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Os conceitos de Significante e Significado na Língua Portuguesa
- Publicado em:
- 06/06/2026
- Fonologia
- Língua Portuguesa
Para entendermos esses conceitos, precisamos recorrer à teoria do linguista suíço Ferdinand de Saussure, que definiu o signo linguístico como uma entidade psíquica de duas faces. Em termos simples, o signo é a unidade básica da nossa comunicação (como uma palavra), mas ele não une uma coisa a um nome; ele une um conceito a uma imagem acústica. É exatamente aí que entram o significante e o significado.
O significante é a parte material ou quase material do signo. Trata-se da imagem acústica, ou seja, a impressão psíquica que temos de um som, ou a representação gráfica das letras quando lemos. Quando você pensa na palavra "livro", antes mesmo de pronunciá-la, a sequência de sons /l/i/v/r/o/ se organiza na sua mente. Esse rastro sonoro, essa forma fonológica ou ortográfica, é o significante. Ele é a vestimenta física que permite ao pensamento ganhar corpo na Língua Portuguesa.
Por outro lado, o significado é a face imaterial, o conteúdo inteligível do signo. Trata-se do conceito, da ideia ou da representação mental que é engatilhada em nosso cérebro quando entramos em contato com o significante. Retomando o mesmo exemplo, o significado de "livro" não é o objeto físico de papel que você segura nas mãos, mas sim a definição abstrata que todos nós, falantes do português, compartilhamos: um objeto composto por folhas impressas, encadernadas, que transmite conhecimento ou entretenimento.
A grande magia da língua reside na relação entre essas duas faces, que possui duas características teóricas fundamentais. A primeira é a arbitrariedade. Não existe nenhuma razão biológica, lógica ou natural para que o conceito de "livro" seja representado pela sequência de sons /l/i/v/r/o/. Tanto é que, em inglês, o mesmo significado se liga ao significante book, e em francês, a livre. Essa associação é uma convenção social, um pacto cultural entre os falantes. A segunda característica é a linearidade do significante, pois os sons ou as letras precisam ser produzidos e recebidos um após o outro, em uma linha do tempo, já que a nossa fala não permite a sobreposição simultânea de fonemas.
Referências Bibliográficas
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Alta Books, 2024.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Edição com gabarito. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 8. ed. Rio de Janeiro: Editora Lexikon, 2025.
LIMA, Carlos Henrique da Rocha. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.
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