O que significa Libido para a Psicanálise?

No âmbito da psicanálise, o conceito de libido não está atrelado, fundamentalmente, à atividade genital ou ao impulso biológico de reprodução, e sim à energia quantitativa e qualitativa das pulsões ligadas a tudo o que pode ser abrangido pela palavra amor. Ela é a força motora do aparelho psíquico, o alimento das nossas vinculações afetivas, da criação artística, do trabalho e até mesmo da preservação da própria vida.

A utilização do termo remonta aos primeiros momentos da metapsicologia freudiana, em que o médico vienense buscava explicar o funcionamento das neuroses e as manifestações do inconsciente. Em seus primeiros escritos, Freud percebeu que as afecções psíquicas, como a histeria e a neurose obsessiva, estavam profundamente enraizadas em conflitos de ordem afetivo-sexual. A libido surge, nesse horizonte, como a manifestação dinâmica da pulsão sexual no psiquismo. Diferente do instinto animal, que é rígido e possui um objeto pré-determinado pela biologia para a conservação da espécie, a pulsão humana é flexível, sem rumo fixo e inteiramente moldada pela história singular do indivíduo. A libido é, portanto, a energia dessa pulsão que busca necessidade de satisfação, deslocando-se por diferentes representações mentais.

O desenvolvimento dessa energia no indivíduo não ocorre de forma abrupta na puberdade, como se acreditava no século XIX, mas se inicia nos primeiros momentos da vida infantil. A descoberta da sexualidade infantil por Freud causou um imenso escândalo na sociedade de sua época, justamente porque a cultura ocidental associava a sexualidade exclusivamente à procriação dos adultos. Na teoria psicanalítica, o recém-nascido é compreendido como um ser perverso polimorfo, cuja libido está originalmente dispersa e se satisfaz no próprio corpo por meio de diferentes zonas erógenas. A boca, através da amamentação e do ato de sugar, torna-se a primeira sede dessa satisfação libidinosa na fase oral. Posteriormente, a atenção e a carga energética se deslocam para a região anal e, em seguida, para a fase fálica, onde tem origem as grandes questões sobre a diferença sexual anatômica entre meninos e meninas, e o complexo de Édipo.

O complexo de Édipo representa um marco fundamental na estruturação da libido e na constituição da subjetividade. É nesse momento que a energia pulsional, até então desorganizada e autoerótica, direciona-se massivamente para objetos externos, especificamente as figuras parentais. A forma como o sujeito atravessa as interdições e os desejos edípicos determina a organização final de sua vida afetiva e psíquica. A libido sofre o processo de recalque, sendo em parte reprimida e empurrada para o inconsciente, enquanto outra parcela é canalizada para a aprendizagem, a socialização e a cultura durante o período de latência, reaparecendo com renovada intensidade na puberdade, sob a organização do primado genital.

Entretanto, o conceito de libido passou por revisões profundas ao longo da evolução do pensamento freudiano. Uma das transformações teóricas mais significativas ocorreu com a introdução do conceito de narcisismo. Ao observar fenômenos como a psicose, na qual o indivíduo retira os investimentos afetivos do mundo exterior e se fecha em um delírio grandioso, Freud compreendeu que a libido podia ser endereçada tanto para objetos externos quanto para o próprio ego. Surge assim a distinção entre a libido objetal e a libido narcísica. Na primeira, a energia psíquica é lançada para fora, alimentando os laços amorosos, os projetos e a relação com os outros; na segunda, a energia é direcionada e retida no próprio eu, servindo como base para a autoestima e a preservação do sujeito. Há um vaso comunicante entre essas duas modalidades: quanto mais libido se investe no mundo externo, menos sobra para o ego, e vice-versa, revelando o delicado equilíbrio psíquico necessário para a saúde mental.

Com o avançar de seus estudos e diante das tragédias da Primeira Guerra Mundial, Freud percebeu que a teoria pulsional centrada unicamente na oposição entre pulsões de auto-conservação e pulsões sexuais era insuficiente para explicar a compulsão à repetição e a destrutividade humana. Surge então a última e mais radical reformulação da metapsicologia, na qual o psicanalista contrapõe as pulsões de vida, nomeadas como Eros, às pulsões de morte, chamadas de Thánatos. Nesse novo arranjo conceitual, a libido permanece como a energia vital de Eros, responsável por unir, criar laços, conservar a matéria viva e construir sínteses psíquicas cada vez mais complexas. Por outro lado, a pulsão de morte tende à desintegração, ao desligamento e ao retorno ao estado inorgânico. Na vida psíquica cotidiana, essas duas forças raramente atuam de forma isolada; elas encontram-se constantemente intrincadas, de modo que a libido atua frequentemente moderando, erotizando e retrabalhando a destrutividade inerente à pulsão de morte.

