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12/09/2026

O que significa Princípio do Prazer para a Psicanálise?

A psicanálise, desde os primeiros momentos da sua fundação, dedica-se a compreender as forças inconsciente que regem a conduta, os afetos e os sofrimentos da psique humana. Um desses elementos, conceituados por Sigmund Freud, serve como horizonte para a compreensão do funcionamento mental: o Lustprinzip, traduzido para o português como Princípio do Prazer. Na metapsicologia freudiana, o Princípio do Prazer funciona como um regulador econômico e energético da mente, cuja função principal é gerir os níveis de excitação que chegam ao aparelho psíquico, visando manter a tensão no nível mais baixo e constante possível.

A mente humana é constante e inevitavelmente bombardeada por estímulos que provêm de duas fontes distintas: o mundo externo, através dos sentidos, e o mundo interno, por meio das necessidades corporais e das exigências pulsionais. Quando a tensão psíquica aumenta, decorrente do acúmulo de energia não descarregada, o aparelho psíquico vivencia esse estado como desprazer. O Princípio do Prazer entra em ação justamente como um imperativo biológico e psíquico que busca a descarga imediata dessa energia acumulada. A redução dessa tensão é traduzida subjetivamente como a sensação de prazer. Assim, na teoria freudiana clássica, o prazer não é interpretado como uma conquista positiva de euforia, mas sim como o alívio decorrente da diminuição de uma tensão dolorosa ou desconfortável.

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Nos primeiros estágios do desenvolvimento humano, durante a infância mais remota, o bebê é governado de maneira quase exclusiva por essa lógica do imediato, isto é, pela influência quase absoluta do id. O recém-nascido, ao sentir fome, dor ou frio, vivencia um aumento insuportável de tensão interna. Incapaz de adiar a satisfação ou de realizar ações complexas no mundo externo para sanar a sua dor, o bebê exige uma solução instantânea. Essa forma primária de funcionamento psíquico conecta-se ao processo primário, no qual a energia flui livremente de uma representação mental para outra, buscando a descarga por meio do caminho mais curto possível. Quando o objeto real de satisfação, como o seio materno, não está presente, o psiquismo do bebê recorre à alucinação primária da satisfação, revivendo a memória visual ou tátil de alimentações anteriores para tentar diminuir a angústia do desamparo.

No entanto, a realidade objetiva tende a se impor. A satisfação alucinatória não é capaz de saciar a fome fisiológica por muito tempo, e a ausência do objeto externo força o aparelho psíquico a reconhecer que o mundo ao redor não responde instantaneamente aos seus desejos. É a partir desse choque inevitável com o ambiente que tem início uma transformação crucial na economia mental. O ego, em seu processo de diferenciação e amadurecimento, passa a mediar as exigências das pulsões e as limitações do mundo exterior. O Princípio do Prazer não é abolido ou destruído, mas sim modificado e diferido pela emergência de um novo regulador: o Princípio da Realidade.

A transição da hegemonia do Princípio do Prazer para a convivência com o Princípio da Realidade representa o próprio alicerce da civilização e da maturação psíquica. Sob o domínio do Princípio da Realidade, o indivíduo aprende a tolerar certo grau de tensão e desprazer momentâneo em nome de um prazer mais seguro, duradouro e socialmente viável no futuro e contribui com isso que conhecemos como cultura. O processo secundário substitui o fluxo livre de energia, introduzindo o pensamento lógico, a memória reflexiva, o julgamento de realidade e a capacidade de planejamento. O desejo deixa de exigir uma descarga imediata para se submeter a caminhos indiretos. Contudo, é fundamental ressaltar que o Princípio da Realidade serve aos mesmos propósitos do Princípio do Prazer: ele garante a sobrevivência do indivíduo para que a satisfação continue sendo possível, evitando que o alívio impulsivo resulte na destruição do sujeito ou em retaliações do ambiente.

Apesar da consolidação do Princípio da Realidade na vida adulta, o Princípio do Prazer continua a reinar absoluto em certas instâncias da mente, manifestando-se de forma vigorosa no inconsciente. A vida dos sonhos é o exemplo mais vívido e cotidiano dessa permanência. Quando dormimos, a motilidade é suspensa e o teste de realidade enfraquece, permitindo que os desejos inconscientes reprimidos encontrem caminhos transversais para a sua realização fantasiada. Nos sonhos, o tempo linear dissolve-se, as contradições coexistem e a lógica do processo primário ressurge, revelando como a busca pela descarga energética continua ativa nas camadas mais profundas do psiquismo.

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Além dos sonhos, o Princípio do Prazer encontra vazão através dos sintomas neuróticos, dos atos falhos e dos chistes. O sintoma, sob a perspectiva clínica psicanalítica, é uma formação de compromisso entre a pulsão que busca a satisfação e o ego que tenta reprimi-la. O sujeito neurótico sofre com o seu sintoma, mas esse mesmo sintoma carrega em seu núcleo um ganho secundário ou primário de prazer inconsciente, uma satisfação substitutiva que contorna as proibições do ego e do superego. É por essa razão que os pacientes frequentemente oferecem resistência ao tratamento analítico, pois abandonar o sintoma implica renunciar a uma certa forma de gratificação que a mente construiu a custas de grande sofrimento.

A teoria do Princípio do Prazer passou por uma grande revisão no ano de 1920, quando Freud publicou a obra intitulada Além do Princípio do Prazer. Atendendo às observações clínicas trazidas pelos traumatizados da Primeira Guerra Mundial, pelas neuroses de guerra e pelas brincadeiras infantis repetitivas, como a famosa cena do jogo do fort-da praticado por seu neto, Freud percebeu que a busca pelo alívio da tensão não explicava a totalidade dos fenômenos psíquicos. Os pacientes traumatizados retornavam compulsivamente, em seus sonhos e pensamentos, ao evento aterrorizante que lhes causara dor, demonstrando um funcionamento que parecia contrariar diretamente a busca pelo prazer e a esquiva do desprazer.

Essa constatação levou à formulação do conceito de compulsão à repetição e à introdução da dualidade entre a pulsão de vida, designada como Eros, e a pulsão de morte, denominada Thanatos. A compulsão à repetição configura-se em um nível mais primitivo do que o próprio Princípio do Prazer. Enquanto o Princípio do Prazer busca gerir e descarregar as excitações para manter a homeostase psíquica, a pulsão de morte busca o desligamento total, o retorno do organismo a um estado inorgânico de ausência absoluta de tensão. A partir desse momento da metapsicologia freudiana, o Princípio do Prazer passa a ser visto não mais como um ditador absoluto da vida mental, mas como um aliado de Eros, que tenta ligar e organizar a energia psíquica para defender o sujeito das forças desagregadoras e silenciosas da pulsão de morte.

A complexidade do Princípio do Prazer também pode ser "observada" no paradoxo da dor psíquica e no masoquismo. Se a mente é guiada pela busca do prazer e pela fuga do desprazer, como compreender o indivíduo que encontra satisfação no próprio sofrimento? A psicanálise indica que o masoquismo erógeno, moral e feminino demonstra como o desprazer consciente pode se articular como uma condição necessária para a obtenção de um prazer inconsciente. O afeto doloroso, quando erotizado ou atrelado a exigências punitivas do superego em relação à culpa inconsciente, transforma a dor no único caminho disponível para a quitação da tensão psíquica. A dor torna-se, nesse contexto, um veículo ambíguo para a realização do desejo.

