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15/09/2026

Em quais locuções (substantivas, adjetivas, adverbiais) não devemos usar hífen e quais são as exceções?

Com a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, as regras relativas ao uso do hífen passaram por transformações significativas, gerando dúvidas frequentes entre os falantes. Uma das mudanças mais expressivas diz respeito às locuções de modo geral. 

A regra fundamental estabelecida pelo acordo determina que não se deve utilizar o hífen nas locuções de qualquer natureza, sejam elas substantivas, adjetivas, adverbiais, prepositivas, conjuntivas, pronominais ou numéricas. Isso significa que os elementos que compõem essas expressões grafam-se separadamente, sem nenhum sinal de ligação.

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No que diz respeito às locuções substantivas, a ausência de hífen aplica-se a nomes compostos por mais de uma palavra que funcionam gramaticalmente como um único substantivo. Expressões que antes eram grafadas com o sinal ou que geravam hesitação agora são escritas de forma livre. É o caso de fim de semana, sala de aula, cão de guarda, pão de ló, café com leite e anjo da guarda. Em todas essas construções, cada palavra mantém sua autonomia gráfica, unindo-se apenas pelo sentido dentro do contexto frasal.

Da mesma forma, as locuções adjetivas, que têm a função de qualificar um substantivo, seguem rigorosamente a proibição do hífen. Exemplos claros dessa aplicação podem ser observados em expressões como cor de vinho, cor de rosa, cor de carne e de grão em grão. Ao descrever um objeto com a cor correspondente, escreve-se simplesmente um casaco cor de rosa ou um estofado cor de vinho, eliminando-se qualquer traço de união entre os termos constitutivos.

Quanto às locuções adverbiais, que atuam modificando verbos, adjetivos ou outros advérbios indicando circunstâncias como tempo, modo ou lugar, o hífen também está totalmente descartado. Termos recorrentes no cotidiano e na escrita formal devem ser grafados de forma simples e separada. Destacam-se entre eles por favor, à vontade, em cima, de repente, por isso, às vezes, de vez em quando, ao longo, a fim de e por meio de. A tentativa de grafar palavras como de repente ou por favor com hífen constitui um desvio direto à norma culta vigente.

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Contudo, como ocorre frequentemente na história das línguas naturais, a norma prevê um conjunto restrito de exceções fundamentadas no uso fixado pela tradição lexicográfica. O próprio texto do Acordo Ortográfico ressalva que algumas locuções consagradas pelo uso continuam a manter o hífen. As principais exceções aplicam-se a um grupo específico de locuções substantivas e adjetivas.

Permanecem grafadas com hífen as locuções água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa (quando empregado especificamente como substantivo ou adjetivo já dicionarizado em contexto de cor primária tradicional), pé-de-meia (no sentido figurado de economia financeira), mais-que-perfeito e ao-deus-dará. Também mantêm o hífen termos que designam espécies botânicas e zoológicas, os quais, embora funcionem como locuções ou nomes compostos, obedecem a uma regra própria de nomenclatura científica e popular, como em vitória-régia, mico-leão-dourado e castanha-do-pará.

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