Quando o prefixo de uma palavra termina em qualquer vogal e o termo seguinte começa com a consoante R ou com a consoante S, a orientação da norma-padrão é não utilizar o hífen. Em vez de unir os termos por meio do hífen ou de apenas juntá-los diretamente, a consoante inicial da segunda palavra deve ser duplicada. Assim, o R passa a ser grafado como RR e o S passa a ser grafado como SS.
A razão pedagógica e linguística para a duplicação dessas consoantes está na fonética. Na língua portuguesa, as consoantes R e S, quando posicionadas em meio a duas vogais no interior de uma palavra simples, alteram seu valor fônico original. A consoante S situada entre vogais assume o som suave equivalente à consoante Z. Por sua vez, a consoante R entre duas vogais passa a ter um som brando e vibrante simples, como o som ouvido no meio de palavras comuns do vocabulário. Para preservar a pronúncia forte e aspirada do R inicial ou o som sibilante forte do S inicial da palavra original, torna-se indispensável dobrar a consoante ao fundir o prefixo ao segundo elemento.
Caso a duplicação não ocorresse e o hífen fosse simplesmente retirado, a leitura correta do vocábulo ficaria comprometida do ponto de vista articulatório. Ao unir o prefixo terminado em vogal ao termo iniciado por R ou S, a consoante ficaria naturalmente cercada pela vogal final do prefixo e pela vogal seguinte do segundo termo. A presença do par de consoantes garante exatamente que o som original da palavra base seja integralmente mantido durante a leitura fluida.
É importante observar que essa norma se aplica a uma vasta quantidade de prefixos da nossa língua, tais como anti, auto, contra, infra, intra, micro, neo, proto, semi, ultra, infra, entre diversos outros. Todos esses elementos compartilham a característica comum de terminarem em som vocálico.
Para exemplificar o mecanismo em relação à consoante S, considere a fusão entre um prefixo terminado em vogal e uma palavra começada por essa letra. O prefixo junta-se diretamente ao termo, eliminando-se qualquer sinal de pontuação intermediário e escrevendo-se SS. O resultado é a criação de um único vocábulo contínuo no qual a pronúncia permanece forte e limpa, exatamente como ocorria quando os termos eram pronunciados separadamente.
O mesmo princípio é aplicado quando a palavra subsequente começa com a letra R. Ao encontrar o prefixo terminado em vogal, a consoante R é imediatamente duplicada, resultando na grafia com RR. Dessa maneira, a vibração forte e característica do R no início da palavra é preservada no vocábulo derivado, impedindo que a pronúncia se transforme em um som brando indesejado.
Existe apenas uma exceção a essa regra geral: quando o prefixo termina por vogal, mas possui uma forma própria que já exige o hífen por outras razões normativas específicas, ou quando o segundo elemento é uma palavra que exige tratamento diferenciado por razões de clareza contextual histórica, o comportamento pode variar. No entanto, no tocante aos prefixos comuns terminados em vogal sem acentuação ou peculiaridade fonética restritiva, a regra da duplicação de R e S sem o hífen permanece inalterada.
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