Na prática clínica da psicanálise, o entendimento do Princípio do Prazer é essencial para orientar a escuta do analista. O paciente que chega ao consultório traz uma demanda articulada pelo sofrimento, mas traz também uma fixação inconsciente em modos arcaicos de satisfação. A análise não busca eliminar a capacidade de sentir prazer, nem tampouco submeter o indivíduo a uma adaptação rígida e castradora ao mundo externo. O objetivo do processo analítico é auxiliar o sujeito a reconhecer as suas fantasias, a integrar os seus conteúdos reprimidos e a flexibilizar as suas defesas, de modo que ele possa encontrar formas menos destrutivas e mais criativas de satisfação pulsional. Trata-se de permitir que o indivíduo transite com maior liberdade entre os imperativos do desejo e as exigências da realidade objetiva e cultural.

É importante entender que a cultura exige de cada um de nós um tributo pesado do Princípio do Prazer. Como Freud analisa em suas obras sobre a sociedade e a civilização, a vida comunitária só é possível mediante a renúncia pulsional e o adiamento da satisfação. A agressividade e a busca desmedida pelo prazer individual precisam ser inibidas para que a convivência social seja preservada. Esse sacrifício contínuo do desejo imediato em prol da segurança e da ordem social gera um mal-estar estrutural no indivíduo. O mal-estar na cultura é o preço inevitável que o ser humano paga pela proteção civilizatória, mantendo um conflito eterno entre as exigências intransigentes da pulsão e as imposições do coletivo.

O Princípio do Prazer atravessa todas as instâncias da personalidade humana, desde as formações do inconsciente até as construções mais refinadas da arte e da sublimação. Ao sublimar, por exemplo, o indivíduo redireciona a energia de uma pulsão sexual ou agressiva para objetivos não sexuais e de alto valor social, como a criação artística, a investigação científica ou o trabalho intelectual. A sublimação representa uma das maneiras, digamos, mais "refinadas" pelas quais o ego contorna o conflito entre o Princípio do Prazer e o Princípio da Realidade, permitindo a gratificação e a descarga de tensão em harmonia com as demandas do mundo exterior.

Referências Bibliográficas

FENICHEL, Otto. Teoria Psicanalitica Das Neuroses. 1. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2000.

FREUD, Sigmund. Além do princípio de prazer. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2020.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. Tradução de Pedro Tamen. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2022.

NASIO, Juan-David. O prazer de ler Freud. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

ROUDINESCO, Elisabeth. Dicionário de psicanálise. Tradução de Vera Ribeiro e Lucy Magalhães. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.

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Revista Urdimento abre chamada para dossiê sobre artes cênicas e a psicanálise do corpo falante

A Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas está com chamadas abertas até 20 de setembro de 2026 para a submissão de trabalhos que integrarão o volume 3, número 59 do periódico, com publicação prevista para dezembro do mesmo ano. Sob coordenação de Luciana Eastwood Romagnolli (USP/CNPq) e organização de Sílvia Fernandes (USP), Antônio Teixeira (UFMG), Flavia Cera (UFSC), Gresiela Nunes da Rosa (UNISUL) e Patrick Pessoa (UFF), a edição proporá uma reflexão profunda sobre as intersecções entre o giro performático nas artes contemporâneas e a psicanálise lacaniana.

O dossiê busca investigar as disputas discursivas e teóricas em torno dos corpos contemporâneos a partir do conceito lacaniano de "corpo falante", que tensiona a relação entre linguagem, imagem e pulsão. A publicação convida pesquisadores e artistas a abordarem os arranjos entre arte e psicanálise, questionando os efeitos dos discursos dominantes da atualidade e explorando como as invenções da escrita e da cena oferecem novas saídas para o mal-estar da época. Entre os eixos sugeridos para contribuição estão as conformações do imaginário, a dimensão do olhar e da voz no âmbito pulsional, os limites da representação e o impacto de uma ética do singular na perspectiva crítica da cena.

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As submissões aceitam não apenas artigos científicos, mas também relatos de experiência, debates e dramaturgias. Todas as contribuições submetidas passarão pelo processo de avaliação pelos pares no sistema duplo-cego. Os interessados devem efetuar o cadastro como autores no portal da revista, consultar as diretrizes da publicação e realizar o envio do material diretamente pela plataforma OJS da URDIMENTO até o prazo final estipulado.

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Revista Maracanan abre chamada de artigos sobre governo e justiça no mundo ibero-americano

A Revista Maracanan anunciou a abertura da chamada de artigos para o dossiê temático da sua edição número 45, intitulado "Governo, Instituições e Justiças no Mundo Ibero-Americano: Novas Perspectivas e Pesquisas em Curso (Séculos XVI-XIX)". Com publicação prevista para o período de maio a agosto de 2027, a organização da chamada está a cargo das pesquisadoras Maria Fernanda Bicalho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Isabele de Matos Pereira de Mello, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Regina de Carvalho Ribeiro da Costa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A iniciativa acompanha o renovado interesse historiográfico pelas múltiplas dimensões das monarchias e sociedades ibéricas. Fundamentada em perspectivas teóricas sobre o conceito de império e na interlocução entre produções de diferentes países, a proposta parte da premissa de que o controle dos sujeitos, das consciências e dos territórios na Época Moderna operava por meio de uma variedade de instituições com jurisdições interligadas e sobrepostas, o que exige uma análise plural sobre as formas de governar e fazer justiça.

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O dossiê receberá trabalhos focados na complexa ordem social ibero-americana, com ênfase nas estruturas institucionais dos impérios ibéricos e na atuação das justiças régia, eclesiástica e inquisitorial, além do papel de seus agentes, práticas e costumes. Os organizadores incentivam abordagens que superem as fronteiras geográficas tradicionais, contemplando o caráter pluricontinental dos impérios e a dimensão humana manifestada nas interconexões entre os espaços Atlântico e Índico. Pesquisadores interessados têm até o dia 30 de dezembro de 2026 para enviar suas contribuições.

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Qual a regra de acentuação das paroxítonas na Língua Portuguesa?

Na Língua Portuguesa, a grande maioria dos vocábulos pertence a categoria das paroxítonas. Por essa razão, o sistema ortográfico segue uma lógica bastante econômica: como a maioria das palavras é paroxítona, toda aquela que termina com as vogais mais comuns não recebem acento gráfico, enquanto aquelas com terminações menos frequentes devem ser obrigatoriamente acentuadas.

Isso significa que não se acentuam as paroxítonas terminadas nas vogais simples a, e e o, seguidas ou não de s, tampouco as terminadas em am, em e ens. Palavras como casa, mesa, livro, jovens, garagem e item não recebem acento justamente porque seguem esse padrão natural do idioma. Em contrapartida, quando a palavra paroxítona termina em qualquer outra terminação, o acento gráfico torna-se obrigatório para sinalizar que a tonicidade permanece na penúltima sílaba e não migrou para a última.

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Entre as terminações que exigem o acento nas paroxítonas, destacam-se as palavras finalizadas em r, l, n e x. O vocábulo caráter, por exemplo, recebe acento agudo por ser uma paroxítona terminada em r. O mesmo raciocínio aplica-se a fácil e incrível, que terminam em l, a hífen e próton, terminadas em n, e a tórax e fênix, que possuem a terminação x. Vale notar uma peculiaridade importante quanto às palavras terminadas em n: embora o singular hífen seja acentuado, o seu plural hifens não recebe acento, pois passa a se enquadrar na terminação ens, que é isenta de acentuação.

