Breve história do município de Pilar, Estado da Paraíba
| Visita não planejada à cidade de Pilar - PB. (Pilar - PB, 05/05/2022). CC BY 2.0. |
Localizado na Região Geográfica Imediata de João Pessoa, a aproximadamente 55 quilômetros da capital do estado, o município de Pilar destaca-se como um dos núcleos urbanos mais tradicionais e historicamente relevantes da Paraíba. Com uma extensão territorial de aproximadamente 103,3 km² e uma população estimada em 12.311 habitantes segundo o Censo do IBGE de 2022. Pilar combina a tranquilidade das cidades do interior nordestino com uma das bagagens culturais, arquitetônicas e sociais mais ricas do Estado da Paraíba.
A sede do município encontra-se a uma altitude modesta, cerca de 33 a 35 metros acima do nível do mar, situada na unidade geoambiental dos Tabuleiros Costeiros e compreendida na bacia hidrográfica do rio Paraíba (região do Baixo Paraíba).
O clima regional é classificado como Tropical Semiárido/Chuvoso, caracterizado por temperaturas amenas e quentes durante quase todo o ano, com um período chuvoso concentrado nos meses do outono e inverno do hemisfério sul.
A história de Pilar remonta às primeiras fases de povoamento do interior paraibano, durante os séculos XVII e XVIII. Muito antes de qualquer consolidação urbana colonial, a região original abrigava povoações indígenas pertencentes principalmente aos povos Cariris e Coremas.
Os registros históricos apontam que, já por volta de 1630, durante o período das invasões holandesas no Nordeste brasileiro, existiam no atual território do município algumas fazendas voltadas à criação de gado. Contudo, a estruturação e fixação de um povoamento com caráter comunitário ganhou forte impulso em 1670, quando padres jesuítas, acompanhados por indígenas Cariris, fundaram um colégio religioso na localidade.
Em 14 de setembro de 1758, Pilar teve seu povoado elevado à condição de Vila, marco formal da sua autonomia inicial e da sua consolidação enquanto centro administrativo regional. Ao longo do século XIX, a vila passou por flutuações político-administrativas, como a extinção temporária de sua condição em 1881, seguida de sua rápida restauração e reativação em 1885.
Durante os séculos XVIII e XIX, o crescimento de Pilar esteve diretamente entrelaçado ao florescimento da agroindústria açucareira nas várzeas férteis da Zona da Mata paraibana. Os engenhos instalados nos baixios da região tornaram-se o motor econômico da comunidade, gerando riquezas e elevando o prestígio político da localidade.
O ápice desse prestígio aristocrático ocorreu em 1859, quando Pilar viveu um dos eventos mais célebres de sua história: a visita oficial do Imperador Dom Pedro II.
Se o açúcar e a cana moveram a economia de Pilar, a literatura consagrou seu nome na história cultural do Brasil. Pilar é orgulhosamente a terra natal do escritor José Lins do Rego (1901–1957), um dos maiores romancistas da Segunda Fase do Modernismo brasileiro e autor do célebre "Ciclo da Cana-de-Açúcar".
Foi no Engenho Corredor, situado em terras pilarenses, que o autor viveu a infância sob os cuidados do avô materno. As memórias dos velhos eitões, o apito das usinas, a rotina dos trabalhadores e o declínio dos engenhos artesanais serviram de inspiração direta para obras-primas da literatura nacional, tais como:
Menino de Engenho (1932)
Doidinho (1933)
Banguê (1934)
Fogo Morto (1943)
Além de José Lins do Rego, Pilar também é o berço natal de outras figuras expressivas da cultura e do intelectualismo paraibano, como o poeta José Augusto de Brito.
Mesmo com as transformações trazidas pela modernização urbana, Pilar preserva fragmentos significativos de seu passado colonial e imperial. Entre os principais elementos de seu patrimônio cultural e material, destacam-se:
Engenho Corredor:
Espaço de valor histórico inestimável, cenário fundacional das memórias e obras do romancista José Lins do Rego. Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar: Templo religioso que sintetiza a fé e a tradição católica secular da comunidade.
Antiga Casa de Câmara e Cadeia:
Exemplar do período colonial e imperial que representa as antigas instâncias administrativas do município. Coreto da Praça José Lins do Rego:
Ponto de encontro social da população local, que homenageia o escritor mais ilustre da terra.
Historicamente associada à lavoura canavieira, à pecuária e ao comércio local, a economia de Pilar tem buscado diversificar suas bases produtivas nos últimos anos. Além do setor agrícola tradicional e da prestação de serviços urbanos, o município tem atraído novos investimentos voltados à energia renovável (como usinas fotovoltaicas e energia solar), à suinocultura e à tecnologia de infraestrutura. Essa transição reposiciona a cidade no cenário regional da Paraíba, conciliando sua preservação histórica com as demandas do desenvolvimento sustentável do século XXI.
Indicações de leitura
SILVA, Lucimário Augusto da. Pilar: Da Aldeia Cariri aos Nossos Dias (1630 a 2023). 1. ed. São Paulo: UICLAP Editora e Distribuidora, 2023.
Comprar na AmazonSILVA, Lucimário Augusto da. José Lins do Rego: Biografia. 1. ed. São Paulo: UICLAP Editora e Distribuidora, 2024.
Comprar na AmazonComprando pelos links acima, o editor recebe uma pequena comissão pela indicação, ou seja, você ajuda o blog a permanecer no ar sem pagar nada a mais por isso. Obrigado pelo apoio!

Deixe um comentário
Postar um comentário
Por favor, não use o espaço de comentários para promover spam, ódio, conteúdos ilegais ou ofender outros leitores.