Revista Apotheke Abre Chamada de Artigos para Seção Temática sobre Cor e Tempo em Parceria com a USP

Logo Revista Apotheke

A Revista Apotheke anunciou o início de um novo ciclo editorial para 2026, marcado pela transição para o modelo de fluxo contínuo de publicação. A mudança visa dar mais agilidade à divulgação científica, mas a revista manterá o formato de seções temáticas com prazos específicos para submissão.

Para inaugurar este novo volume, a publicação firmou uma parceria com a Universidade de São Paulo (USP), trazendo o artista e professor Marco Giannotti (ECA-USP) como organizador convidado, ao lado da professora Jociele Lampert (UDESC).

Foco na Interdisciplinaridade

A seção temática, intitulada "Cor e Tempo", busca reunir investigações que explorem o entrelaçamento desses dois elementos sob diversas perspectivas. O objetivo é criar um espaço de diálogo entre diferentes linguagens, abordagens teóricas e práticas, tanto no campo das artes quanto no da docência.

Orientações para Autores

A chamada é aberta a autores e autoras que desenvolvam pesquisas de caráter interdisciplinar. Espera-se que as contribuições reflitam sobre como a percepção e o uso da cor se transformam através do tempo, ou como a temporalidade é construída por meio das relações cromáticas na arte e na educação.

Fluxo contínuo para a seção geral em 2026.

Para mais informações, acessemhttps://revistas.udesc.br/index.php/apotheke/announcement/view/557

Revista Mundos do Trabalho abre chamada para dossiê sobre a influência do Catolicismo no movimento operário

Capa Mundos do Trabalho

A revista científica Mundos do Trabalho anunciou a abertura de submissões para o seu Volume 18 (2026), que trará como tema central o dossiê "Catolicismo(s) nos mundos do trabalho". A iniciativa busca aprofundar o debate sobre as complexas conexões entre a fé católica e as dinâmicas laborais nos séculos XIX e XX.

Sob a organização de Daniel McDonald (University of Oxford) e Larissa R. Corrêa (PUC-Rio), a proposta surge em um momento de transformação do cenário religioso na América Latina. Embora o número de fiéis católicos tenha apresentado queda nas últimas décadas, os organizadores ressaltam que o catolicismo, especialmente em sua vertente progressista, foi um dos pilares mais influentes na história da organização da classe trabalhadora.

Ementa

A proposta deste dossiê é reunir estudos dedicados a compreender as relações entre religião e os mundos do trabalho, com foco específico no catolicismo, entre os séculos XIX e XX. É fato que o número de fiéis vem caindo acentuadamente no Brasil e em toda a América Latina ao longo das últimas décadas. Todavia, pode-se afirmar que o catolicismo de viés progressista representou uma das religiões mais influentes na história da organização da classe trabalhadora, embora não se possa negar a importância de outras crenças, como o protestantismo, judaísmo e as religiões de matriz africana. Temos interesse em explorar os entrelaçamentos entre o catolicismo e as relações de trabalho, seja no campo ou nas áreas urbanas, de modo a investigar como os/as trabalhadores foram capazes de comprometer-se com o catolicismo de acordo com as suas próprias experiências de trabalho e seus interesses, possibilitando novas interpretações sobre a doutrina social cristã a partir de uma “história vista de baixo”. Não menos importante é aprofundar o conhecimento sobre a influência da religião católica na organização da classe trabalhadora, assim como na montagem da legislação trabalhista e na criação de redes e entidades transnacionais. Por outro lado, o dossiê pretende também abarcar pesquisas que abordem a influência dos movimentos católicos conservadores voltados à contenção da organização da classe trabalhadora e das políticas sociais redistributivas e democráticas.

Uma História "Vista de Baixo"

O objetivo principal do dossiê é explorar como os trabalhadores e trabalhadoras, tanto no campo quanto na cidade, interpretaram a doutrina social cristã a partir de suas próprias vivências e interesses. A chamada convida pesquisadores a investigar não apenas a influência institucional da Igreja, mas também:

  • Catolicismo e organizações da classe trabalhadora (associativismo, sindicalismo e internacionalismo);
  • Catolicismo e movimentos sociais com foco nas ações dos trabalhadores;
  • Catolicismo e relações de trabalho: espacialidade, redes de sociabilidade e de solidariedade, circulação de ideias e agentes sociais;
  • Igreja Católica e ideias distributivistas, leis e direitos trabalhistas;
  • Movimentos e lideranças católicas anticomunistas voltadas para a organização da classe trabalhadora em processos históricos de autoritarismo;
  • Comunidades operárias e catolicismo;
  • Catolicismo, trabalho e relações de gênero;
  • As influências do catolicismo e de outras religiões na formação da classe trabalhadora nas zonas rurais e urbanas;
  • Catolicismo, política e mundos do trabalho.

Além do foco no catolicismo, o dossiê mantém-se aberto a estudos que dialoguem com outras crenças, como o protestantismo, o judaísmo e as religiões de matriz africana, reconhecendo a pluralidade na formação da classe trabalhadora.

Eixos Temáticos e Prazos

Os interessados podem submeter artigos que transitem por temas como o sindicalismo católico, a atuação da Igreja em regimes autoritários, o anticomunismo no meio operário e as ideias distributivistas que moldaram direitos trabalhistas.

Os pesquisadores têm até o dia 17 de agosto de 2026 para enviar seus textos originais através do sistema da revista. A publicação representa uma oportunidade crucial para dar visibilidade a novas interpretações sobre a resistência e a organização social sob a ótica religiosa.

Para mais informações, acessemhttps://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/announcement/view/2176

Revista Semina abre chamada para dossiê sobre a interiorização da saúde no Brasil

Logo Semina – Revista dos Pós-Graduandos em História da UPF

A Semina – Revista dos Pós-Graduandos em História da UPF anunciou a abertura de submissões para sua próxima edição (2026/1, v. 25, n. 1). O destaque desta unidade é o dossiê temático "Interiorização da assistência e dos cuidados de saúde no Brasil: a construção do direito à saúde", organizado pelos pesquisadores Bruno Sanches Mariante da Silva e Ana Clara Farias Brito, ambos da Universidade de Pernambuco (UPE – Petrolina).

O objetivo da publicação é reunir estudos históricos que investiguem como a assistência médica e sanitária se expandiu para além dos grandes centros urbanos, moldando políticas públicas e práticas sociais ao longo do tempo.

Ementa

Este dossiê temático tem como objetivo reunir estudos históricos que investiguem os múltiplos processos de interiorização da assistência e dos cuidados de saúde no Brasil, compreendidos como parte essencial da construção de políticas públicas, dinâmicas institucionais, práticas sociais e culturais ao longo do tempo. A interiorização da saúde — entendida aqui como a expansão das ações e serviços de assistência médica, sanitária e hospitalar para além dos grandes centros urbanos — foi marcada por diferentes arranjos políticos e por uma complexa teia de atores, saberes e instituições.

