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10/09/2026

Revista Metamorfoses abre chamada de artigos sobre as poéticas, escritas e leituras da dramaturgia brasileira contemporânea

A revista científica Metamorfoses anunciou a chamada de trabalhos para o dossiê "Dramaturgias brasileiras contemporâneas: poética, escrita e leitura", sob a edição convidada de Daniele Avila Small e Renan Ji. A proposta busca preencher uma lacuna no campo teórico e crítico brasileiro, estimulando reflexões acadêmicas sobre a produção dramatúrgica atual para além das visões tradicionais e eurocentradas do texto teatral.

Historicamente vista como um elemento periférico pela crítica literária ou como um mero componente da cena pelas artes cênicas, a dramaturgia vive hoje um processo contínuo de transformação. No Brasil recente, o texto de teatro e de dança ganha contornos singulares e extrapola as convenções do drama clássico, desdobrando-se em poéticas próprias. Esse movimento vem acompanhado de um renovado interesse editorial e leitor, impulsionado por editoras especializadas e novas formas de circulação que transformam a página impressa em um espaço autônomo de encenação e imaginário.

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Diante do cenário de escassez de estudos dedicados ao texto dramatúrgico, o dossiê acolherá artigos que investiguem a escrita e as teorias contemporâneas, a presença da dramaturgia nos âmbitos editorial e de ensino, além de abordagens focadas em letramentos e currículos da educação básica e superior. Também estão no escopo da chamada os estudos sobre perspectivas contracoloniais, as linguagens de povos originários, as influências africanas, as especificidades da dramaturgia da dança e o papel do texto nas chamadas cenas-pensamento, como palestras-performances e desmontagens.

Pesquisadores e interessados em contribuir para a edição têm até o dia 27 de setembro de 2026 para realizar a submissão dos trabalhos. A publicação do dossiê está prevista para dezembro de 2026.

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O que significa Pulsão de Morte (Thanatos) para a Psicanálise?

Nos primeiros momentos da formulação da psicanálise, a teórica criada por Sigmund Freud sustentava-se sobre o dualismo entre as pulsões sexuais e as pulsões de autoconservação. Essa primeira formulação parecia dar conta dos conflitos psíquicos observados na clínica, onde a busca pelo prazer e a autopreservação entravam em choque com as exigências da civilização. No entanto, o trauma da Primeira Guerra Mundial e o surgimento de fenômenos clínicos intrigantes, como as neuroses de guerra e a repetição compulsiva de experiências dolorosas, forçaram uma reavaliação profunda dessa metapsicologia. Foi nesse cenário de incertezas que formulou a concepção da pulsão de morte, uma das teorias mais sombrias, controversas e fundamentais de todo o pensamento psicanalítico.

Diferente do instinto biológico, que é rígido, hereditário e visa a um fim puramente adaptativo e pré-determinado, a pulsão é um conceito limite entre o psíquico e o somático. Ela opera como uma força constante, uma pressão interior que exige do aparelho mental um determinado trabalho de transformação. Toda pulsão possui uma fonte no corpo, uma pressão ou força motriz, um alvo que busca a satisfação e um objeto através do qual o alvo pode ser atingido. Enquanto a pulsão de vida visa criar conexões, sintetizar elementos, preservar as ligações psíquicas e promover a complexidade orgânica e psíquica, a pulsão de morte atua em sentido diametralmente oposto.

A grande virada teórica ocorreu no célebre ensaio de 1920, intitulado Além do Princípio do Prazer. Freud percebeu que o princípio do prazer, até então considerado o soberano absoluto do psiquismo, não conseguia explicar por que certos pacientes repetiam incessantemente situações de intenso sofrimento. Se o aparelho mental buscasse apenas o prazer e a evitação do desprazer, como explicar as memórias recorrentes dos soldados traumatizados, os sonhos angustiantes de eventos dolorosos ou a tendência desastrosa de certas pessoas a repetirem escolhas amorosas autodestrutivas? A resposta psicanalítica para esse dilema residiu no reconhecimento da compulsão à repetição, uma força psicanalítica primordial que atua antes mesmo da instalação do princípio do prazer e que serve de veículo para a pulsão de morte.

