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11/09/2026

Revista Investigações abre chamada para dossiê sobre o Sul Global Literário

A Revista Investigações, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, anunciou a abertura da chamada de artigos para a sua edição especial de 2027, que abordará o tema "Emergências Comparatistas do Sul Global Literário". A organização do número conta com uma coordenação científica e editorial internacional, reunindo os professores Carlos André Cordeiro de Oliveira, Alfredo Adolfo Cordiviola, Danielle Grace de Almeida, Nishat Zaidi e Paul Melo e Castro.

O volume propõe uma investigação comparativa das produções literárias do Sul Global, enxergando-as como interseções estéticas, epistêmicas e geopolíticas diante dos desafios impostos pelo Antropoceno colonial, pela modernidade-colonialidade e pelo capitalismo racial. O dossiê busca acolher trabalhos focados em corpora latino-americanos, caribenhos, africanos, sul-asiáticos e indo-oceânicos que lancem luz sobre cartografias atravessadas pelas marcas da colonização e pela força da esperança escrevivente, dialogando com grandes nomes do pensamento e da literatura mundial, como Aimé Césaire, Clarice Lispector, Chinua Achebe, Ngũgĩ wa Thiong'o e Conceição Evaristo.

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Entre os eixos de interesse aceitos pela publicação destacam-se os estudos sobre as conexões da literatura brasileira com narrativas africanas ou asiáticas, a inserção do Sul Global nos debates de literatura mundial, traduções e circulação comparadas, afrofuturismos, indigenofuturismos, ecocrítica e as representações da memória, do trauma e da ancestralidade. A equipe editorial ressalta que serão aceitos exclusivamente artigos que demonstrem de forma clara o uso do método comparatista voltado à análise de produções do Sul Global.

Os pesquisadores interessados em submeter seus trabalhos devem enviar os textos até o dia 20 de dezembro de 2026. O processo de avaliação será concluído em maio de 2027, e o lançamento da edição especial está previsto para junho do mesmo ano.

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Por que as palavras hífen, hifens e hífenes são acentuadas de formas diferentes?

Uma das dúvidas que mais costuma inquietar estudantes em relação à dinâmica da acentuação gráfica, sobretudo para concursos, ocorre com a palavra "hífen" e suas duas formas aceitas de pluralização: "hifens" e "hífenes". Entender o porquê de o vocábulo no singular e uma de suas formas no plural receberem o acento agudo, enquanto a outra forma no plural não o recebe, pode ser um diferencial importante. 

Vamos prestar atenção à tonicidade das palavras e à terminação de cada uma delas. Primeiramente, observe o vocábulo "hífen". Do ponto de vista da tonicidade, trata-se de uma palavra paroxítona, pois a sua sílaba tónica é a penúltima. A regra geral da ortografia portuguesa estabelece que as palavras paroxítonas terminadas na letra "n" devem ser obrigatoriamente acentuadas graficamente. Por essa razão, a palavra "hífen" carrega o acento agudo na vogal "i". Outros termos da nossa língua que seguem essa exata mesma diretriz são "pólen", "próton", "nêutron" e "elétron". Trata-se de uma norma bem consolidada e sem exceções no que tange às palavras paroxítonas com essa terminação específica no singular.

A divergência e o consequente sobressalto gramatical surgem no momento de flexionar esse termo para o plural. A Língua Portuguesa admite dois plurais para a palavra "hífen", sendo a forma "hifens" a mais frequente no uso cotidiano e a forma "hífenes" uma alternativa igualmente correta. No entanto, o comportamento do acento gráfico altera-se significativamente em cada uma dessas opções.

Ao analisarmos a forma "hifens", percebemos que ela continua sendo uma palavra paroxítona, uma vez que a penúltima sílaba permanece como a mais forte na pronúncia. Todavia, a sua terminação mudou para "ens". A regra ortográfica das paroxítonas dita que não se acentuam as palavras paroxítonas terminadas em "ens". Essa é a mesma razão pela qual palavras como "jovens", "imagem", "imagens", "ordem" e "ordens" não recebem acento gráfico. Existe uma razão estrutural para essa limitação: o sistema de acentuação do português reserva os acentos nas terminações em "em" e "ens" para as palavras oxítonas, como ocorre em "também", "parabéns" e "armazéns". Portanto, para evitar um conflito no sistema ortográfico, quando a palavra "hífen" ganha a terminação "ens" no plural, tornando-se "hifens", ela perde o acento agudo, permanecendo paroxítona apenas no plano da fala, mas átona no plano da escrita.