Outro grupo relevante de paroxítonas acentuadas abrange as palavras terminadas nas vogais i e u, seguidas ou não de s, bem como as terminadas em um e uns. Exemplos claros dessa aplicação são os vocábulos júri, táxi, lápis, vírus, álbum e álbuns. Nesses casos, a presenças dessas vogais na posição final rompe a expectativa do padrão comum e exige a marcação gráfica da penúltima sílaba.

Além disso, as paroxítonas terminadas em ditongos orais, sejam eles crescentes ou decrescentes, seguidos ou não de s, também devem ser acentuadas graficamente. Essa é uma das regras mais recorrentes no uso cotidiano da língua. Palavras como história, água, família, colégio, mágoa, vácuo e fêmea exemplificam o uso do acento gráfico diante de ditongos crescentes finais. Da mesma forma, palavras como dócil e fáceis seguem a diretriz da preservação da tonicidade sobre o ditongo. Ao mesmo tempo, as palavras terminadas em ão, ãos, ã e ãs também recebem acento, como se observa em bênção, órfão, ímã e órfãs, nas quais o til marca a nasalidade da vogal final enquanto o acento circunflexo ou agudo indica a sílaba tônica paroxítona.

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Também se acentuam as paroxítonas terminadas em ps, como nas palavras bíceps, tríceps e fórceps, que apresentam uma estrutura silábica atípica para o português. É preciso salientar também as regras especiais que envolvem os hiatos: as vogais i e u tónicas das palavras paroxítonas recebem acento quando formam hiato com a vogal anterior e estão sozinhas na sílaba ou acompanhadas de s, como ocorre em saída, saúde, gaúcho e faísca.

Também vale destacar o fato de que, com o Acordo Ortográfico, os ditongos abertos ei e oi nas palavras paroxítonas deixaram de ser acentuados. Palavras que antigamente recebiam acento gráfico, como ideia, assembleia, heroico, jiboia e paranoia, hoje são grafadas sem nenhum tipo de acento, embora mantenham exatamente a mesma pronúncia aberta.

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Qual a regra de acentuação das oxítonas na Língua Portuguesa?

A regra geral para a acentuação das palavras oxítonas fundamenta-se nas suas terminações. Nesse sentido, de acordo com o sistema ortográfico vigente, devem ser acentuadas graficamente todas as oxítonas terminadas nas vogais abertas ou fechadas "a", "e" e "o", seguidas ou não da consoante "s", que atua como marca de plural. Dessa forma, vocábulos que finalizam com a vogal "a" recebem o acento correspondente para indicar a tonicidade e o timbre, exemplificados em termos como guaraná, sofá, xará e nos seus respectivos plurais, como sofás e guaranás. O mesmo raciocínio se aplica às oxítonas terminadas na vogal "e", que demandam a acentuação em palavras como café, comitê, você, português e pontapés, variando entre o acento agudo para sons abertos e o circunflexo para sons fechados. Do mesmo modo, as palavras terminadas pela vogal "o" seguem essa imposição gramatical, como se nota claramente em cipó, avó, avô, jiló e maiôs. Por outro lado, as oxítonas que terminam nas vogais "i" ou "u", sem o acompanhamento de ditongos ou situações especiais de hiato, prescindem do acento gráfico, motivo pelo qual palavras como saci, abacaxi, urubu, caju e bambu não devem ser acentuadas na escrita formal.

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Ademais, a norma gramatical estende a obrigatoriedade do acento às palavras oxítonas com mais de uma sílaba que terminam nas sequências nasais "em" e "ens". Essa regra visa garantir a correta identificação da tonicidade em vocábulos de uso frequente na norma padrão. Enquadram-se nessa exigência palavras bastante conhecidas do léxico português, como também, ninguém, armazém, porém, parabéns e armazéns. Cabe destacar que essa regra específica aplica-se exclusivamente às palavras que possuem duas ou mais sílabas, não se confundindo com formas monossilábicas tônicas que partilham de regras próprias de estruturação gráfica.

Além das terminações puramente vocálicas e nasais simples, o estudo das oxítonas exige atenção especial aos ditongos abertos tônicos localizados na última sílaba. As palavras oxítonas que terminam nos ditongos abertos "ei", "oi" e "eu", seguidos ou não de plural, mantêm a acentuação gráfica obrigatória. É importante registrar que, embora o Acordo Ortográfico tenha abolido o acento dos ditongos abertos nas palavras paroxítonas, essa alteração não afetou a regra aplicável às oxítonas. Portanto, continuam sendo grafados com acento agudo vocábulos como herói, anéis, papéis, troféu, chapéu, pastéis e ilhéus, uma vez que a tonicidade permanece na última sílaba associada ao timbre aberto do ditongo.

Atente-se também para o fato de que, quando a última sílaba da palavra oxítona é constituída pelas vogais "i" ou "u" tônicas, em posição de hiato com a vogal anterior, ocorrendo sozinhas na sílaba ou acompanhadas apenas de "s", essas vogais devem receber obrigatoriamente o acento agudo. Essa regra prevalece sobre a neutralidade das terminações em "i" e "u", justamente para assinalar a separação silábica e a intensidade do som. Exemplos dessa regra são as palavras baú, açaí, tuiuiú, tuiuiús e país.

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Revista Mosaico abre chamada de artigos para dossiê especial em homenagem ao centenário de Michel Foucault

Em celebração aos 100 anos do nascimento do filósofo francês Michel Foucault, a Revista Mosaico anunciou a abertura de submissões para seu próximo dossiê temático. A publicação busca reunir artigos que explorem a fundo a vasta herança teórica do autor, cujas contribuições permanecem centrais para os estudos de poder, conhecimento, história das ideias e teoria social. O prazo final para o envio dos manuscritos é o dia 15 de outubro de 2026.

A proposta editorial acolherá pesquisas fundamentadas no pensamento foucaultiano ou que o tomem como objeto direto de análise, cobrindo pontos de continuidade, ruptura e balanços críticos de sua trajetória. Os trabalhos podem discutir a aplicação de conceitos clássicos como biopoder, arqueologia do saber, genealogia do poder, ética, subjetivação e as dinâmicas de vigilância no contexto contemporâneo.

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Além disso, a chamada abrange investigações sobre os reflexos de sua teoria na política e na metodologia, debates que o situem entre o estruturalismo e o pós-estruturalismo, bem como abordagens voltadas às questões de raça, gênero, colonialidade, identidades e identitarismo. Pesquisadores interessados em submeter suas contribuições devem conferir previamente as diretrizes para autores disponíveis no portal do periódico antes de realizarem o envio dentro do prazo estipulado.

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11/09/2026

Revista Urdimento abre chamada de trabalhos para dossiê sobre reconfigurações cênicas na América Latina

A Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas está com chamada aberta para a submissão de trabalhos que comporão o volume 3, número 59 da publicação, previsto para sair em dezembro de 2026. Autores e pesquisadores interessados têm até o dia 20 de setembro de 2026 para enviar suas contribuições por meio da plataforma OJS do periódico. A coordenação do dossiê está a cargo do professor Paulo Marcos Cardoso Maciel, da Universidade Federal de Ouro Preto, em conjunto com uma comissão editorial internacional composta por pesquisadores da Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá, California State University, Instituto Nacional de Bellas Artes y Literatura do México e da Universidad de Buenos Aires.

