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A fruticultura tropical é um dos pilares do agronegócio nordestino e, no estado da Paraíba, a cultura do abacaxi (Ananas comosus) destaca-se como protagonista econômica e social. Movimentando desde a agricultura familiar até grandes cadeias de distribuição e exportação nacional, a abacaxicultura paraibana consolidou uma posição de liderança no cenário brasileiro. O ciclo produtivo do fruto, que varia de 14 a 18 meses, exige planejamento estratégico em relação ao manejo do solo, controle fitossanitário e gestão de recursos hídricos.

Durante a safra de 2025, a Paraíba reafirmou sua relevância no ranking dos maiores produtores de abacaxi do Brasil, rivalizando diretamente com estados como o Pará e Minas Gerais. O bom desempenho do ciclo 2025 foi impulsionado pela combinação de condições favoráveis no volume de chuvas na faixa litorânea e no Agreste, somada ao avanço tecnológico introduzido pela Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Desenvolvimento Agrícola (EMPAER) e suporte técnico especializado.

Área Colhida e Produtividade: Dos 60.826 hectares (2025) estimados pelo IBGE, o estado manteve uma área destinada à colheita superior a  9.717 hectares (2025), concentrada majoritariamente no Litoral Sul e na Zona da Mata paraibana. O rendimento médio situou-se na marca de 34.153 Frutos/ha, demonstrando a alta densidade de plantio e a eficiência do manejo agronômico adotado pelos produtores.

Volume Total de Produção: A colheita superou a marca de 331.860 Mil frutos (equivalente a aproximadamente de 320 mil toneladas), reforçando o status do estado como um dos maiores fornecedores da fruta para as regiões Sudeste e Nordeste.

Destaque Regional: Municípios como Pedras de Fogo (maior produtor estadual), Itapororoca, Araçagi e Santa Rita continuaram a liderar a produção estadual. Pedras de Fogo e Itapororoca, em especial, responderam por mais de metade de toda a produção do estado, figurando também entre os municípios mais produtivos de abacaxi no âmbito nacional.

Variedades Cultivadas: O cultivo do tipo Pérola permaneceu como o preferido dos agricultores e dos consumidores, devido ao seu sabor doce (baixo teor de acidez) e polpa branca. No entanto, houve um crescimento no plantio da variedade BRS Imperial, desenvolvida com resistência à fusariose (a principal enfermidade que afeta a cultura).

Para a safra de 2026, as projeções indicam estabilidade com viés de crescimento moderado no volume total colhido, estimado em uma variação positiva entre 2,5% e 4% em relação a 2025. O cenário esperado projeta a colheita atingindo entre 308 e 312 milhões de frutos.

projeção-safra-abacaxi-2025-2027

Fatores de Impulso para 2026

  1. Adoção Tecnológica e Indução Floral: O uso intensivo e cronometrado de reguladores de crescimento para a indução floral programada permite que os produtores distribuam a colheita ao longo dos 12 meses do ano. Isso previne picos de superoferta e queda brusca nos preços pagos ao produtor.

  2. Manejo Integrado de Pragas (MIP): A ampliação do combate à fusariose e à cochonilha-do-abacaxi (Dysmicoccus brevippes) por meio de mudas micropropagadas e certificadas pela EMPAER e parceiros privados garante menor taxa de perda na lavoura.

  3. Resiliência Climática: O avanço de técnicas de irrigação por gotejamento na pré-restinga e no Agreste mitiga os riscos associados a veranicos prolongados durante as fases críticas de desenvolvimento do fruto.

Projeção para a Safra de 2027: Expansão e Agregação de Valor

A visão prospectiva para a safra de 2027 aponta para um salto qualitativo e quantitativo na abacaxicultura paraibana. Estima-se que a produção possa ultrapassar 325 milhões de frutos, impulsionada pelo amadurecimento dos investimentos em infraestrutura e abertura de novos mercados.

Vetores de Crescimento em 2027

  • Industrialização e Processamento Local: O fortalecimento de agroindústrias locais para o processamento de polpas, sucos concentrados, frutas desidratadas e aproveitamento do pedúnculo e cascas para ração animal reduzirá a dependência da venda do fruto in natura.

  • Abertura de Mercados Internacionais: Espera-se a consolidação de protocolos de exportação para a América Latina e Europa, focando em frutos com certificação de origem e rastreabilidade sanitária.

  • Sustentabilidade e Transição Varietal: Até 2027, projeta-se que áreas maiores de plantio adotem cultivares resistentes a doenças, reduzindo o uso de defensivos agrícolas e atendendo às exigências de ESG (ambiental, social e governança) do mercado consumidor.

Desafios do Setor

Embora o horizonte seja promissor, a manutenção do crescimento da cultura do abacaxi na Paraíba até 2027 exige atenção contínua, sobretudo em relação à combinação demanda/escoamento:

Principais Desafios:

  • Custo dos Insumos: Aumentos contínuos nos preços de fertilizantes nitrogenados e potássicos, especialmente devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, grandes países produtores, causam incertezas sobre a capacidade dos produtores de suportar os desbalanços entre valor de produção e de venda.

  • Custo de produção x preço de venda: O aumento recorde na produção nas safras 2025-2026 tem se mostrado um desafio gigantesco para os pequenos e médios produtores, haja vista que os preços de venda estão muito abaixo do valor final de produção por hectare plantada.
  • Escoamento: Na safra 2026, percebeu-se uma diminuição significativa no corte (compra/envio) do fruto para as regiões sudeste e sul, as maiores compradoras da produção paraibana, o que tem ocasionado não apenas a diminuição do preço da unidade, como a incapacidade de escoamento da produção para o próprio mercado paraibano, cuja demanda de consumo não consegue dar conta de captar o excesso de produção.

  • Insuficiência de indústrias de processamento: Embora a Paraíba possua algumas empresas de processamento da polpa de abacaxi, apenas uma delas é responsável por captar a maior parte do excedente da colheita, a Intrafrut. Sem a Intrafrut, o prejuízo dos produtores paraibanos seria muito maior, tendo em vista que o envio da produção para outros Estados seria inviável economicamente para a grande maioria dos agricultores. Todavia, muito se debate sobre a necessidade da implantação de outras empresas capazes de oferecer concorrência em relação ao preços, localização e estrutura de suporte ao produtores e motoristas. 

Fontes:

https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/abacaxi/pb

https://agrocontexto.com.br/agronegocio/maiores-produtores-abacaxi/

https://g1.globo.com/pb/paraiba/especial-publicitario/fiep/espaco-da-industria/noticia/2022/02/17/comercio-exterior-da-paraiba-empresa-de-sucos-e-polpas-de-frutas-e-case-de-sucesso-no-estado.ghtml


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