Frases de A hora da estrela - Clarice Lispector



"Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho."


"Ela acreditava em anjo, e porque acreditava, eles existiam."


"Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever."


"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."


"É que "quem sou eu?" provoca necessidade. E como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto."


"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou."


"— Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém, todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha."


"Apaixonei-me subitamente por fatos sem literatura - fatos são pedras duras e agir está me interessando mais do que pensar, de fatos não há como fugir."


"No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada."


"Encontrar-se consigo própria era um bem que ela até então não conhecia."


"Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."


"(A verdade é sempre um contato interior inexplicável. A verdade é irreconhecível. Portanto não existe? Não, para os homens não existe)"


"Vagamente pensava de muito longe e sem palavras o seguinte: já que sou, o jeito é ser." 


"Minha alegria também vem de minha mais profunda tristeza e que tristeza era uma alegria falhada."


"Ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco é um encontro."


"E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado:

— Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?"


"Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar: eu sou, eu sou, eu sou. Quem era, é que não sabia. Fora buscar no próprio profundo e negro âmago de si mesma o sopro de vida que Deus nos dá." 


"Já que ela não era uma pessoa triste, procurou continuar como se nada tivesse perdido. (Ela não sentiu desespero etc. etc.) Também que é que ela podia fazer? Pois ela era crônica. (...) Tristeza era luxo."


"Porque há o direito ao grito.
Então eu grito."

"Mas não sabia enfeitar a realidade. Para ela a realidade era demais para ser acreditada. Aliás a palavra "realidade" não lhe dizia nada. Nem a mim, por Deus."


"É que 'quem sou eu?' provoca necessidade. É como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto."

"E quando acaricio a cabeça de meu cão – sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique."


"Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é a resposta a meu – a meu mistério."


"Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim."


"A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior, e não há uma palavra que a signifique."


"Aliás – descubro eu agora – eu também não faço a menor falta, e até o que escrevo um outro escreveria."


"O fato é que tenho nas minhas mãos um destino e, no entanto, não me sinto com o poder de livremente inventar: sigo uma oculta linha fatal. Sou obrigado a procurar uma verdade que me ultrapassa."

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A hora da estrela: Edição comemorativa

Por: Clarice Lispector

A nordestina Macabéa, a protagonista de A hora da estrela, é uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.

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Frederico Lima

Graduado em Letras (Língua Portuguesa), mestre e Doutor em Letras (Literatura, Teoria e Crítica) pela Universidade Federal da Paraíba. Pesquisador com trabalhos publicados em periódicos científicos, capítulos de livros e congressos acadêmicos. Também é assessor de editoração digital de revistas científicas.

Como citar este artigo:

SILVA, Frederico de Lima. Frases de A hora da estrela - Clarice Lispector. Blog Frederico Lima, Pilar. Disponível em: https://www.fredericolima.com.br/2026/07/frases-a-hora-da-estrela.html. Acesso em: Carregando data...