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14/09/2026

Quais palavras compostas perderam a noção de composição na Língua Portuguesa?

No estudo da morfologia e da ortografia da Língua Portuguesa, o fenômeno da composição por justaposição ocorre quando duas ou mais palavras originárias se unem para formar uma nova unidade lexical, mantendo cada qual sua autonomia fonética. Historicamente, essa junção era frequentemente assinalada pelo hífen. Contudo, com a evolução diacrônica do idioma e o uso continuado pelos falantes, certos termos compostos passam por um processo de sedimentação semântica no qual a percepção das partes individuais deixou de existir. Trata-se do fenômeno em que as palavras compostas perderam a noção de composição, transformando-se, na consciência linguística da comunidade, em vocábulos simples ou indivisíveis.

A perda da noção de composição é um fenômeno primordialmente semântico e psicolinguístico. Quando o falante aciona determinado vocábulo em seu léxico mental e não mais associa o significado global à soma das partes originais, a memória da estrutura composta se apaga. Essa fusão faz com que a palavra seja percebida como uma entidade única. Um exemplo clássico desse processo é o termo girassol. Embora sua origem advinda da junção do verbo girar com o substantivo sol seja transparente sob a ótica da etimologia, o uso cotidiano consagrou o vocábulo como o nome próprio de uma flor, sem que se pense ativamente na ação do verbo ou no astro celeste de maneira isolada. O mesmo ocorre com pontapé, fruto da união de ponta e , que passou a designar um ato específico e consolidado, o golpe dado com o pé, desvinculando-se da análise isolada de cada um de seus componentes.

A consolidação desse fenômeno refletiu-se diretamente nas reformas ortográficas da língua. O último Acordo Ortográfico ratificou formalmente a abolição do hífen em compostos por justaposição nos quais se perdeu tal noção, fixando grafias aglutinadas. Um dos casos mais emblemáticos trazidos por essa atualização foi o substantivo paraquedas, bem como suas formas derivadas, a exemplo de paraquedista e paraquedismo. Anteriormente hifenizadas, essas palavras traduziam a ação direta de parar quedas; todavia, a consagração do objeto e da prática esportiva suplantou a análise morfológica estrita de seus elementos constitutivos. Assim, a norma culta consagrou a fusão gráfica, dispensando o sinal diacrítico que antes assinalava a fronteira entre os vocábulos.

Outros exemplos ilustram como a história da língua internalizou essa perda ao longo dos séculos. A palavra madressilva, designativa de uma espécie botânica, é produto da aglutinação do latim ou do português arcaico para a expressão da mãe da selva ou da mata, hoje totalmente opaca ao falante comum. De igual modo, o termo mandachuva, empregado para definir uma pessoa influente ou de autoridade incontestável, perdeu o contorno literal do comando sobre a chuva para converter-se em uma unidade metafórica coesa e aglutinada.

Atentemo-nos para o fato de que o desaparecimento da noção de composição não apenas suprime o hífen, mas também impõe ajustes ortográficos de adaptação fônica quando necessários, como a duplicação de consoantes para preservar o som original, a exemplo do duplo "s" em girassol

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Qual a regra de acentuação dos monossílabos tônicos na Língua Portuguesa?

No nosso idioma, os monossílabos dividem-se em dois grupos distintos: os átonos e os tônicos. Os monossílabos átonos são aqueles pronunciados com baixa intensidade vocal, funcionando como elementos de ligação nas frases, a exemplo de preposições, artigos e alguns pronomes, como de, com, o, me e se. Por possuírem pouca autonomia fonética, essas palavras jamais recebem acento gráfico.

Por outro lado, os monossílabos tônicos são emitidos com forte intensidade vocal e possuem independência semântica e fonética no enunciado. É exatamente sobre este grupo que incide a regra de acentuação gráfica. A diretriz gramatical para a acentuação dos monossílabos tônicos é bastante precisa e simples, e visa delimitar quais vocábulos de apenas uma sílaba devem ser grafados com sinal diacrítico, seja o acento agudo ou o acento circunflexo.

De acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa, acentuam-se graficamente todos os monossílabos tônicos que terminam nas vogais abertas ou fechadas "a", "e" e "o", seguidas ou não da consoante "s". Trata-se de uma regra de inclusão estrita: se a palavra for monossílaba, for pronunciada com força e terminar em uma dessas três vogais, acompanhadas ou não do plural, a presença do acento é obrigatória.

Para ilustrar a aplicação prática da regra com a terminação em "a" ou "as", podemos observar palavras como , , , e chá, bem como suas formas no plural ou acompanhadas de "s", como pás, más e vás. Em todos esses casos, o acento agudo marca a intensidade da sílaba e o timbre aberto da vogal. Quando o som da vogal é fechado, emprega-se o acento circunflexo, garantindo a mesma correção prosódica.

