Na morfologia da Língua Portuguesa, o substantivo assume papel central ao nomear seres, objetos, sentimentos e conceitos. Sendo uma classe de palavras essencialmente variável, ele se flexiona em gênero, masculino e feminino, número e grau. É justamente na flexão de gênero que encontramos a importante classificação dos substantivos biformes.
A palavra biforme carrega em sua própria estrutura etimológica a chave para a sua compreensão, visto que o prefixo latino bi- indica duplicidade. Portanto, substantivos biformes são aqueles que apresentam duas formas distintas para designar o gênero dos seres vivos, sendo uma forma específica para o masculino e outra para o feminino. Essa distinção ocorre majoritariamente no universo dos seres animados, englobando seres humanos e animais, nos quais o gênero gramatical costuma coincidir com o sexo biológico.
A manifestação dessa duplicidade de formas se dá por meio de dois processos principais na língua. O primeiro e mais comum ocorre pela desinência de gênero, que consiste na alteração da terminação da palavra. Nesse caso, o radical do substantivo permanece intacto, enquanto o sufixo flexional indica o gênero, como se observa na clássica transição da terminação masculina em o para a feminina em a, exemplificada no par aluno e aluna, ou na variação de mestre para mestra.
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O segundo processo é conhecido como heteronímia. Nele, a distinção de gênero não se faz por uma simples mudança de desinência, mas sim pela utilização de palavras com radicais inteiramente diferentes para o masculino e para o feminino. Trata-se de uma diferenciação lexical profunda, que dispensa marcas gramaticais de transição. Esse fenômeno é claramente ilustrado por pares como homem e mulher, cavalo e égua, ou boi e vaca. Em ambos os processos, seja pela sutil alteração morfológica ou pela completa substituição do vocábulo, a biformidade cumpre a sua função de espelhar textualmente a dualidade dos gêneros.
Frederico Lima
Graduado em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestre e doutor em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPB. Produz conteúdos sobre língua materna, literatura e metodologia científica.
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