Safra de abacaxi 2026 na Paraíba: recorde de produção e prejuízo?

Safra de abacaxi 2026 na Paraíba: recorde de produção e prejuízo?

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A fruticultura tropical é um dos pilares do agronegócio nordestino e, no estado da Paraíba, a cultura do abacaxi (Ananas comosus) destaca-se como protagonista econômica e social. Movimentando desde a agricultura familiar até grandes cadeias de distribuição e exportação nacional, a abacaxicultura paraibana consolidou uma posição de liderança no cenário brasileiro. O ciclo produtivo do fruto, que varia de 14 a 18 meses, exige planejamento estratégico em relação ao manejo do solo, controle fitossanitário e gestão de recursos hídricos.

Durante a safra de 2025, a Paraíba reafirmou sua relevância no ranking dos maiores produtores de abacaxi do Brasil, rivalizando diretamente com estados como o Pará e Minas Gerais. O bom desempenho do ciclo 2025 foi impulsionado pela combinação de condições favoráveis no volume de chuvas na faixa litorânea e no Agreste, somada ao avanço tecnológico introduzido pela Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Desenvolvimento Agrícola (EMPAER) e suporte técnico especializado.

Área Colhida e Produtividade: Dos 60.826 hectares (2025) estimados pelo IBGE, o estado manteve uma área destinada à colheita superior a  9.717 hectares (2025), concentrada majoritariamente no Litoral Sul e na Zona da Mata paraibana. O rendimento médio situou-se na marca de 34.153 Frutos/ha, demonstrando a alta densidade de plantio e a eficiência do manejo agronômico adotado pelos produtores.

Volume Total de Produção: A colheita superou a marca de 331.860 Mil frutos (equivalente a aproximadamente de 320 mil toneladas), reforçando o status do estado como um dos maiores fornecedores da fruta para as regiões Sudeste e Nordeste.

Destaque Regional: Municípios como Pedras de Fogo (maior produtor estadual), Itapororoca, Araçagi e Santa Rita continuaram a liderar a produção estadual. Pedras de Fogo e Itapororoca, em especial, responderam por mais de metade de toda a produção do estado, figurando também entre os municípios mais produtivos de abacaxi no âmbito nacional.

Variedades Cultivadas: O cultivo do tipo Pérola permaneceu como o preferido dos agricultores e dos consumidores, devido ao seu sabor doce (baixo teor de acidez) e polpa branca. No entanto, houve um crescimento no plantio da variedade BRS Imperial, desenvolvida com resistência à fusariose (a principal enfermidade que afeta a cultura).

Para a safra de 2026, as projeções indicam estabilidade com viés de crescimento moderado no volume total colhido, estimado em uma variação positiva entre 2,5% e 4% em relação a 2025. O cenário esperado projeta a colheita atingindo entre 308 e 312 milhões de frutos.

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Fatores de Impulso para 2026

  1. Adoção Tecnológica e Indução Floral: O uso intensivo e cronometrado de reguladores de crescimento para a indução floral programada permite que os produtores distribuam a colheita ao longo dos 12 meses do ano. Isso previne picos de superoferta e queda brusca nos preços pagos ao produtor.

  2. Manejo Integrado de Pragas (MIP): A ampliação do combate à fusariose e à cochonilha-do-abacaxi (Dysmicoccus brevippes) por meio de mudas micropropagadas e certificadas pela EMPAER e parceiros privados garante menor taxa de perda na lavoura.

  3. Resiliência Climática: O avanço de técnicas de irrigação por gotejamento na pré-restinga e no Agreste mitiga os riscos associados a veranicos prolongados durante as fases críticas de desenvolvimento do fruto.

Projeção para a Safra de 2027: Expansão e Agregação de Valor

A visão prospectiva para a safra de 2027 aponta para um salto qualitativo e quantitativo na abacaxicultura paraibana. Estima-se que a produção possa ultrapassar 325 milhões de frutos, impulsionada pelo amadurecimento dos investimentos em infraestrutura e abertura de novos mercados.

Vetores de Crescimento em 2027

  • Industrialização e Processamento Local: O fortalecimento de agroindústrias locais para o processamento de polpas, sucos concentrados, frutas desidratadas e aproveitamento do pedúnculo e cascas para ração animal reduzirá a dependência da venda do fruto in natura.

  • Abertura de Mercados Internacionais: Espera-se a consolidação de protocolos de exportação para a América Latina e Europa, focando em frutos com certificação de origem e rastreabilidade sanitária.

