Para entendermos esses conceitos, precisamos recorrer à teoria do linguista suíço Ferdinand de Saussure, que definiu o signo linguístico como uma entidade psíquica de duas faces. Em termos simples, o signo é a unidade básica da nossa comunicação (como uma palavra), mas ele não une uma coisa a um nome; ele une um conceito a uma imagem acústica. É exatamente aí que entram o significante e o significado.
O significante é a parte material ou quase material do signo. Trata-se da imagem acústica, ou seja, a impressão psíquica que temos de um som, ou a representação gráfica das letras quando lemos. Quando você pensa na palavra "livro", antes mesmo de pronunciá-la, a sequência de sons /l/i/v/r/o/ se organiza na sua mente. Esse rastro sonoro, essa forma fonológica ou ortográfica, é o significante. Ele é a vestimenta física que permite ao pensamento ganhar corpo na Língua Portuguesa.
Por outro lado, o significado é a face imaterial, o conteúdo inteligível do signo. Trata-se do conceito, da ideia ou da representação mental que é engatilhada em nosso cérebro quando entramos em contato com o significante. Retomando o mesmo exemplo, o significado de "livro" não é o objeto físico de papel que você segura nas mãos, mas sim a definição abstrata que todos nós, falantes do português, compartilhamos: um objeto composto por folhas impressas, encadernadas, que transmite conhecimento ou entretenimento.
A grande magia da língua reside na relação entre essas duas faces, que possui duas características teóricas fundamentais. A primeira é a arbitrariedade. Não existe nenhuma razão biológica, lógica ou natural para que o conceito de "livro" seja representado pela sequência de sons /l/i/v/r/o/. Tanto é que, em inglês, o mesmo significado se liga ao significante book, e em francês, a livre. Essa associação é uma convenção social, um pacto cultural entre os falantes. A segunda característica é a linearidade do significante, pois os sons ou as letras precisam ser produzidos e recebidos um após o outro, em uma linha do tempo, já que a nossa fala não permite a sobreposição simultânea de fonemas.
Doutor em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), psicanalista, especialista em Teoria Psicanalítica, pesquisador com trabalhos publicados em periódicos científicos, capítulos de livros e anais de eventos. Possui experiência na editoração digital de revistas científicas, formatação e revisão de textos acadêmicos. Também é entusiasta da tecnologia, em especial de programas de código aberto.
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