A proposta parte da constatação de que o debate historiográfico sobre assistência e a saúde no Brasil, por muito tempo concentrado nas experiências urbanas, notadamente nas capitais, tem se ampliado nas últimas décadas para abarcar experiências regionais e locais. Esse movimento tem revelado a importância das periferias geográficas e sociais na conformação das políticas de saúde e na produção de práticas de cuidado, oferecendo uma visão mais plural e descentralizada da história da saúde brasileira. A interiorização, portanto, não deve ser compreendida apenas como um processo técnico-administrativo, mas também como um campo de disputas, negociações e resistências.

O dossiê acolherá contribuições que explorem uma variedade de temas, como a atuação de agentes da saúde (médicos, parteiras, curandeiros, enfermeiros, farmacêuticos, missionários, agentes de saúde comunitária), a presença de instituições religiosas e filantrópicas, a implantação de hospitais, postos de saúde e sanatórios, o combate a epidemias e endemias, a circulação de saberes médicos e populares, e os efeitos da presença (ou ausência) do Estado em territórios interioranos. Estudos de caso que abordem experiências em contextos regionais distintos — como sertões, fronteiras, áreas ribeirinhas ou amazônicas — são particularmente bem-vindos, assim como análises de longo prazo que permitam compreender as continuidades e rupturas nas políticas e práticas de saúde.

Do ponto de vista historiográfico, o tema da interiorização da saúde contribui para o aprofundamento de debates sobre a formação do Estado nacional, os processos de cidadania e a construção do direito à saúde no Brasil. Ao evidenciar a diversidade de experiências e agentes envolvidos, amplia-se a compreensão sobre os caminhos da institucionalização da saúde pública, os limites da universalização do acesso e as formas locais de apropriação, adaptação ou resistência às políticas estatais. Ademais, o tema dialoga com perspectivas interdisciplinares, aproximando a história da saúde de campos como a antropologia, a geografia, os estudos decoloniais e a história das ciências.

Com este dossiê, pretende-se fomentar o diálogo entre pesquisadores/as interessados/as em historicizar os processos de cuidado e assistência no interior do Brasil, contribuindo para a construção de uma historiografia mais sensível às desigualdades territoriais e às múltiplas vozes que compõem a trajetória da saúde no país.

Contribuição Historiográfica e Interdisciplinar

A temática busca aprofundar as discussões sobre a formação do Estado nacional e o direito à cidadania. Ao evidenciar a diversidade de experiências no interior, a Revista Semina pretende fomentar um diálogo sensível às desigualdades territoriais e às múltiplas vozes que compõem a trajetória da saúde pública no país, dialogando com a antropologia, geografia e estudos decoloniais.

Orientações para os Autores

Os interessados em contribuir para a Edição 2026/1 devem estar atentos aos prazos e procedimentos:

  • Prazo final para submissões: 20 de abril de 2026.

  • Previsão de publicação: Julho de 2026.

  • Como submeter: O manuscrito deve ser enviado através da seção de "Submissões" no portal da revista. No ato do envio, é obrigatório selecionar a opção correspondente ao dossiê temático sobre interiorização da saúde.

Para mais detalhes, acessemhttps://ojs.upf.br/index.php/ph/announcement/view/113

Revista Fórum Linguístico abre chamada para dossiê sobre Metodologias Ativas no ensino de línguas

Capa Revista Fórum Linguístico

O Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) anunciou a abertura da chamada de artigos para um novo dossiê da Revista Fórum Linguístico. Com publicação prevista para o primeiro semestre de 2027, o volume terá como tema central "As metodologias ativas e o ensino de línguas".

A iniciativa surge em um momento de consolidação de novas práticas pedagógicas. Desde a pandemia de COVID-19, o cenário educacional brasileiro passou por transformações profundas com o Ensino Remoto Emergencial (ERE), evidenciando a necessidade de reorganizar o planejamento docente. Nesse contexto, as metodologias ativas ganharam protagonismo, exigindo que o ensino de línguas vá além da simples adoção de tecnologias e foque na construção de uma aprendizagem significativa e autônoma.

Ementa

Com o advento da pandemia de COVID­19 no Brasil, o professor precisou reorganizar o formato e o planejamento de suas aulas, visto que as atividades presenciais das escolas foram suspensas, com o objetivo de evitar o risco de contaminação pelo vírus da COVID­19. Assim, os alunos passaram a ter aulas a distância, de forma remota e, com isso, estabeleceu-se o ensino remoto emergencial (ERE) nas instituições públicas e particulares. Nesse período, foi notável a importância que se deu às metodologias ativas em todas as disciplinas escolares, inclusive, nas aulas de línguas.

No entanto, para além de decidir adotar as metodologias ativas em suas aulas, o professor de língua precisa considerar, em seu planejamento, a proposição de atividades didáticas que fomentem, efetivamente, a autonomia do aluno e, ainda, a construção de uma aprendizagem efetivamente ativa e significativa, na qual, o aprendiz figura como protagonista.

Nesse sentido, temos o objetivo de organizar um Dossiê que contemple trabalhos que tratem sobre metodologia ativas e o ensino de línguas e, assim, oferecer aos professores uma contribuição relevante para a organização, elaboração e para o desenvolvimento de aulas e cursos. Portanto, essa proposta é aberta a todas as ciências linguísticas e pedagógicas que se relacionem, de alguma maneira, com a temática deste volume.

Foco na Autonomia e Protagonismo do Aluno

O objetivo do dossiê é reunir pesquisas que discutam como o professor de línguas pode elaborar atividades que fomentem a independência do estudante. Segundo os organizadores, a proposta busca oferecer contribuições relevantes para a organização de cursos onde o aprendiz figure, de fato, como o protagonista do processo de aquisição de linguagem.

O volume está aberto a contribuições de todas as ciências linguísticas e pedagógicas que se relacionem com a temática. Entre os eixos sugeridos para submissão, destacam-se:

  • Ensino de línguas e uso das tecnologias;
  • Práticas pedagógicas e contextos de ensino de línguas;
  • O aluno como protagonista do processo de aprendizagem/aquisição de línguas;
  • Elaboração e avaliação de materiais didáticos de línguas;
  • Metodologias ativas e as atividades de expressão e compreensão orais e escritas em língua adicional.

Prazos e Submissões

Pesquisadores interessados em contribuir para o dossiê devem ficar atentos ao cronograma. O período de submissão de artigos ocorrerá entre 5 de fevereiro e 10 de abril de 2026.

A revista aceita textos escritos em português, espanhol ou inglês. A organização está a cargo de uma comissão interinstitucional composta pelos professores Dr. Glauber Lima Moreira (UFDPar), Dr. Valdecy de Oliveira Pontes (UFC), Dra. Gretel Eres Fernández (USP) e Dra. Lídia Amélia Cardoso (UFC).

Para mais informações, acessemhttps://periodicos.ufsc.br/index.php/forum/announcement/view/2188

Educação em Direitos Humanos: Revista Espaço Pedagógico Lança Dossiê Contra a Cultura do Ódio

Capa Revista Espaço Pedagógico

Em um cenário global marcado por tensões crescentes e retrocessos no diálogo civilizatório, a Revista Espaço Pedagógico anuncia a abertura de seu mais novo dossiê temático: "Educação em Direitos Humanos: amorosidade no confronto com a cultura do ódio". A iniciativa busca enfrentar o mal-estar que atinge as escolas brasileiras e propor caminhos pautados na ética e no respeito mútuo.

