Frederico Lima

Breve resenha crítica do livro Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado

Publicado em 1966, Dona Flor e Seus Dois Maridos está inserido na fase de maturidade de Jorge Amado (1912-2001), momento em que o romancista baiano se distanciou do tom panfletário do romance de trinta e do realismo socialista inicial para consolidar uma estética mais centrada no lirismo, no pitoresco e no realismo mágico urbano. Ambientado na Salvador dos anos 1940, o livro reflete um período de transição socioeconômica e cultural no Brasil, que une a efervescência popular, a religiosidade sincrética e a afirmação de uma identidade nacional costurada pelo cotidiano das classes populares. A trajetória de Floripides Paiva, a Dona Flor, é o eixo em redor do qual o autor articula os dilemas entre o dever social e o desejo individual.

Nesta arquitetura romanesca, a diegese desdobra-se a partir de uma focalização heterodiegética de terceira pessoa. O narrador, contudo, recusa o distanciamento olímpico tradicional; comporta-se como um cronista das ruas baianas, integrando o ecossistema do romance ao dirigir-se ao leitor com cumplicidade, ironia e leveza. Esse foco narrativo onisciente e seletivo organiza a temporalidade diegética em ritmo pausado, intercalando o tempo cronológico com digressões anacrônicas que reconstroem o passado dos personagens e os hábitos da comunidade. As esferas de ação concentram-se na trinca protagonista: Vadinho, a corporificação do dionísiaco, do jogo e da transgressão; Dr. Teodoro Madureira, o arquétipo do apolíneo, da ordem, do método e da estabilidade burguesa; e Flor, que habita a zona de tensão entre essas duas forças antagônicas.

Sob a perspectiva dos aspectos estéticos e estilísticos, Amado vale-se de uma prosa marcada pelo sensorialismo e pela oralidade incorporada à norma culta. Recursos como a sinestesia e a enumeração caótica surgem com frequência nas sequências dedicadas à culinária, onde as receitas de comida baiana funcionam como metáfora da mescla cultural e do apelo carnal, e no uso constante de expressões cotidianas. O realismo mágico manifesta-se não como ruptura com o mundo ordinário, mas como extensão natural da cosmovisão soteropolitana, na qual a fronteira entre o plano terreno e o transcendental é porosa. A verossimilhança interna da obra constrói-se justamente nessa aceitação orgânica do sobrenatural, sustentada pela presença do candomblé e pelas crenças populares que legitimam a coexistência dos mundos.

A densidade dramática do romance apoia-se na construção do pathos da protagonista. Após a morte prematura de Vadinho durante o Carnaval, evento que inaugura o conflito central, Flor vivencia o luto, a negação do desejo e o posterior recasamento com o respeitável farmacéutico Teodoro. Se a nova união garante a respeitabilidade social e a segurança econômica que a sociedade patriarcal exigia de uma mulher viúva, também revela a privação do ímpeto erótico. A crise psicológica da personagem intensifica-se à medida que a memória do primeiro marido deixa de ser apenas uma lembrança dolorosa para se materializar em presença intangível, exigindo dela uma negociação interior entre a convenção moralista da pequena burguesia e as demandas inegociáveis do próprio corpo.

Dona Flor parece encenar um ponto de convergência de dois universos complementares que a crítica tradicional frequentemente insistia em separar, representadas por Jorge Amado sob a forma de uma alegoria da própria identidade brasileira, que oscila entre a disciplina pragmática e a celebração festiva. A viúva, em sua busca por plenitude, não escolhe entre a segurança do lar e a transgressão do desejo, mas reconfigura as normas da própria realidade para acomodar ambas as forças, revelando a capacidade do célebre romancista de transformar o cotidiano soteropolitano em uma reflexão universal sobre a liberdade individual e a complexidade do afeto.

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Capa do livro Nome do Livro

Dona flor e seus dois maridos

por Jorge Amado

📖 Páginas: 488 🏢 Editora: Companhia das Letras Minha Avaliação: 4.8/5

Um dos romances mais populares de Jorge Amado, levado com êxito ao cinema, ao teatro e à televisão, Dona Flor e seus dois maridos conta a história de Florípedes Paiva, que conhece em seus dois casamentos a dupla face do amor: com o boêmio Vadinho, Flor vive a paixão avassaladora, o erotismo febril, o ciúme que corrói. Com o farmacêutico Teodoro, com quem se casa depois da morte do primeiro marido, encontra a paz doméstica, a segurança material, o amor metódico. Um dia, porém, Vadinho retorna sob a forma de um fantasma capaz de proporcionar de novo à protagonista o êxtase dos embates eróticos.