A pulsão de morte expressa uma tendência fundamental de todo organismo vivo de retornar a um estado inanimado, inorgânico e livre de qualquer tensão. Há no funcionamento psíquico um impulso conservador extremo, que busca desligar o que foi ligado, dissolver as estruturas complexas e zerar os níveis de excitação do aparelho mental. Essa busca pela cessação de todos os estímulos é frequentemente associada ao princípio de Nirvana, termo adaptado para designar a aspiração inconsciente à paz absoluta, onde o silêncio da matéria inorgânica triunfa sobre as turbulências e demandas da vida pulsional.

É importante enfatizar que, no psiquismo humano, a pulsão de morte e a pulsão de vida raramente se manifestam de forma pura ou isolada. Elas funcionam de maneira intrinsecamente intrincada, em um processo contínuo de fusão e desfusão pulsional. O desenvolvimento psíquico saudável depende da capacidade do indivíduo de manter a pulsão de morte sob o domínio da pulsão de vida. Quando há uma fusão equilibrada, a força desestruturante do impulso destrutivo pode ser canalizada para atividades adaptativas e criativas. Por exemplo, a capacidade de cortar, separar, analisar criticamente ou impor limites na realidade exige uma dose de agressividade mitigada e domesticada pela vida.

Contudo, quando ocorre o fenômeno da desfusão pulsional, as forças de desintegração ganham autonomia e operam de forma livre e avassaladora no inconsciente. A agressividade, que quando ligada serve à autopreservação, descarrega-se na forma de destrutividade pura, direcionando-se tanto para o ambiente externo quanto para o próprio indivíduo. Quando projetada para fora, a pulsão de morte manifesta-se através do ódio, da violência, da crueldade e da pulsão de destruição do outro. Quando voltada para dentro, manifesta-se como autoflagelação psíquica, melancolia, comportamentos de risco e impulsos autodestrutivos.

O papel do superego na dinâmica da pulsão de morte é um dos pontos mais dramáticos da clínica psicanalítica. A instância superegoica, construída a partir da assimilação das interdições parentais e culturais, pode tornar-se excessivamente rígida, sádica e cruel. Em estados melancólicos e em certas neuroses graves, o superego atua como um carrasco implacável que se volta contra o ego, utilizando a própria energia da pulsão de morte para punir e devastar a subjetividade do paciente. A pessoa é então tragada por um sentimento inconsciente de culpa devastador e por um desejo inconsciente de punição que sabotam qualquer possibilidade de cura ou bem-estar, dando origem à chamada reação terapêutica negativa.

Posteriormente, os psicanalíticas pós-freudianos expandiram e reinterpretam essas intuições. Melanie Klein colocou a pulsão de morte no centro de suas investigações sobre a infância. Para Klein, o bebê recém-nascido é habitado por uma angústia arcaica e aterrorizante de ser destruído por sua própria pulsão de morte interna. Para sobreviver a essa ameaça insuportável de aniquilamento, o ego incipiente da criança utiliza o mecanismo de defesa da projeção, lançando essa carga destrutiva para fora e depositando-a no objeto primário, geralmente o seio materno. Esse seio, então percebido como mau e persecutório, torna-se a fonte das primeiras angústias paranoides e organiza a posição esquizoparanoide. A elaboração adequada dessas angústias Iniciais permite que a criança progrida para a posição depressiva, onde percebe o objeto como total e aprende a lidar com sua própria agressividade através da reparação.

Na vertente psicanalítica francesa, Jacques Lacan ofereceu uma releitura linguística e estrutural para o conceito de Thanatos. Para Lacan, a pulsão de morte não deve ser entendida como uma força biológica ou uma inclinação orgânica ao suicídio, mas sim como uma consequência direta da entrada do sujeito na linguagem. A palavra assassina a coisa; ao ser introduzido no campo do simbólico, o ser humano é marcado por uma perda fundamental, por um vazio constitutivo. A pulsão de morte lacaiana está intimamente ligada ao conceito de gozo, um excesso de satisfação paradoxal e doloroso que ultrapassa as fronteiras do princípio do prazer e que insiste em se repetir nas brechas e falhas da fala do sujeito.

Recordemos que, em suas obras de crítica cultural, Freud enfatizou que a tendência à agressividade inerente ao ser humano constitui o maior obstáculo para a preservação da civilização. As guerras, o preconceito, a intolerância, a violência sistêmica e as crises ecológicas causadas pela exploração predatória do planeta são manifestações coletivas da incapacidade do laço social de conter e canalizar a energia desestruturante de Thanatos.

