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08/09/2026

Revista Olhares abre chamada de artigos para dossiê sobre Infância, Educação e Direitos Humanos

A Revista Olhares anunciou a abertura da chamada de submissões para o seu Dossiê Temático de 2027, intitulado "Infância, Educação e Direitos Humanos: políticas, práticas e resistências pela democracia". A iniciativa propõe reunificar e fortalecer o debate acadêmico em torno do reconhecimento das crianças como sujeitos ativos de direitos, além de analisar os impactos dos processos educativos que perpassam as disputas políticas e culturais relativas a gênero, raça, classe e cidadania. O objetivo central do dossiê é consolidar a produção científica como um espaço de resistência e transformação social frente aos crescentes discursos conservadores, ao aprofundamento das desigualdades e aos ataques direcionados às políticas de inclusão e à gestão democrática nas escolas.

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A publicação busca aglutinar pesquisas, estudos comparados e ensaios teóricos voltados tanto para o cenário brasileiro quanto internacional. O escopo abrange análises de políticas públicas para a Educação Infantil, formação docente, abordagens descolonizadoras, além das práticas pedagógicas de cuidado e atendimento de bebês em creches. Serão bem-vindas as contribuições que abordem a participação infantil, a justiça social e o enfrentamento das investidas neoliberais e ultraconservadoras no ambiente escolar, destacando experiências educativas inovadoras focadas na equidade e no respeito à diversidade.

A organização da coletânea está a cargo das professoras e pesquisadoras Daniela Finco, da Universidade Federal de São Paulo, Sofia Figueira, do Instituto Politécnico de Setúbal, em Portugal, e Kátia Martins, da Universidade Federal de Lavras. Juntas, as organizadoras convidam a comunidade científica a submeter trabalhos que reafirmem a infância como um território político e pedagógico crucial para a garantia dos Direitos Humanos, o fortalecimento da igualdade e a defesa irrevogável da democracia.

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Revista de Educação PUC-Campinas abre chamada de submissões para dossiê sobre a coordenação pedagógica

A Revista de Educação PUC-Campinas anunciou a abertura da chamada de submissões para o dossiê temático "O trabalho da Coordenação Pedagógica frente às demandas contemporâneas impostas à escola". A publicação busca reunir reflexões teóricas e empíricas focadas no papel estratégico desse profissional dentro do ambiente escolar, considerando sua função de mediação entre políticas educacionais, currículo, formação docente e práticas pedagógicas cotidianas.

O projeto parte da premissa de que a atuação da coordenação pedagógica passa por profundas transformações em função do cenário educacional atual. Fatores como a intensificação do trabalho docente, o avanço da plataformização do ensino e as reformas gerencialistas têm ressignificado e, frequentemente, sobrecarregado o cotidiano desses profissionais, muitas vezes afastando-os de sua dimensão eminentemente pedagógica.

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Diante disso, a proposta acolhe pesquisas e análises sobre as condições de trabalho, saberes e relações de poder na coordenação pedagógica, abrangendo diferentes etapas da Educação Básica nas redes pública e privada. Estão no escopo das discussões temas como a formação continuada de professores, a inclusão escolar, a avaliação, a articulação com a comunidade e a defesa da autonomia docente, além de contribuições que tragam perspectivas históricas, comparadas e abordagens sobre os desafios e resistências da categoria.

A organização do dossiê está a cargo das professoras e pesquisadoras Maria Jose da Silva Fernandes, docente da Unesp/Araraquara e especialista em políticas educacionais e gestão escolar, e Luciana Haddad Ferreira, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas com atuação voltada para a formação docente e abordagens narrativas.

Os interessados podem submeter seus artigos entre 1º de junho de 2026 e 2 de outubro de 2026. A previsão para a publicação oficial do dossiê na Revista de Educação PUC-Campinas é junho de 2027.