A flexibilidade e a capacidade de deslocamento da libido são as características que permitem a existência do que chamamos de civilização. O processo de sublimação é o exemplo mais bem-sucedido dessa plasticidade. Através da sublimação, a energia libidinal é desviada de seu alvo originalmente sexual e reorientada para fins socialmente valorizados, como a produção artística, a investigação científica e o trabalho intelectual. Sem a capacidade de sublimar a libido, o ser humano permaneceria refém de exigências pulsionais imediatas, inviabilizando a convivência social regida por leis e normas culturais. A cultura, contudo, cobra um preço alto por essa renúncia: ao restringir as vias de satisfação direta da libido, gera um mal-estar estrutural no indivíduo, que precisa constantemente negociar o equilíbrio entre suas necessidades pulsionais internas e as exigências do mundo exterior.

Quando essa negociação falha e os caminhos de descarga da libido são bloqueados por conflitos não resolvidos, o psiquismo recorre a mecanismos de defesa e a vias regressivas. A fixação da libido em etapas anteriores do desenvolvimento infantil faz com que a energia fique retida em pontos de trauma ou de insatisfação do passado. Diante de frustrações no presente, a libido reverte seu fluxo, retoma essas fixações antigas e expressa o conflito latente sob a forma de sintomas neuróticos. O sintoma é, em última análise, um substituto e uma forma empobrecida de satisfação libidinosa conciliada com as exigências da censura psíquica. O indivíduo sofre porque sua energia vital está aprisionada em um labirinto inconsciente de repetições, impedindo-o de amar e trabalhar plenamente.

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No espaço analítico, através da associação livre de ideias por parte do paciente e da escuta flutuante do analista, tem-se o cenário para o surgimento da transferência. A transferência nada mais é do que o redirecionamento da libido do paciente para a figura do psicanalista. O sujeito projeta no terapeuta as cargas afetivas, os desejos, as expectativas e as frustrações que outrora vivenciou com suas figuras parentais. Ao acolher esse investimento libidinoso sem julgamentos morais e sem responder às demandas como o objeto infantil esperava, o analista permite que o paciente torne consciente o que estava recalcado. A análise não visa extinguir a libido, mas sim libertá-la das fixações sintomáticas, permitindo que o sujeito restabeleça o livre fluxo de sua energia psíquica e invente novas formas de desejar e existir no mundo.

Outros autores que sucederam Freud expandiram e modificaram as noções relativas à economia libidinal. Carl Gustav Jung, em um movimento que culminou em sua ruptura com a psicanálise ortodoxa, propôs uma ampliação do conceito, "dessexualizando" a libido e definindo-a como uma energia vital psíquica geral, comparável ao conceito de energia na física. Freud, no entanto, sustentou firmemente a especificidade sexual da libido, argumentando que diluir o termo em uma força vital genérica retiraria da psicanálise a sua maior descoberta: a determinação inconsciente dos conflitos sexuais na gênese do sofrimento humano. Jacques Lacan, por sua vez, releu o conceito à luz da linguística estrutural, articulando a libido com o conceito de desejo e com a falta estrutural do sujeito, mostrando como a energia pulsional circula através do significante e se articula na linguagem.

Referências Bibliográficas

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

FREUD, Sigmund. (1914-1916). Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, vol. 12.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. Tradução de Pedro Tamen. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2022.


Revista Esfera abre chamada de artigos para dossiê especial sobre o legado de Edgar Morin na Comunicação

A Revista Esfera convida pesquisadores e a comunidade acadêmica a enviarem contribuições para a sua edição de número 39, dedicada ao tema "Edgar Morin e a Comunicação". Sob a coedição de Gustavo de Castro, da Universidade de Brasília, e Florence Dravet, da Universidade Católica de Brasília, a publicação busca destacar o papel constitutivo do pensamento moriniano na consolidação dos estudos comunicacionais, indo além de sua consagrada atuação nos campos da complexidade e da transdisciplinaridade. Os autores interessados podem submeter trabalhos como artigos, entrevistas, traduções e ensaios visuais até o dia 30 de abril de 2027, com previsão de publicação do volume para até 31 de agosto de 2027.

