16/09/2026

Como se dá a acentuação das paroxítonas terminadas em ditongos na Língua Portuguesa?

Em nossa língua, as palavras paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a penúltima sílaba e representam a grande maioria dos vocabulários. Por serem o padrão natural e dominante do idioma, a regra geral dita que as paroxítonas não devem receber acento gráfico. No entanto, o sistema ortográfico estabelece exceções para assinalar a tonicidade quando essas palavras terminam em terminações específicas que poderiam induzir a erros de leitura/interpretação. Entre essas exceções, uma das que mais gera dúvidas e debates entre estudantes e estudiosos é a regra relacionada às paroxítonas terminadas em ditongos.

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Para entender essa norma mais facilmente, lembremo-nos do conceito de ditongo. Trata-se do encontro de dois sons vocálicos emitidos em uma mesma sílaba, formado pela união de uma vogal com uma semivogal, ou vice-versa. Quando a semivogal antecede a vogal, ocorre um ditongo crescente, pois o som passa do ponto de menor intensidade para o de maior intensidade. Quando a vogal precede a semivogal, forma-se um ditongo decrescente, no qual o som declina em intensidade. O sistema ortográfico da Língua Portuguesa determina que todas as palavras paroxítonas cuja terminação seja um ditongo oral, seja ele crescente ou decrescente, seguido ou não de s, devem obrigatoriamente receber acento gráfico na sua vogal tônica.

Ao analisarmos os casos de ditongos crescentes finais, vemos vocábulos de uso diário que ilustram a incidência dessa regra. A palavra água, por exemplo, possui a penúltima sílaba como a mais forte e encerra-se no encontro entre a semivogal u e a vogal a. Por esse motivo, o a inicial recebe o acento agudo. O mesmo fenômeno ocorre em termos como história, ciência, colégio, régua e família. Em cada um desses exemplos, a terminação em ditongo crescente exige a marcação do acento gráfico para sinalizar a tonicidade da penúltima sílaba, garantindo a correta pronúncia do termo no discurso falado.

O mesmo raciocínio se aplica às paroxítonas terminadas em ditongos decrescentes. Vocábulos como jóquei, vôlei, pônei e fáceis possuem a sílaba tônica na penúltima posição e terminam no encontro de uma vogal com uma semivogal. A presença do ditongo ao final da palavra justifica a acentuação gráfica na vogal tônica, impedindo que a palavra seja lida como oxítona. Vale destacar que a regra abrange tanto os ditongos orais abertos quanto os fechados, bem como as formas no singular e no plural, já que a adição da letra s ao final da palavra não altera a aplicação da norma ortográfica.

Existe, contudo, um ponto de suma importância no estudo gramatical que diz respeito à dupla interpretação fonética das paroxítonas terminadas em ditongos crescentes. Sob a ótica de diversos linguistas e de importantes gramáticos modernos, palavras como glória, farmácia e série podem ser interpretadas de duas maneiras distintas a depender da emissão da voz. Se emitidas em duas sílabas finais separadas, a semivogal e a vogal que fecham o vocábulo podem se separar, transformando o ditongo em um hiato. Quando essa separação ocorre, a palavra deixa de ser classificada como paroxítona e passa a ser considerada uma proparoxítona aparente, eventual ou relativa. O Acordo Ortográfico vigente reconhece essa particularidade fonética, mas a consequência prática para a escrita permanece inalterada: seja a palavra classificada como paroxítona terminada em ditongo ou como proparoxítona aparente, a presença do acento gráfico é rigorosamente obrigatória.

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Além disso, é relevante atentar para as alterações trazidas pela última reforma ortográfica no que tange aos ditongos abertos. Anteriormente, os ditongos abertos ei e oi presentes na sílaba tônica das palavras paroxítonas eram acentuados, como ocorria em idéia e heróico. Com a consolidação do Acordo Ortográfico, esses ditongos abertos perderam o acento gráfico quando situados em palavras paroxítonas. É importante não confundir essa alteração com a regra da terminação em ditongo. Palavras como assembleia e jiboia não levam acento porque o ditongo aberto está no corpo da sílaba tônica de uma paroxítona, e não no final do vocábulo como terminação. Já palavras como amável ou órgão continuam acentuadas por razões ligadas às suas respectivas terminações.


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Frederico Lima é graduado em Letras (Licenciatura Plena em Língua Portuguesa), mestre e doutor em Letras (Literatura, Teoria e Crítica) pela UFPB. Também possui formação em Psicanálise e especializações em Teoria Psicanalítica, Literatura Brasileira, e Literatura Contemporânea.

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