No que diz respeito à terminação em "e" ou "es", a regra manifesta-se em vocábulos muito frequentes no dia a dia. É o caso das palavras , , e , assim como das formas verbais , e crê, que mantêm a acentuação quando flexionadas no plural ou seguidas de "s", resultando em pés, rés, lês e vês. Note-se que a presença do acento gráfico diferencia claramente a pronúncia tônica da vogal frente às formas átonas.

Quanto à terminação em "o" ou "os", a lógica permanece a mesma. Palavras como ,,,e cós recebem acento agudo devido à intensidade e ao timbre aberto, ao passo que vocábulos com timbre fechado, como avô e pôs, empregam o acento circunflexo. O plural segue idêntica diretriz, como exemplificado nas formas pós, nós e sós.

Além da regra geral fundamentada nas terminações "a", "e" e "o", é indispensável mencionar a exceção que engloba os ditongos abertos tônicos "éi", "éu" e "ói", quando ocorrem em palavras monossilábicas. Mesmo que não terminem nas vogais da regra principal, os monossílabos tônicos com esses ditongos abertos recebem acento agudo, como ocorre nas palavras réis, véu, céu, dói e móis. Vale ressaltar que o Acordo Ortográfico manteve a acentuação desses ditongos abertos especificamente nos monossílabos e nas palavras oxítonas.

📖 Leia também: Quais são as novas regras de acentuação para hiato após o Acordo Ortográfico?

Por fim, vale destacar a importância de não acentuar os monossílabos tônicos terminados em outras vogais, como "i" ou "u", a menos que formem hiato. Palavras como ti, si, tu, cru e mu jamais levam acento gráfico, pois não se enquadram na regra oficial.

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O que são Adjetivos na Língua Portuguesa?

Adjetivos são uma classe gramatical variável cuja função primária é atribuir qualidades, estados, características, modos de ser ou origens aos seres e objetos delimitados pelos substantivos. Sem a presença dos adjetivos, a linguagem seria meramente denotativa, ou seja, usada apenas em sentido literal, exclusivamente para a identificação do mundo ao nosso redor. É por meio dessa classe de palavras que o discurso ganha nuances, expressividade, julgamento de valor.

Morfologicamente, o adjetivo caracteriza-se por ser uma palavra flexível, adaptando-se em gênero e número ao substantivo com o qual se relaciona. Essa dependência sintática exige uma perfeita concordância nominal. Quando dizemos um aluno dedicado, o adjetivo assume a forma masculina e singular; já ao alterarmos o núcleo para o feminino e plural, temos alunas dedicadas, mostrando como a terminação adjetival se molda ao nome para manter a coesão da frase. Além das flexões de gênero e número, os adjetivos também variam em grau, permitindo intensificar ou comparar as qualidades atribuídas, como nas construções em que declaramos que uma matéria é facílima ou que um livro é mais interessante do que outro.

Quanto à sua formação estrutural, os adjetivos podem ser classificados de diversas formas. Dizemos que um adjetivo é simples quando possui apenas um radical, a exemplo da palavra azul, enquanto os adjetivos compostos apresentam dois ou mais radicais, como em uma expressão do tipo acordo sócio-econômico. Paralelamente, quanto à origem, o adjetivo pode ser primitivo, caso da palavra bom, ou derivado de outra palavra já existente, como ocorre no vocábulo bondoso, que deriva diretamente do substantivo bondade.

Existe ainda uma categoria especial denominada adjetivo pátrio ou pátrio-locativo, incumbida de indicar a nacionalidade, a origem geográfica ou a descendência de alguém ou de algo. Quando nos referimos a uma iguaria mineira, a um cidadão brasileiro ou a um texto português, estamos empregando termos que delimitam o local de origem do ser nomeado.

É igualmente importante destacar o papel da locução adjetival, que consiste na reunião de duas ou mais palavras desempenhando o exato papel de um adjetivo. Frequentemente formada por uma preposição aliada a um substantivo, a locução adjetival pode, em muitos casos, ser substituída por um adjetivo equivalente. Por exemplo, a expressão amor de mãe equivale semanticamente a amor materno, da mesma forma que um olhar de anjo traduz-se como um olhar angelical, e uma dor de dente é reconhecida como dor dental.

Atente-se para o fato de que a posição do adjetivo na frase pode alterar profundamente o significado da mensagem comunicada. Colocado costumeiramente após o substantivo, o adjetivo tende a desempenhar um papel puramente objetivo e descritivo. Todavia, quando anteposto ao nome, ele ganha uma carga subjetiva, afetiva ou figurada. A diferença entre dizer que conhecemos um homem grande e um grande homem exemplifica com clareza essa variação: no primeiro caso, a referência se faz à estatura física do indivíduo; no segundo, enaltece-se sua nobreza moral e importância social.