O dossiê lança luz sobre a relação histórica e intelectual do pensador com o ecossistema da mídia, desde sua atuação prática no jornalismo e na criação de revistas emblemáticas como a Communications até suas pesquisas pioneiras sobre cinema, cultura de massa e desinformação. O objetivo é demonstrar como o autor antecipou concepções fundamentais sobre ambientes digitais e processos simbólicos, oferecendo uma matriz epistemológica indispensável para interpretar o cenário contemporâneo de incertezas, proliferação informacional e transformações sociais.

As submissões podem abordar diversos eixos temáticos vinculados à obra do sociólogo francês. Entre os tópicos sugeridos pela equipe editorial estão a teoria culturológica, a indústria cultural e as estrelas de cinema, as relações entre estética, imaginário e mídia, o pensamento complexo aplicado aos processos simbólicos e a transdisciplinaridade. Além disso, há espaço para investigações que cruzem a ecologia da ação com a comunicação ambiental, reflexões sobre cultura digital, ética, cidadania planetária, educação e humanismo, bem como estudos focados na sociologia do presente ou em outros aspectos correlatos ao vasto acervo conceitual deixado por Edgar Morin.


Revista Metamorfoses abre chamada de artigos em homenagem a António Lobo Antunes

A revista Metamorfoses anunciou a abertura de submissões para a sua edição número 23.2, dedicada integralmente a celebrar a trajetória e o legado de António Lobo Antunes. Considerado uma figura incontornável da literatura portuguesa contemporânea, o escritor destacou-se por uma produção densa com mais de quatro décadas de extensão, marcada pelo ousado refinamento estético, pelo uso visceral do lirismo combinado à acidez e pela construção de narrativas polifônicas complexas.

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O número especial convida pesquisadores a enviarem trabalhos que analisem a rica fortuna crítica do autor, cuja obra segue inspirando estudos acadêmicos no Brasil, em Portugal e em diversos países onde foi traduzido. A organização do volume está a cargo das professoras Ângela Beatriz de Carvalho Faria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Claudia Maria Amorim, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Os interessados em contribuir para esta homenagem acadêmica devem submeter seus artigos até o dia 15 de setembro de 2026. A previsão de publicação da edição é para janeiro de 2027.


O que significa Fonte (Quelle) para a Psicanálise?

Quelle é um termo traduzido para o português como fonte, que é a ancoragem da mente na carne, a origem orgânica a partir da qual o psiquismo constrói sua esteira de desejos, sintomas, angústias e produções fantasmáticas.

Do ponto de vista metapsicológico, a fonte da pulsão é definida por Freud como aquele processo somático que ocorre em um órgão ou parte do corpo, cujo estímulo é representado na vida psíquica pela própria pulsão. Trata-se de um evento estritamente corporal, um estado de excitação ou de tensão física que localiza o ponto de partida do movimento pulsional. É essencial sublinhar que, embora a fonte seja de natureza física e corporal, a ciência psicanalítica não se ocupa da investigação direta dos processos anátomo-fisiológicos em si mesmos, uma vez que tais fenômenos cabem aos domínios da biologia e da medicina. À psicanálise interessa o modo como essa fonte somática ganha inscrição no psiquismo, convertendo-se em uma representação psíquica ou em um afeto que impulsiona o sujeito em direção ao mundo e às suas relações interpessoais.

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A noção de Quelle revela a concepção freudiana de que o aparelho mental não funciona no vácuo, mas sob o império de uma exigência de trabalho imposta pelo corpo. O psiquismo é, em última análise, um aparelho de processamento de energia que se vê constantemente desafiado a metabolizar os estímulos que chegam do mundo externo e, fundamentalmente, as excitações contínuas que emergem do interior do próprio organismo. Diferente de um estímulo sensorial externo, do qual o indivíduo pode esquivar-se por meio de um movimento de fuga física, as excitações oriundas da fonte somática são inelimináveis por vias motoras simples. Por estarem enraizadas na própria carne do sujeito, tais excitações exercem uma pressão constante que obriga a mente a construir caminhos complexos de descarga, mediação e representação simbólica.

O bebê humano nasce em um estado de prematuração biológica e de desamparo radical, no qual as suas necessidades vitais mais elementares precisam ser atendidas por um agente cuidador externo. Quando a criança satisfaz sua fome por meio da amamentação, ocorre a apaziguamento de uma necessidade estritamente fisiológica. No entanto, juntamente com o alimento que nutre o estômago, a mucosa dos lábios e da cavidade oral vivencia uma experiência de prazer estésico que ultrapassa a mera necessidade de sobrevivência. É nesse momento inaugural que a zona erógena oral ganha o status de fonte pulsional.

