O conceito de SEMIVOGAL na Língua Portuguesa
Diferentemente da escrita, onde as letras a, e, i, o, u são genericamente chamadas de vogais, a ciência fonética debruça-se sobre a produção e a função dos sons na fala. No português, o ápice de intensidade de qualquer sílaba é, obrigatoriamente, uma vogal. A vogal atua como o núcleo silábico, o centro de maior energia fonatória e abertura das vias bucais. Isso significa que não existe sílaba sem vogal, e tampouco pode haver mais de uma vogal dentro da mesma sílaba.
É exatamente nesse cenário que surge a semivogal. Quando dois sons vocálicos se encontram na mesma sílaba, um deles fatalmente exercerá o papel de núcleo, a vogal, enquanto o outro assumirá uma posição marginal, de apoio. Esse som de transição, que possui uma emissão mais breve, menos intensa e com menor ápice de voz, é a semivogal. Tecnicamente, as semivogais funcionam como fonemas assilábicos, o que significa que elas dependem da vogal vizinha para existirem na estrutura daquela sílaba.
Na Língua Portuguesa, esse papel de satélite é desempenhado predominantemente pelos fonemas /i/ e /u/, que a fonética classifica como vogais altas ou fechadas. Quando esses sons aparecem átonos e grudados a uma vogal plena, eles perdem parte de sua sustentação vocálica e comportam-se quase como consoantes, motivo pelo qual a linguística também os denomina "glaides" (do inglês glides) ou semiconsoantes. Um exemplo clássico ocorre na palavra papai, onde o som do a centraliza a força da sílaba final e o som do i escorrega rapidamente de forma decrescente, ou na palavra água, onde o som do u serve de rampa crescente para a chegada da vogal a.
Portanto, a distinção entre vogal e semivogal não reside na anatomia do fonema isolado, mas sim na sua função e na sua magnitude de energia dentro do milissegundo em que a sílaba é proferida. A semivogal é o elemento de menor proeminência acústica e silábica no enlace dos ditongos e tritongos, consolidando a maleabilidade e a melodia características do nosso sistema fonológico.