Organizado pelos pesquisadores Eldon Henrique Mühl, Paulo Cesar Carbonari e Elisa Mainardi, o dossiê surge como uma resposta necessária ao aumento das agressões contra professores e profissionais da educação. O projeto reflete sobre como a escola, historicamente um espaço de formação cidadã, tem se tornado alvo de movimentos que alimentam o desprezo pelos Direitos Humanos (DH).

Ementa

O papel dos direitos humanos na educação tem sido tema recorrente nas análises desde o surgimento da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948. Inúmeras foram as declarações e iniciativas tomadas pela ONU e outros órgãos no sentido de esclarecer e fortalecer o papel da educação na realização dos direitos humanos em todos os países e em todas as culturas. Apesar disso, estamos percebendo que nem sempre o tema dos direitos humanos é bem acolhido por muitos movimentos e grupos que buscam impedir sua realização, alimentando o ódio e o desprezo de quem luta pela causa dos DH. Esta postura tem atingido diretamente a escola e, de modo especial, os professores e demais profissionais que atuam com a educação. Constantes são as notícias que apresentam fatos e situações de agressões a professores e servidores da educação, provocando um clima de desconforto e mal-estar no contexto escolar. A proposição deste dossiê é trazer ao debate temas que analisam e reflitam sobre a cultura do ódio na atual sociedade e seu impacto no processo formativo escolar. A publicação irá repercutir os debates que serão realizados no X Colóquio Nacional dos Direitos Humanos, organizado pela Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo, RS, que em 2024 completou 40 anos de existência.

Para mais informações, acessemhttps://ojs.upf.br/index.php/rep/announcement

Como coloco o ORCID na minha assinatura ou currículo?

 Logotipo ORCid

A inserção do identificador ORCID (Open Researcher and Contributor ID) em assinaturas de e-mail e currículos transcende a mera formalidade estética, configurando-se como uma prática essencial de governança de dados científicos e interoperabilidade informacional. No ecossistema da comunicação científica contemporânea, o ORCID atua como um código alfanumérico persistente e unívoco que resolve o problema crônico da ambiguidade de nomes de autores, garantindo que a produção intelectual seja corretamente atribuída ao seu respectivo criador, independentemente de variações ortográficas, mudanças de sobrenome ou transliterações. Para que essa integração ocorra de maneira tecnicamente rigorosa, é fundamental compreender não apenas o "como", mas o papel desse identificador dentro dos metadados que sustentam a ciência aberta.

Abaixo, detalho as diretrizes e procedimentos para a implementação do ORCID em seus principais pontos de contato profissional.

A arquitetura da identidade digital e a integração do iD na assinatura de e-mail

A assinatura de e-mail é, muitas vezes, o primeiro ponto de contato entre pesquisadores, editores e agências de fomento. Inserir o ORCID neste espaço não serve apenas para divulgação, mas para estabelecer uma prova de conceito de sua identidade digital ativa. A recomendação técnica da ORCID Inc. é que o identificador seja apresentado sempre de forma completa, utilizando a URI (Uniform Resource Identifier) em vez de apenas o número de dezesseis dígitos de forma isolada.

Para implementar isso com rigor, a assinatura deve conter o ícone oficial do ORCID (um pequeno círculo verde com as letras "iD" em branco) seguido pelo link hipertextual. O formato padrão deve seguir a estrutura https://orcid.org/0000-0000-0000-0000. Do ponto de vista da usabilidade e da autoridade de marca pessoal, o uso do link clicável é mandatório, pois permite que o interlocutor acesse instantaneamente o registro de atividades do pesquisador, verificando afiliações, publicações e financiamentos sem a necessidade de buscas manuais em bases de dados.

Além da estética, a inserção na assinatura de e-mail deve respeitar a hierarquia da informação. O ORCID deve estar posicionado logo abaixo das informações de afiliação institucional e acima das redes sociais genéricas. Isso reforça o caráter profissional e acadêmico da comunicação. Em ambientes corporativos ou universitários que utilizam geradores de assinatura automáticos, a inclusão do campo ORCID como um metadado fixo ajuda na padronização institucional, facilitando a colheita de dados (data harvesting) por sistemas de gestão de informações de pesquisa (Sistemas CRIS). É importante garantir que o link esteja configurado com o atributo nofollow em contextos onde o SEO é uma preocupação, embora, em e-mails, o foco seja puramente a navegação direta e a autenticação da identidade.

Normatização do ORCID em currículos acadêmicos e sistemas de informação de pesquisa

A inclusão do ORCID no currículo, seja ele em formato PDF (estático) ou em plataformas digitais como o Currículo Lattes (Brasil), o Ciênciavitae (Portugal) ou o MyNCBI (EUA), segue protocolos de sincronização e autenticação via API (Application Programming Interface). Em currículos tradicionais, a localização ideal é no cabeçalho, junto aos dados de contato e links para perfis profissionais como LinkedIn ou Google Scholar. O rigor terminológico exige que o número seja apresentado em blocos de quatro dígitos, separados por hifens, garantindo a legibilidade humana, enquanto o link subjacente garante a legibilidade por máquina.

No contexto brasileiro, a Plataforma Lattes exige uma integração direta. O pesquisador não deve apenas digitar o número, mas realizar a autorização de acesso para que o CNPq possa ler e, em alguns casos, escrever dados no registro ORCID. Essa interoperabilidade é o que permite a "conversa" entre sistemas, reduzindo a carga administrativa do pesquisador ao evitar a redigitação de informações de publicações. Ao configurar o currículo, o pesquisador deve certificar-se de que o nível de privacidade do seu registro ORCID está definido como "público" ou "confiável", caso contrário, o link no currículo levará a uma página de erro ou de acesso restrito, invalidando o propósito da transparência científica.

Além disso, ao citar o ORCID em currículos destinados a editais de fomento, a precisão é vital. Muitas agências agora utilizam algoritmos para verificar a produção relatada no currículo contra o registro ORCID. Se houver discrepância ou se o iD não estiver presente, o processo de validação da proposta pode ser atrasado. Portanto, a presença do ORCID no currículo deixa de ser um "adicional" e passa a ser um requisito de conformidade técnica em submissões de projetos de pesquisa e relatórios de produtividade.

Procedimentos técnicos para a visualização correta e o uso de metadados

Para garantir que o ORCID apareça de forma correta e profissional, é necessário observar os padrões de design e a semântica da web. A organização ORCID disponibiliza um kit de marca para pesquisadores, que inclui o ícone em alta resolução e as diretrizes de cores (o verde específico da marca). Ao criar uma assinatura em HTML para o e-mail ou ao formatar um currículo digital, o uso do ícone ajuda na identificação visual rápida, já que o logotipo "iD" é universalmente reconhecido na comunidade científica.