Quando direcionamos a discussão para a prática clínica cotidiana, algo de extrema importância é o fato de que o trabalho da pulsão de morte exige do psicanalista uma escuta apurada e uma sensibilidade para identificar aquilo que se recusa a ser simbolizado. O analista encontra o registro de Thanatos nos impasses da transferência, nas resistências mais ferrenhas, nas somatizações recorrentes e na compulsão do paciente em arruinar seus próprios projetos e relacionamentos no momento exato em que eles parecem caminhar para o sucesso. E nesse contexto, o objetivo do processo analítico não é eliminar a pulsão de morte, feito teoricamente impossível, pois ela é parte integrante da estrutura psíquica, mas possibilitar que o sujeito consiga reatar os laços entre a destruição e a criação, reinvestindo o desejo e a pulsão de vida na reconstrução da sua própria história narrativa.

Referências Bibliográficas

FREUD, Sigmund. Além do princípio do prazer. 1. ed. Belo Horizonte-MG: Autêntica, 2020.

GREEN, André. O trabalho do negativo. 1. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

KLEIN, Melanie. Inveja e gratidão e outros ensaios. São Paulo: Ubu Editora, 2023.

LACAN, Jacques. O Seminário, livro 7: A ética da psicanálise. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1988.

LAPLANCHE, Jean. Life and Death in Psychoanalysis. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1976.

ROSENFELD, Hebert A. Estados psicóticos. Buenos Aires: Hormé, 1991.

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Revista Philorosae Abre Chamada de Trabalhos para Edição Sobre Colonialismos e Decolonialidade

A Revista Philorosae, publicação anual vinculada ao Centro de Estudos de Cultura e Artes da Universidade Nacional Timor Lorosae, anunciou a abertura da chamada de artigos para a sua sexta edição. Com o compromisso de promover sinergias entre as filosofias ocidental e oriental e de aproximar diferentes povos e hemisférios por meio da compreensão intercultural, o novo volume terá como foco central as discussões sobre Colonialismos, Pós-colonialismos e Decolonialidades.

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A publicação convida pesquisadores e a comunidade acadêmica a submeterem trabalhos articulados em três eixos principais. O primeiro abrange o estudo do colonialismo sob a ótica de autores fundamentais como Frantz Fanon e Aimé Césaire. O segundo eixo contempla o pós-colonialismo a partir de contribuições de pensadores como Edward Said, Gayatri Spivak e Homi Bhabha. Por fim, a vertente da decolonialidade sugere um diálogo direto com as obras de Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Enrique Dussel. Entre os subtemas propostos para reflexão destacam-se as epistemologias do Sul, gênero em contextos decoloniais, subalternidade, racismo epistêmico, colonialismo digital e as relações de compatibilidade entre a decolonialidade e os Direitos Humanos Universais.

Os interessados podem enviar artigos, recensões ou ensaios redigidos em português ou inglês até o dia 30 de novembro de 2026. Os textos devem conter no máximo 7.000 palavras e seguir estritamente as normas da sétima edição da APA. O envio dos manuscritos deve ser feito simultaneamente para os endereços eletrônicos revista@philorosae.com e lorosaefilosofico@gmail.com.

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09/09/2026

Revista Horizontes Antropológicos abre chamada de artigos para a edição "Mulheres no Futebol"

A Revista Horizontes Antropológicos anunciou a abertura de submissões para a sua edição de número 79, dedicada ao tema "Mulheres no Futebol". A publicação é organizada por Carmen Rial, Caroline Soares de Almeida, Verónica Moreira e Arlei Damo, e receberá trabalhos acadêmicos inéditos até o dia 31 de outubro de 2026. A iniciativa antecipa o clima da Copa do Mundo de Futebol de Mulheres de 2027, que ocorrerá pela primeira vez no Brasil, marco de grande relevância histórica para um país onde a modalidade permaneceu oficialmente proibida durante décadas por regulamentações estatais.

