Chamada periódico na área de Letras - revista FronteiraZ - Dossiê temático Infância. Infantil. Literatura: mediações

 

Dossiê temático Infância. Infantil. Literatura: mediações

Neste número da Revista FronteiraZ a infância não corresponde a uma delimitação etária que se confunde muitas vezes com a criança, mas a uma faculdade que não cessa de habitar cada um de nós enquanto enigma intermitente que resiste à decifração. Em que língua seria possível contar essa experiência enigmática que opera, segundo Rosana Kohl Bines (2022), no silêncio e nas elipses, minando por dentro a frase articulada? Como escrever a voz infantil, seus ecos, vestígios, restos?

Infância, segundo Giorgio Agamben (2008), não pode ser algo que precede cronologicamente a linguagem e que deixa de existir uma vez versada na palavra. Uma expropriação do sujeito da modernidade produz o homem como sujeito da modernidade em paralelo ao fim da arte de contar - esta é a transição de tempos velhos para os tempos modernos.

Uma vez dado um lugar à experiência, volta-se para a palavra na dupla unidade língua e fala, essa é a regra: limite e estrutura do conhecimento. Portanto, fora da perspectiva da experiência da linguagem, não se pode entender a articulação voz e linguagem no discurso, visto que é por meio da mediação que nos identificamos com a infância constituída numa unidade comum: palavra mais in-fância.

É nesse vão, entre língua inarticulada e discurso, lugar onde emerge a infância agindo sobre o sujeito, é que nasce o infantil, como um modo de conhecer as duas dimensões do tempo diacrônico e sincrônico, duas linguagens cindidas: a língua e a fala que se transferem à poética sincrônica da Literatura de Infância, querendo dizer e significar. Esse corpo de linguagem vive a infância em permanente retorno à porta da linguagem; quer ser tempo no lugar lógico da Infância, em permanente retorno, a transformar a certeza sensível em processo dialético, que não é nem totalidade nem verdade (Gagnebin, 1979).

Qual e o que é o literário infantil? No literário infantil, imagens revelam-se reinventadas, uma vez liberto de métodos presentes na linguagem fabular. Ao se identificar com o infantil, com o sentido de species como gênero, a voz mostra-se a si mesma e expõe o modo como deve ser pensada e significada como um discurso originário; é a voz que quer captar o mito que permite abrir o significado ao ser sem mais atender à mimese do passado, ao colocar o dado originário na experiência muda, na Voz. São esses os signos da infância expressos pela via dos processos de crescimento e desenvolvimento dos signos poéticos manifestos no literário, mediação que leva pesquisadores a perguntar: qual é a fenomenologia da linguagem poética? Quais são as estratégias da palavra ser em ato de fala, sua instância discursiva? Qual é o lugar da maravilha que esse evento é? Como criar zonas de passagem e mediações entre infância, infantil e escrita?

Esperamos receber contribuições que articulem de maneira sensível e inventiva a Infância, o Infantil e a Literatura, ampliando a compreensão desses significantes contemporâneos. Nesse sentido, acolheremos propostas que abordem temáticas, a saber:

- Infância, linguagem e imaginação;

- Poéticas de pensamento com a infância;

- Reinvenções do infantil na experiência literária;

- Dimensões lúdicas e imaginativas com a infância;

- Políticas da infância e da imaginação infantil;

- Imagens da infância nas mediações: leitura, literatura e artes.


Data limite para submissão de artigos: 10/03/2026

Página da chamada: https://revistas.pucsp.br/index.php/fronteiraz/announcement/view/782

Chamada periódico na área de Letras - Revista de Literatura, História e Memória - v. 22, n. 39, 2026


A Revista de Literatura, História e Memória, ISSN 1983-1498, Qualis B1, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), de periodicidade semestral, está com chamada aberta para o recebimento de artigos originais e inéditos para integralizarem sua o dossiê temático da próxima edição (v. 22, n. 39, 2026).

Dossiê: Literatura e história: aproximações e distanciamentos
         
A representação da história pela ficção se estabelece em muitos níveis como um resgate do passado e um diálogo entre arte e sociedade. Essa relação evidencia uma compreensão teórica que envolve limites, aproximações e distanciamentos, tanto no que se refere à contribuição possível que a literatura, em suas formas ficcionais e poéticas, traz para o conhecimento e a compreensão da história, quanto à contribuição da história para o desenvolvimento da arte.

Entendendo as fronteiras e as margens como marcos naturais entre os campos do conhecimento, na relação entre literatura e história elas são sobretudo simbólicas pela capacidade do literário de refigurar o real, criando um jogo de representações que atua na construção de um objeto híbrido ora aproximando ora distanciando a visão sobre os acontecimentos e o discurso sobre eles (Pesavento, 2001).