  • Sustentabilidade e Transição Varietal: Até 2027, projeta-se que áreas maiores de plantio adotem cultivares resistentes a doenças, reduzindo o uso de defensivos agrícolas e atendendo às exigências de ESG (ambiental, social e governança) do mercado consumidor.

Desafios do Setor

Embora o horizonte seja promissor, a manutenção do crescimento da cultura do abacaxi na Paraíba até 2027 exige atenção contínua, sobretudo em relação à combinação demanda/escoamento:

Principais Desafios:

  • Custo dos Insumos: Aumentos contínuos nos preços de fertilizantes nitrogenados e potássicos, especialmente devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, grandes países produtores, causam incertezas sobre a capacidade dos produtores de suportar os desbalanços entre valor de produção e de venda.

  • Custo de produção x preço de venda: O aumento recorde na produção nas safras 2025-2026 tem se mostrado um desafio gigantesco para os pequenos e médios produtores, haja vista que os preços de venda estão muito abaixo do valor final de produção por hectare plantada.
  • Escoamento: Na safra 2026, percebeu-se uma diminuição significativa no corte (compra/envio) do fruto para as regiões sudeste e sul, as maiores compradoras da produção paraibana, o que tem ocasionado não apenas a diminuição do preço da unidade, como a incapacidade de escoamento da produção para o próprio mercado paraibano, cuja demanda de consumo não consegue dar conta de captar o excesso de produção.

 

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Linha de produção da Intrafrut — Foto: Divulgação: Intrafrut

  • Insuficiência de indústrias de processamento: Embora a Paraíba possua algumas empresas de processamento da polpa de abacaxi, apenas uma delas é responsável por captar a maior parte do excedente da colheita, a Intrafrut. Sem a Intrafrut, o prejuízo dos produtores paraibanos seria muito maior, tendo em vista que o envio da produção para outros Estados seria inviável economicamente para a grande maioria dos agricultores. Todavia, muito se debate sobre a necessidade da implantação de outras empresas capazes de oferecer concorrência em relação ao preços, localização e estrutura de suporte ao produtores e motoristas. 

Fontes:

https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/abacaxi/pb

https://agrocontexto.com.br/agronegocio/maiores-produtores-abacaxi/

https://g1.globo.com/pb/paraiba/especial-publicitario/fiep/espaco-da-industria/noticia/2022/02/17/comercio-exterior-da-paraiba-empresa-de-sucos-e-polpas-de-frutas-e-case-de-sucesso-no-estado.ghtml


Revista Decifrar abre submissões para dossiê sobre literatura, oralitura e territórios

A Revista Decifrar anunciou a abertura do período de submissão de artigos para o novo dossiê temático voltado a investigações sobre literaturas, oralituras e imaginários culturais em perspectiva territorial. Os pesquisadores interessados poderão enviar seus trabalhos inéditos entre os dias primeiro de janeiro de 2027 e primeiro de junho de 2027. A organização desta edição especial conta com a coordenação dos professores Cacio José Ferreira, da Universidade de Brasília, Jucelino de Sales, da Universidade Estadual de Goiás, e Àngels Gregori Parra, da Universitat Oberta de Catalunya.

A chamada de artigos busca reunir estudos que debatam as diversas formas de criação, circulação, recepção e preservação de narrativas literárias e oralitárias em variados espaços culturais. O eixo central da proposta fundamenta-se na compreensão de que os territórios extrapolam a mera dimensão geográfica, constituindo-se como formas de representação, narrativas, imaginários e conhecimentos capazes de descortinar experiências silenciadas por discursos hegemônicos. Para isso, a iniciativa adota uma perspectiva interdisciplinar que articula contribuições dos estudos literários, da crítica cultural, da teoria dos polissistemas, da geografia humanista, da ecocrítica e da história cultural.

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Entre os temas encorajados para submissão estão os diálogos entre oralidade e escrita, os processos de constituição e deslocamento do cânone, e as literaturas indígenas, afro-brasileiras e quilombolas. O periódico também dará destaque a trabalhos que abordem poéticas da memória e da ancestralidade, narrativas de resistência, produções literárias periféricas, arquivos culturais e cartografias literárias. Serão contempladas ainda reflexões sobre as relações entre literatura e meio ambiente, práticas de tradução cultural e estudos comparados focados na circulação de repertórios entre diferentes comunidades e tradições.

Com esta iniciativa, a publicação visa fortalecer abordagens críticas comprometidas com a diversidade cultural e com a valorização de produções estéticas que ampliam a compreensão da experiência humana, evidenciando os caminhos pelos quais a palavra se enraíza e rearticula o mundo contemporâneo.