A partir dessa vivência primordial, a mucosa oral passa a funcionar como um ponto de autoerotismo, onde a excitação corporal busca a repetição do prazer originalmente obtido. O corpo infantil se fragmenta em diversas zonas erógenas, cada qual atuando como uma fonte autônoma de pulsão parcial. A pele, a zona anal, os órgãos genitais e o aparelho da visão constituem regiões do corpo com alta sensibilidade fisiológica que se convertem em fontes de excitação pulsional. Cada uma dessas fontes somáticas impõe à mente a tarefa de gerir essa carga energética, produzindo fantasias inconscientes, jogos infantis e estratégias de busca pelo objeto capaz de proporcionar o apaziguamento temporário da tensão acumulada.

A relação entre a fonte e as chamadas zonas erógenas demonstra com clareza a maleabilidade da sexualidade humana tal como teorizada pela psicanálise. Enquanto no reino animal a sexualidade se encontra rigidamente atrelada a períodos de cio e a órgãos específicos voltados unicamente à reprodução da espécie, na experiência humana qualquer parte do corpo ou qualquer superfície epitelial pode assumir a função de uma zona erógena e, consequentemente, servir de fonte para o investimento pulsional. A pele que recebe o toque, o olho que contempla ou é contemplado, o ouvido que escuta certas tonalidades e a musculatura que se contrai podem erguer-se como pontos de efervescência somática que exigem tradução psíquica.

Nesse contexto, vale destacar como a clínica psicanalítica lida cotidianamente com os desdobramentos e as vicissitudes decorrentes das alterações no funcionamento da fonte pulsional. Em quadros clínicos como as neuroses de transferência, a conversão histérica oferece uma demonstração exemplar do papel da fonte somática na dinâmica dos sintomas. Na histeria, um conflito psíquico inconsciente, ao não encontrar caminhos adequados de verbalização e elaboração simbólica, sofre um processo de conversão para o corpo. Um braço que se paralisar, uma sensação de anestesia na pele ou uma dor crônica sem respaldo orgânico revelam como uma parte do corpo é reerguida como fonte de um investimento pulsional desmedido, onde a carne fala aquilo que a palavra não pôde articular.

Outro campo de observação teórica e clínica fundamental para pensar a Quelle reside no vasto domínio dos fenômenos psicossomáticos e das chamadas neuroses atuais. Nesses cenários, a fonte somática parece operar sob uma dinâmica em que a mediação psíquica se encontra empobrecida ou curto-circuitada. Em vez de a tensão somática ser convertida em representações mentais, fantasias e afetos elaboráveis, a excitação acumulada descarrega-se diretamente no corpo sob a forma de angústia somatizada, disfunções orgânicas ou lesões teciduais. Nesses casos, o trabalho psicanalítico busca justamente restaurar a capacidade do sujeito de dar um destino psíquico a essa fonte energética contínua, transformando a descarga somática bruta em palavra e representação.

À medida que a teoria freudiana avançou e atingiu a sua maturidade com a formulação da segunda tópica do aparelho psíquico e com a grande virada teórica da pulsão de morte, a compreensão sobre a fonte da pulsão também ganhou novas e dramáticas dimensões. Ao postular a dualidade entre as pulsões de vida e as pulsões de morte, a metapsicologia passou a reconhecer que a fonte somática não envia apenas estímulos voltados à construção de ligações, à expansão da vida e à busca de prazer. Existe também no interior da matéria viva uma tendência silenciosa e restauradora que visa reduzir a tensão a um nível zero, retornando o organismo ao estado inorgânico ancestral. A fonte da pulsão de morte reside no âmago da própria biologia celular, manifestando-se psiquicamente na compulsão à repetição, no masoquismo primário e nas forças destrutivas que desfazem os laços simbólicos.

É de suma importância compreender que a fonte somática, apesar de ser a origem biológica e a condição de possibilidade da pulsão, permanece para o analista e para o analisando como uma dimensão que só se torna acessível por meio de seus derivados psíquicos. Nós não apreendemos a fonte em seu estado puro de excitação tecidual dentro da sala de análise, mas sim através do Representanz, isto é, da representação-palavra, da representação-coisa e das tonalidades afetivas que a ela se acoplam. A clínica psicanalítica é uma clínica da escuta e da linguagem, o que significa que o trabalho analítico opera sobre as representações psíquicas que a fonte somática convoca na vida do sujeito.