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Revista Passagens abre chamada para proposição de dossiês temáticos acadêmicos

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará anunciou a abertura da chamada pública para submissão de propostas de dossiês temáticos na Revista Passagens. A oportunidade é destinada à comunidade acadêmica e visa selecionar submissões organizadas por grupos de dois a três pesquisadores. Para garantir a diversidade institucional da publicação, a preferência é que os organizadores pertençam a instituições distintas entre si e diferentes da própria Universidade Federal do Ceará, sendo exigida a titulação mínima de doutorado para pelo menos um dos responsáveis pela proposta.

Os projetos submetidos precisam ser completos e estruturados com título e ementa contendo o recorte do tema, objetivos, justificativa de relevância social, originalidade, cronograma inicial e referências, acompanhados de suas respectivas traduções para os idiomas inglês e espanhol. Além disso, os organizadores devem fornecer seus dados pessoais, acadêmicos, contatos e linhas de pesquisa, juntamente com a indicação de possíveis avaliadores externos para o processo de pareceres.

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Os dossiês aprovados deverão reunir de cinco a doze artigos, contando com a inclusão do editorial. Todos os trabalhos submetidos passam pelo rigoroso sistema de avaliação duplo-cega por pares. Na hipótese de o dossiê não atingir a quantidade mínima de artigos exigida, os textos que forem aprovados individualmente serão automaticamente redirecionados para o fluxo contínuo de publicação do periódico. Cabe destacar que toda a atividade de organização e autoria possui caráter estritamente voluntário, sem qualquer tipo de remuneração financeira por parte da revista.

Os pesquisadores interessados devem enviar suas propostas exclusivamente por meio do formulário on-line oficial até o dia 31 de outubro de 2026. A comissão editorial recomenda fortemente a leitura prévia das diretrizes para proposição e das normas de publicação disponíveis nos canais da revista antes do envio. Em caso de dúvidas sobre o processo seletivo, o atendimento ao público e aos pesquisadores é realizado por meio do e-mail oficial revistapassagens@ufc.br.

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13/09/2026

Revista Data Venia abre chamada de artigos científicos para nova edição 2026

A Revista Data Venia, publicação vinculada ao Curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, está com chamada aberta para o recebimento de artigos científicos destinados ao seu volume 21, número 2. A convocatória contempla trabalhos inéditos com temática livre dentro do campo das Relações Internacionais e de suas áreas afins. Os pesquisadores e acadêmicos interessados em submeter suas contribuições devem realizar o envio até o dia 10 de novembro de 2026. As diretrizes completas para os autores, bem como o sistema para envio dos textos, estão disponíveis na página oficial de submissões do periódico.

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Revista Agenda Política Acolhe Submissões para Dossiê sobre Ciência Política e Administração Pública

A revista Agenda Política, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), anunciou a abertura da chamada de artigos para o dossiê temático "Intersecções entre Ciência Política e Administração Pública". Os interessados em contribuir para o debate poderão submeter seus trabalhos entre os dias 24 de agosto de 2026 e 29 de setembro de 2026. A proposta busca reunir contribuições teóricas, metodológicas e empíricas que explorem as zonas de contato e a complementaridade entre os dois campos do conhecimento, superando a visão histórica de separação rígida entre a dimensão política e a gestão técnica do Estado.

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O dossiê destaca a importância de analisar como poder, instituições, burocracia e práticas administrativas se articulam na condução da ação estatal e na garantia da qualidade da democracia. A publicação acolhe pesquisas sobre capacidades estatais, governança, redes, implementação e avaliação de políticas públicas, além de tópicos como controle, accountability, federalismo e coordenação governamental. Questões ligadas à agência burocrática em suas diversas esferas, aos impactos da representação no setor público e às consequências distributivas das interações entre cidadãos e Estado também integram o escopo da chamada.

Ao integrar diferentes abordagens e níveis organizacionais, a iniciativa da Agenda Política visa estimular uma agenda de pesquisa robusta, que reconheça tanto a dimensão essencialmente política da administração pública quanto a centralidade das estruturas e dos agentes administrativos na produção das decisões governamentais. Os autores interessados devem atentar-se ao prazo limite de envio das contribuições por meio do sistema da revista dentro do período estipulado.

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Este blog possui caráter exclusivamente educativo e informativo, não substituindo, sob nenhuma hipótese, o acompanhamento psicanalítico, a consulta psicológica ou o tratamento psiquiátrico individualizado. As análises e textos publicados visam a difusão teórica e o debate cultural, sem pretensão de oferecer diagnósticos ou suporte a crises emocionais, situações que exigem a busca por serviços de saúde especializados.

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