no sistema duplo-cego. Os interessados devem efetuar o cadastro como autores no portal da revista, consultar as diretrizes da publicação e realizar o envio do material diretamente pela plataforma OJS da URDIMENTO até o prazo final estipulado.

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Revista Maracanan abre chamada de artigos sobre governo e justiça no mundo ibero-americano

A Revista Maracanan anunciou a abertura da chamada de artigos para o dossiê temático da sua edição número 45, intitulado "Governo, Instituições e Justiças no Mundo Ibero-Americano: Novas Perspectivas e Pesquisas em Curso (Séculos XVI-XIX)". Com publicação prevista para o período de maio a agosto de 2027, a organização da chamada está a cargo das pesquisadoras Maria Fernanda Bicalho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Isabele de Matos Pereira de Mello, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Regina de Carvalho Ribeiro da Costa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A iniciativa acompanha o renovado interesse historiográfico pelas múltiplas dimensões das monarchias e sociedades ibéricas. Fundamentada em perspectivas teóricas sobre o conceito de império e na interlocução entre produções de diferentes países, a proposta parte da premissa de que o controle dos sujeitos, das consciências e dos territórios na Época Moderna operava por meio de uma variedade de instituições com jurisdições interligadas e sobrepostas, o que exige uma análise plural sobre as formas de governar e fazer justiça.

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O dossiê receberá trabalhos focados na complexa ordem social ibero-americana, com ênfase nas estruturas institucionais dos impérios ibéricos e na atuação das justiças régia, eclesiástica e inquisitorial, além do papel de seus agentes, práticas e costumes. Os organizadores incentivam abordagens que superem as fronteiras geográficas tradicionais, contemplando o caráter pluricontinental dos impérios e a dimensão humana manifestada nas interconexões entre os espaços Atlântico e Índico. Pesquisadores interessados têm até o dia 30 de dezembro de 2026 para enviar suas contribuições.

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Qual a regra de acentuação das paroxítonas na Língua Portuguesa?

Na Língua Portuguesa, a grande maioria dos vocábulos pertence a categoria das paroxítonas. Por essa razão, o sistema ortográfico segue uma lógica bastante econômica: como a maioria das palavras é paroxítona, toda aquela que termina com as vogais mais comuns não recebem acento gráfico, enquanto aquelas com terminações menos frequentes devem ser obrigatoriamente acentuadas.

Isso significa que não se acentuam as paroxítonas terminadas nas vogais simples a, e e o, seguidas ou não de s, tampouco as terminadas em am, em e ens. Palavras como casa, mesa, livro, jovens, garagem e item não recebem acento justamente porque seguem esse padrão natural do idioma. Em contrapartida, quando a palavra paroxítona termina em qualquer outra terminação, o acento gráfico torna-se obrigatório para sinalizar que a tonicidade permanece na penúltima sílaba e não migrou para a última.

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Entre as terminações que exigem o acento nas paroxítonas, destacam-se as palavras finalizadas em r, l, n e x. O vocábulo caráter, por exemplo, recebe acento agudo por ser uma paroxítona terminada em r. O mesmo raciocínio aplica-se a fácil e incrível, que terminam em l, a hífen e próton, terminadas em n, e a tórax e fênix, que possuem a terminação x. Vale notar uma peculiaridade importante quanto às palavras terminadas em n: embora o singular hífen seja acentuado, o seu plural hifens não recebe acento, pois passa a se enquadrar na terminação ens, que é isenta de acentuação.

Outro grupo relevante de paroxítonas acentuadas abrange as palavras terminadas nas vogais i e u, seguidas ou não de s, bem como as terminadas em um e uns. Exemplos claros dessa aplicação são os vocábulos júri, táxi, lápis, vírus, álbum e álbuns. Nesses casos, a presenças dessas vogais na posição final rompe a expectativa do padrão comum e exige a marcação gráfica da penúltima sílaba.

Além disso, as paroxítonas terminadas em ditongos orais, sejam eles crescentes ou decrescentes, seguidos ou não de s, também devem ser acentuadas graficamente. Essa é uma das regras mais recorrentes no uso cotidiano da língua. Palavras como história, água, família, colégio, mágoa, vácuo e fêmea exemplificam o uso do acento gráfico diante de ditongos crescentes finais. Da mesma forma, palavras como dócil e fáceis seguem a diretriz da preservação da tonicidade sobre o ditongo. Ao mesmo tempo, as palavras terminadas em ão, ãos, ã e ãs também recebem acento, como se observa em bênção, órfão, ímã e órfãs, nas quais o til marca a nasalidade da vogal final enquanto o acento circunflexo ou agudo indica a sílaba tônica paroxítona.

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Também se acentuam as paroxítonas terminadas em ps, como nas palavras bíceps, tríceps e fórceps, que apresentam uma estrutura silábica atípica para o português. É preciso salientar também as regras especiais que envolvem os hiatos: as vogais i e u tónicas das palavras paroxítonas recebem acento quando formam hiato com a vogal anterior e estão sozinhas na sílaba ou acompanhadas de s, como ocorre em saída, saúde, gaúcho e faísca.