Um aspecto frequentemente negligenciado é a atualização do perfil vinculado ao identificador. Não basta colocar o link na assinatura ou no currículo se o registro estiver vazio. O rigor acadêmico demanda que o ORCID seja mantido como um hub central de informações. Isso significa que ele deve estar conectado ao seu perfil no Scopus (via Author ID), ao Web of Science (via ResearcherID) e a outras bases. Quando você insere o link na sua assinatura, está oferecendo uma "chave mestra" para sua carreira. Se as permissões de visibilidade estiverem configuradas corretamente, qualquer pessoa com o link poderá ver sua trajetória cronológica de forma certificada pela própria fonte (a editora ou a universidade).

Ao lidar com documentos em Word ou LaTeX para a criação de currículos, a formatação deve ser limpa. No LaTeX, por exemplo, recomenda-se o uso de pacotes como o hyperref para transformar o identificador em um link ativo. A sintaxe correta assegura que, ao exportar o documento para PDF, o ORCID permaneça funcional. Lembre-se que o ORCID é um identificador de objeto, mas aplicado a uma pessoa; tratá-lo com o mesmo rigor que um DOI (Digital Object Identifier) é a prática recomendada para manter a integridade da comunicação técnica.

O papel do ORCID na submissão de manuscritos e na vinculação bibliográfica

A presença do ORCID na assinatura de e-mail e no currículo é o reflexo externo de uma integração que ocorre "nos bastidores" durante o processo de submissão editorial. A maioria das grandes editoras (como Elsevier, Springer Nature e Wiley) exige o ORCID no ato da submissão. Ao colocar o seu iD no currículo, você está asseverando que toda a produção listada está vinculada a essa identidade persistente. Isso facilita o trabalho de revisores e editores que, ao avaliarem seu currículo para uma posição de revisor por pares ou para a aceitação de um artigo, podem cruzar os dados instantaneamente.

O rigor terminológico aqui envolve o conceito de "autenticação". Não se trata apenas de informar o número, mas de usar o sistema Single Sign-On (SSO) do ORCID para logar em plataformas de submissão como o ScholarOne ou Editorial Manager. Quando você menciona seu ORCID em sua assinatura de e-mail para um editor, você está fornecendo a ele a garantia de que você é o autor de fato, mitigando riscos de homonímia. Essa vinculação automática garante que, assim que o artigo for publicado, ele apareça no seu registro ORCID de forma automática via Crossref ou DataCite, retroalimentando a informação que você disponibilizou inicialmente no seu currículo e na sua assinatura.

É fundamental entender que o ORCID funciona como uma infraestrutura de pesquisa aberta. Ao usá-lo em sua correspondência e documentos oficiais, você está apoiando a redução da fragmentação da informação. A terminologia correta para esse processo é "sincronização de metadados". Ao manter o iD visível e funcional, o pesquisador garante que seu impacto acadêmico seja rastreável e que métricas como o índice-h sejam calculadas com base em um conjunto de dados limpo e completo, sem a perda de citações devida à má identificação autoral.

Estratégias de divulgação e boas práticas na comunicação profissional

A última etapa da integração do ORCID em sua rotina profissional envolve a consistência. A recomendação é que o pesquisador adote o ORCID em todas as plataformas de visibilidade científica. Além da assinatura de e-mail e do currículo vitae, o identificador deve constar em perfis de redes sociais acadêmicas (como ResearchGate e Academia.edu), em páginas de laboratórios e em biografias de palestrante. O objetivo é criar um ecossistema de informação onde o ORCID seja o ponto de convergência.

No currículo, se o espaço for limitado, a versão curta orcid.org/XXXX-XXXX-XXXX-XXXX é aceitável, mas a presença do prefixo https:// é preferível por transformar o texto automaticamente em um link na maioria dos editores modernos. Outra boa prática é incluir o ORCID em cartazes de conferências e apresentações de slides, geralmente no rodapé do primeiro ou do último slide. Isso permite que a audiência, ao fotografar ou baixar sua apresentação, tenha um caminho direto para sua lista completa de publicações.

Em suma, a inclusão do ORCID na assinatura ou currículo não é apenas uma tarefa de "copiar e colar". É um ato de responsabilidade com a própria carreira e com a transparência da ciência. O uso rigoroso das diretrizes de formatação, a manutenção da visibilidade pública do perfil e a integração com as bases de dados de fomento garantem que o pesquisador seja reconhecido por todo o seu trabalho, eliminando erros de atribuição e fortalecendo sua autoridade no campo científico global. Ao tratar o ORCID como uma parte integrante de sua identidade profissional, você facilita a descoberta de sua pesquisa e otimiza a interoperabilidade entre os diversos sistemas que compõem a ciência moderna.

Como registrar participações em eventos no Currículo Lattes?


Registrar sua participação em congressos, seminários e simpósios no Currículo Lattes é essencial para manter sua trajetória acadêmica atualizada e demonstrar engajamento na sua área de pesquisa. O processo é realizado integralmente dentro da plataforma do CNPq, exigindo atenção aos detalhes dos certificados recebidos.

Acesso e Localização

O primeiro passo é acessar a plataforma Lattes e entrar no modo de edição do seu currículo. No menu superior, você deve localizar a aba denominada Eventos. Ao clicar nela, selecione a opção Participação em eventos, congressos, exposições, feiras e olimpíadas. Esta seção é destinada tanto para quem apenas assistiu às atividades quanto para quem apresentou trabalhos.

Preenchimento das Informações

Após clicar em "Incluir novo item", você precisará definir o tipo de participação. Se você apenas assistiu às palestras, selecione a opção de ouvinte; caso tenha levado uma pesquisa para discussão, escolha a opção de participante com apresentação de trabalho.

Os campos obrigatórios incluem:

  • Nome do evento: Deve ser escrito por extenso, preferencialmente como consta no certificado oficial.

  • Forma de participação: Indique se você foi convidado, participante ou ouvinte.

  • Ano e local: Informe o ano de realização e a cidade onde o evento ocorreu, ou indique se foi um evento online.

  • Título do trabalho: Caso tenha apresentado algo, este campo surgirá para que você insira o nome exato da pesquisa exposta.

Detalhes Importantes e Diferenciação

É fundamental não confundir a participação no evento com a publicação do trabalho nos anais. O registro na aba Eventos serve para comprovar sua presença física ou virtual e a exposição da ideia. Se o resumo ou artigo foi publicado em um livro de atas ou anais do congresso, você deve realizar um segundo registro na aba Produções, especificamente em Produção Bibliográfica, selecionando Trabalhos completos ou resumos publicados em anais.

Finalização e Publicação

Após preencher todos os dados, clique em salvar. Lembre-se de que as alterações só ficam visíveis para o público e para agências de fomento após a transmissão dos dados. Para isso, clique no botão Enviar localizado na barra superior, aceite os termos de responsabilidade e confirme o envio ao CNPq. O sistema costuma atualizar a versão pública do currículo em até 24 horas.

Revista Entrepalavras abre chamada para dossiê sobre Linguagem e Inteligência Artificial

Capa revista Entrepalavras

A revista Entrepalavras, prestigiado periódico da Universidade Federal do Ceará (UFC), anunciou a abertura do período de submissões para o seu mais novo dossiê temático: "Linguagem e Inteligência Artificial: Perspectivas Críticas na Era Algorítmica". Pesquisadores e acadêmicos interessados em debater o impacto das tecnologias de IA na sociedade têm de 15 de março a 15 de maio de 2026 para enviar seus trabalhos.

