Uma das dúvidas que mais costuma inquietar estudantes em relação à dinâmica da acentuação gráfica, sobretudo para concursos, ocorre com a palavra "hífen" e suas duas formas aceitas de pluralização: "hifens" e "hífenes". Entender o porquê de o vocábulo no singular e uma de suas formas no plural receberem o acento agudo, enquanto a outra forma no plural não o recebe, pode ser um diferencial importante.
Vamos prestar atenção à tonicidade das palavras e à terminação de cada uma delas. Primeiramente, observe o vocábulo "hífen". Do ponto de vista da tonicidade, trata-se de uma palavra paroxítona, pois a sua sílaba tónica é a penúltima. A regra geral da ortografia portuguesa estabelece que as palavras paroxítonas terminadas na letra "n" devem ser obrigatoriamente acentuadas graficamente. Por essa razão, a palavra "hífen" carrega o acento agudo na vogal "i". Outros termos da nossa língua que seguem essa exata mesma diretriz são "pólen", "próton", "nêutron" e "elétron". Trata-se de uma norma bem consolidada e sem exceções no que tange às palavras paroxítonas com essa terminação específica no singular.
A divergência e o consequente sobressalto gramatical surgem no momento de flexionar esse termo para o plural. A Língua Portuguesa admite dois plurais para a palavra "hífen", sendo a forma "hifens" a mais frequente no uso cotidiano e a forma "hífenes" uma alternativa igualmente correta. No entanto, o comportamento do acento gráfico altera-se significativamente em cada uma dessas opções.
Ao analisarmos a forma "hifens", percebemos que ela continua sendo uma palavra paroxítona, uma vez que a penúltima sílaba permanece como a mais forte na pronúncia. Todavia, a sua terminação mudou para "ens". A regra ortográfica das paroxítonas dita que não se acentuam as palavras paroxítonas terminadas em "ens". Essa é a mesma razão pela qual palavras como "jovens", "imagem", "imagens", "ordem" e "ordens" não recebem acento gráfico. Existe uma razão estrutural para essa limitação: o sistema de acentuação do português reserva os acentos nas terminações em "em" e "ens" para as palavras oxítonas, como ocorre em "também", "parabéns" e "armazéns". Portanto, para evitar um conflito no sistema ortográfico, quando a palavra "hífen" ganha a terminação "ens" no plural, tornando-se "hifens", ela perde o acento agudo, permanecendo paroxítona apenas no plano da fala, mas átona no plano da escrita.
Por outro lado, quando optamos pela segunda forma de plural, "hífenes", a estrutura silábica da palavra passa por uma transformação ainda mais profunda. Ao acrescentar o sufixo de plural "es", a palavra ganha uma nova sílaba, deixando de ser uma paroxítona e transformando-se em uma palavra proparoxítona, cuja sílaba tónica passa a ser a antepenúltima. No sistema ortográfico da Língua Portuguesa, a regra aplicada às proparoxítonas é absoluta e sem exceções: todas as palavras proparoxítonas devem ser graficamente acentuadas. Sendo assim, o vocábulo "hífenes" mantém o acento agudo na vogal "i", exatamente por ter se tornado uma palavra proparoxítona.
Ou seja, o termo no singular "hífen" recebe acento por ser uma paroxítona terminada em "n". A forma plural "hifens" perde o acento por se enquadrar na regra das paroxítonas terminadas em "ens", que não são acentuadas. Já a variante plural "hífenes" mantém a acentuação gráfica porque a inclusão de uma nova sílaba a deslocou para a categoria das proparoxítonas, classe em que todos os vocábulos são compulsoriamente acentuados.
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