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Breve resenha crítica do livro Capitães da Areia, de Jorge Amado

Publicado em 1937, no ápice do ambiente repressivo da Ditadura do Estado Novo e sob o prisma da segunda fase do Modernismo brasileiro, o chamado Romance de 30, Capitães da Areia pode ser considerado a consolidação do projeto estético e político de Jorge Amado (1912-2001). Nascido no sul da Bahia e profundamente comprometido com as pautas do engajamento social de matriz marxista, o autor baiano concebeu uma obra que sintetiza a representação da infância marginalizada na Salvador da época. O livro, inclusive, sofreu apreensão e queima pública de exemplares por ordens estatais logo após o lançamento, fato histórico que demonstra o impacto da postura ideológica de Amado ao denunciar as contradições da urbanização e da desigualdade estrutural do país.

A estrutura diegética do romance apoia-se em um foco narrativo heterodiegético, onde o narrador onisciente não se limita a registrar as ações, mas assume uma postura analítica e pedagógica. Essa focalização oscila entre o distanciamento crítico e a empatia explícita em relação ao grupo de menores abandonados que habita um trapiche nas praias baianas. Ao adotar esse enquadramento, a narrativa constrói uma verossimilhança pautada pelo realismo social, utilizando trechos de jornais fictícios e cartas de leitores no prólogo para simular a documentalidade dos fatos. Esse recurso cria uma moldura que une o limite entre a ficção e a denúncia social, desafiando o leitor a encarar a margem da cidade como um ecossistema moldado pela omissão do Estado.

No centro da construção de personagens, o coletivo funciona como o verdadeiro protagonista do romance, embora individualidades marcantes dividam as esferas de ação. Pedro Bala sobressai-se pela liderança natural e pelo senso de justiça; o Professor atua como o vetor da cultura e da imaginação narrativa do grupo; Sem-Perna encarna a ambivalência do ressentimento e da carência afetiva; Volta Seca canaliza a fascinação pelo cangaço e pela violência de reação; e Pirulito direciona sua busca à salvação religiosa. A chegada da órfã Dora introduz um componente fundamental na construção do pathos narrativo, alterando o dinamismo predominantemente masculino do grupo e assumindo uma dimensão simbólica de mãe e companheira. A tessitura das trajetórias individuais expõe que a delinquência juvenil é compreendida não como um traço moral inato, mas como o resultado inevitável da privação material.

Do ponto de vista estilístico, a escrita de Jorge Amado equilibra a crudeza do denuncismo social com certo lirismo, calcado na oralidade e no folclore baiano. A integração de elementos da religiosidade afro-brasileira, representada na figura da Mãe de Santo Don'Aninha e na presença do Candomblé, confere ao romance um caráter de resistência cultural. O tempo diegetico flutua entre a crônica do cotidiano mambembe dos garotos, marcada por pequenos furtos e fugas da polícia, e episódios de intensa densidade poética, como as noites à beira do cais iluminadas pela lua. Esse contraste formal permite que a degradação social coexista com a dignidade da solidariedade e da liberdade que o grupo constrói à margem das instituições formais.

Em vez de reduzir seus sujeitos a tipos caricatos de compaixão, a prosa amadiana inscreve a infância roubada em um terreno de disputas ideológicas e humanas. O romance acompanha o amadurecimento precoce dos garotos diante da violência policial, do reformatório punitivo e da proliferação de epidemias como a varíola, evidenciando, entre outros aspectos, que a transgressão daquela juventude invisível também se institui na recusa do enquadramento e na busca pela própria emancipação. Capitães da Areia é uma obra que se consolidou no cânone da literatura brasileira, devido, em grande parte, à sua capacidade de articular rigor formal, lirismo popular e uma veemente crítica às estruturas de opressão, o que a faz um documento estético do romance proletário do século XX.

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Capa do livro Nome do Livro

Capitães da areia

por Jorge Amado

📖 Páginas: 280 🏢 Editora: Companhia de Bolso Minha Avaliação: 5/5

Capitães da Areia , a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche abandonado em Salvador, é talvez o romance mais influente de Jorge Amado. Clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, assombrou e encantou várias gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito. Edição com posfácio de Milton Hatoum.

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agosto 05, 2026

O que é o Kosmos na Mitologia Grega?

A palavra grega kosmos significa, em sua acepção mais ampla, “ordem”, “organização” ou “harmonia”. Diferente da noção moderna de “cosmos” como sinônimo de universo físico, para os gregos antigos o termo carregava uma dimensão simbólica e filosófica: tratava-se da estrutura ordenada que se opunha ao caos primordial, a disposição harmoniosa que permitia a existência da vida, da justiça e da beleza.