O Desafio da Era Algorítmica

O dossiê surge em um momento crucial, onde a Inteligência Artificial não é mais uma promessa futurista, mas uma ferramenta que reconfigura radicalmente a produção e interpretação de textos na educação, justiça e entretenimento. A proposta busca reunir estudos interdisciplinares que problematizem os impactos socioculturais, éticos e políticos desses algoritmos, muitas vezes opacos, sobre as práticas de linguagem.

A chamada foca em questões urgentes, como a leitura crítica de textos gerados por máquinas, as desigualdades e exclusões que emergem nesse cenário e os novos desafios para a análise do discurso e as práticas pedagógicas contemporâneas.

Eixos Temáticos e Contribuições

A revista busca artigos que articulem reflexões teóricas e análises empíricas. Entre os temas de interesse, destacam-se:

  • Algoritmos como textos e práticas discursivas;
  • Racismo, sexismo, audismo e outras exclusões algorítmicas;
  • Curadoria e governança de dados;
  • Ética e política na produção de sentidos por IA;
  • Letramentos digitais críticos e formação docente;
  • Multimodalidade e performatividade algorítmica;
  • Interseccionalidade e desigualdades sociotécnicas.

A chamada enfatiza que são especialmente bem-vindos trabalhos com abordagens decoloniais e inovadoras que desafiem as visões tradicionais sobre a relação homem-máquina.

Organização e Submissão

O dossiê conta com um corpo de editores-convidados de renome nacional: os professores doutores Júlio Araújo (UFC), Paulo Boa Sorte (UFS), Kleber Silva (UnB), Eduardo de Moura Almeida (Unicamp) e o doutor Leonel Andrade dos Santos (Secretaria Municipal de Caucaia).

As submissões devem ser realizadas exclusivamente através da plataforma da revista no endereço: https://periodicos.ufc.br/entrepalavras.

Para mais informações, acessemhttps://periodicos.ufc.br/entrepalavras/announcement/view/605

Revista Entrepalavras abre chamada para dossiê sobre Retórica Clássica e Contemporânea

Capa revista Entrepalavras

A revista Entrepalavras, vinculada à Universidade Federal do Ceará (UFC), anunciou a abertura do período de submissões para o seu mais novo dossiê temático: "Retórica: percursos clássicos e contemporâneos". Pesquisadores e acadêmicos da área de Linguística e áreas afins têm entre os dias 15 de março e 15 de maio de 2026 para submeterem seus trabalhos originais.

A Arte de Persuadir em Foco

A ementa do dossiê destaca a Retórica como um campo essencial para desvelar as técnicas argumentativas que estruturam a comunicação humana. Seja no discurso oral, escrito ou imagético, a proposta busca explorar como a "arte de persuadir", conceito fundamentado por teóricos como Reboul e Perelman, atua para orientar opiniões, modificar crenças e ampliar a adesão de auditórios em diversos domínios, como o político, jurídico, religioso e educacional.

Um dos grandes diferenciais desta chamada é o olhar sobre a Retórica Digital. Em um cenário de constante efervescência tecnológica, o dossiê pretende reunir estudos que analisem como as estratégias de convencimento se adaptam e eclodem no ambiente virtual.

Ementa

A Retórica é um campo do saber que objetiva descortinar as técnicas argumentativas (Perelman e Olbrechts-Tyteca, 2014) que atravessam diferentes atos de linguagem orais, escritos, imagéticos, entre outros. Por meio dessa arte de persuadir pelo discurso (Reboul, 2004), é possível descrever, explicar e interpretar de que modo produções linguageiras almejam convencer, persuadir, orientar e modificar crenças e opiniões, bem como ampliar uma adesão já conquistada (Amossy, 2020). Desse modo, estratégias retóricas estão presentes em diferentes domínios discursivos, a exemplo do jornalístico, jurídico, midiático, religioso, político, educacional, literário, entre outros. Atualmente, com a retórica digital (Mateus, 2018), vemos eclodir pesquisas que se debruçam sobre esse universo que está em plena efervescência em nossa sociedade. Ademais, as provas retóricas (Aristóteles, 2011) se constituem nos textos e nos discursos, projetando construções de imagem de si (ethos), acionando raciocínios preferíveis (logos) e suscitando paixões (pathos), que podem despertar sensações de dor ou alegria em um auditório. Nessa abordagem, o foco desse dossiê é reunir artigos que tratem da retórica e suas possíveis interfaces com teorias de base enunciativa e pragmática, nos seus aspectos teóricos, metodológicos, analíticos e pedagógicos. Com isso, pretendemos fazer avançar cada vez mais os estudos em nossa área disciplinar.

Organização e Submissão

A edição conta com a organização de um corpo docente altamente qualificado, composto pelos professores doutores Deywid Wagner de Melo (UFAL), João Benvindo de Moura (UFPI), Eduardo Pantaleão de Morais (UNEAL) e Max Silva da Rocha (UFAL).

Os interessados devem realizar a submissão exclusivamente pela plataforma oficial da revista no Portal de Periódicos da UFC.

Para mais informações, acessemhttps://periodicos.ufc.br/entrepalavras/announcement/view/605

Revista Espaço Pedagógico Lança Dossiê sobre os Embates no Currículo e nas Políticas Educacionais

Capa Revista Espaço Pedagógico

Revista Espaço Pedagógico acaba de anunciar a abertura de seu mais novo dossiê temático, intitulado "Currículo e Políticas Educacionais: campo de disputas e tensionamentos". A publicação surge em um momento crucial para o debate público, propondo um mergulho profundo nas forças que moldam o que se ensina e como se governa a educação no Brasil e no mundo.

A organização da edição está sob a responsabilidade dos pesquisadores Altair Alberto Fávero, Luciane Spanhol Bordignon e Carina Tonieto. O grupo propõe uma análise que vai além da superfície pedagógica, tratando o currículo como um território vivo de conflitos ideológicos e sociais.

Ementa

O Currículo historicamente é um campo de intensas disputas e tensionamentos entre os distintos atores que compõe o cenário educacional. Considera-se que teorizar sobre o currículo e as políticas educacionais no atual cenário, implica em problematizar, compreender, analisar, descrever e evidenciar diversas questões que surgem da forma como se articulam os distintos contextos que pautam as agendas educacionais no âmbito político, econômico, cultural, social e pedagógico. O dossiê tem como escopo socializar reflexões teóricas, análises documentais, experiências pedagógicas, posicionamentos críticos e concepções de currículo e políticas educacionais das distintas modalidades de educação tangenciadas pelas atuais reformas que estão em curso.

Para mais informações, acessemhttps://ojs.upf.br/index.php/rep/announcement

Revista Palíndromo abre chamada para dossiê sobre os dilemas da imagem contemporânea

Logo Revista Palíndromo

A Revista Palíndromo anunciou oficialmente a abertura de submissões para o seu mais novo dossiê temático, intitulado "Imagens em disputa: fotografia, memória, verdade e ficção". O projeto surge em um momento crucial, onde a onipresença da inteligência artificial e a era da pós-verdade redefinem radicalmente nossa relação com o registro visual.