A proposta temática convida a comunidade acadêmica a refletir sobre as reconfigurações pós-pandêmicas nas cenas da arte e da vida na América Latina, abordando o avanço do individualismo, as transformações espaço-temporais e os impactos dos conflitos mundiais recentes na região. Os trabalhos devem problematizar o cruzamento entre necropolítica e poéticas da esperança a partir dos estudos do teatro, buscando preencher lacunas no debate acadêmico e fortalecer a construção de um ethos coletivo situado.

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O escopo de interesse do dossiê abrange discussões plurais que vão desde o teatro telemático e as produções feitas em casa até o teatro público, político e de resistência. Entre os temas sugeridos estão obras sobre migrações, transformações nos modelos de produção, relações do teatro com mobilizações sociais pós-2022, teatralidades festivas, cenas da barbárie, performatividades da vida pública, neocolonialismo, dramaturgias do poder e as dinâmicas de tomada das ruas frente às narrativas hegemônicas.

Além de artigos científicos acadêmicos, a chamada aceitará submissões nos formatos de relatos, debates e textos de dramaturgia. Todos os artigos enviados passarão pelo processo de avaliação pelos pares no sistema duplo-cego, exigindo a aprovação de dois pareceristas ad hoc para a efetivação da publicação. Para participar, os autores devem realizar o cadastro no portal de revistas da UDESC e submeter o texto final até a data limite, seguindo rigorosamente as diretrizes editoriais disponíveis no site da revista.

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Revista Investigações abre chamada para dossiê sobre o Sul Global Literário

A Revista Investigações, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, anunciou a abertura da chamada de artigos para a sua edição especial de 2027, que abordará o tema "Emergências Comparatistas do Sul Global Literário". A organização do número conta com uma coordenação científica e editorial internacional, reunindo os professores Carlos André Cordeiro de Oliveira, Alfredo Adolfo Cordiviola, Danielle Grace de Almeida, Nishat Zaidi e Paul Melo e Castro.

O volume propõe uma investigação comparativa das produções literárias do Sul Global, enxergando-as como interseções estéticas, epistêmicas e geopolíticas diante dos desafios impostos pelo Antropoceno colonial, pela modernidade-colonialidade e pelo capitalismo racial. O dossiê busca acolher trabalhos focados em corpora latino-americanos, caribenhos, africanos, sul-asiáticos e indo-oceânicos que lancem luz sobre cartografias atravessadas pelas marcas da colonização e pela força da esperança escrevivente, dialogando com grandes nomes do pensamento e da literatura mundial, como Aimé Césaire, Clarice Lispector, Chinua Achebe, Ngũgĩ wa Thiong'o e Conceição Evaristo.

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Entre os eixos de interesse aceitos pela publicação destacam-se os estudos sobre as conexões da literatura brasileira com narrativas africanas ou asiáticas, a inserção do Sul Global nos debates de literatura mundial, traduções e circulação comparadas, afrofuturismos, indigenofuturismos, ecocrítica e as representações da memória, do trauma e da ancestralidade. A equipe editorial ressalta que serão aceitos exclusivamente artigos que demonstrem de forma clara o uso do método comparatista voltado à análise de produções do Sul Global.

Os pesquisadores interessados em submeter seus trabalhos devem enviar os textos até o dia 20 de dezembro de 2026. O processo de avaliação será concluído em maio de 2027, e o lançamento da edição especial está previsto para junho do mesmo ano.

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Por que as palavras hífen, hifens e hífenes são acentuadas de formas diferentes?

Uma das dúvidas que mais costuma inquietar estudantes em relação à dinâmica da acentuação gráfica, sobretudo para concursos, ocorre com a palavra "hífen" e suas duas formas aceitas de pluralização: "hifens" e "hífenes". Entender o porquê de o vocábulo no singular e uma de suas formas no plural receberem o acento agudo, enquanto a outra forma no plural não o recebe, pode ser um diferencial importante. 

Vamos prestar atenção à tonicidade das palavras e à terminação de cada uma delas. Primeiramente, observe o vocábulo "hífen". Do ponto de vista da tonicidade, trata-se de uma palavra paroxítona, pois a sua sílaba tónica é a penúltima. A regra geral da ortografia portuguesa estabelece que as palavras paroxítonas terminadas na letra "n" devem ser obrigatoriamente acentuadas graficamente. Por essa razão, a palavra "hífen" carrega o acento agudo na vogal "i". Outros termos da nossa língua que seguem essa exata mesma diretriz são "pólen", "próton", "nêutron" e "elétron". Trata-se de uma norma bem consolidada e sem exceções no que tange às palavras paroxítonas com essa terminação específica no singular.

A divergência e o consequente sobressalto gramatical surgem no momento de flexionar esse termo para o plural. A Língua Portuguesa admite dois plurais para a palavra "hífen", sendo a forma "hifens" a mais frequente no uso cotidiano e a forma "hífenes" uma alternativa igualmente correta. No entanto, o comportamento do acento gráfico altera-se significativamente em cada uma dessas opções.

Ao analisarmos a forma "hifens", percebemos que ela continua sendo uma palavra paroxítona, uma vez que a penúltima sílaba permanece como a mais forte na pronúncia. Todavia, a sua terminação mudou para "ens". A regra ortográfica das paroxítonas dita que não se acentuam as palavras paroxítonas terminadas em "ens". Essa é a mesma razão pela qual palavras como "jovens", "imagem", "imagens", "ordem" e "ordens" não recebem acento gráfico. Existe uma razão estrutural para essa limitação: o sistema de acentuação do português reserva os acentos nas terminações em "em" e "ens" para as palavras oxítonas, como ocorre em "também", "parabéns" e "armazéns". Portanto, para evitar um conflito no sistema ortográfico, quando a palavra "hífen" ganha a terminação "ens" no plural, tornando-se "hifens", ela perde o acento agudo, permanecendo paroxítona apenas no plano da fala, mas átona no plano da escrita.

Por outro lado, quando optamos pela segunda forma de plural, "hífenes", a estrutura silábica da palavra passa por uma transformação ainda mais profunda. Ao acrescentar o sufixo de plural "es", a palavra ganha uma nova sílaba, deixando de ser uma paroxítona e transformando-se em uma palavra proparoxítona, cuja sílaba tónica passa a ser a antepenúltima. No sistema ortográfico da Língua Portuguesa, a regra aplicada às proparoxítonas é absoluta e sem exceções: todas as palavras proparoxítonas devem ser graficamente acentuadas. Sendo assim, o vocábulo "hífenes" mantém o acento agudo na vogal "i", exatamente por ter se tornado uma palavra proparoxítona.

Ou seja, o termo no singular "hífen" recebe acento por ser uma paroxítona terminada em "n". A forma plural "hifens" perde o acento por se enquadrar na regra das paroxítonas terminadas em "ens", que não são acentuadas. Já a variante plural "hífenes" mantém a acentuação gráfica porque a inclusão de uma nova sílaba a deslocou para a categoria das proparoxítonas, classe em que todos os vocábulos são compulsoriamente acentuados.

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Revista Revue Romane abre chamada de artigos para dossiê sobre as figurações do mal na literatura contemporânea

A prestigiada Revista Revue Romane anunciou a abertura da chamada de artigos para o seu próximo dossiê temático, intitulado "Escrever o Mal nas Literaturas Românicas: Ética, Política e Contemporaneidade". O projeto é organizado pelos pesquisadores Cândido Oliveira Martins, da Universidade Católica Portuguesa, e Carlos Nogueira, associado à Cátedra José Saramago, à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e à Universidade da Beira Interior.