Revista Decifrar Divulga Chamada para Publicação sobre Escrevivências em Deslocamento, Memória, Corpo e Território

A Revista Decifrar anuncia a abertura de sua chamada para publicação do volume 14, número 30, referente ao período de julho a dezembro de 2026, com foco no dossiê temático intitulado Escrevivências em deslocamento: memória, corpo, território e escrita de si como experiência coletiva. O período de submissão de trabalhos permanece aberto até o dia 15 de novembro de 2026, com o fechamento oficial da edição previsto para o dia 30 de dezembro de 2026. A organização deste número especial é coordenada pelas professoras doutoras Elen Karla Sousa da Silva, da Universidade Federal do Amazonas, e Lucélia de Sousa Almeida, da Universidade Federal do Maranhão, juntamente com o professor doutor Paul Aguilar Sánchez, da Faculdade de Filosofia e Letras da BUAP, no México.

A proposta do dossiê parte do reconhecimento de que as produções literárias de autoria negra, afro-diaspórica e decolonial geram reflexões profundas sobre memória, subjetividade, território e vivência coletiva. Inspirado na noção de escrevivência, formulada por Conceição Evaristo, o periódico destaca esse conceito como um operador crítico essencial para examinar escritas que brotam das vivências coletivas da população negra e, em especial, das mulheres negras, unindo memória, corpo, oralidade, cotidiano e resistência. Sob essa perspectiva, a atividade literária deixa de ser vista como um ato puramente isolado para assumir o papel de experiência compartilhada e marcada por heranças históricas, raciais, territoriais e afetivas.

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O volume também acolhe reflexões sobre os deslocamentos contemporâneos nas esferas territorial, linguística, cultural, subjetiva e diaspórica, que geram novas formas de expressão para narrar pertencimentos, violências, migrações, ancestralidades e vivências comunitárias. São incentivados estudos voltados a produções literárias negras e afro-diaspóricas na América Latina, além de abordagens comparadas que investiguem temáticas como ancestralidade, oralidade, resistência e as conexões entre literatura e memória coletiva, corpo e arquivo, trauma e fabulação, gênero e racialização, migração e diáspora, territorialidades, performances da linguagem e os processos de circulação, recepção e legitimação dessas obras no panorama literário atual.


Quem é Ícaro (Ἴκαρος) na Mitologia Grega?

Ícaro era filho de Dédalo, um mestre-artesão, arquiteto e escultor ateniense possuidor de um talento prodigioso e sem precedentes. A genialidade de Dédalo era tamanha que as suas criações pareciam dotadas de vida própria, um prodígio técnico que impressionava mortais e deuses. Contudo, a genialidade de Dédalo veio acompanhada de um destino turbulento. Devido a circunstâncias trágicas relacionadas à inveja artística em Atenas, Dédalo refugiou-se na ilha de Creta, governada pelo poderoso e temido rei Minos. Na corte cretense, o artesão colocou sua habilidade a serviço do monarca, construindo monumentos e artefatos admiráveis. A relação entre o soberano e o artífice, entretanto, deteriorou-se gravemente quando a rainha Pasífae, enfeitiçada por uma maldição divina, concebeu o Minotauro, uma criatura monstruosa com corpo de homem e cabeça de touro.

Para aprisionar essa abominação e ocultá-la da vista pública, o rei Minos ordenou que Dédalo projetasse e construísse uma estrutura tão complexa e intrincada que quem nela entrasse jamais conseguiria encontrar a saída. Nascia assim o célebre Labirinto de Cnossos. Anos mais tarde, o herói ateniense Teseu chegou a Creta com o propósito de derrotar o Minotauro. Com o auxílio de Ariadne, filha de Minos, que se apaixonara por Teseu e obtivera de Dédalo o conselho crucial de utilizar um novelo de fio para marcar o caminho de volta, o herói conseguiu matar a besta e escapar ileso da construção. Convencido de que tal fuga só fora possível graças à cumplicidade e à orientação secreta de Dédalo, o rei Minos ordenou que o arquiteto e seu jovem filho, Ícaro, fossem imediatamente aprisionados no interior do próprio.

Enclausurados nas imediações do palácio e sem qualquer via aparente de saída terrestre ou marítima, Dédalo demonstrou mais uma vez sua suprema capacidade inventiva. Vigiado rigidamente pelas patrulhas de Minos que controlavam as rotas do mar e da terra, o artífice concluiu que a única rota de fuga possível pertencia aos céus. Utilizando sua engenharia magistral, Dédalo começou a recolher penas de aves de diferentes tamanhos, alinhando-as cuidadosamente. As menores eram fixadas com linha, enquanto as maiores eram moldadas e unidas com o auxílio de cera de abelha quente, conferindo-lhes uma curvatura sutil que imitava a anatomia das asas naturais de um pássaro. Ícaro, em sua juventude e inocência, observava o laborioso trabalho do pai, por vezes brincando com as penas e com a cera macia, sem dimensionar a gravidade e o perigo da empreitada que se desenhava.

