O conceito de acento tônico é um dos elementos mais importantes da fonologia e da prosódia na Língua Portuguesa, sendo fundamental para a correta pronúncia e, consequentemente, para a compreensão clara das palavras em nossa língua. Trata-se do destaque ou da maior intensidade dada a uma determinada sílaba durante a emissão oral de um vocábulo. Toda palavra com duas ou mais sílabas possui uma sílaba pronunciada com mais força, a qual recebe o nome de sílaba tônica, enquanto as demais, pronunciadas com menor intensidade, são denominadas sílabas átonas.
É de extrema importância não confundir o acento tônico com o acento gráfico. O acento tônico é uma realidade puramente fonética, ou seja, ele existe na fala de todas as palavras que possuem mais de uma sílaba, independentemente de haver ou não um sinal sobre as letras. Por outro lado, o acento gráfico, representado pelo acento agudo ou pelo acento circunflexo, é um recurso visual da escrita, utilizado apenas em algumas palavras que se enquadram nas regras específicas da nossa gramática normativa. Assim, na palavra "menino", há o acento tônico na sílaba "ni", muito embora o vocábulo não receba nenhum acento gráfico na escrita.
Na Língua Portuguesa, a posição desse acento de intensidade varia, o que nos permite classificar os vocábulos em três grandes grupos de acordo com a localização da sílaba predominante. Quando a força da pronúncia recai sobre a última sílaba da palavra, estamos diante de um vocábulo oxítono. Quando a intensidade sonora se concentra na penúltima sílaba, o vocábulo é classificado como paroxítono, sendo esta a configuração mais comum e frequente no vocabulário do nosso idioma. Por fim, caso a sílaba pronunciada com maior vigor seja a antepenúltima, a palavra é considerada proparoxítona, carregando a particularidade de que, na escrita, todas as proparoxítonas devem ser obrigatoriamente assinaladas com acento gráfico.
Compreender o acento tônico é essencial também porque a sua mudança de posição pode alterar completamente o significado de um termo e até mesmo a sua classe gramatical. Um exemplo clássico ocorre com as formas "trânsito" e "transito" e "transitó". Na primeira, a tonicidade recai na antepenúltima sílaba, configurando um substantivo; na segunda, a força está na penúltima, resultando na primeira pessoa do presente do indicativo do verbo transitar.