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A transformação da excitação oriunda da fonte em linguagem e simbolização constitui o centro do processo de subjetivação. Quando o sujeito fala sobre os seus desejos, seus medos, seus sintomas corporais e suas memórias mais arcaicas, ele está engajado em um esforço contínuo de dar forma e sentido àquilo que emerge do fundo de sua carne como exigência somática. A travessia de uma análise permite que o indivíduo reorganize a sua relação com as suas fontes pulsionais, libertando-se de fixações arcaicas e encontrando novos destinos sublimatórios para a energia que habita a sua existência. A sublimação representa justamente uma das vicissitudes pulsionais mais elevadas, na qual a energia derivada de uma fonte somática é redirecionada para finalidades não sexuais e socialmente valorizadas, como a criação artística, a investigação intelectual e o trabalho cultural.

Portanto, o conceito de fonte reafirma a profunda unidade psicossomática que caracteriza a existência humana sob a ótica da psicanálise. O ser humano não é uma mente abstrata aprisionada em um corpo mecânico, tampouco é um simples conjunto de reações bioquímicas sem dimensão subjetiva. Ele é um ser atravessado pela pulsão, um sujeito cujo psiquismo é continuamente forjado na tentativa de responder à urgência vital que brota do corpo. A Quelle é o lembrete psicanalítico permanente de que toda a riqueza da nossa vida mental, desde as nossas paixões mais avassaladoras até as nossas mais elevadas produções do espírito, guarda uma dívida impagável com a pulsação da nossa matéria orgânica.

Referências Bibliográficas

FREUD, Sigmund. As pulsões e seus destinos. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2013.

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Tradução de Paulo César de Souza. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Introdução à metapsicologia freudiana 3: Artigos de metapsicologia (1914-1917): narcisismo, pulsão, recalque, inconsciente. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1995.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. Tradução de Pedro Tamen. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2022.


O que achei do filme Rosebush Pruning (2026)?

O que achei do filme Rosebush Pruning (2026)?

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Cartaz do filme Rosebush Pruning (2026)

Dirigido por Karim Aïnouz e livremente inspirado no clássico De Punhos nos Bolsos (1965, de Marco Bellocchio), Rosebush Pruning (2026) oscila entre o trágico e a comédia, servindo, desde os primeiros momentos, como uma representação provocativa do colapso moral das elites. O cenário principal do longa é uma luxuosa mansão meio que enclausurada sob o sol espanhol, onde somos apresentados as disfunções, que partem do coletivo para o individual, de uma família rica, cuja dinâmica é repleta de contornos absurdos, eróticos e grotescos.

Com roteiro assinado por Efthimis Filippou (O Lagosta), o longa reúne um elenco de peso - Callum Turner, Elle Fanning, Jamie Bell, Riley Keough, Pamela Anderson e Tracy Letts -, mas, francamente, nenhum deles conseguiu se destacar ao ponto de merecer elogios pela atuação, nem mesmo Callum Turner, cujo personagem é responsável pela voz narrativa que conduz o longa. 

Gostei bastante do modo como a narrativa é conduzida e organizada, pois, em vez de adotar o cinismo frio tão comum às sátiras contemporâneas sobre ultrarricos, Aïnouz aposta num tom mais profundo, estético, psicodélico e em algo que eu chamaria de erotismo tátil, isso porque a câmera busca, inúmeras vezes, a pele, o suor, os olhos, e a respiração dos personagens, criando um choque visual constante entre a beleza das locações, que são um destaque à parte, e a total decadência ética e afetiva dos indivíduos.

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As interações familiares sob a escrita de Filippou é impressionante, sobretudo porque mesmo que haja uma autodestruição desinibida, sustentada por uma violência psicológica imprevisível, ainda sim o roteiro deixa um pouco de esperança que algo sobreviva dali.

Embora eu entenda que esta seja uma característica premeditada, fiquei um pouco incomodado com o fato do filme, por vezes, flertar com certo esvaziamento discursivo, talvez para servir como reflexo da futilidade explícita que alimenta cada um dos personagens, mas, particularmente, afasta em certa medida a capacidade de aproximação com alguém. 

Também achei que a crítica ao isolamento e ao esgotamento da burguesia nem sempre alcança a radicalidade ou a novidade pretendidas, fazendo com que a obra funcionasse melhor pela anarquia autodestruitiva individual do que pela pela profundidade de sua tese. 