A literatura como “parte inseparável da cultura não pode ser entendida fora do contexto pleno de toda a cultura de uma época” (Bakhtin, 2003, p. 360). Essa compreensão não pode se restringir apenas em relação ao presente ou o passado recente, mas precisa alcançar em perspectiva sincrônica outros momentos da história. Vista por esse prisma, a literatura se torna uma fonte relevante que, ao tomar a história como tema da representação literária, presentifica um modo de viver e compreender a sociedade em determinado momento de sua história, estabelecendo o registro de acontecimentos e da transformação das sociedades.

Da mesma forma que os estudos da literatura não podem prescindir da contribuição direta das ciências sociais, também a história pode encontrar na literatura perspectiva analítica enriquecedora para sua reflexão sobre a experiência humana (Sevcenko, 2003). O horizonte analítico que se abre alcança historiadores como Michel de Certeau (2022, p. 68) em sua afirmação sobre a ação do historiador de que ele “pode transformar em cultura os elementos que extrai de campos naturais [...] ele procede a um deslocamento da articulação natureza/cultura” ou, em outra perspectiva, a compreensão da história como narrativa adotada por Hayden White, em Trópicos do Discurso, que a toma como um “artefato verbal”.

As contribuições desses teóricos, dentre outros e em medidas próprias, evidenciam a justeza dos estudos literários apoiados na sua relação com a história. Nesse sentido, a proposta para este dossiê é reunir estudos que sinalizem em que medida se pode sentir a presença da história na ficção, como mapa sincrônico e/ou geográfico de um determinado momento ou de um grupo sociocultural. A preferência delimitada alcança sobretudo a história e o romance brasileiro, mas pode abranger com naturalidade a poesia e ser estendido ao continente latino-americano.


Referências

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal, 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

DE CERTEAU, Michel. A escrita da história. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2022.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Fronteiras do milênio. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS. 2001.

SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão: tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Brasiliense, 2003, 2 ed.

WHITE, Hayden. Trópicos do discurso. Ensaios sobre a crítica da cultura. São Paulo, Edusp, 1994.

 
Organização: José Carlos da Costa (Unioeste) e André Luiz Leme (Unioeste)

Submissões: até 28 de fevereiro de 2026.

Chamada periódico na área de Letras - revista Terceira Margem - 2026-3


Dossiê de 2026-3: Crítica e forma: métodos, práticas e controvérsias.

Forma é uma categoria tão controversa quanto incontornável na história dos estudos literários. Com seu inegável olor platônico, “forma” é um termo cujo sentido, na apta observação de Angela Leighton (2007, p. 1-2), parece ser a um só tempo autoevidente e instável. Toma-se “forma” como sinônimo de “beleza”, “harmonia”, “proporção”, “ordem”, “padrão”, “estilo”, “gênero literário” ou mesmo “simetria”, como sabem aqueles que, fora de forma, contemplam sua silhueta diante do espelho. Elusiva e evanescente, a categoria forma se converte em pressuposto disciplinar dos estudos literários a partir dos anos 1920, com sua inflexão rumo à crítica e à teorização do literário (Graff, 2007, p. 121-144). Dos formalistas russos aos desconstrucionistas franco-americanos, dos New Critics aos frankfurtianos, dos estruturalistas aos hermeneutas, correlaciona-se, ou correlacionava-se, a especificidade do literário ao meio verbal. Nessas diferentes vertentes, o ímpeto de captar aquilo que é próprio da literatura se cristalizou em conceitos que, em conjunto, constituem o repertório da teoria literária. A Escola Formal russa, por exemplo, mobilizou as ideias de literatúrnost (literariedade), a diferença entre linguagem poética e prática, e por vezes preferiu o duo material/procedimento sobre conteúdo/forma, numa tentativa de conceber a literatura enquanto um fazer específico (Matejka; Pomorska, 2002). Em comum, supõe-se uma dimensão linguística e construtiva nos textos que não se esgota em seus temas ou referentes, a demandar estratégias de leitura que enfatizam a indeterminação e a reflexividade do processo de apreensão da obra, e não a mera extração de um conteúdo proposicional (Phelan, 2020, p. xvi). Presume-se um movimento antinômico, mas complementar: a imersão no texto com vistas tanto ao encontro com a alteridade ou desfamiliaridade (linguística, caracterológica, composicional) e, reversamente, o afastamento da obra, rumo à abstração, retenção e análise de suas interrelações. Associa-se, ou associava-se, o ofício da crítica e da pedagogia literárias à atenção, nas palavras de Fredric V. Bogel (2013, p. 8-9), ao “poder significante da forma no caso individual”, com suas “tensões, contradições e desarmonias”. Por outro lado, é inegável que, desde os anos 1970, houve uma profunda reorientação metodológica em nossa disciplina, em direção ao “exterior ‘não-verbal’ ao qual a linguagem se refere, pelo qual é condicionada e sobre a qual age” (De Man, 1979, p. 3). Cada vez mais, toma-se o interesse pela forma como indiferença ante os condicionantes sociais, materiais e culturais de produção, recepção ou circulação das obras. Mais recentemente, no entanto, com a disseminação de cursos de creative writing, mesmo no Brasil, com sua óbvia e necessária ênfase na técnica e nos macetes do ofício da escrita, parece haver um interesse renovado por questões de forma (Parker, 2013, p. 182).  Confrontando-se com esse lugar seminal, mas em disputa, da forma nos estudos literários, a revista Terceira Margem reunirá artigos e ensaios que reflitam sobre a pertinência ou a obsolescência da categoria. Serão especialmente bem-vindas contribuições que discutam: crítica, forma e formalismo; inscrições políticas da forma; relação entre forma e práticas de leitura; história e historiografia dos múltiplos “formalismos”; teoria, história e historiografia das formas; forma e tradução; forma e ensino de literatura e de escrita criativa; forma e criação literária; forma e adaptação; forma e cânone.