A proposta surge do diagnóstico de que a criação literária contemporânea, ao confrontar a humanidade com guerras, genocídios, regimes totalitários e novos mecanismos de controlo social, abandona maniqueísmos simplistas para mergulhar o leitor em complexas ambiguidades morais e cenários-limite. O objetivo principal do volume é reunir investigações originais que abordem o mal sob um prisma interdisciplinar, cruzando a análise textual com a filosofia, a ética, a política e a cultura. Embora o foco recaia no horizonte da contemporaneidade, a chamada adota uma perspectiva flexível que permite analisar produções dos séculos XX e XXI ou até de períodos anteriores, desde que dialoguem com as questões prementes do presente.

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O leque de pesquisas acolhidas abrange temas cruciais, como a banalização e a normalização da violência, as marcas do colonialismo e do totalitarismo, as perspectivas sobre violência de género, os dilemas éticos na representação do sofrimento e os conceitos de culpa e responsabilidade. Estudo comparativos entre autores fundamentais, a exemplo do diálogo entre Albert Camus e José Saramago ou entre Primo Levi e Jorge Semprún, também encontram espaço privilegiado na proposta.

Os trabalhos submetidos devem ser inéditos e passarão pelo rigoroso processo de avaliação por pares. Os investigadores interessados poderão enviar as suas contribuições em diversas línguas românicas ou em inglês, diretamente pela plataforma Editorial Manager da publicação, durante o período de submissão que se estende de 1 de fevereiro a 15 de abril de 2027. O lançamento do dossiê impresso e digital está programado para o início de 2028.

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O que é e qual a função do Hífen na Língua Portuguesa?

Historicamente, o hífen (-) surgiu da necessidade de organizar o fluxo gráfico da escrita, garantindo legibilidade e unidade a termos que, embora formados por radicais autônomos, passam a designar uma realidade única. No âmbito dos substantivos e adjetivos compostos, por exemplo, a sua presença indica que os componentes perdem, em maior ou menor grau, a sua autonomia fonológica e semântica originária para engendrar uma nova acepção. É o caso de termos botânicos, zoológicos e expressões cristalizadas pelo uso cotidiano e institucional, onde a ausência do traço poderia comprometer a imediata identificação do sentido pretendido pelo emissor. Ademais, a gramática normativa estabelece critérios precisos para o seu emprego nas construções em que há o encontro de vogais idênticas ou consoantes específicas, assegurando a correta tonicidade e a fluidez na hora da elocução oral.

Outro campo de atuação primordial do hífen é a dinâmica dos prefixos e elementos de composição, cenário que historicamente gerava as maiores dúvidas entre redatores, estudantes e profissionais da escrita. As regras atuais determinam que o traço se faz obrigatório quando o prefixo termina com a mesma vogal com que se inicia o segundo termo, ou quando este começa com a letra H. Por outro lado, a supressão do sinal ocorre quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento inicia-se por consoantes distintas, com exceção de "r" e "s", as quais exigem a duplicação dessas letras para a manutenção do som adequado. Essa engenharia ortográfica visa simplificar e uniformizar o sistema, embora a profusão de exceções consagradas pela tradição lexicográfica ainda exija constante consulta aos compêndios normativos.

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Além da vertente estritamente ortográfica, o hífen cumpre uma função sintática e estilística importante na desambiguação textual. Em diversos contextos, a sua inclusão ou exclusão altera radicalmente o significado de uma oração, distinguindo ações literais de metáforas ou conceitos técnicos consolidados. 

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10/09/2026

Quem é Príamo (Πρίαμος) na Mitologia Grega?

Príamo foi o rei de Troia durante a devastadora Guerra de Troia, e cuja sua vida é marcada por episódios de derrocada, ressurgimento, esplendor e, por fim, uma ruína brutal que simboliza o próprio fim da era dos heróis clássicos.

Filho do rei Laomedonte, a história da infância de Príamo já começa marcada pelo trauma e pela intervenção divina. Originalmente batizado como Podarces, o jovem príncipe viu sua cidade natal ser atacada e saqueada por Héracles (Hércules). Esse primeiro saque de Troia ocorreu porque Laomedonte, famoso por sua deslealdade, recusou-se a entregar a recompensa prometida a Héracles após o herói ter libertado a cidade de um monstro marinho enviado por Posídon. Na expedição punitiva de Héracles, Laomedonte e quase todos os seus filhos foram mortos. Podarces foi capturado e reduzido à condição de escravo. Sua vida foi salva por sua irmã, a princesa Hesíone, que negociou sua liberdade oferecendo a Héracles o seu próprio véu de ouro como resgate. Foi a partir desse ato de redenção que o jovem príncipe abandonou o nome Podarces e assumiu a alcunha de Príamo, designação que, na etimologia popular grega, deriva do verbo priamai, significando "o resgatado" ou "o comprado".

Restabelecido no trono troiano, Príamo reconstruiu a cidade, elevando Troia a um patamar incomparável de riqueza, fortificação e influência na região do Helesponto. Troia tornou-se célebre por suas muralhas consideradas intransponíveis, as quais foram construídas, segundo a tradição, pelos próprios deuses Posídon e Apolo, e por seus telhados dourados. Sob a regência de Príamo, o reino alcançou uma era de prosperidade marcada pelo respeito dos povos vizinhos e por uma corte numerosa e imponente.

A genealogia de Príamo é vastíssima e possui um papel fundamental na vastidão da narrativa da mitologia grega. Fontes clássicas atribuem-lhe dezenas de filhos e filhas, tradicionalmente cinquenta ao todo, nascidos de suas várias esposas e concubinas. Sua esposa principal e rainha consorte foi Hécuba, figura igualmente trágica com quem gerou dezenove ou vinte filhos, incluindo os personagens mais determinantes do ciclo troiano: Heitor, o nobre defensor e príncipe herdeiro de Troia; Páris, cuja sedução e rapto de Helena desencadearam a guerra; Cassandra, a profetisa amaldiçoada cujos avisos eram eternamente ignorados; Heleno, o vidente; Dêifobo e Troilo. Essa vasta progênie transformou Príamo no patriarca supremo de uma dinastia brilhante, mas também selou seu sofrimento, pois ele testemunharia a morte violenta da imensa maioria de seus descendentes. 

Quando os reis aqueus (gregos) marcharam contra Troia para reaver Helena, Príamo já era um homem de idade avançada, fisicamente impossibilitado de combater na linha de frente. Sua liderança durante o cerco de dez anos manifestou-se, assim, não no manejo das armas, mas no conselho, na dignidade e na piedade religiosa. No poema épico Ilíada, de Homero, Príamo aparece no topo das Portas Celas, observando os combates ao lado dos anciãos do conselho. É marcante a humanidade com que ele trata Helena: em vez de culpá-la pela tragédia e pela devastação que se abatiam sobre seu povo, o idoso rei demonstra compaixão, atribuindo a responsabilidade do conflito às vontades inescrutáveis dos deuses.

O momento de maior destaque de Príamo, e uma das passagens mais comoventes de toda a literatura ocidental, ocorre no Canto XXIV da Ilíada. Após o terrível duelo em que Aquiles mata Heitor, o herói grego profana o cadáver do príncipe troiano, arrastando-o diariamente ao redor do sepulcro de seu companheiro Pátroclo. Diante do sacrilégio e tomado por uma dor insuportável, Príamo decide realizar um ato de audácia e humildade sem precedentes: abandona a segurança do seu palácio, remove as insígnias reais que carregava e, sob a proteção invisível do deus Hermes, entra oculto no acampamento inimigo durante a noite.