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Revista RBEPT abre chamada de artigos para dossiê sobre a contrarreforma do ensino médio

A Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica anunciou a abertura de inscrições para o dossiê temático sobre a contrarreforma do ensino médio na Rede Federal. Organizado pelos professores Marcelo Lima, Maria Amélia Dalvi e Daniela Cunha Terto, o volume busca reunir pesquisas acadêmicas que analisem o tema em interface com diversas modalidades educacionais, como a Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, do Campo, Indígena, Quilombola e a Distância, além de perpassar por questões transversais de gênero e etnia.

O prazo para o envio das contribuições se estende de dez de setembro a dez de dezembro de dois mil e vinte e seis. A publicação está prevista para o primeiro semestre de dois mil e vinte e sete, com limite para sair até o mês de julho. Ao todo, a edição especial selecionará até quinze artigos originais. Caso haja outros trabalhos aprovados além desse quantitativo, eles poderão ser remanejados para o fluxo contínuo em volumes futuros do periódico, mediante a prévia autorização dos pesquisadores.

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As submissões devem ser feitas exclusivamente pelo sistema eletrônico da revista, selecionando a seção específica indicada para este dossiê. O limite máximo permitido é de quatro autores por manuscrito, sendo obrigatória a presença de pelo menos um doutor entre os integrantes da autoria. Todos os artigos precisam seguir estritamente as diretrizes de formatação e as orientações formais da publicação.

Além do texto principal, o responsável pelo envio deve anexar documentações suplementares no ato do cadastro para garantir a aceitação do trabalho. Entre os documentos exigidos estão a declaração de revisão linguística e das normas da ABNT, a declaração sobre o uso de ferramentas de Inteligência Artificial e, nos casos em que o estudo envolva seres humanos, o parecer de aprovação emitido por um Comitê de Ética em Pesquisa. Mais detalhes sobre o processo estão contidos no edital oficial da Chamada número dois de dois mil e vinte e seis da publicação.

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07/09/2026

Revista Periferia abre chamada para dossiê sobre alfabetização, currículo e formação docente no contexto pós-pandemia

A Revista Periferia, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), está com chamada aberta para o envio de artigos científicos que comporão o dossiê temático dedicado aos desafios e reflexões sobre o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). Coordenada pelas professoras Dra. Maria Carolina da Silva Caldeira, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Dra. Maria Edeluza Ferreira Pinto de Moura, da Universidade do Estado do Amazonas, a publicação busca incentivar o debate acadêmico acerca das políticas curriculares de alfabetização, tanto no cenário brasileiro quanto em âmbito internacional, como resposta às perdas de aprendizagem intensificadas no período pós-pandemia.

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O foco central da proposta é problematizar as dinâmicas do CNCA e suas reverberações na formação continuada de professores, nas práticas pedagógicas e na gestão escolar. Embora a política oficial atue sobre eixos como governança, infraestrutura, avaliação e reconhecimento de boas práticas, a chamada defende que o programa também opera como uma política curricular contínua, disputando sentidos sobre os saberes escolares, a infância e a produção de subjetividades. O dossiê tem o propósito de acolher pesquisas teóricas e empíricas que analisem desde a literatura infantil e os materiais didáticos até a criação de territórios locais de significação e o diálogo com experiências educacionais de outros países.

Os pesquisadores interessados em submeter seus trabalhos devem realizar o envio entre os dias 21 de agosto e 21 de setembro de 2026. A revista aceitará contribuições redigidas em português, espanhol ou inglês, ficando a etapa de tradução sob inteira responsabilidade dos próprios autores.

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Amazônia RECM abre chamada para dossiê sobre Estudos Culturais no Ensino de Ciências e Biologia

Em celebração aos trinta anos da Associação Brasileira de Ensino de Biologia, a revista Amazônia RECM anunciou a abertura de chamada para a submissão de trabalhos no dossiê temático Estudos Culturais no Ensino de Ciências e Biologia. A iniciativa busca dar visibilidade e amplificar as contribuições de pesquisas e práticas pedagógicas que utilizam a perspectiva teórico-política dos Estudos Culturais para desestabilizar abordagens tradicionalistas e pensar caminhos críticos para a educação científica contemporânea.

