A revista Claves acaba de abrir o período de submissões para o dossiê temático "Práticas Musicais do Passado: sujeitos, fontes, perspectivas e abordagens". A iniciativa, organizada pelos professores doutores Vinícius Eufrásio (UFPB) e Fernando Lacerda Simões Duarte (UFPA), busca reunir pesquisas que desafiem as narrativas tradicionais da história da música e explorem novos horizontes metodológicos.
O prazo para o envio de trabalhos encerra-se no dia 5 de abril de 2026, com previsão de publicação para junho do mesmo ano.
Novos Olhares sobre a Memória Musical
A proposta central do dossiê fundamenta-se na ideia de que as atividades musicais deixam vestígios que vão muito além do papel partiturado. Inspirada pela Escola dos Annales e pelas transformações da Musicologia brasileira desde o final do século XIX, a chamada incentiva o uso de fontes diversas e abordagens interdisciplinares.
O objetivo é superar discursos hegemônicos, integrando a musicologia a áreas como:
- História Social, Política e Cultural;
Estudos de Gênero e Crítica Decolonial;
Antropologia, Etnomusicologia e Arquivologia.
Temáticas em Destaque
O dossiê abrange uma vasta gama de tópicos, desde o tratamento técnico de acervos até questões contemporâneas de alta relevância social. Entre os eixos temáticos, destacam-se:
- Métodos, técnicas e tecnologias para a abordagem e o tratamento de fontes e acervos musicais: a Musicologia em diálogo com a História, a Antropologia, a Etnologia, a Arqueologia, a Codicologia, a Biblioteconomia, a Arquivologia, a Museologia e as Ciências da Informação;
- Música para os olhos: fontes iconográficas e as interfaces com as Artes Visuais e o Design;
- Vestígios materiais e os desafios para uma história da música de sociedades ágrafas;
- Pianolas, caixas de música, autômatos e outros meios de reprodução mecânica da música: entre processos de musealização e usos no presente;
- Perspectivas do fazer historiográfico (história cultural, social, política, de gênero, micro-história, crítica decolonial, estudos subalternos e arquivologia) e a produção de conhecimento sobre as práticas musicais do passado;
- Para além dos cânones: olhares lançados a compositoras, compositores, gêneros e obras musicais relegados ao esquecimento;
- Interseções entre a história, cultura e a produção de conhecimento em música;
- Os fazeres historiográficos da música brasileira;
- Saberes-fazeres musicais, memória, identidade e patrimonialização;
- Continuidades e rupturas nas práticas musicais;
- Memória e história dos múltiplos ensinos de música: das artinhas e tratados às transformações da pedagogia musical;
- Manifestações musicais tradicionais em seu percurso até o presente: negociações, resistências e o perecimento de Pastorinhas, bois, folias, dentre outras;
- As noções de progresso e decadência nos discursos sobre a história da música;
- Músicas, sociabilidades, raça e gênero em uma perspectiva histórica;
- Os musicares locais e a musicologia urbana: transmissão e recepção do repertório e o trânsito de musicistas ao longo da história;
- Gêneros musicais urbanos e sociabilidades: o compartilhamento de identidades com base no gosto musical em uma perspectiva histórica;
- O lundu, o maxixe e o funk: história das moralidades, do racismo e da repressão cultural;
- Da “mais alemã das artes” à canção de protesto latino-americana: permanências e inovações nos usos políticos da música;
- Diálogos disciplinares: abordagens inovadoras a partir da Teoria e Análise musical, da Etnomusicologia, da Música Popular, da Composição e de outras subáreas para a compreensão das práticas musicais do passado em seus múltiplos aspectos;
- Construções de narrativas sobre práticas musicais do passado;
- Interfaces entre a Musicologia e a História: abordagens a partir da História pública, das ideias, do tempo presente, dos estudos historiográficos, e da História e Filosofia da Ciência;
- Cientometria e análises acerca da produção acadêmica em Musicologia no Brasil;
- Formação para a musicologia histórica: desafios e perspectivas;
- Música do passado e Inteligência Artificial: releituras, apropriações, falsos-históricos e dilemas éticos;
- Comunicação científica e história da música na era da pós-verdade: o interesse das Novas Direitas e os desafios ante o revisionismo e o negacionismo históricos;
- Pesquisa sobre práticas musicais do passado e possibilidades de intervenção social: a função social do musicólogo e do trabalho musicológico de perspectiva histórica.
Para mais informações, acessem: https://periodicos.ufpb.br/index.php/claves/announcement/view/1074
Sobre o editor
Frederico Lima é doutor em Letras (UFPB), idealizador deste blog e especialista em editoração digital.
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