Revista Esfera abre chamada de artigos para dossiê especial sobre o legado de Edgar Morin na Comunicação

A Revista Esfera convida pesquisadores e a comunidade acadêmica a enviarem contribuições para a sua edição de número 39, dedicada ao tema "Edgar Morin e a Comunicação". Sob a coedição de Gustavo de Castro, da Universidade de Brasília, e Florence Dravet, da Universidade Católica de Brasília, a publicação busca destacar o papel constitutivo do pensamento moriniano na consolidação dos estudos comunicacionais, indo além de sua consagrada atuação nos campos da complexidade e da transdisciplinaridade. Os autores interessados podem submeter trabalhos como artigos, entrevistas, traduções e ensaios visuais até o dia 30 de abril de 2027, com previsão de publicação do volume para até 31 de agosto de 2027.

O dossiê lança luz sobre a relação histórica e intelectual do pensador com o ecossistema da mídia, desde sua atuação prática no jornalismo e na criação de revistas emblemáticas como a Communications até suas pesquisas pioneiras sobre cinema, cultura de massa e desinformação. O objetivo é demonstrar como o autor antecipou concepções fundamentais sobre ambientes digitais e processos simbólicos, oferecendo uma matriz epistemológica indispensável para interpretar o cenário contemporâneo de incertezas, proliferação informacional e transformações sociais.

As submissões podem abordar diversos eixos temáticos vinculados à obra do sociólogo francês. Entre os tópicos sugeridos pela equipe editorial estão a teoria culturológica, a indústria cultural e as estrelas de cinema, as relações entre estética, imaginário e mídia, o pensamento complexo aplicado aos processos simbólicos e a transdisciplinaridade. Além disso, há espaço para investigações que cruzem a ecologia da ação com a comunicação ambiental, reflexões sobre cultura digital, ética, cidadania planetária, educação e humanismo, bem como estudos focados na sociologia do presente ou em outros aspectos correlatos ao vasto acervo conceitual deixado por Edgar Morin.

Mais informaçõeshttps://portalrevistas.ucb.br/index.php/esf/announcement/view/149

Revista Metamorfoses abre chamada de artigos em homenagem a António Lobo Antunes

A revista Metamorfoses anunciou a abertura de submissões para a sua edição número 23.2, dedicada integralmente a celebrar a trajetória e o legado de António Lobo Antunes. Considerado uma figura incontornável da literatura portuguesa contemporânea, o escritor destacou-se por uma produção densa com mais de quatro décadas de extensão, marcada pelo ousado refinamento estético, pelo uso visceral do lirismo combinado à acidez e pela construção de narrativas polifônicas complexas.

O número especial convida pesquisadores a enviarem trabalhos que analisem a rica fortuna crítica do autor, cuja obra segue inspirando estudos acadêmicos no Brasil, em Portugal e em diversos países onde foi traduzido. A organização do volume está a cargo das professoras Ângela Beatriz de Carvalho Faria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Claudia Maria Amorim, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Os interessados em contribuir para esta homenagem acadêmica devem submeter seus artigos até o dia 15 de setembro de 2026. A previsão de publicação da edição é para janeiro de 2027.

Mais informaçõeshttps://revistas.ufrj.br/index.php/metamorfoses/announcement/view/1223

O que achei do filme Rosebush Pruning (2026)?

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Cartaz do filme Rosebush Pruning (2026)

Dirigido por Karim Aïnouz e livremente inspirado no clássico De Punhos nos Bolsos (1965, de Marco Bellocchio), Rosebush Pruning (2026) oscila entre o trágico e a comédia, servindo, desde os primeiros momentos, como uma representação provocativa do colapso moral das elites. O cenário principal do longa é uma luxuosa mansão meio que enclausurada sob o sol espanhol, onde somos apresentados as disfunções, que partem do coletivo para o individual, de uma família rica, cuja dinâmica é repleta de contornos absurdos, eróticos e grotescos.

Com roteiro assinado por Efthimis Filippou (O Lagosta), o longa reúne um elenco de peso - Callum Turner, Elle Fanning, Jamie Bell, Riley Keough, Pamela Anderson e Tracy Letts -, mas, francamente, nenhum deles conseguiu se destacar ao ponto de merecer elogios pela atuação, nem mesmo Callum Turner, cujo personagem é responsável pela voz narrativa que conduz o longa. 