Referências bibliográficas

BOGEL, Fredric. New Formalist Criticism: Theory and Practice. Houndmills: Palgrave, 2013.

DE MAN, Paul. Allegories of Reading: Figural Language in Rousseau, Nietzsche, Rilke, and Proust. New Haven - London: Yale University Press, 1979.

GRAFF, Gerald. Professing Literature: an Institutional History (Twentieth Anniversary Edition). Chicago - London: The University of Chicago Press, 2007.

LEIGHTON, Angela. On Form: on Poetry, Aestheticism, and the Legacy of a Word. Oxford: Oxford University Press, 2007.

MATEJKA, Ladislav; POMORSKA, Krystyna. Readings in Russian Poetics: Formalist and Structuralist Views. Cambridge: Dalkey Archive Press, 2002.

PARKER, Kelcey. “Reading Like a Writer: a Creative Writer’s Approach to New Formalism”. In: THEILE, Verena; TREDENNICK, Linda (ed.). New Formalisms and Literary Theory. Houndmills: Palgrave, 2013, p. 179-196.

PHELAN, Jon. Literature and Understanding:The Value of a Close Reading of Literary Texts. Abingdon: Routledge, 2020.


Organização:

Priscila Nascimento Marques (UFRJ)

Thiago Rhys Bezerra Cass (USP).


Data limite para submissão de artigos: 1º de fevereiro de 2026. 

Página da chamada: https://revistas.ufrj.br/index.php/tm/announcement/view/1182

Chamada para o Dossiê – "Literatura e Humanidades em Diálogo: Caleidoscópio de Olhares"


A Revista LiteralMENTE convida pesquisadores, docentes, discentes e demais interessados para submeterem manuscritos ao segundo número deste periódico no ano de 2025, referente ao dossiê temático intitulado "Literatura e humanidades em diálogo: caleidoscópio de olhares".

Tendo em vista que o caleidoscópio é um instrumento óptico que cria padrões visuais coloridos, usando espelhos e pequenos objetos que, ao refletirem a luz, formam imagens únicas e variadas a cada movimento, as obras literárias afiguram-se de modo similar, tendo em vista que elas convidam o leitor a um processo dinâmico de descoberta. Cada obra é, em si, um caleidoscópio de significados, cujos ângulos e combinações do saber promovem múltiplas formas de se olhar a escrita. Buscamos, portanto, análises e leituras que partam de múltiplos olhares, que ampliem as lentes pelas quais observamos o texto. Ao abraçar essa diversidade interpretativa, potencializamos o escopo interpretativo e a polissemia inerente à obra literária. Cada nova leitura, cada nova discussão, cada nova abordagem funciona como um giro no caleidoscópio, revelando camadas antes imperceptíveis, cores antes não vistas e formas antes não imaginadas. É nesse movimento contínuo de exploração que a literatura, assim como os padrões de um caleidoscópio, se recria e se expande infinitamente em nossa mente.

A Revista aceita colaborações vinculadas à teoria, à crítica e à história literárias relacionadas ao estudo da literatura, dialogando com as ciências da subjetividade para vislumbrar o processo de subjetivação do ser humano e os reflexos do seu itinerário na tessitura literária. Nesta edição, buscamos contribuições que explorem a literatura em diálogo com áreas afins, promovendo abordagens interdisciplinares criativas que ampliem o entendimento sobre os textos literários e seus múltiplos atravessamentos. Serão bem-vindos trabalhos que articulem a literatura com campos como filosofia, história, arte, cinema, psicanálise, sociologia, educação, estudos culturais, entre outros. Reforçamos, portanto, o caráter híbrido e expansivo da linguagem literária.

Autores(as) também podem submeter seus manuscritos às seções: Artigos de Temas Livres, Ensaios, Resenhas e Relatos de Experiência.

 

Organizadores:

Prof. Dr. João Pedro Rodrigues Santos (SEDUC-RS)

Prof.ª Ma. Cristiane Gomes Lopes (FURG)

 

Período de submissão de artigos: 30 de novembro de 2025.

Período previsto para publicação: segundo semestre de 2025.

 

Link: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rl/announcement/view/1013