Rosebush Pruning é um filme que vale a pena pela experiência sensorial e hipnótica e a provocação social, que casou bem o cenário de futilidades, os aspectos grotescos, as peculiaridades e a reviravolta nos momentos finais, a qual, embora eu não considere brilhante, serve ao propósito de dar um fechamento plausível diante de todo o itinerário decadente dos afetos.

Rosebush Pruning (2026) Minha Avaliação
3.5 / 5.0


Revista Brasil/Brazil abre chamada para artigos sobre os diálogos literários entre Brasil e Portugal

A Revista Brasil/Brazil anunciou a abertura de submissões de artigos acadêmicos para a sua edição de número 82, dedicada ao tema "Diálogos Literários Brasil-Portugal". Organizado pelas pesquisadoras Maria Aparecida Ribeiro, da Universidade de Coimbra, e Maria da Glória Bordini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o volume tem como foco o intercâmbio permanente entre as produções literárias das duas nações a partir do século XIX, estendendo as reflexões até a atualidade com a inclusão das nações africanas de língua portuguesa.

O dossiê busca reunir trabalhos acadêmicos que explorem a riqueza dessas trocas culturais e intelectuais. Serão aceitos estudos focados em correspondências pessoais, memórias, influências estéticas mútuas, apropriações temáticas, construção de personagens, historiografia literária e análises críticas sobre autores e autoras desses territórios do universo lusófono.

Os pesquisadores interessados em contribuir têm até o dia 1º de dezembro de 2026 para enviar seus textos exclusivamente pela plataforma online do periódico. Todos os trabalhos submetidos passarão por avaliação do Conselho Editorial por meio do sistema de revisão cega por pares, garantindo o rigor e o anonimato na seleção dos textos.

Mais informações: https://seer.ufrgs.br/index.php/brasilbrazil/announcement/view/2143

O editor deste blog sugere a leitura dos livros:

CASTRO, Andreia; CRUZ, Eduardo; VASCONCELOS; Viviane. Literaturas brasileira e portuguesa: Movimentos. 1. ed. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2023.

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OLIVEIRA, Clenir Bellezi de. 360° Literatura - Vol. Único: Arte Literária Luso-brasileira - Conjunto. 1. ed. São Paulo: FTD Educação, 2015.

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SANTOS, Gilda; OLIVEIRA, Paulo Motta. Genuína fazendeira: Os frutíferos 100 anos de Cleonice Berardinelli. 1. ed. Humaitá-RJ: Bazar do Tempo, 2016.

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Comprando pelos links acima, o editor recebe uma pequena comissão pela indicação, ou seja, você ajuda o blog a permanecer no ar sem pagar nada a mais por isso. Obrigado pelo apoio!


O que significa Pulsão (Trieb, Drive) para a Psicanálise?

Pulsão (Trieb) é um conceito que Sigmund Freud construiu para suprir uma necessidade fundamental da sua interpretação da mente: articular o somático e o psíquico, o corpo biológico e a mente representacional. Já nesse ponto é importante pontuar que pulsão não se confunde com o aquilo que entendemos como instinto (Instinkt), tampouco se reduz a uma reação fisiológica. Ela é uma força constante, uma exigência de trabalho imposta ao psiquismo em razão de sua ligação com o corpo orgânico.

Na língua alemã, Freud dispunha de ambas as palavras e fez um uso rigoroso de suas distinções. O instinto pertence ao domínio da biologia tradicional, referindo-se a comportamentos hereditários, pré-fixados e adaptativos que garantem a sobrevivência da espécie. O animal, diante de uma necessidade orgânica, responde com um padrão reflexo e estereotipado, voltado para um objeto específico na natureza. A pulsão humana, por outro lado, carece dessa pré-determinação biológica. Ela é moldável e profundamente pervertida pela linguagem e pela cultura. Ou seja, o ser humano não se satisfaz apenas como o animal se alimenta ou se reproduz; a satisfação humana passa pelo crivo do sentido, do símbolo e da fantasia. A pulsão é o resultado do descarrilamento dos instintos naturais provocado pela entrada do sujeito no universo do discurso.

Freud formalizou a estrutura do conceito ao decompor a pulsão em quatro elementos constituintes fundamentais, que funcionam em perfeita engrenagem. O primeiro deles é a fonte, conhecida como Quelle. A fonte é o processo somático que ocorre em um órgão ou parte do corpo, do qual emana o estímulo inicial. Esse local do corpo é chamado de zona erógena, uma região cutânea ou mucosa particularmente sensível às trocas com o ambiente e com o outro carente de cuidado, como a boca, o ânus ou os órgãos genitais. Contudo, é vital sublinhar que qualquer pedaço do corpo pode se tornar uma zona erógena, desde que seja erotizado pelas experiências primárias de cuidado e afeto. A fonte é, em suma, o ancoradouro corporal de onde a força psíquica retira a sua energia originária.