Ao alcançar a tenda de Aquiles, o soberano de Troia ajoelha-se diante do assassino de seu filho, beija as mãos sanguinárias que exterminaram tantos de seus herdeiros e suplica pelo corpo de Heitor para que este receba os ritos fúnebres adequados. Príamo apela aos sentimentos de Aquiles pedindo-lhe que se lembre de seu próprio pai, Peleu, um ancião que também aguardava o retorno do filho. A imagem do rei majestoso prostrado aos seus pés fez com que Aquiles deixasse, momentaneamente, sua fúria se apaziguar; os dois homens choraram juntos suas perdas, unidos por uma dor compartilhada que ia além do conflito. Tocado pela grandeza moral do monarca, Aquiles concede o cadáver de Heitor e estabelece uma trégua de doze dias para os funerais, demonstrando o poder da piedade (eusebeia) do soberano troiano.

Apesar desse breve momento de paz, o destino de Príamo ilustra como a guerra alcança todos os indivíduos. O fim do rei é narrado com crudeza na tradição épica e reelaborado na Eneida, de Virgílio. Vendo a cidade tomada pelas chamas e o massacre de sua família, Príamo tenta vestir suas velhas armaduras para defender seus altares domésticos. No entanto, sem forças e dominado pela desesperança, ele é arrastado até o altar de Zeus por Neoptólemo (também chamado Pirro), o implacável filho de Aquiles. Diante dos olhos de Hécuba e de suas filhas, e logo após testemunhar o assassinato de seu filho Polites, Príamo é brutalmente executado por Neoptólemo no próprio santuário, selando a profanação da cidade e o colapso absoluto de Troia.

Referências Bibliográficas

EURÍPIDES. As Troianas. Tradução de Trajano Vieira. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2021.

HOMERO. Ilíada. Tradução de Frederico Lourenço.1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

KERÉNYI, Karl. Mitologia dos gregos: A história dos heróis. 1. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2015.

LESKY, A. A tragédia grega. 1ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2020.

VERNANT, J-P. O Universo, os Deuses, os Homens. Tradução de Rosa Freire Aguiar. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

VIRGÍLIO. Eneida.Tradução de Carlos Alberto Nunes. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2016.

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Revista O Eixo e a Roda abre chamada de artigos para dossiê sobre novos itinerários da literatura brasileira

A Revista O Eixo e a Roda anunciou a abertura de submissões para o seu volume 36, número 2, previsto para publicação no período de abril a junho de 2027. Com o tema "Literatura, circulação, e outros caminhos", o dossiê é organizado pelos professores Marcelo Freddi Lotufo, da Universidade de São Paulo, e Thayse Leal Lima, da University of Maryland. Os pesquisadores interessados em contribuir têm até o dia 28 de outubro de 2026 para enviar seus trabalhos.

A proposta do dossiê parte do reconhecimento de que os deslocamentos, sejam eles internacionais ou internos, sempre desempenharam um papel central na consolidação da cultura brasileira. Historicamente, a crítica e a historiografia privilegiaram trajetos específicos, como as viagens das metrópoles europeias para o Brasil, as migrações do campo para a cidade ou as expedições de intelectuais do Sudeste em direção a outras regiões do país. O objetivo desta edição é justamente ampliar esse horizonte e descentralizar as análises.

Apoiando-se em debates contemporâneos como a Teoria da Literatura Mundial, os Estudos Pós-Coloniais e os Estudos Diaspóricos, a chamada convida à reflexão sobre a circulação de ideias e materiais fora dos eixos hegemônicos tradicionais. Espera-se receber artigos que analisem narrativas de viagem, processos de imigração e fluxos culturais transnacionais ou transcontinentais na literatura brasileira. Os trabalhos devem buscar responder como esses percursos alternativos ajudam a constituir novas cartografias culturais e a repensar a própria formação da identidade e da literatura nacional.

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Revista Metamorfoses abre chamada de artigos sobre as poéticas, escritas e leituras da dramaturgia brasileira contemporânea

A revista científica Metamorfoses anunciou a chamada de trabalhos para o dossiê "Dramaturgias brasileiras contemporâneas: poética, escrita e leitura", sob a edição convidada de Daniele Avila Small e Renan Ji. A proposta busca preencher uma lacuna no campo teórico e crítico brasileiro, estimulando reflexões acadêmicas sobre a produção dramatúrgica atual para além das visões tradicionais e eurocentradas do texto teatral.

Historicamente vista como um elemento periférico pela crítica literária ou como um mero componente da cena pelas artes cênicas, a dramaturgia vive hoje um processo contínuo de transformação. No Brasil recente, o texto de teatro e de dança ganha contornos singulares e extrapola as convenções do drama clássico, desdobrando-se em poéticas próprias. Esse movimento vem acompanhado de um renovado interesse editorial e leitor, impulsionado por editoras especializadas e novas formas de circulação que transformam a página impressa em um espaço autônomo de encenação e imaginário.

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Diante do cenário de escassez de estudos dedicados ao texto dramatúrgico, o dossiê acolherá artigos que investiguem a escrita e as teorias contemporâneas, a presença da dramaturgia nos âmbitos editorial e de ensino, além de abordagens focadas em letramentos e currículos da educação básica e superior. Também estão no escopo da chamada os estudos sobre perspectivas contracoloniais, as linguagens de povos originários, as influências africanas, as especificidades da dramaturgia da dança e o papel do texto nas chamadas cenas-pensamento, como palestras-performances e desmontagens.

Pesquisadores e interessados em contribuir para a edição têm até o dia 27 de setembro de 2026 para realizar a submissão dos trabalhos. A publicação do dossiê está prevista para dezembro de 2026.

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O que significa Pulsão de Morte (Thanatos) para a Psicanálise?

Nos primeiros momentos da formulação da psicanálise, a teórica criada por Sigmund Freud sustentava-se sobre o dualismo entre as pulsões sexuais e as pulsões de autoconservação. Essa primeira formulação parecia dar conta dos conflitos psíquicos observados na clínica, onde a busca pelo prazer e a autopreservação entravam em choque com as exigências da civilização. No entanto, o trauma da Primeira Guerra Mundial e o surgimento de fenômenos clínicos intrigantes, como as neuroses de guerra e a repetição compulsiva de experiências dolorosas, forçaram uma reavaliação profunda dessa metapsicologia. Foi nesse cenário de incertezas que formulou a concepção da pulsão de morte, uma das teorias mais sombrias, controversas e fundamentais de todo o pensamento psicanalítico.

Diferente do instinto biológico, que é rígido, hereditário e visa a um fim puramente adaptativo e pré-determinado, a pulsão é um conceito limite entre o psíquico e o somático. Ela opera como uma força constante, uma pressão interior que exige do aparelho mental um determinado trabalho de transformação. Toda pulsão possui uma fonte no corpo, uma pressão ou força motriz, um alvo que busca a satisfação e um objeto através do qual o alvo pode ser atingido. Enquanto a pulsão de vida visa criar conexões, sintetizar elementos, preservar as ligações psíquicas e promover a complexidade orgânica e psíquica, a pulsão de morte atua em sentido diametralmente oposto.