Gostei bastante do modo como a narrativa é conduzida e organizada, pois, em vez de adotar o cinismo frio tão comum às sátiras contemporâneas sobre ultrarricos, Aïnouz aposta num tom mais profundo, estético, psicodélico e em algo que eu chamaria de erotismo tátil, isso porque a câmera busca, inúmeras vezes, a pele, o suor, os olhos, e a respiração dos personagens, criando um choque visual constante entre a beleza das locações, que são um destaque à parte, e a total decadência ética e afetiva dos indivíduos.

📖 Leia também: Um olhar psicanalítico sobre o filme The Babadook (2014)

As interações familiares sob a escrita de Filippou é impressionante, sobretudo porque mesmo que haja uma autodestruição desinibida, sustentada por uma violência psicológica imprevisível, ainda sim o roteiro deixa um pouco de esperança que algo sobreviva dali.

Embora eu entenda que esta seja uma característica premeditada, fiquei um pouco incomodado com o fato do filme, por vezes, flertar com certo esvaziamento discursivo, talvez para servir como reflexo da futilidade explícita que alimenta cada um dos personagens, mas, particularmente, afasta em certa medida a capacidade de aproximação com alguém. 

Também achei que a crítica ao isolamento e ao esgotamento da burguesia nem sempre alcança a radicalidade ou a novidade pretendidas, fazendo com que a obra funcionasse melhor pela anarquia autodestruitiva individual do que pela pela profundidade de sua tese. 

Rosebush Pruning é um filme que vale a pena pela experiência sensorial e hipnótica e a provocação social, que casou bem o cenário de futilidades, os aspectos grotescos, as peculiaridades e a reviravolta nos momentos finais, a qual, embora eu não considere brilhante, serve ao propósito de dar um fechamento plausível diante de todo o itinerário decadente dos afetos.

Rosebush Pruning (2026) Minha Avaliação
3.5 / 5.0

Revista Brasil/Brazil abre chamada para artigos sobre os diálogos literários entre Brasil e Portugal

A Revista Brasil/Brazil anunciou a abertura de submissões de artigos acadêmicos para a sua edição de número 82, dedicada ao tema "Diálogos Literários Brasil-Portugal". Organizado pelas pesquisadoras Maria Aparecida Ribeiro, da Universidade de Coimbra, e Maria da Glória Bordini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o volume tem como foco o intercâmbio permanente entre as produções literárias das duas nações a partir do século XIX, estendendo as reflexões até a atualidade com a inclusão das nações africanas de língua portuguesa.

O dossiê busca reunir trabalhos acadêmicos que explorem a riqueza dessas trocas culturais e intelectuais. Serão aceitos estudos focados em correspondências pessoais, memórias, influências estéticas mútuas, apropriações temáticas, construção de personagens, historiografia literária e análises críticas sobre autores e autoras desses territórios do universo lusófono.

Os pesquisadores interessados em contribuir têm até o dia 1º de dezembro de 2026 para enviar seus textos exclusivamente pela plataforma online do periódico. Todos os trabalhos submetidos passarão por avaliação do Conselho Editorial por meio do sistema de revisão cega por pares, garantindo o rigor e o anonimato na seleção dos textos.

Mais informações: https://seer.ufrgs.br/index.php/brasilbrazil/announcement/view/2143

O editor deste blog sugere a leitura dos livros:

CASTRO, Andreia; CRUZ, Eduardo; VASCONCELOS; Viviane. Literaturas brasileira e portuguesa: Movimentos. 1. ed. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2023.

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OLIVEIRA, Clenir Bellezi de. 360° Literatura - Vol. Único: Arte Literária Luso-brasileira - Conjunto. 1. ed. São Paulo: FTD Educação, 2015.

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SANTOS, Gilda; OLIVEIRA, Paulo Motta. Genuína fazendeira: Os frutíferos 100 anos de Cleonice Berardinelli. 1. ed. Humaitá-RJ: Bazar do Tempo, 2016.