Também vale destacar o fato de que, com o Acordo Ortográfico, os ditongos abertos ei e oi nas palavras paroxítonas deixaram de ser acentuados. Palavras que antigamente recebiam acento gráfico, como ideia, assembleia, heroico, jiboia e paranoia, hoje são grafadas sem nenhum tipo de acento, embora mantenham exatamente a mesma pronúncia aberta.

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Qual a regra de acentuação das oxítonas na Língua Portuguesa?

A regra geral para a acentuação das palavras oxítonas fundamenta-se nas suas terminações. Nesse sentido, de acordo com o sistema ortográfico vigente, devem ser acentuadas graficamente todas as oxítonas terminadas nas vogais abertas ou fechadas "a", "e" e "o", seguidas ou não da consoante "s", que atua como marca de plural. Dessa forma, vocábulos que finalizam com a vogal "a" recebem o acento correspondente para indicar a tonicidade e o timbre, exemplificados em termos como guaraná, sofá, xará e nos seus respectivos plurais, como sofás e guaranás. O mesmo raciocínio se aplica às oxítonas terminadas na vogal "e", que demandam a acentuação em palavras como café, comitê, você, português e pontapés, variando entre o acento agudo para sons abertos e o circunflexo para sons fechados. Do mesmo modo, as palavras terminadas pela vogal "o" seguem essa imposição gramatical, como se nota claramente em cipó, avó, avô, jiló e maiôs. Por outro lado, as oxítonas que terminam nas vogais "i" ou "u", sem o acompanhamento de ditongos ou situações especiais de hiato, prescindem do acento gráfico, motivo pelo qual palavras como saci, abacaxi, urubu, caju e bambu não devem ser acentuadas na escrita formal.

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Ademais, a norma gramatical estende a obrigatoriedade do acento às palavras oxítonas com mais de uma sílaba que terminam nas sequências nasais "em" e "ens". Essa regra visa garantir a correta identificação da tonicidade em vocábulos de uso frequente na norma padrão. Enquadram-se nessa exigência palavras bastante conhecidas do léxico português, como também, ninguém, armazém, porém, parabéns e armazéns. Cabe destacar que essa regra específica aplica-se exclusivamente às palavras que possuem duas ou mais sílabas, não se confundindo com formas monossilábicas tônicas que partilham de regras próprias de estruturação gráfica.

Além das terminações puramente vocálicas e nasais simples, o estudo das oxítonas exige atenção especial aos ditongos abertos tônicos localizados na última sílaba. As palavras oxítonas que terminam nos ditongos abertos "ei", "oi" e "eu", seguidos ou não de plural, mantêm a acentuação gráfica obrigatória. É importante registrar que, embora o Acordo Ortográfico tenha abolido o acento dos ditongos abertos nas palavras paroxítonas, essa alteração não afetou a regra aplicável às oxítonas. Portanto, continuam sendo grafados com acento agudo vocábulos como herói, anéis, papéis, troféu, chapéu, pastéis e ilhéus, uma vez que a tonicidade permanece na última sílaba associada ao timbre aberto do ditongo.

Atente-se também para o fato de que, quando a última sílaba da palavra oxítona é constituída pelas vogais "i" ou "u" tônicas, em posição de hiato com a vogal anterior, ocorrendo sozinhas na sílaba ou acompanhadas apenas de "s", essas vogais devem receber obrigatoriamente o acento agudo. Essa regra prevalece sobre a neutralidade das terminações em "i" e "u", justamente para assinalar a separação silábica e a intensidade do som. Exemplos dessa regra são as palavras baú, açaí, tuiuiú, tuiuiús e país.

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Revista Mosaico abre chamada de artigos para dossiê especial em homenagem ao centenário de Michel Foucault

Em celebração aos 100 anos do nascimento do filósofo francês Michel Foucault, a Revista Mosaico anunciou a abertura de submissões para seu próximo dossiê temático. A publicação busca reunir artigos que explorem a fundo a vasta herança teórica do autor, cujas contribuições permanecem centrais para os estudos de poder, conhecimento, história das ideias e teoria social. O prazo final para o envio dos manuscritos é o dia 15 de outubro de 2026.

A proposta editorial acolherá pesquisas fundamentadas no pensamento foucaultiano ou que o tomem como objeto direto de análise, cobrindo pontos de continuidade, ruptura e balanços críticos de sua trajetória. Os trabalhos podem discutir a aplicação de conceitos clássicos como biopoder, arqueologia do saber, genealogia do poder, ética, subjetivação e as dinâmicas de vigilância no contexto contemporâneo.

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Além disso, a chamada abrange investigações sobre os reflexos de sua teoria na política e na metodologia, debates que o situem entre o estruturalismo e o pós-estruturalismo, bem como abordagens voltadas às questões de raça, gênero, colonialidade, identidades e identitarismo. Pesquisadores interessados em submeter suas contribuições devem conferir previamente as diretrizes para autores disponíveis no portal do periódico antes de realizarem o envio dentro do prazo estipulado.

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