A grande virada teórica ocorreu no célebre ensaio de 1920, intitulado Além do Princípio do Prazer. Freud percebeu que o princípio do prazer, até então considerado o soberano absoluto do psiquismo, não conseguia explicar por que certos pacientes repetiam incessantemente situações de intenso sofrimento. Se o aparelho mental buscasse apenas o prazer e a evitação do desprazer, como explicar as memórias recorrentes dos soldados traumatizados, os sonhos angustiantes de eventos dolorosos ou a tendência desastrosa de certas pessoas a repetirem escolhas amorosas autodestrutivas? A resposta psicanalítica para esse dilema residiu no reconhecimento da compulsão à repetição, uma força psicanalítica primordial que atua antes mesmo da instalação do princípio do prazer e que serve de veículo para a pulsão de morte.

A pulsão de morte expressa uma tendência fundamental de todo organismo vivo de retornar a um estado inanimado, inorgânico e livre de qualquer tensão. Há no funcionamento psíquico um impulso conservador extremo, que busca desligar o que foi ligado, dissolver as estruturas complexas e zerar os níveis de excitação do aparelho mental. Essa busca pela cessação de todos os estímulos é frequentemente associada ao princípio de Nirvana, termo adaptado para designar a aspiração inconsciente à paz absoluta, onde o silêncio da matéria inorgânica triunfa sobre as turbulências e demandas da vida pulsional.

É importante enfatizar que, no psiquismo humano, a pulsão de morte e a pulsão de vida raramente se manifestam de forma pura ou isolada. Elas funcionam de maneira intrinsecamente intrincada, em um processo contínuo de fusão e desfusão pulsional. O desenvolvimento psíquico saudável depende da capacidade do indivíduo de manter a pulsão de morte sob o domínio da pulsão de vida. Quando há uma fusão equilibrada, a força desestruturante do impulso destrutivo pode ser canalizada para atividades adaptativas e criativas. Por exemplo, a capacidade de cortar, separar, analisar criticamente ou impor limites na realidade exige uma dose de agressividade mitigada e domesticada pela vida.

Contudo, quando ocorre o fenômeno da desfusão pulsional, as forças de desintegração ganham autonomia e operam de forma livre e avassaladora no inconsciente. A agressividade, que quando ligada serve à autopreservação, descarrega-se na forma de destrutividade pura, direcionando-se tanto para o ambiente externo quanto para o próprio indivíduo. Quando projetada para fora, a pulsão de morte manifesta-se através do ódio, da violência, da crueldade e da pulsão de destruição do outro. Quando voltada para dentro, manifesta-se como autoflagelação psíquica, melancolia, comportamentos de risco e impulsos autodestrutivos.

O papel do superego na dinâmica da pulsão de morte é um dos pontos mais dramáticos da clínica psicanalítica. A instância superegoica, construída a partir da assimilação das interdições parentais e culturais, pode tornar-se excessivamente rígida, sádica e cruel. Em estados melancólicos e em certas neuroses graves, o superego atua como um carrasco implacável que se volta contra o ego, utilizando a própria energia da pulsão de morte para punir e devastar a subjetividade do paciente. A pessoa é então tragada por um sentimento inconsciente de culpa devastador e por um desejo inconsciente de punição que sabotam qualquer possibilidade de cura ou bem-estar, dando origem à chamada reação terapêutica negativa.

Posteriormente, os psicanalíticas pós-freudianos expandiram e reinterpretam essas intuições. Melanie Klein colocou a pulsão de morte no centro de suas investigações sobre a infância. Para Klein, o bebê recém-nascido é habitado por uma angústia arcaica e aterrorizante de ser destruído por sua própria pulsão de morte interna. Para sobreviver a essa ameaça insuportável de aniquilamento, o ego incipiente da criança utiliza o mecanismo de defesa da projeção, lançando essa carga destrutiva para fora e depositando-a no objeto primário, geralmente o seio materno. Esse seio, então percebido como mau e persecutório, torna-se a fonte das primeiras angústias paranoides e organiza a posição esquizoparanoide. A elaboração adequada dessas angústias Iniciais permite que a criança progrida para a posição depressiva, onde percebe o objeto como total e aprende a lidar com sua própria agressividade através da reparação.

Na vertente psicanalítica francesa, Jacques Lacan ofereceu uma releitura linguística e estrutural para o conceito de Thanatos. Para Lacan, a pulsão de morte não deve ser entendida como uma força biológica ou uma inclinação orgânica ao suicídio, mas sim como uma consequência direta da entrada do sujeito na linguagem. A palavra assassina a coisa; ao ser introduzido no campo do simbólico, o ser humano é marcado por uma perda fundamental, por um vazio constitutivo. A pulsão de morte lacaiana está intimamente ligada ao conceito de gozo, um excesso de satisfação paradoxal e doloroso que ultrapassa as fronteiras do princípio do prazer e que insiste em se repetir nas brechas e falhas da fala do sujeito.

Recordemos que, em suas obras de crítica cultural, Freud enfatizou que a tendência à agressividade inerente ao ser humano constitui o maior obstáculo para a preservação da civilização. As guerras, o preconceito, a intolerância, a violência sistêmica e as crises ecológicas causadas pela exploração predatória do planeta são manifestações coletivas da incapacidade do laço social de conter e canalizar a energia desestruturante de Thanatos.

Quando direcionamos a discussão para a prática clínica cotidiana, algo de extrema importância é o fato de que o trabalho da pulsão de morte exige do psicanalista uma escuta apurada e uma sensibilidade para identificar aquilo que se recusa a ser simbolizado. O analista encontra o registro de Thanatos nos impasses da transferência, nas resistências mais ferrenhas, nas somatizações recorrentes e na compulsão do paciente em arruinar seus próprios projetos e relacionamentos no momento exato em que eles parecem caminhar para o sucesso. E nesse contexto, o objetivo do processo analítico não é eliminar a pulsão de morte, feito teoricamente impossível, pois ela é parte integrante da estrutura psíquica, mas possibilitar que o sujeito consiga reatar os laços entre a destruição e a criação, reinvestindo o desejo e a pulsão de vida na reconstrução da sua própria história narrativa.

Referências Bibliográficas

FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2020.

GREEN, André. O trabalho do negativo. 1. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros ensaios. São Paulo: Ubu Editora, 2023.

LACAN, Jacques. O Seminário, livro 7: A ética da psicanálise. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.

LAPLANCHE, Jean. Life and Death in Psychoanalysis. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1976.

ROSENFELD, Hebert A. Estados psicóticos. Buenos Aires: Hormé, 1991.

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Revista Philorosae Abre Chamada de Trabalhos para Edição Sobre Colonialismos e Decolonialidade

A Revista Philorosae, publicação anual vinculada ao Centro de Estudos de Cultura e Artes da Universidade Nacional Timor Lorosae, anunciou a abertura da chamada de artigos para a sua sexta edição. Com o compromisso de promover sinergias entre as filosofias ocidental e oriental e de aproximar diferentes povos e hemisférios por meio da compreensão intercultural, o novo volume terá como foco central as discussões sobre Colonialismos, Pós-colonialismos e Decolonialidades.

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A publicação convida pesquisadores e a comunidade acadêmica a submeterem trabalhos articulados em três eixos principais. O primeiro abrange o estudo do colonialismo sob a ótica de autores fundamentais como Frantz Fanon e Aimé Césaire. O segundo eixo contempla o pós-colonialismo a partir de contribuições de pensadores como Edward Said, Gayatri Spivak e Homi Bhabha. Por fim, a vertente da decolonialidade sugere um diálogo direto com as obras de Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Enrique Dussel. Entre os subtemas propostos para reflexão destacam-se as epistemologias do Sul, gênero em contextos decoloniais, subalternidade, racismo epistêmico, colonialismo digital e as relações de compatibilidade entre a decolonialidade e os Direitos Humanos Universais.