O mito grego começa com o Chaos, não entendido como desordem absoluta, mas como um estado indiferenciado, uma espécie de abismo ou vazio. A partir dele surgem Gaia (a Terra), Érebo (a escuridão), Nix (a noite) e outras entidades primordiais. O surgimento dessas forças marca o início da organização do mundo. O Kosmos nasce, portanto, como contraponto ao Chaos: é a ordenação que confere sentido e medida às coisas. Essa oposição é fundamental para compreender a visão grega de mundo, pois a cultura helênica valorizava a ideia de equilíbrio e proporção, rejeitando os excessos que conduziam à hybris, isto é, à desmedida, à arrogância que rompe a ordem estabelecida pelos deuses.

O Kosmos não é apenas físico, mas também ético e estético. Ele se manifesta na regularidade dos astros, na sucessão das estações, na harmonia das proporções arquitetônicas e na justiça que rege a pólis. A tragédia grega, por exemplo, é uma representação dramática da tensão entre o homem e o Kosmos. Quando o herói trágico comete uma hamartia, um erro de julgamento ou uma falha moral, ele rompe a ordem cósmica e atrai sobre si a punição. O processo de reconhecimento (anagnórisis) que ocorre em muitas tragédias é justamente o momento em que o herói percebe sua transgressão contra o Kosmos e entende que sua queda não é mero acaso, mas consequência da violação da ordem universal.

Essa concepção está intimamente ligada à noção de destino (moira). Os gregos acreditavam que cada ser tinha uma medida própria, um limite que não podia ser ultrapassado sem consequências. O Kosmos é, nesse sentido, a expressão da medida justa, da proporção que deve ser respeitada. A hybris é a tentativa de ultrapassar essa medida, de desafiar os deuses ou o destino, e por isso é sempre castigada. O mito de Ícaro, que voa alto demais e cai, é uma metáfora clara dessa violação da ordem cósmica. O mesmo ocorre com figuras como Agamêmnon ou Édipo, cujas ações, ainda que motivadas por circunstâncias humanas, acabam por romper o equilíbrio e desencadear a tragédia.

A filosofia grega, especialmente a partir de Heráclito e dos pré-socráticos, aprofunda essa visão. Heráclito fala do logos como princípio ordenador, que se aproxima da ideia de Kosmos. Para ele, tudo flui, mas esse fluxo não é caótico: há uma razão subjacente que garante a harmonia dos contrários. Platão, por sua vez, concebe o mundo sensível como reflexo imperfeito de um mundo ideal, onde o Kosmos é a expressão máxima da ordem e da beleza. Aristóteles retoma essa noção ao afirmar que a natureza não faz nada em vão, e que cada ser possui uma finalidade própria, inserida na ordem universal.

O Kosmos também se manifesta na arte e na literatura. A poesia de Homero, por exemplo, descreve um universo em que os deuses intervêm constantemente para manter ou restaurar a ordem. A Ilíada mostra como a guerra, embora destrutiva, é também parte de um equilíbrio maior, em que a honra e a medida devem ser preservadas. Já a Odisseia é uma narrativa sobre o retorno à ordem, sobre a reintegração de Ulisses em sua casa e em sua comunidade, após longos anos de errância. Em ambos os casos, o Kosmos é o pano de fundo que dá sentido às ações humanas.

Na vida cotidiana dos gregos, o Kosmos era celebrado nos rituais religiosos, nas festas cívicas e nas práticas filosóficas. O culto aos deuses não era apenas devoção, mas também reconhecimento da ordem cósmica que sustentava a existência. A pólis, como organização política, era vista como reflexo dessa ordem: a justiça e a lei deveriam imitar a harmonia do universo. Assim, o Kosmos não era uma abstração distante, mas uma realidade presente em todos os aspectos da vida grega.

O Kosmos na mitologia grega é a ordem que dá forma ao mundo, que estabelece limites e proporções, que garante a harmonia entre os deuses, os homens e a natureza. Ele é o oposto do Chaos, mas não o elimina: ambos coexistem, numa tensão que confere dinamismo à existência. O Kosmos é também medida ética, que pune a hybris e corrige a hamartia, conduzindo o herói ao reconhecimento de sua condição. É, enfim, a expressão da visão grega de que a vida só tem sentido quando inserida em uma ordem maior, que transcende o indivíduo e o conecta ao todo.