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Quando os dois pares de asas finalmente ficaram prontos, Dédalo preparou-se para a audaciosa tentativa de escapar do cativeiro aéreo. Antes de fixar os artefatos nos ombros de ambos e dar início ao voo, o pai prudente transmitiu advertências severas ao filho. Dédalo instruiu Ícaro a manter um curso moderado durante a travessia sobre o mar, ordenando-lhe expressamente que não voasse nem muito baixo, para que a umidade e a maresia das ondas não pesassem e molhassem as penas, nem muito alto, para que o calor do sol não derretesse a cera que unia a estrutura. O pai enfatizou a necessidade de seguir rigorosamente seus passos no ar, mantendo a vigilância constante e exercitando a moderação diante do desconhecido.

A dupla lançou-se do alto da torre em direção ao horizonte aberto. Para os observadores na terra, pastores e pescadores que os avistaram de relance, Dédalo e Ícaro pareciam divindades aladas cruzando os céus de Creta. Contudo, a euforia do voo exerceram um fascínio trágico sobre o jovem Ícaro. Dominado por uma sensação inebriante de onipotência e pela vertigem das alturas, o rapaz esqueceu-se das recomendações paternas e começou a elevar-se cada vez mais alto, aspirando tocar a imensidão celeste e aproximar-se do próprio reino solar.

O desfecho dessa transgressão foi rápido e implacável. Conforme Ícaro ascendia em direção aos domínios de Hélio, os raios solares intensificaram-se, tornando o calor sufocante. A cera de abelha que mantinha unidas as penas de suas asas começou a amolecer rapidamente e, por fim, derreteu-se por completo sob o fogo celeste. Sem sustentação, Ícaro continuou a debater os braços, mas restavam apenas os ombros nus, incapazes de reter o ar. O jovem despencou dos céus em uma queda vertiginosa, encerrando sua breve jornada nas águas profundas do mar que passou a carregar sua memória, o Mar Icário.

Dédalo, consumido pela angústia e pela dor do luto, sobreviveu à travessia e alcançou a terra firme na Sicília, onde depôs suas asas no templo de Apolo em sinal de profundo arrependimento.  

Referências Bibliográficas

BULFINCH, Thomas. O Livro de Ouro da Mitologia: A Idade da Fábula. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 1986.

GRIMAL, Pierre. Dicionário de Mitologia Grega e Romana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

KERÉNYI, Karl. Os Deuses Gregos. São Paulo: Cultrix, 2002.

SCHWAB, Gustav. As Mais Belas Histórias da Antiguidade Clássica. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012. 


Por que a concessão do Prêmio Nobel da Paz a Navi Pillay gerou revolta internacional?

A concessão do Prêmio Nobel da Paz à jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay acendeu um intenso debate internacional, tornando-se uma das decisões mais polarizadoras e controversas da história recente do Comitê Nobel Norueguês. Embora a trajetória de Pillay seja marcada por conquistas históricas no direito internacional, como sua atuação como advogada de defesa contra o apartheid, juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda e Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a premiação gerou forte rejeição política e duras acusações de viés institucional.

O estopim imediato da controvérsia envolve o papel de Navi Pillay como presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os territórios palestinos. Sob sua liderança, a comissão publicou relatórios contundentes que concluíram que o governo e as forças militares de Israel cometeram atos genocidas, além de utilizarem a fome e a destruição sistemática de infraestrutura como táticas de guerra na Faixa de Gaza.

A resposta do governo israelense e de seus aliados foi veemente. O Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou o Comitê Nobel de realizar uma "instrumentalização grotesca" do prêmio para respaldar o preconceito e o ódio anti-Israel. Críticos argumentam que os relatórios conduzidos por Pillay apresentavam um viés político crônico e unilateral que desconsiderava o direito de defesa do Estado de Israel e os ataques praticados por grupos armados na região.

Outra vertente significativa de críticas à premiação vem de acusações relacionadas ao seu período como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos (2008–2014). Apurações e denúncias feitas por ativistas e pela ex-funcionária e denunciante da ONU Emma Reilly alegam que, sob a gestão de Pillay, o escritório do Alto Comissariado repassou nomes de dissidentes e ativistas uigures e chineses ao governo de Pequim.

