A resposta curta para a questão de saber se o Currículo Lattes serve como Currículo Vitae é dependente do contexto profissional e da finalidade da apresentação do documento. Se pensarmos de modo simples, ambos são registros da trajetória de uma pessoa, porém desenvolvidos para ecossistemas, públicos e objetivos fundamentalmente distintos. O Currículo Lattes é uma plataforma padronizada mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico no Brasil, voltada primariamente para a comunidade acadêmica, de pesquisa e inovação tecnológica.
A Plataforma Lattes exige um nível minucioso de detalhamento. Ela visa registrar exaustivamente a produção científica, a participação em projetos de extensão, artigos publicados em periódicos, apresentações em congressos, bancas examinadoras e orientações acadêmicas. Essa exaustão é necessária no ambiente acadêmico para que instâncias financiadoras, universidades e órgãos governamentais possam mensurar com precisão a produtividade e a relevância científica do pesquisador. Por essa razão, um Currículo Lattes completo pode facilmente alcançar dezenas de páginas ao longo da carreira de um profissional.
Por outro lado, o mercado de trabalho tradicional funciona sob a lógica da objetividade e da brevidade. Os profissionais de recursos humanos recebem centenas de candidaturas para uma única vaga e costumam dedicar apenas alguns segundos para fazer a triagem inicial de cada Currículo Vitae. O Currículo Vitae ideal deve sintetizar os marcos mais relevantes da trajetória profissional em apenas uma ou duas páginas. Seu foco não está em listar todas as atividades já realizadas ao longo da vida, mas em demonstrar, de maneira direta, como as experiências passadas e as habilidades atuais do candidato respondem aos problemas específicos enfrentados pela empresa contratante.
Existe, contudo, uma exceção em que o Currículo Lattes serve perfeitamente e é até preferível em relação ao Vitae tradicional: nas seleções promovidas por universidades, institutos federais de educação, centros de pesquisa, laboratórios públicos e órgãos de fomento à ciência. Nestes ecossistemas, o Lattes é o padrão ouro oficial. Tentá-lo substituir por um Vitae simplificado em um processo de bolsa de mestrado, doutorado ou concurso para docente seria fatal para o candidato, pois a avaliação acadêmica depende da comprovação metódica de cada produção registrada no sistema. Além disso, em setores corporativos de alta tecnologia que possuem departamentos dedicados exclusivamente à Pesquisa e Desenvolvimento, ou em consultorias especializadas de nicho, os recrutadores costumam aceitar e consultar o Currículo Lattes como um complemento para verificar a profundidade do conhecimento técnico e científico do postulante à vaga.
No entanto, quando se trata de concorrer a vagas gerais do mercado de trabalho privado, usar o Lattes no lugar do Vitae sem edições representa uma desvantagem competitiva expressiva. A estrutura rígida e padronizada do Lattes impede a personalização estética e hierárquica das informações. No Currículo Vitae, o candidato tem a liberdade de destacar estrategicamente as competências técnicas mais alinhadas à vaga, posicionar as experiências recentes no topo, omitir detalhes irrelevantes e adaptar a linguagem para o tom da empresa contratante. No Lattes, a ordem dos fatores é imutável e determinada pelo sistema do CNPq, dando o mesmo peso visual a uma publicação em evento científico que daria a uma realização prática no mercado profissional.
Dessa forma, a atitude mais adequada para quem pretende entregar currículos de forma abrangente é produzir um Currículo Vitae, pois ele atende às necessidades gerais da absoluta maioria dos requisitos informacionais que os empregadores precisam ao avaliar um candidato.