Organizado por docentes da UFPA, UFRN e USP, o dossiê pretende destacar como a ciência se constitui como produção cultural e de que maneira diferentes artefatos e linguagens ensinam e moldam subjetividades dentro e fora das salas de aula. A publicação convida investigações que debatam tópicos urgentes da atualidade, a exemplo de crise climática, corpo, saúde, sustentabilidade, difusão de desinformação científica e os impactos das mídias digitais e inteligências artificiais nos processos de inclusão e exclusão social.

A chamada é direcionada a docentes da educação básica e superior, estudantes de pós-graduação e pesquisadores da área. Os interessados podem submeter artigos teóricos, ensaios, pesquisas empíricas, relatos de experiência e experimentações metodológicas que explorem de forma crítica e inventiva os modos como ensinamos e aprendemos sobre a natureza, os corpos e os futuros comuns em um mundo em constante transformação.

Cronograma:

Até 15 de junho de 2026: publicação da chamada;

Até 15 de setembro de 2026: recepção dos manuscritos;

Até 15 de outubro de 2026: avaliação pelos pareceristas;

Até dezembro de 2026: envio da versão final dos textos à revista;

Primeiro semestre de 2027: publicação do dossiê.

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O que significa Função Poética na Teoria da Literatura?

Ao organizar os fatores constitutivos de qualquer ato de comunicação, emissor, receptor, mensagem, contexto, código e canal, o linguista russo Roman Jakobson associou a cada um desses elementos uma função de linguagem específica. A função emotiva centra-se no emissor; a conativa, no receptor; a referencial, no contexto factual; a fática, no canal de contato; e a metalinguística, no código. A função poética, por sua vez, é definida pelo foco direcionado para a própria mensagem. Isso significa que, na função poética, a seleção e o arranjo das palavras não buscam somente retratar a realidade externa, mas também atrair a atenção do leitor para a estrutura, a sonoridade, o ritmo e a tessitura do próprio texto.

Dizer que o foco está na mensagem não implica afirmar que o conteúdo se torna irrelevante, já que a forma e a matéria verbal passam a integrar o significado de maneira indissociável. A teórica linguística chama esse fenômeno de projeção do princípio de equivalência do eixo da seleção sobre o eixo da combinação. Em termos mais simples e práticos: ao construirmos uma frase comum, selecionamos palavras de um repositório mental e as combinamos segundo regras gramaticais básicas. Na função poética, essa combinação deixa de ser neutra e passa a explorar semelhanças sonoras, simetrias sintáticas, ecos métricos, jogos morfológicos e trocadilhos conceituais. A palavra deixa de ser uma janela transparente pela qual olhamos o mundo e passa a ser um vitral colorido cuja própria substância deve ser admirada.

É a função poética que transforma o discurso em arte e confere densidade expressiva ao texto literário. Quando observamos a poesia lírica, essa dinâmica manifesta-se em seu estado mais puro e cristalino. Tomemos como exemplo a poesia barroca de Gregório de Matos. Em seus sonetos religiosos, a angústia existencial e o fervor espiritual do eu lírico não são transmitidos apenas pela declaração explícita de conceitos teológicos, mas pela arquitetura rigorosa do verso. O contraste entre o pecado e a salvação ganha vida através de antíteses, quiasmos e jogos de palavras onde o som de um termo espelha e tensiona o som do termo oposto. O leitor é capturado pelo ritmo marcante e pela sonoridade densa antes mesmo de decodificar integralmente a mensagem teológica.