Referência Bibliográficas

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega: subtítulo se houver. 26ª Ed. Petrópolis: Vozes, 2015.
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BURKERT, Walter. Religião grega na época clássica e arcaica. Lisboa: Publicações Europa América, 2026.
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DETIENNE, Marcel. Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica. [Tradução de Ivone C. Benedetti]. Edição. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.
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VERNANT, Jean-Pierre. O Universo, os Deuses, os Homens. [Tradução de Rosa Freire Aguiar]. 1ª Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
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VIDAL-NAQUET, Pierre. O mundo de Homero. [Tradução de Jônatas Batista Neto]. 1ª Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
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Eminente ou Iminente? Português para concursos

Na Língua Portuguesa, os termos “eminente” e “iminente” são parônimos, palavras que apresentam semelhança sonora e gráfica, mas que possuem significados distintos. Essa proximidade fonética frequentemente causa confusão entre os falantes, sobretudo na linguagem escrita, em que o rigor semântico se faz indispensável. A distinção entre ambos, contudo, é clara quando se compreende o campo de sentido que cada um ocupa e o contexto em que devem ser empregados.

A palavra “eminente” deriva do latim eminens, particípio do verbo emergere, que significa “sobressair”, “elevar-se”, “destacar-se”. Assim, “eminente” designa algo ou alguém que se destaca por suas qualidades, méritos ou posição. É um adjetivo que carrega uma conotação de superioridade, excelência ou notoriedade. Quando se diz, por exemplo, “um professor eminente”, está-se referindo a um docente de grande prestígio, reconhecido por sua competência e saber. Da mesma forma, ao afirmar “uma montanha eminente”, indica-se que ela se eleva acima das demais, sobressaindo na paisagem. O termo, portanto, associa-se à ideia de destaque, elevação e importância.

“iminente”, por sua vez, provém do latim imminens, particípio do verbo imminere, que significa “estar prestes a cair sobre”, “ameaçar”, “aproximar-se”. Trata-se de um adjetivo que expressa a noção de algo que está para acontecer, geralmente com um sentido de urgência ou perigo. Quando se diz “uma tempestade iminente”, entende-se que a tempestade está prestes a ocorrer, que se aproxima rapidamente. Da mesma forma, “um perigo iminente” indica uma ameaça que se avizinha, algo que pode acontecer a qualquer momento. O termo, portanto, relaciona-se à ideia de proximidade temporal e expectativa de um evento futuro, muitas vezes negativo ou alarmante.

A diferença fundamental entre “eminente” e “iminente” reside, portanto, na oposição entre destacar-se e aproximar-se. Enquanto “eminente” remete à superioridade e ao relevo, “iminente” refere-se à iminência, àquilo que está por vir. Essa distinção semântica se reflete também na carga emocional das palavras: “eminente” tende a evocar admiração e respeito; “iminente”, por outro lado, sugere apreensão ou alerta.

Para ilustrar, vejamos alguns exemplos em contexto. Na frase “O juiz eminente proferiu uma sentença justa”, o adjetivo qualifica o juiz como alguém de grande reputação e sabedoria. Já em “O perigo era iminente, e todos buscaram abrigo”, o termo indica que o risco estava prestes a se concretizar. Em outro caso, “A chegada iminente do inverno preocupa os agricultores” expressa uma situação que se aproxima no tempo, enquanto “O cientista eminente recebeu o prêmio por suas descobertas” destaca o reconhecimento e a excelência do indivíduo.

É importante observar que, embora ambos os vocábulos compartilhem a terminação “-ente”, o prefixo inicial define o sentido oposto: “e-” em “eminente” sugere movimento para fora, elevação; “i-” em “iminente” indica aproximação, algo que se inclina sobre ou ameaça. Essa diferença etimológica ajuda a compreender por que o uso incorreto de um pelo outro altera completamente o significado da frase. Dizer “um perigo eminente” seria um erro, pois o adjetivo não expressa a ideia de proximidade temporal, mas de destaque. Da mesma forma, “um professor iminente” seria inadequado, já que o termo não se aplica a qualidades ou méritos pessoais.

Resumindo, “eminente” e “iminente” são palavras que, embora semelhantes na forma, pertencem a campos semânticos distintos. O primeiro refere-se à superioridade e destaque, o segundo à proximidade e ameaça

Referências Bibliográficas

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

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BECHARA, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

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CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Edição com gabarito. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

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CUNHA, Celco; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Lexikon, 2025.

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HOUAISS, Antônio. Pequeno Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Editora Moderna, 2015.

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LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

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O que significa Chumbrega na Língua Portuguesa?