Segundo essas acusações, a entrega desses nomes expôs defensores dos direitos humanos e suas famílias a detenções arbitrárias, tortura e perseguição pelo regime chinês. Organizações de vigilância de direitos humanos, como a UN Watch, apontaram que premiar Pillay enquanto essas sérias acusações permanecem sem respostas adequadas representa um betrayal em relação às vítimas e enfraquece a credibilidade da luta por liberdade de expressão e dissidência política.

Conforme matéria do The Times of Israel, a premiação de Pillay também acentuou as tensões entre o Comitê Nobel e os Estados Unidos. Figuras do governo norte-americano, incluindo o presidente Donald Trump, criticaram abertamente a decisão, classificando o prêmio como descredibilizado e dominado por ideologias radicais.

A escolha foi interpretada por setores conservadores ocidentais como um posicionamento abertamente político do Comitê Norueguês contra o establishment ocidental, em um momento de crescentes sanções e ameaças contra magistrados do Tribunal Penal Internacional (TPI) e outros organismos jurídicos internacionais.


Revista Canoa do Tempo Abre Chamada para Dossiê sobre História da Violência de Gênero, Poder e Resistências no Brasil

A Revista Canoa do Tempo, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Amazonas, está com inscrições abertas para o recebimento de artigos voltados ao dossiê temático intitulado História da(s) violência(s) de gênero e suas interfaces no Brasil: poder, desigualdades e resistências. A organização da publicação é coordenada pelas professoras Joana Maria Pedro, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Michele Pires Lima, da Universidade de Brasília e da Fundação Oswaldo Cruz, juntamente com o professor Julio Claudio da Silva, da Universidade do Estado do Amazonas e do PPGH da Universidade Federal do Amazonas. Os pesquisadores interessados em submeter seus trabalhos acadêmicos têm até o dia 30 de novembro de 2026 para realizar o envio.

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O lançamento desta edição especial ganha forte relevância no cenário nacional devido à marca temporal dos vinte anos da Lei Maria da Penha, instituída em 2006, que representou uma transformação profunda no ordenamento jurídico brasileiro e nas políticas de proteção contra a violência doméstica e familiar. A proposta editorial também dialoga com a Lei do Feminicídio de 2015 e com o histórico de lutas e mobilizações do movimento feminista brasileiro na segunda metade do século XX. O dossiê busca evidenciar como as opressões de gênero se articulam a partir de uma perspectiva interseccional, considerando marcadores sociais como raça, classe, etnia e orientação sexual, conforme os debates teóricos contemporâneos. Além disso, a iniciativa fomenta reflexões sobre as diretrizes da legislação recente que torna obrigatório o estudo das contribuições femininas nos ensinos fundamental e médio, dando visibilidade às formas cotidianas de resistência, à luta contra o patriarcado e à oposição à violência política de gênero no país.


Revista Em Favor de Igualdade Racial Lança Dossiê Temático sobre Racismo no Futebol e Estratégias Antirracistas

A Revista Em Favor de Igualdade Racial, vinculada à Universidade Federal do Acre, anunciou a abertura de uma chamada pública para o dossiê temático voltado a discutir as manifestações racistas no esporte e no futebol a partir de abordagens interdisciplinares. Coordenada em parceria com a linha de pesquisa de mídias e movimentos antirracistas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro, a iniciativa busca reunir reflexões acadêmicas e científicas sobre como as hierarquias raciais se reproduzem nas instituições esportivas, ao mesmo tempo em que o esporte se consolida como um importante terreno de contestação e disputa política.

O lançamento da chamada ocorre logo após a Copa do Mundo de Futebol Masculino da FIFA de 2026 e antecipa o cenário da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA de 2027, eventos que evidenciam a urgência de debater as intersecções entre racismo, gênero, políticas antimigratórias, classes sociais, capacitismo, etarismo e regionalidades. A proposta é acolher artigos empíricos, de revisão, mapeamentos, ensaios e resenhas que examinem o tema sob múltiplos prismas, incluindo políticas públicas, mídias, educação e memória histórica, servindo como estratégia pedagógica para o enfrentamento às discriminações.

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O cronograma do processo editorial já está definido e segue com inscrições abertas. Os interessados devem submeter seus trabalhos exclusivamente por meio da plataforma digital de periódicos da universidade até o dia 30 de novembro, indicando no envio o título do dossiê correspondente. O processo de avaliação ocorrerá pelo sistema duplo-cego até o final de fevereiro de 2027, com a publicação oficial do volume prevista para maio de 2027. O esforço editorial é conduzido por uma equipe de pesquisadores de diferentes instituições de ensino superior do país, com o objetivo de consolidar o debate e fortalecer o enfrentamento ao racismo na sociedade contemporânea.