Por outro lado, quando optamos pela segunda forma de plural, "hífenes", a estrutura silábica da palavra passa por uma transformação ainda mais profunda. Ao acrescentar o sufixo de plural "es", a palavra ganha uma nova sílaba, deixando de ser uma paroxítona e transformando-se em uma palavra proparoxítona, cuja sílaba tónica passa a ser a antepenúltima. No sistema ortográfico da Língua Portuguesa, a regra aplicada às proparoxítonas é absoluta e sem exceções: todas as palavras proparoxítonas devem ser graficamente acentuadas. Sendo assim, o vocábulo "hífenes" mantém o acento agudo na vogal "i", exatamente por ter se tornado uma palavra proparoxítona.

Ou seja, o termo no singular "hífen" recebe acento por ser uma paroxítona terminada em "n". A forma plural "hifens" perde o acento por se enquadrar na regra das paroxítonas terminadas em "ens", que não são acentuadas. Já a variante plural "hífenes" mantém a acentuação gráfica porque a inclusão de uma nova sílaba a deslocou para a categoria das proparoxítonas, classe em que todos os vocábulos são compulsoriamente acentuados.

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Revista Revue Romane abre chamada de artigos para dossiê sobre as figurações do mal na literatura contemporânea

A prestigiada Revista Revue Romane anunciou a abertura da chamada de artigos para o seu próximo dossiê temático, intitulado "Escrever o Mal nas Literaturas Românicas: Ética, Política e Contemporaneidade". O projeto é organizado pelos pesquisadores Cândido Oliveira Martins, da Universidade Católica Portuguesa, e Carlos Nogueira, associado à Cátedra José Saramago, à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e à Universidade da Beira Interior.

A proposta surge do diagnóstico de que a criação literária contemporânea, ao confrontar a humanidade com guerras, genocídios, regimes totalitários e novos mecanismos de controlo social, abandona maniqueísmos simplistas para mergulhar o leitor em complexas ambiguidades morais e cenários-limite. O objetivo principal do volume é reunir investigações originais que abordem o mal sob um prisma interdisciplinar, cruzando a análise textual com a filosofia, a ética, a política e a cultura. Embora o foco recaia no horizonte da contemporaneidade, a chamada adota uma perspectiva flexível que permite analisar produções dos séculos XX e XXI ou até de períodos anteriores, desde que dialoguem com as questões prementes do presente.

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O leque de pesquisas acolhidas abrange temas cruciais, como a banalização e a normalização da violência, as marcas do colonialismo e do totalitarismo, as perspectivas sobre violência de género, os dilemas éticos na representação do sofrimento e os conceitos de culpa e responsabilidade. Estudo comparativos entre autores fundamentais, a exemplo do diálogo entre Albert Camus e José Saramago ou entre Primo Levi e Jorge Semprún, também encontram espaço privilegiado na proposta.

Os trabalhos submetidos devem ser inéditos e passarão pelo rigoroso processo de avaliação por pares. Os investigadores interessados poderão enviar as suas contribuições em diversas línguas românicas ou em inglês, diretamente pela plataforma Editorial Manager da publicação, durante o período de submissão que se estende de 1 de fevereiro a 15 de abril de 2027. O lançamento do dossiê impresso e digital está programado para o início de 2028.

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O que é e qual a função do Hífen na Língua Portuguesa?

Historicamente, o hífen (-) surgiu da necessidade de organizar o fluxo gráfico da escrita, garantindo legibilidade e unidade a termos que, embora formados por radicais autônomos, passam a designar uma realidade única. No âmbito dos substantivos e adjetivos compostos, por exemplo, a sua presença indica que os componentes perdem, em maior ou menor grau, a sua autonomia fonológica e semântica originária para engendrar uma nova acepção. É o caso de termos botânicos, zoológicos e expressões cristalizadas pelo uso cotidiano e institucional, onde a ausência do traço poderia comprometer a imediata identificação do sentido pretendido pelo emissor. Ademais, a gramática normativa estabelece critérios precisos para o seu emprego nas construções em que há o encontro de vogais idênticas ou consoantes específicas, assegurando a correta tonicidade e a fluidez na hora da elocução oral.