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O dossier busca explorar o fenômeno transnacional de regulação de gênero no esporte, lembrando que restrições semelhantes às brasileiras também ocorreram em nações como Inglaterra, França e Alemanha ao longo do século XX. Além da importância histórica e simbólica do evento esportivo, a chamada reflete a consolidação dos estudos antropológicos sobre o futebol no Brasil. Esse campo de pesquisa teve forte impulso a partir dos anos 2000 e se fortaleceu recentemente com a criação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Estudos do Futebol Brasileiro, rede que articula centenas de pesquisadores no país e no exterior.

A chamada convida acadêmicas e acadêmicos a enviarem contribuições que investiguem as diversas formas de participação feminina no ecossistema do futebol, abrangendo atuantes como atletas, árbitras, técnicas, dirigentes, profissionais da imprensa, torcedoras e gestoras. Os organizadores buscam artigos fundamentados em abordagens etnográficas, históricas, comparativas e interdisciplinares que analisem aspectos como interseccionalidades, memória, trabalho, mídia, políticas públicas e disputas sociais. Serão aceitos textos resultantes de pesquisas de campo, análises documentais, reflexões teóricas e balanços bibliográficos voltados às transformações e complexidades do futebol praticado e vivenciado por mulheres.

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Revista Antropolítica abre chamada para artigos sobre Antropologia do Trabalho

A Antropolítica: Revista Contemporânea de Antropologia, vinculada à Universidade Federal Fluminense (UFF), recebe submissões para o dossiê temático "Antropologia do Trabalho" até o dia 22 de setembro de 2026. A publicação é organizada pelos pesquisadores Aline Gama de Almeida (UERJ), Guillermo Stefano Rosa Gómez (UFRGS) e Luísa Maria Silva Dantas (UFPA), com o objetivo de reunir diferentes abordagens teóricas e metodológicas para debates sobre o tema.

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As contribuições devem ser enviadas preferencialmente por autores das áreas de Antropologia e Ciências Sociais. Em conformidade com as diretrizes do periódico, serão respeitados os parâmetros de exogenia em relação à UFF, além do limite fixado de seleção de até 50% de artigos elaborados por doutorandos, sendo exigido que as demais propostas contem com a autoria de pelo menos um doutor.

Todos os trabalhos recebidos passam pela avaliação cega por pareceristas externos. Para que a proposta seja considerada na chamada temática, os autores devem indicar obrigatoriamente, no campo de comentários direcionados aos editores, que a submissão se destina especificamente ao Dossiê "Antropologia do trabalho".

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Revista Brasileira de Música abre chamada de artigos sobre a presença afro-diaspórica no Colonial e no Império

O Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Conselho Editorial da Revista Brasileira de Música anunciaram a abertura de submissões para o dossiê temático "A presença afro-diaspórica na música brasileira: construções canônicas e circulação cultural afro-atlântica no período colonial e no Império". O volume 37, número 1 da publicação conta com a curadoria dos professores Lucas Robatto e José Maurício Brandão, ambos da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e convida docentes, pesquisadores e discentes de pós-graduação das áreas de música e humanidades correlatas a enviarem suas contribuições.

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A iniciativa busca preencher lacunas historiográficas sobre a atuação de músicos negros e a circulação de práticas afro-atlânticas que ajudaram a estruturar as identidades culturais do país. Mesmo diante do contexto traumático da escravidão e do preconceito racial no Brasil colonial e imperial, africanos e afrodescendentes desempenharam papel decisivo na criação, preservação e transformação de repertórios fundamentais. O dossiê tem como foco principal analisar como esses sujeitos históricos participaram do desenvolvimento de cânones musicais brasileiros, compreendendo a canonização não apenas como um conjunto estático de obras, mas como um processo dinâmico de seleção, legitimação e transmissão cultural.

Privilegiando uma abordagem interdisciplinar entre a musicologia, a história e as ciências sociais, a chamada estimula estudos voltados à atuação e mobilidade social dos músicos negros, à circulação e intercâmbio de gêneros e estilos entre as Américas, África e Europa, além de pesquisas focadas nos processos de canonização e na história da recepção dessas obras e intérpretes ao longo do tempo.

Os trabalhos devem ser enviados até o dia 5 de outubro de 2026 por meio da plataforma OJS do periódico. Aceitam-se artigos originais e inéditos redigidos em português, inglês ou espanhol, desde que rigorosamente adequados às normas e diretrizes de submissão do periódico.

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