O segundo elemento constitutivo é a pressão, denominada Drang. A pressão é o fator motor da pulsão, a quantidade de força ou a medida de exigência de trabalho que ela representa para a mente. Trata-se de uma força constante e ininterrupta. Diferente de um estímulo externo, do qual o indivíduo pode fugir escondendo-se ou fechando os olhos, não há como escapar da pressão pulsional, pois ela surge do próprio interior do organismo. Essa constância gera um estado de tensão contínuo no psiquismo, que busca incessantemente formas de descarga para retornar a um nível de energia aceitável. A pressão é a pura manifestação da energia psíquica em movimento, o impulso incansável que força o sujeito a agir, pensar, fantasiar e criar sintomas.

O terceiro pilar é o objetivo, o Ziel. O objetivo final de qualquer pulsão é sempre a atração da satisfação, alcançada por meio da redução do estado de excitação e tensão na fonte corporificada. No entanto, o caminho para atingir essa satisfação raramente é direto ou simples. Freud demonstrou que a pulsão pode ter o seu objetivo inibido, desviado ou modificado ao longo da vida do indivíduo. A satisfação pulsional pode ser obtida por caminhos parciais, substitutivos e sublimados. O que a psicanálise ensina é que a satisfação plena e definitiva é uma ilusão estrutural, de modo que o objetivo pulsional se realiza muitas vezes no próprio percurso, no próprio movimento de buscar, e não na posse definitiva de uma meta terminativa.

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O quarto e mais fascinante elemento é o objeto, denominado Objekt. O objeto é aquilo através do qual, ou mediante o qual, a pulsão pode atingir seu objetivo de satisfação. Se há um ponto em que a pulsão se distancia radicalmente do instinto é justamente na natureza do objeto. Enquanto o instinto possui um objeto fixo e natural determinado pela biologia, o objeto da pulsão é infinitamente variável, contingente e substituível. O objeto da pulsão não está originalmente ligado a ela; ele é apenas o elemento mais plástico e ajustável da equação. Uma pessoa pode satisfazer uma mesma pulsão através de objetos reais, imaginários, artísticos, profissionais ou sintomáticos. O objeto pode ser uma pessoa externa, uma parte do próprio corpo ou uma construção abstrata da mente. Ele vale não por sua realidade física, mas por seu valor de investimento afetivo e fantasmático para o sujeito.

Ao longo de sua investigação clínica, Freud reformulou o seu modelo teórico das pulsões em momentos vitais de sua obra, dividindo essa evolução em duas grandes fases. A primeira dualidade pulsional contrapunha as pulsões de auto-conservação, ou pulsões do eu, às pulsões sexuais. As pulsões de auto-conservação visavam a manutenção da vida orgânica do indivíduo, como a fome e a sede, operando sob a lógica das necessidades biológicas básicas. Já as pulsões sexuais eram orientadas pela busca do prazer organicamente desvinculado da sobrevivência estrita, manifestando-se desde a mais tenra infância de forma polimorfa e fragmentada. Nesses primeiros textos, a sexualidade psicanalítica ampliava-se para além da genitalidade, cobrindo todo o campo do prazer corporal e da busca de sentido afetivo.

Contudo, a observação dos traumas provocados pela Primeira Guerra Mundial, aliada à análise de fenômenos clínicos como a repetição compulsiva de experiências dolorosas e o masoquismo, levou Freud a revisar radicalmente a sua metapsicologia no ano de 1920. Surge então a segunda dualidade pulsional, constituída pelo célebre embate entre pulsão de vida, conhecida como Eros, e pulsão de morte, denominada Thanatos. A pulsão de vida reúne sob o seu manto as antigas pulsões sexuais e de auto-conservação, tendo como função primordial a ligação, a união, a criação de unidades cada vez maiores e a preservação da complexidade das redes psíquicas e sociais. Eros é a força criativa, o amor, a produção artística e a construção do laço interpessoal.