Outro campo de atuação primordial do hífen é a dinâmica dos prefixos e elementos de composição, cenário que historicamente gerava as maiores dúvidas entre redatores, estudantes e profissionais da escrita. As regras atuais determinam que o traço se faz obrigatório quando o prefixo termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo termo, ou quando este começa com a letra H. Por outro lado, a supressão do sinal ocorre quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento inicia-se por consoantes distintas, com exceção de "r" e "s", as quais exigem a duplicação dessas letras para a manutenção do som adequado. Essa engenharia ortográfica visa simplificar e uniformizar o sistema, embora a profusão de exceções consagradas pela tradição lexicográfica ainda exija constante consulta aos compêndios normativos.

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Além da vertente estritamente ortográfica, o hífen cumpre uma função sintática e estilística importante na desambiguação textual. Em diversos contextos, a sua inclusão ou exclusão altera radicalmente o significado de uma oração, distinguindo ações literais de metáforas ou conceitos técnicos consolidados. 

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10/09/2026

Quem é Príamo (Πρίαμος) na Mitologia Grega?

Príamo foi o rei de Troia durante a devastadora Guerra de Troia, e cuja sua vida é marcada por episódios de derrocada, ressurgimento, esplendor e, por fim, uma ruína brutal que simboliza o próprio fim da era dos heróis clássicos.

Filho do rei Laomedonte, a história da infância de Príamo já começa marcada pelo trauma e pela intervenção divina. Originalmente batizado como Podarces, o jovem príncipe viu sua cidade natal ser atacada e saqueada por Héracles (Hércules). Esse primeiro saque de Troia ocorreu porque Laomedonte, famoso por sua deslealdade, recusou-se a entregar a recompensa prometida a Héracles após o herói ter libertado a cidade de um monstro marinho enviado por Posídon. Na expedição punitiva de Héracles, Laomedonte e quase todos os seus filhos foram mortos. Podarces foi capturado e reduzido à condição de escravo. Sua vida foi salva por sua irmã, a princesa Hesíone, que negociou sua liberdade oferecendo a Héracles o seu próprio véu de ouro como resgate. Foi a partir desse ato de redenção que o jovem príncipe abandonou o nome Podarces e assumiu a alcunha de Príamo, designação que, na etimologia popular grega, deriva do verbo priamai, significando "o resgatado" ou "o comprado".

Restabelecido no trono troiano, Príamo reconstruiu a cidade, elevando Troia a um patamar incomparável de riqueza, fortificação e influência na região do Helesponto. Troia tornou-se célebre por suas muralhas consideradas intransponíveis, as quais foram construídas, segundo a tradição, pelos próprios deuses Posídon e Apolo, e por seus telhados dourados. Sob a regência de Príamo, o reino alcançou uma era de prosperidade marcada pelo respeito dos povos vizinhos e por uma corte numerosa e imponente.

A genealogia de Príamo é vastíssima e possui um papel fundamental na vastidão da narrativa da mitologia grega. Fontes clássicas atribuem-lhe dezenas de filhos e filhas, tradicionalmente cinquenta ao todo, nascidos de suas várias esposas e concubinas. Sua esposa principal e rainha consorte foi Hécuba, figura igualmente trágica com quem gerou dezenove ou vinte filhos, incluindo os personagens mais determinantes do ciclo troiano: Heitor, o nobre defensor e príncipe herdeiro de Troia; Páris, cuja sedução e rapto de Helena desencadearam a guerra; Cassandra, a profetisa amaldiçoada cujos avisos eram eternamente ignorados; Heleno, o vidente; Dêifobo e Troilo. Essa vasta progênie transformou Príamo no patriarca supremo de uma dinastia brilhante, mas também selou seu sofrimento, pois ele testemunharia a morte violenta da imensa maioria de seus descendentes. 

Quando os reis aqueus (gregos) marcharam contra Troia para reaver Helena, Príamo já era um homem de idade avançada, fisicamente impossibilitado de combater na linha de frente. Sua liderança durante o cerco de dez anos manifestou-se, assim, não no manejo das armas, mas no conselho, na dignidade e na piedade religiosa. No poema épico Ilíada, de Homero, Príamo aparece no topo das Portas Celas, observando os combates ao lado dos anciãos do conselho. É marcante a humanidade com que ele trata Helena: em vez de culpá-la pela tragédia e pela devastação que se abatiam sobre seu povo, o idoso rei demonstra compaixão, atribuindo a responsabilidade do conflito às vontades inescrutáveis dos deuses.