O fim da fotografia como "prova"

O dossiê propõe um mergulho profundo nas transformações do estatuto da fotografia. Se antes a imagem era vista como um espelho fiel do real ou uma prova irrefutável de um acontecimento, hoje ela habita um terreno de incertezas. Segundo os organizadores, a fotografia contemporânea deve ser compreendida como um fragmento subjetivo, capaz de validar afetos e construir identidades nas redes sociais, mas sempre sujeita a manipulações simbólicas e disputas narrativas.

Entre o algoritmo e a química

Um dos pontos altos da proposta é o contraste entre o digital e o analógico. Enquanto a inteligência artificial automatiza a criação visual, observa-se um movimento de resistência na arte: o retorno à fotografia artesanal de base química. Esse interesse pela materialidade e pelo "fazer com as mãos" é interpretado como um gesto crítico, uma tentativa de recuperar a dimensão física da memória em um mundo saturado de pixels e automação.

Eixos de investigação

Pesquisadores e artistas são convidados a refletir sobre questões que tensionam os limites éticos e estéticos do fazer fotográfico, tais como:

  • Como a fotografia contemporânea problematiza as relações entre memória, esquecimento e construção de narrativas em um contexto marcado pela inteligência artificial?;
  • Como os processos fotográficos de base química podem ser compreendidos como um gesto crítico frente a automatização da imagem?;
  • Quais procedimentos a fotografia contemporânea mobiliza para tensionar os limites éticos, estéticos e políticos na produção, circulação e recepção das imagens?

Organização e Submissões

A organização do dossiê conta com um corpo docente de diversas instituições de prestígio, unindo perspectivas de diferentes regiões do Brasil:

  • Luzia Renata Yamazaki (UDESC)

  • Alexandre Romariz Sequeira (UFPa)

  • Anna Karina Castanheira Bartolomeu (UFMG)

  • Felipe Cardoso de Mello Prando (UFPR)

Os interessados em contribuir com o debate têm até o dia 30 de julho de 2026 para enviar suas pesquisas e produções. 

Para mais informações, acessemhttps://revistas.udesc.br/index.php/palindromo/announcement/view/563

Quem pode ver meus dados no ORCID?

 Logotipo ORCid

Privacidade e controle de dados no ecossistema ORCID são pilares fundamentais da infraestrutura de pesquisa aberta contemporânea. O ORCID (Open Researcher and Contributor ID) não é apenas um identificador persistente, mas uma plataforma de gestão de identidade digital acadêmica que opera sob o princípio da soberania do usuário. Diferente de outras bases de dados bibliométricas ou redes sociais acadêmicas, a arquitetura do ORCID foi desenhada para garantir que o pesquisador detenha a autoridade máxima sobre a visibilidade de suas informações. Isso significa que a resposta para "quem pode ver meus dados" não é estática; ela é uma variável determinada pelas configurações de granularidade de privacidade aplicadas a cada item individual do registro, desde metadados de afiliação até identificadores de objetos digitais (DOIs) de obras publicadas.

No cerne da governança de dados do ORCID reside o modelo de "Privacidade por Design". Para compreender quem acessa as informações, é preciso primeiro distinguir entre os três níveis de visibilidade oferecidos pela plataforma: "Todos" (Público), "Organizações Confiáveis" (Limitado) e "Apenas Eu" (Privado). Quando um pesquisador define um dado como público, qualquer indivíduo com acesso à internet, bem como sistemas de busca e indexadores automatizados, pode visualizar e colher essa informação através da interface de usuário ou da API Pública. No entanto, o verdadeiro poder da interoperabilidade do ORCID manifesta-se no nível de "Organizações Confiáveis". Este grupo é composto por instituições de pesquisa, agências de fomento e editoras que receberam permissão explícita do usuário, via protocolo OAuth, para ler, escrever ou atualizar dados em seu registro. Sem esse consentimento granular e revogável, mesmo as instituições às quais o pesquisador está vinculado não possuem privilégios automáticos de visualização de dados marcados como privados ou limitados.

A dinâmica de compartilhamento com organizações confiáveis é regida por fluxos de trabalho de integração que visam reduzir a carga administrativa do pesquisador (o fenômeno do "digite uma vez, reutilize frequentemente"). Quando você vincula seu ORCID iD a um sistema de submissão de manuscritos ou a um portal de gerenciamento de subsídios (Grant Management System), você está, tecnicamente, outorgando uma "permissão de escopo". Essas entidades passam a figurar em sua lista de organizações confiáveis e podem acessar dados que você marcou como visíveis para esse grupo específico. É importante notar que essa relação é transparente: o pesquisador pode auditar, a qualquer momento, quais organizações têm acesso ao seu registro, quais permissões foram concedidas (apenas leitura ou também escrita) e quando essa autorização foi exercida. Portanto, quem vê seus dados nesse contexto são sistemas institucionais autorizados que utilizam a API de Membro para sincronizar informações e garantir a integridade da proveniência dos dados acadêmicos.

Para além dos usuários humanos e organizações parceiras, existe a camada técnica de visualização composta por máquinas e algoritmos de indexação. Dados marcados como públicos são integrados ao "Public Data File", um instantâneo anual que o ORCID libera para a comunidade científica sob licença Creative Commons Zero (CC0). Este arquivo permite que analistas de ciência, desenvolvedores de ferramentas bibliométricas e plataformas como o Google Scholar ou o Dimensions processem grandes volumes de dados para mapear tendências de pesquisa global. Assim, se a visibilidade for definida como pública, seus dados serão vistos e processados por uma vasta rede de infraestruturas de informação científica que alimentam o ecossistema de Ciência Aberta. Por outro lado, o nível de privacidade "Apenas Eu" garante que a informação permaneça cifrada para o mundo exterior, sendo utilizada apenas internamente pelo ORCID para funções administrativas essenciais ou para popular formulários que o próprio usuário esteja preenchendo enquanto logado na plataforma.

A segurança jurídica e técnica do acesso aos dados é reforçada pelo cumprimento de regulamentações internacionais de proteção de dados, como o GDPR (General Data Protection Regulation). O ORCID atua como um controlador de dados que fornece as ferramentas para que o pesquisador atue como o gestor de sua própria privacidade. Isso implica que a visibilidade não é apenas sobre "quem vê", mas sobre "como se vê". O uso de metadados padronizados garante que, independentemente de quem acesse a informação pública, ela seja interpretada de forma inequívoca, evitando ambiguidades entre homônimos. Em última análise, a visibilidade no ORCID é um equilíbrio estratégico: quanto mais dados forem compartilhados com "Organizações Confiáveis" e com o público, maior será a descoberta e o reconhecimento da produção científica do indivíduo; contudo, a plataforma assegura que o interruptor de luz dessa vitrine global permaneça firmemente nas mãos do pesquisador.