Em contrapartida, a pulsão de morte surge como uma força silenciosa, porém inexorável, que opera no sentido oposto ao de Eros. O objetivo da pulsão de morte é desfazer as ligações, decompor as estruturas complexas, reduzir a tensão psíquica a zero e retornar o organismo a um estado inorgânico primordial. Ela se manifesta clinicamente na destrutividade, na agressividade voltada para fora, na auto-sabotagem, na reação terapêutica negativa e na compulsão à repetição de situações sofríveis. Longe de ser um mero desejo de morrer no sentido biológico, a pulsão de morte revela uma tendência fundamental da matéria viva de resistir às transformações e ao trabalho exigido pela vida, buscando um descanso absoluto que só a ausência de tensão pode oferecer.

Na psicanálise lacaniana, o conceito de pulsão ganha contornos ainda mais apurados a partir da articulação com a teoria da linguagem e com o campo do desejo. Jacques Lacan enfatizou que a pulsão não deve ser entendida como uma força biológica subjacente, mas como uma montagem cultural e linguística. Para Lacan, a pulsão gira em torno de um vazio central, um furo na estrutura do sujeito que não pode ser preenchido por nenhum objeto real. A pulsão realiza um circuito em volta do objeto causa de desejo, contornando-o sem jamais devorá-lo por completo. É esse movimento de contorno que produz o gozo, uma forma de satisfação paradoxal que muitas vezes ultrapassa os limites do prazer e se roça com o sofrimento e o excesso.

A clínica psicanalítica é, em essência, o espaço onde o sujeito é convidado a escutar as demandas de sua própria pulsão e as formas como o seu inconsciente se organizou para responder a elas. O sintoma neurótico, por exemplo, nada mais é do que uma formação de compromisso, um arranjo defensivo através do qual uma pulsão reprimida encontra uma satisfação substitutiva e disfarçada, ainda que ao preço de grande sofrimento psíquico. Quando o sujeito reprime um impulso pulsional por considerá-lo incompatível com os seus valores morais ou com as exigências da civilização, a energia pulsional não desaparece; ela se desvia para o subterrâneo do psiquismo e retorna sob a forma de angústia, obsessões, inibições ou dores somáticas sem causa orgânica.

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Nesse contexto, um dos destinos mais nobres e criativos que a pulsão pode ter é a sublimação. A sublimação ocorre quando a energia de uma pulsão sexual ou agressiva é desviada do seu objetivo original de satisfação direta e redirecionada para metas socialmente valorizadas, como a criação artística, a investigação científica, o trabalho intelectual ou a ação comunitária. Através da sublimação, a força pulsional que poderia se descarregar de maneira destrutiva ou sintomática transforma-se em cultura e civilização. O artista que pinta uma tela, o cirurgião que opera um corpo ou o escritor que elabora uma narrativa estão, em última análise, emprestando a sua força motor à pulsão devidamente sublimada.

A relação entre a pulsão e o sofrimento da civilização foi amplamente examinada por Freud em seus escritos socioculturais. Viver em sociedade exige que o ser humano renuncie a uma parcela considerável de suas exigências pulsionais, especialmente no que diz respeito à agressividade e à satisfação sexual desmedida. Em troca de segurança e de proteção comunitária, o sujeito aceita restringir a sua liberdade pulsional. No entanto, essa renúncia não se faz sem um alto custo psíquico. O excesso de exigência repressiva por parte da cultura resulta em um sentimento difuso de culpa e em um mal-estar estrutural, pois a pulsão represada acaba se voltando contra o próprio eu por meio da instância punitiva da consciência moral.

A psicanálise contemporânea continua a debater o papel da pulsão nas novas formas de subjetivação e no sofrimento psíquico do século vinte e um. As transformações nas famílias, a aceleração do tempo, a mediatização do corpo e o consumo desenfreado oferecem novos objetos e novos circuitos para a descarga pulsional. Muitas das patologias atuais, como a compulsão alimentar, as adições em substâncias ou em tecnologias, a hiperatividade e as crises de pânico, revelam um desarranjo na capacidade do psiquismo de articular e ligar a energia da pulsão através da palavra e da metáfora. O corpo do sujeito contemporâneo torna-se, com frequência, o palco direto de descargas pulsionais não simbolizadas.

Referências Bibliográficas

FREUD, Sigmund. As pulsões e seus destinos. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2013.

FREUD, Sigmund. Além do princípio de prazer. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2020.

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Acaso e repetição em psicanálise: uma introdução à teoria das pulsões. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2017.

LACAN, Jacques. O Seminário, Livro 11: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.

LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psicanálise. Tradução de Pedro Tamen. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2022.

NASIO, Juan-David. Lições sobre os 7 conceitos cruciais da psicanálise. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989.