Os interessados podem enviar artigos, recensões ou ensaios redigidos em português ou inglês até o dia 30 de novembro de 2026. Os textos devem conter no máximo 7.000 palavras e seguir estritamente as normas da sétima edição da APA. O envio dos manuscritos deve ser feito simultaneamente para os endereços eletrônicos revista@philorosae.com e lorosaefilosofico@gmail.com.

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09/09/2026

Revista Horizontes Antropológicos abre chamada de artigos para a edição "Mulheres no Futebol"

A Revista Horizontes Antropológicos anunciou a abertura de submissões para a sua edição de número 79, dedicada ao tema "Mulheres no Futebol". A publicação é organizada por Carmen Rial, Caroline Soares de Almeida, Verónica Moreira e Arlei Damo, e receberá trabalhos acadêmicos inéditos até o dia 31 de outubro de 2026. A iniciativa antecipa o clima da Copa do Mundo de Futebol de Mulheres de 2027, que ocorrerá pela primeira vez no Brasil, marco de grande relevância histórica para um país onde a modalidade permaneceu oficialmente proibida durante décadas por regulamentações estatais.

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O dossier busca explorar o fenômeno transnacional de regulação de gênero no esporte, lembrando que restrições semelhantes às brasileiras também ocorreram em nações como Inglaterra, França e Alemanha ao longo do século XX. Além da importância histórica e simbólica do evento esportivo, a chamada reflete a consolidação dos estudos antropológicos sobre o futebol no Brasil. Esse campo de pesquisa teve forte impulso a partir dos anos 2000 e se fortaleceu recentemente com a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro, rede que articula centenas de pesquisadores no país e no exterior.

A chamada convida acadêmicas e acadêmicos a enviarem contribuições que investiguem as diversas formas de participação feminina no ecossistema do futebol, abrangendo atuantes como atletas, árbitras, técnicas, dirigentes, profissionais da imprensa, torcedoras e gestoras. Os organizadores buscam artigos fundamentados em abordagens etnográficas, históricas, comparativas e interdisciplinares que analisem aspectos como interseccionalidades, memória, trabalho, mídia, políticas públicas e disputas sociais. Serão aceitos textos resultantes de pesquisas de campo, análises documentais, reflexões teóricas e balanços bibliográficos voltados às transformações e complexidades do futebol praticado e vivenciado por mulheres.

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Revista Antropolítica abre chamada para artigos sobre Antropologia do Trabalho

A Antropolítica: Revista Contemporânea de Antropologia, vinculada à Universidade Federal Fluminense (UFF), recebe submissões para o dossiê temático "Antropologia do Trabalho" até o dia 22 de setembro de 2026. A publicação é organizada pelos pesquisadores Aline Gama de Almeida (UERJ), Guillermo Stefano Rosa Gómez (UFRGS) e Luísa Maria Silva Dantas (UFPA), com o objetivo de reunir diferentes abordagens teóricas e metodológicas para debates sobre o tema.

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As contribuições devem ser enviadas preferencialmente por autores das áreas de Antropologia e Ciências Sociais. Em conformidade com as diretrizes do periódico, serão respeitados os parâmetros de exogenia em relação à UFF, além do limite fixado de seleção de até 50% de artigos elaborados por doutorandos, sendo exigido que as demais propostas contem com a autoria de pelo menos um doutor.

Todos os trabalhos recebidos passam pela avaliação cega por pareceristas externos. Para que a proposta seja considerada na chamada temática, os autores devem indicar obrigatoriamente, no campo de comentários direcionados aos editores, que a submissão se destina especificamente ao Dossiê "Antropologia do trabalho".

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Revista Brasileira de Música abre chamada de artigos sobre a presença afro-diaspórica no Colonial e no Império

O Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Conselho Editorial da Revista Brasileira de Música anunciaram a abertura de submissões para o dossiê temático "A presença afro-diaspórica na música brasileira: construções canônicas e circulação cultural afro-atlântica no período colonial e no Império". O volume 37, número 1 da publicação conta com a curadoria dos professores Lucas Robatto e José Maurício Brandão, ambos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e convida docentes, pesquisadores e discentes de pós-graduação das áreas de música e humanidades correlatas a enviarem suas contribuições.

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A iniciativa busca preencher lacunas historiográficas sobre a atuação de músicos negros e a circulação de práticas afro-atlânticas que ajudaram a estruturar as identidades culturais do país. Mesmo diante do contexto traumático da escravidão e do preconceito racial no Brasil colonial e imperial, africanos e afrodescendentes desempenharam papel decisivo na criação, preservação e transformação de repertórios fundamentais. O dossiê tem como foco principal analisar como esses sujeitos históricos participaram do desenvolvimento de cânones musicais brasileiros, compreendendo a canonização não apenas como um conjunto estático de obras, mas como um processo dinâmico de seleção, legitimação e transmissão cultural.

Privilegiando uma abordagem interdisciplinar entre a musicologia, a história e as ciências sociais, a chamada estimula estudos voltados à atuação e mobilidade social dos músicos negros, à circulação e intercâmbio de gêneros e estilos entre as Américas, África e Europa, além de pesquisas focadas nos processos de canonização e na história da recepção dessas obras e intérpretes ao longo do tempo.

Os trabalhos devem ser enviados até o dia 5 de outubro de 2026 por meio da plataforma OJS do periódico. Aceitam-se artigos originais e inéditos redigidos em português, inglês ou espanhol, desde que rigorosamente adequados às normas e diretrizes de submissão do periódico.

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Revista Asas da Palavra abre chamada de artigos para dossiê sobre literatura, memória e imaginário

A Revista Asas da Palavra anunciou a abertura de submissões para a sua mais nova edição, correspondente ao volume 23, número 2, prevista para publicação em 2026. Com a organização dos professores Rosângela Araújo Darwich e Paulo Roberto Vieira, o periódico convida pesquisadores a enviarem contribuições para o dossiê temático intitulado “Literatura, memória e imaginário: da afirmação à invenção do lugar”. A proposta busca explorar o texto literário como um espaço privilegiado de preservação da memória e invenção de novas possibilidades de existência, destacando o papel da escrita na construção simbólica, afetiva e crítica de territórios e identidades.

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O dossiê aceitará uma ampla diversidade de trabalhos, incluindo artigos científicos, relatos de experiência, entrevistas e resenhas que abordem o texto literário como objeto principal. As pesquisas podem contemplar diferentes gêneros literários, abordagens teóricas e tradições culturais, abrindo espaço para investigações em teoria e crítica literária, literatura comparada, estudos da tradução e geografias literárias. Além disso, a chamada acolhe reflexões sobre escritas de si, poéticas da oralidade, cosmologias e as interfaces do discurso literário com a história, as artes visuais, as artes performáticas e outros campos do conhecimento.

A publicação semestral aceita textos em português, inglês e espanhol, recebendo submissões até o dia 25 de outubro de 2026. Podem participar pesquisadores com título de doutor vinculados a instituições de ensino superior, assim como doutorandos, mestres, mestrandos, graduados e graduandos, desde que esses últimos assinem os trabalhos em coautoria com ao menos um doutor. Todas as propostas devem seguir estritamente as Diretrizes para Autores da revista, disponíveis no link oficial disponibilizado pelos organizadores (https://cutt.ly/mlhAjMt).

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