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RBEPT abre chamada de artigos para dossiê sobre a contrarreforma do ensino médio

A Revista Brasileira da Educação Profissional e Tecnológica anunciou a abertura de submissões para o dossiê temático intitulado "A Contrarreforma do Ensino Médio na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica". Organizada pelos professores Marcelo Lima, Maria Amélia Dalvi e Daniela Cunha Terto, a edição busca reunir estudos originais que analisem o impacto das transformações no ensino médio dentro da Rede Federal. O tema central pode ser abordado sob a perspectiva da Educação de Jovens e Adultos, Educação Especial, do Campo, Indígena, Quilombola e a Distância, integrando transversalmente debates de gênero e etnia.

Os pesquisadores interessados poderão enviar seus manuscritos entre 10 de setembro e 10 de dezembro de 2026, diretamente pelo sistema eletrônico da revista, selecionando a seção específica do dossiê. A publicação está prevista para o primeiro semestre de 2027, até o mês de julho. A chamada limitará a seleção a até 15 artigos aprovados para compor o volume especial, sendo que os trabalhos excedentes aprovados poderão ser remanejados para as edições de fluxo contínuo da revista, mediante a concordância dos responsáveis.

As regras de participação estipulam o limite máximo de quatro autores por manuscrito, exigindo obrigatoriamente a presença de ao menos um doutor entre os colaboradores. Os trabalhos devem seguir rigorosamente as normas de formatação da revista e as diretrizes para autores da Chamada RBEPT nº 2/2026. Além do texto principal, o autor responsável deverá anexar documentações suplementares obrigatórias no ato da submissão, incluindo a aprovação em Comitê de Ética para pesquisas com seres humanos, a declaração de revisão linguística e das normas da ABNT, e a declaração sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial.

Mais informações: https://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/RBEPT/announcement/view/67

Como empregar o hífen quando a segunda palavra for iniciada pela letra "H"?

O emprego do hífen diante da letra “H” é uma das questões que mais geram dúvidas nesse contexto da Língua Portuguesa, sobretudo após o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que trouxe mudanças significativas nas regras de uso desse sinal gráfico.

O hífen, normalmente, é utilizado para unir elementos que, embora mantenham certa autonomia, passam a formar uma unidade semântica. Ele evita ambiguidades, facilita a leitura e preserva a clareza na escrita. No caso específico da letra “H”, há uma particularidade: essa consoante, quando aparece no início da segunda palavra de uma composição, não se integra foneticamente ao termo anterior, pois o “H” inicial é mudo. Assim, a manutenção do hífen cumpre a função de indicar que se trata de uma junção de palavras distintas, sem que haja fusão sonora.

Tomemos como exemplo anti-herói. A primeira parte, anti, é um prefixo que indica oposição. A segunda, herói, inicia-se com “H”. Se não houvesse o hífen, teríamos “antiherói”, o que poderia sugerir uma pronúncia incorreta ou dificultar a percepção imediata da composição. O hífen, dessa forma, preserva a clareza e mantém a distinção entre os elementos. O mesmo ocorre em super-homem, pré-história e co-herdeiro. Em todos esses casos, o hífen é obrigatório porque a segunda palavra começa com “H”.

📖 Leia também: Como fazer a separação silábica de palavras como tuiuiú e saguão?

Vale destacar que, antes do Acordo Ortográfico, algumas dessas formações poderiam gerar dúvidas, mas a norma atual consolidou a obrigatoriedade do hífen nesse contexto. A justificativa é simples: o “H” inicial não se liga foneticamente ao elemento anterior, e a ausência do hífen poderia comprometer a inteligibilidade da palavra. Além disso, o hífen impede que o prefixo se confunda com a base lexical, mantendo a transparência morfológica.

Outro aspecto importante é que o uso do hífen diante do “H” não se restringe a prefixos de origem grega ou latina, mas se aplica a qualquer composição em que o segundo elemento comece com essa letra. Assim, tanto em palavras eruditas quanto em termos mais comuns, a regra se mantém. Exemplos como micro-história ou neo-helênico ilustram bem essa abrangência.

É interessante observar também que, em alguns casos, o hífen diante do “H” contribui para evitar ambiguidades semânticas. Por exemplo, pré-história indica o período anterior à invenção da escrita. Se fosse grafado “prehistória”, poderia gerar confusão, já que a junção direta dos elementos não é natural na ortografia portuguesa. O hífen, portanto, não é apenas um recurso gráfico, mas um elemento que garante precisão semântica.