Revista Cadernos de Estudos Culturais lança chamada para 2026 com foco na "Des-formação"

Logotipo revista Cadernos de Estudos Culturais

A revista Cadernos de Estudos Culturais anunciou a abertura de submissões para o seu 32º volume, trazendo como eixo central a temática da Des-formação. O conceito, que ganha contornos teóricos profundos para a edição de 2026, propõe um diálogo direto com as epistemologias descoloniais e o pensamento de fronteira.

Diferente de uma simples desconstrução, a "des-formação" apresentada pela revista fundamenta-se na expressão "aprender a desaprender, para poder assim re-aprender", originária dos Documentos Indígenas da Universidade Intercultural dos Povos Indígenas do Equador e difundida pelo teórico Walter Mignolo.

Um Novo Olhar sobre a Gramática da Descolonialidade

A proposta editorial busca romper com a hegemonia da epistemologia moderna ocidental. Enquanto o pensamento moderno tradicionalmente focou no ato de "aprender a desaprender" dentro de seus próprios marcos, a des-formação convida a um exercício de re-aprendizagem a partir de "perspectivas outras".

Segundo a chamada da publicação, o objetivo não é rejeitar a formação ocidental moderna, mas sim teorizar a partir das margens, das periferias e das fronteiras. A prática da des-formação é, essencialmente, uma forma de assegurar que a gramática da descolonialidade ocupe um lugar legítimo na produção científica e cultural atual.

Cronograma e Submissões

Pesquisadores, acadêmicos e interessados na temática devem ficar atentos ao calendário estabelecido para este volume:

  • Início da recepção de textos: 01 de fevereiro de 2026

  • Prazo final para submissão: 30 de agosto de 2026

  • Previsão de publicação: 30 de novembro de 2026

Para mais informações, acessemhttps://periodicos.ufms.br/index.php/cadec/announcement/view/464

Revista Observatório da Diversidade Cultural Abre Chamada para Edição sobre Ação Comunitária

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A Revista Observatório da Diversidade Cultural anunciou a abertura do período de submissões para o seu volume 104, nº 01/2026. Com o tema "Diversidade Cultural e Ação Comunitária: possibilidades, experiências e desafios", a publicação busca reunir trabalhos que analisem como as práticas coletivas e os saberes locais contribuem para a construção de territórios mais justos e democráticos.

Interessados têm entre os dias 09 de março e 04 de maio de 2026 para enviar suas contribuições através do portal oficial da revista.

Foco e Temática do Dossiê

O novo número pretende investigar de que maneira as ações comunitárias, sejam elas projetos socioculturais, movimentos artísticos ou estratégias de resistência, fortalecem identidades plurais e a cidadania cultural. A edição coloca em evidência a importância das metodologias participativas para enfrentar desafios contemporâneos, como as desigualdades sociais e a precarização do setor cultural.

O dossiê adota uma perspectiva interdisciplinar, valorizando a troca de conhecimento entre a academia e os movimentos sociais. Serão priorizados trabalhos que discutam:

  • o papel da cultura na produção de vínculos comunitários e identidades coletivas;
  • •as relações entre diversidade cultural, participação social e cidadania;
  • práticas de mediação cultural, educação popular e formação cultural comunitária;
  • políticas culturais e seus impactos nos territórios;
  • experiências de economia solidária, cultura digital e inovação social;
  • memórias, territorialidades, modos de vida, patrimônios e narrativas comunitárias;
  • conflitos, disputas simbólicas e processos de resistência cultural.
  • diversidade cultural e políticas públicas;
  • gestão social e participação cidadã;
  • ação comunitária, desenvolvimento local, justiça social, justiça climática;
  • experiências comunitárias de educação, arte, cultura e comunicação;
  • redes colaborativas e movimentos socioculturais;
  • resistências culturais, decolonialidade e direitos humanos.

Quem pode participar?

A chamada é ampla e inclusiva, voltada para:

  • Pesquisadores(as) e estudantes;

  • Gestores(as) culturais e educadores(as);

  • Artistas e lideranças comunitárias;

  • Integrantes de coletivos culturais e sociais.

A revista aceita diversos formatos de produção, incluindo artigos científicos, relatos de experiência, entrevistas, ensaios teóricos ou visuais, trabalhos artísticos digitais e resenhas.

Seção Livre e Prazos

Além do dossiê temático, a revista mantém aberta a sua Seção Livre. Esta seção recebe artigos, ensaios e estudos de caso que abordem a diversidade cultural e políticas públicas de forma geral, independentemente do tema central da edição atual.

  • Período de submissão: 09/03 a 04/05/2026.

Para mais informações, acessem: https://observatoriodadiversidade.org.br/evento/chamada-revista-104/

Revista CALIGRAMA Abre Chamada para Dossiê sobre as "Gramáticas do Português"

Capa Revista CALIGRAMA

Estudiosos da língua portuguesa já podem preparar suas pesquisas. A Revista CALIGRAMA (UFMG) anunciou a abertura de submissões para o seu volume 31, número 3, que será publicado em dezembro de 2026. O novo número traz como foco o dossiê temático "Gramáticas do Português", dedicado a analisar a língua sob a ótica do uso efetivo e suas múltiplas variedades.

A organização do volume está sob a responsabilidade de dois nomes de peso da linguística brasileira: a Profa. Dra. Jussara Abraçado (UFF) e o Prof. Dr. Carlos Alexandre Gonçalves (UFRJ).

Foco na Língua em Uso

O diferencial desta edição é a concepção de gramática como um sistema moldado pela interação social e cognitiva. Diferente de abordagens meramente prescritivas, o dossiê busca trabalhos que fundamentem suas análises em dados autênticos, considerando as dimensões discursivas e socioculturais da linguagem.

O objetivo central é fornecer subsídios tanto para a teorização linguística contemporânea quanto para práticas de ensino de português como segunda língua, valorizando a diversidade do idioma.

Linhas Teóricas e Critérios

A revista busca contribuições que se alinhem a diversas vertentes da linguística moderna. Entre os temas e correntes de interesse, destacam-se:

  • Funcionalismo clássico;
  • Gramática Funcional;
  • Gramática Discursivo-Funcional;
  • Gramática Sistêmico-Funcional;
  • Linguística Funcional Centrada no Uso;
  • Gramática de Construções;
  • Gramática Cognitiva;
  • Teorias e metodologias de ensino/aprendizagem do português como segunda língua.

Os interessados devem submeter artigos inéditos que apresentem metodologia clara e análise rigorosa. Serão aceitos trabalhos resultantes de pesquisas concluídas ou em estágio avançado de desenvolvimento.

Prazos e Submissão

Pesquisadores e acadêmicos têm até o dia 31 de julho de 2026 para enviar seus textos através do sistema da revista. Vale lembrar que a CALIGRAMA possui Qualis A4, consolidando-se como um importante espaço de diálogo acadêmico e produção científica de alta qualidade.

Para mais informações, acessemhttps://periodicos.ufmg.br/index.php/caligrama/announcement/view/728

Tenho dois registros ORCID. O que eu faço?