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Essa valorização da matéria verbal atinge outro grau na modernidade, como se observa na produção dos poetas do Parnasianismo e do Simbolismo. No Parnasianismo, com autores como Olavo Bilac, a busca pela perfeição métrica, a rima rica e a escolha vocabular precisa transformam o poema em uma escultura de palavras. A função poética opera aqui como uma lapidação minuciosa da linguagem. Já no Simbolismo de Cruz e Sousa, há uma exploração dos aspectos fônicos da língua através do uso ostensivo de aliterações e assonâncias. No famoso poema dedicado ao som dos violões, a repetição sistemática de consoantes consonantais e vogais fechadas recria auditivamente a atmosfera soturna e melancólica do instrumento. A mensagem não é apenas lida, mas ouvida e tida sensorialmente pelo leitor por meio do arranjo sonoro arquitetado pelo poeta.

Entretanto, seria um equívoco conceitual limitar a função poética ao texto em verso. A prosa literária também é profundamente irrigada por essa dimensão expressiva. No romance moderno, a forma como a história é contada frequentemente se sobrepõe à própria anedota ou ao enredo factual. Consideremos a narrativa de Guimarães Rosa na monumental obra Grande Sertão: Veredas. A linguagem utilizada pelo sertanejo Riobaldo não é uma mera reprodução documental do falar sertanejo, mas sim uma recriação artística e invenção linguística de altíssima densidade poética. Rosa subverte a sintaxe tradicional, cria neologismos extraordinários e funde termos arcaicos a construções populares. Nesse universo narrativo, a travessia do sertão, o medo do diabo e o amor por Diadorim acontecem dentro da própria estrutura da frase. A função poética em Guimarães Rosa transforma a norma culta em um território mitológico e sonoro singular, onde cada frase exige do leitor uma desaceleração contemplativa.

De maneira análoga, Clarice Lispector utiliza a função poética na prosa para capturar estados d'alma e momentos de epifania que escapam à lógica cartesiana. Em obras como Perto do Coração Selvagem ou A Paixão segundo G.H., a sequência linear dos fatos cede lugar a uma exploração minuciosa do fluxo de consciência e da angústia existencial. Clarice trabalha a pontuação, o ritmo das orações e as metáforas inusitadas de forma a desestabilizar a percepção convencional do leitor. A linguagem clariceana se dobra sobre si mesma, hesita, busca termos improváveis e constrói silêncios na página impressa. O significado surge justamente da estranheza e da beleza dessa construção sintática e semântica, demonstrando como a função poética pode servir à sondagem dos abismos psicológicos humanos.

Outro exemplo fundamental de como a função poética reestrutura o texto narrativo pode ser encontrado no Realismo machadiano. Em Dom Casmurro, Machado de Assis constrói a narrativa de Bento Santiago não apenas com fatos, mas com uma fina ironia que se expressa na seleção precisa de cada adjetivo, na digressão metalinguística e na omissão calculada. A ambiguidade que cerca a figura de Capitu e o suposto adultério não está fundamentada em provas empíricas apresentadas ao longo da trama, mas no modo poético e retórico como a memória do narrador alinhava e manipula as palavras. A dúvida é criada pelo próprio arranjo discursivo, demonstrando como o efeito de sentido literário depende crucialmente da forma como a linguagem é orquestrada.

Referências Bibliográficas

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. 3. ed. Jandira–SP: Principis, 2019.

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BILAC, Olavo. Poesias. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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CRUZ E SOUSA, João da. Broquéis. 1. ed. São Paulo: LePM, 2002.

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EAGLETON, Terry. Teoria da literatura: uma introdução. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011.

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JAKOBSON, Roman. Linguística e comunicação. 22. ed. São Paulo: Cultrix, 2013.

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LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G. H.. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2020.

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MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. Jandira–SP: Principis, 2020.

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ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 22. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

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TODOROV, Tzvetan. Teoria da literatura: Textos dos formalistas russos. Tradução de Roberto Leal Ferreira. 1. ed. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

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