O momento de maior destaque de Príamo, e uma das passagens mais comoventes de toda a literatura ocidental, ocorre no Canto XXIV da Ilíada. Após o terrível duelo em que Aquiles mata Heitor, o herói grego profana o cadáver do príncipe troiano, arrastando-o diariamente ao redor do sepulcro de seu companheiro Pátroclo. Diante do sacrilégio e tomado por uma dor insuportável, Príamo decide realizar um ato de audácia e humildade sem precedentes: abandona a segurança do seu palácio, remove as insígnias reais que carregava e, sob a proteção invisível do deus Hermes, entra oculto no acampamento inimigo durante a noite.

Ao alcançar a tenda de Aquiles, o soberano de Troia ajoelha-se diante do assassino de seu filho, beija as mãos sanguinárias que exterminaram tantos de seus herdeiros e suplica pelo corpo de Heitor para que este receba os ritos fúnebres adequados. Príamo apela aos sentimentos de Aquiles pedindo-lhe que se lembre de seu próprio pai, Peleu, um ancião que também aguardava o retorno do filho. A imagem do rei majestoso prostrado aos seus pés fez com que Aquiles deixasse, momentaneamente, sua fúria se apaziguar; os dois homens choraram juntos suas perdas, unidos por uma dor compartilhada que ia além do conflito. Tocado pela grandeza moral do monarca, Aquiles concede o cadáver de Heitor e estabelece uma trégua de doze dias para os funerais, demonstrando o poder da piedade (eusebeia) do soberano troiano.

Apesar desse breve momento de paz, o destino de Príamo ilustra como a guerra alcança todos os indivíduos. O fim do rei é narrado com crudeza na tradição épica e reelaborado na Eneida, de Virgílio. Vendo a cidade tomada pelas chamas e o massacre de sua família, Príamo tenta vestir suas velhas armaduras para defender seus altares domésticos. No entanto, sem forças e dominado pela desesperança, ele é arrastado até o altar de Zeus por Neoptólemo (também chamado Pirro), o implacável filho de Aquiles. Diante dos olhos de Hécuba e de suas filhas, e logo após testemunhar o assassinato de seu filho Polites, Príamo é brutalmente executado por Neoptólemo no próprio santuário, selando a profanação da cidade e o colapso absoluto de Troia.

Referências Bibliográficas

EURÍPIDES. As Troianas. Tradução de Trajano Vieira. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2021.

HOMERO. Ilíada. Tradução de Frederico Lourenço.1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

KERÉNYI, Karl. Mitologia dos gregos: A história dos heróis. 1. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2015.

LESKY, A. A tragédia grega. 1ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2020.

VERNANT, J-P. O Universo, os Deuses, os Homens. Tradução de Rosa Freire Aguiar. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

VIRGÍLIO. Eneida.Tradução de Carlos Alberto Nunes. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2016.

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Revista O Eixo e a Roda abre chamada de artigos para dossiê sobre novos itinerários da literatura brasileira

A Revista O Eixo e a Roda anunciou a abertura de submissões para o seu volume 36, número 2, previsto para publicação no período de abril a junho de 2027. Com o tema "Literatura, circulação, e outros caminhos", o dossiê é organizado pelos professores Marcelo Freddi Lotufo, da Universidade de São Paulo, e Thayse Leal Lima, da University of Maryland. Os pesquisadores interessados em contribuir têm até o dia 28 de outubro de 2026 para enviar seus trabalhos.

A proposta do dossiê parte do reconhecimento de que os deslocamentos, sejam eles internacionais ou internos, sempre desempenharam um papel central na consolidação da cultura brasileira. Historicamente, a crítica e a historiografia privilegiaram trajetos específicos, como as viagens das metrópoles europeias para o Brasil, as migrações do campo para a cidade ou as expedições de intelectuais do Sudeste em direção a outras regiões do país. O objetivo desta edição é justamente ampliar esse horizonte e descentralizar as análises.

Apoiando-se em debates contemporâneos como a Teoria da Literatura Mundial, os Estudos Pós-Coloniais e os Estudos Diaspóricos, a chamada convida à reflexão sobre a circulação de ideias e materiais fora dos eixos hegemônicos tradicionais. Espera-se receber artigos que analisem narrativas de viagem, processos de imigração e fluxos culturais transnacionais ou transcontinentais na literatura brasileira. Os trabalhos devem buscar responder como esses percursos alternativos ajudam a constituir novas cartografias culturais e a repensar a própria formação da identidade e da literatura nacional.

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