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Ter múltiplos registros ORCID é uma situação relativamente comum no meio acadêmico, mas que exige atenção imediata para preservar a integridade da identidade digital do pesquisador e a precisão das métricas de impacto científico. O Open Researcher and Contributor ID (ORCID) funciona como um identificador digital persistente, único e gratuito, projetado para distinguir pesquisadores entre si e garantir que sua produção intelectual seja corretamente atribuída. Quando um indivíduo possui dois identificadores (iDs), ocorre uma fragmentação dos metadados, o que pode levar a erros na contabilização de citações, dificuldades em processos de submissão de manuscritos e inconsistências em plataformas de agências de fomento.

A existência de registros duplicados geralmente decorre de esquecimentos de senhas antigas, mudanças de filiação institucional onde novos e-mails são utilizados para criar contas, ou até mesmo processos automáticos de integração de sistemas que geram perfis sem a devida verificação manual. Independentemente da causa, a solução padrão estabelecida pela ORCID Organization é a consolidação de registros. Este processo não visa simplesmente deletar uma conta, mas sim fundir as informações em um único iD principal, garantindo que o identificador preexistente ou o mais completo torne-se a referência definitiva para a comunidade científica global.

A arquitetura da interoperabilidade e o problema da duplicidade

Para compreender a gravidade de possuir dois registros ORCID, é fundamental analisar como esse identificador opera dentro do ecossistema da comunicação científica. O ORCID não é apenas um currículo online; ele é uma peça de infraestrutura de metadados baseada no conceito de Linked Data. Ele se comunica via API com sistemas de submissão editorial (como ScholarOne e OJS), bases de indexação (Scopus, Web of Science) e repositórios institucionais. Quando um pesquisador utiliza o iD "A" para publicar um artigo e o iD "B" para solicitar um financiamento, os sistemas de busca e mineração de dados falham ao tentar conectar essas duas atividades à mesma pessoa física.

Essa desconexão compromete a persistência dos dados. A desambiguação de autores é um dos maiores desafios da bibliometria contemporânea. Nomes homônimos ou variações de grafia de um mesmo nome podem ser resolvidos pelo ORCID, mas se o próprio código identificador for ambíguo, o sistema entra em colapso lógico. Além disso, muitas instituições utilizam o ORCID para alimentar seus sistemas de gestão de informações de pesquisa (CRIS - Current Research Information Systems). A presença de duplicatas gera ruído nos relatórios de produtividade institucional, exigindo intervenções manuais onerosas por parte de bibliotecários e gestores de dados para corrigir os fluxos de informação.

Procedimentos técnicos para a fusão de registros duplicados

A resolução de uma duplicidade no ORCID deve seguir um protocolo rigoroso de "depuração de dados". O pesquisador deve primeiro identificar qual dos dois registros possui a maior densidade de informações e qual iD já foi amplamente divulgado em publicações e currículos (como o Lattes, no Brasil). O registro que se deseja manter é denominado "registro primário". O processo de consolidação é realizado através das configurações de conta no portal oficial do ORCID. É imperativo que o usuário tenha acesso às credenciais de ambos os registros para autorizar a transferência.

Ao iniciar a ferramenta de mesclagem (Merge Accounts), o sistema solicita o acesso ao registro duplicado (aquele que será desativado). Uma vez autenticado, as informações de e-mail e os links de registros de obras e afiliações são transferidos para o perfil principal. É importante notar que o identificador numérico do registro desativado não deixa de existir no vácuo; ele se torna um "iD obsoleto" que aponta (redireciona) para o iD ativo. Esse mecanismo de redirecionamento é crucial para garantir que, se alguém clicar em um link antigo em um PDF de um artigo publicado anos atrás, ainda assim seja levado ao perfil consolidado e atualizado do pesquisador.

Gestão de metadados e limpeza pós-consolidação

Após a fusão técnica dos registros, inicia-se a fase de curadoria de conteúdo. A consolidação automática transfere as permissões de e-mail e as chaves de acesso, mas o pesquisador deve realizar uma revisão minuciosa para eliminar registros de obras duplicados que possam ter vindo de ambos os perfis. A utilização de ferramentas de importação via BibTeX ou a conexão direta com o Crossref e o DataCite facilita esse processo, permitindo que o pesquisador utilize identificadores de objetos digitais (DOIs) para validar cada entrada.

Nesta etapa, a atenção deve se voltar para a "providência dos dados". É recomendável que o pesquisador configure as preferências de visibilidade para "Público" ou "Confiável", permitindo que organizações parceiras (Trusted Organizations) possam atualizar automaticamente o registro no futuro. A manutenção de um registro único e limpo é uma responsabilidade ética do pesquisador para com a transparência da ciência aberta. Dados bem estruturados no ORCID alimentam o ecossistema de identificadores persistentes (PIDs), que incluem também o ROR (Research Organization Registry) para instituições e o Crossref para publicações, formando uma rede de conhecimento interconectada e fidedigna.

Implicações na avaliação da produção científica e visibilidade

A unificação de registros ORCID tem um impacto direto e positivo na visibilidade internacional do cientista. Na era da ciência baseada em dados, algoritmos de recomendação e métricas de desempenho (como o índice h e o número total de citações) dependem da integridade da fonte. Perfis fragmentados resultam em métricas subestimadas em plataformas como o Google Scholar ou o Dimensions, que frequentemente usam o ORCID como âncora para agregar produções dispersas.

Além da questão métrica, existe o aspecto da confiança editorial. Editores de periódicos de alto impacto utilizam o ORCID para verificar o histórico de um autor ou revisor. Um perfil consolidado, com histórico de revisões por pares validado (através da integração com o antigo Publons/Web of Science), transmite profissionalismo e transparência. Em processos de mobilidade acadêmica internacional, ter um único identificador facilita a verificação de antecedentes acadêmicos por comitês de busca, eliminando dúvidas sobre a autoria de trabalhos ou a veracidade de vínculos institucionais passados. Portanto, a gestão correta do ORCID não é apenas uma tarefa burocrática, mas um componente estratégico da carreira científica.

Estratégias preventivas e boas práticas de manutenção de iD

Para evitar a recorrência de duplicatas e garantir a longevidade do identificador único, o pesquisador deve adotar práticas de governança pessoal de dados. A primeira recomendação é vincular múltiplos endereços de e-mail ao registro principal, incluindo um e-mail institucional permanente, um e-mail pessoal e, se possível, o e-mail de egresso de sua universidade de formação. Isso garante que, mesmo após trocar de instituição, o acesso ao ORCID permaneça ininterrupto, evitando a tentação ou a necessidade de criar um novo registro com o novo e-mail profissional.

Outra prática essencial é a sincronização periódica com outras bases de dados. No contexto brasileiro, a integração entre o ORCID e a Plataforma Lattes é fundamental para reduzir a carga de trabalho manual e garantir que a produção nacional seja visível globalmente. O pesquisador deve, ao menos uma vez por semestre, revisar as permissões concedidas a terceiros (como editoras e agências de fomento) e verificar se novos trabalhos foram adicionados corretamente. Ao manter um registro único, atualizado e sem duplicidades, o cientista contribui para a eficiência da comunicação científica e assegura que sua trajetória intelectual seja preservada de forma precisa e permanente para as futuras gerações de pesquisadores.