Origem etimológica 

A palavra chumbrega é de origem popular e incerta, típica do português brasileiro. Provavelmente deriva de uma deformação ou criação expressiva a partir de chumbo (do latim plumbum, “metal pesado”), acrescida do sufixo -rega, comum em formações coloquiais e depreciativas (breguice, breguete). O termo parece ter surgido como gíria para designar algo de má qualidade, grosseiro ou antiquado, possivelmente influenciado por brega (do espanhol brega, “briga, confusão”), que no português ganhou o sentido de “cafona”. Assim, chumbrega seria uma intensificação de brega, com valor pejorativo reforçado.

Separação silábica 

 chum-bre-ga 

  • Número de sílabas: 3 
  • Classificação quanto ao número de sílabas: trissílaba 
  • Tonicidade: paroxítona (a sílaba tônica é bre)

Classe gramatical 

Substantivo comum de dois gêneros (o/a chumbrega). Pode também funcionar como adjetivo em linguagem informal, qualificando algo ou alguém como “de gosto duvidoso”, “malfeito” ou “pobre”. Não apresenta flexões regulares além do plural (chumbregas).

Sinônimos 

  • brega 
  • cafona 
  • ordinário 
  • vulgar 
  • tosco 
  • malfeito 
  • chinfrim (em certos contextos)

Utilização em frases 

  • A decoração da festa estava tão chumbrega que parecia saída dos anos 1980. 
  • Ele apareceu com um terno chumbrega, cheio de brilhos e costuras tortas. 
  • Não gosto dessas músicas chumbregas que tocam em todo bar da esquina.

Referências Bibliográficas

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

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BECHARA, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

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CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Edição com gabarito. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

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CUNHA, Celco; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Lexikon, 2025.

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HOUAISS, Antônio. Pequeno Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Editora Moderna, 2015.

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LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

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O que significa Chinfrim na Língua Portuguesa?

Origem Etimológica

  • Criação expressiva e onomatopéica: A hipótese etimológica mais aceita pelos principais dicionaristas da língua portuguesa (como Antônio Houaiss e Aurélio Buarque de Holanda) aponta para uma origem expressiva/onomatopóica. A palavra teria surgido da imitação do som estridente, agudo e desafinado de instrumentos de corda ou sopro de baixa qualidade (sons como chin-chin ou frim-frim).

  • Evolução semântica: Inicialmente associada a um som irritante, barulhento ou a uma execução musical medíocre, o termo expandiu seu campo semântico para denominar a própria festa barulhenta ou confusão (algazarra, chinfrinada). Com o tempo, por extensão metafórica, passou a qualificar qualquer objeto, pessoa, lugar ou situação que seja ordinária, mesquinha, de má qualidade, sem requinte ou de pouco valor.

Separação Silábica e Classificação

  • Separação silábica: chin-frim

  • Número de sílabas: 2 (duas sílabas)

  • Classificação quanto ao número de sílabas: dissílaba

  • Classificação quanto à tonicidade: oxítona (a última sílaba, frim, é a sílaba tônica)

Classe Gramatical e Flexões

  • Adjetivo de dois gêneros: Utilizado para qualificar substantivos tanto masculinos quanto femininos sem alterar sua forma (ex.: um evento chinfrim, uma roupa chinfrim).

  • Substantivo masculino: Pode ser empregado como substantivo para designar algazarra, barulho ou algo sem valor/importância.

  • Flexão de número: Formado pelo acréscimo da desinência de plural sobre a terminação nasal, resultando em chinfrins.

  • Flexão de grau: Admite formas superlativas sintéticas expressivas e coloquiais, como chinfriníssimo.

Sinônimos e Equivalentes de Sentido

  • Sentido de pouca qualidade ou valor (Adjetivo): reles, ordinário, fuleiro, mambembe, vulgar, mesquinho, insignificante, medíocre, inferior.

  • Sentido de desordem ou barulho (Substantivo): algazarra, chinfrinada, estardalhaço, bagunça, tumulto, espalhafato, gritaria.

Utilização em Frases

  • O crítico literário desqualificou o romance, classificando-o como uma obra chinfrim e sem qualquer profundidade filosófica.

  • Apesar de todo o alarde publicitário feito pela empresa, o prêmio distribuído no sorteio era bastante chinfrim.

  • Os vizinhos começaram a reclamar do chinfrim que vinha do apartamento do último andar durante a madrugada.

Referências Bibliográficas

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

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BECHARA, Evanildo. Gramática Escolar da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

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CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Edição com gabarito. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

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CUNHA, Celco; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Lexikon, 2025.

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HOUAISS, Antônio. Pequeno Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Editora Moderna, 2015.

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LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.

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