O que são SEMIVOGAIS? - Português para concursos
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Na nossa língua, a vogal é o centro vital de qualquer sílaba; não existe sílaba sem vogal, e nunca há mais de uma vogal em uma única sílaba. É exatamente nesse contexto de "hierarquia sonora" que surgem as semivogais.
As semivogais são os fonemas /i/ e /u/ quando estes aparecem acompanhados de uma vogal em uma mesma sílaba. Diferente das vogais, que são produzidas com uma passagem livre de ar e possuem uma intensidade sonora forte (são o "pico" da sílaba), as semivogais são pronunciadas de forma mais rápida, breve e com menor intensidade. Elas funcionam como um apoio para a vogal principal, nunca assumindo o papel de núcleo silábico.
Embora na escrita utilizemos as letras "i" e "u", nem sempre essas letras representam semivogais, e nem sempre as semivogais são representadas por essas letras. Foneticamente, representamos as semivogais pelos símbolos (para o som de "i") e (para o som de "u").
A principal distinção entre uma vogal e uma semivogal reside na tonicidade e na função. Em uma palavra como "Pai", o "a" é a vogal (mais forte, mais aberta) e o "i" é a semivogal (mais fraca, átona). Se tentássemos pronunciar o "i" com a mesma força do "a", criaríamos duas sílabas distintas (Pa-i), transformando o encontro em um hiato. Como no ditongo "pai" eles permanecem unidos, o "i" assume a função de satélite.
As semivogais não se limitam apenas às letras "i" e "u". Na língua portuguesa, é muito comum que as letras "e" e "o" funcionem como semivogais em ditongos nasais ou em finais de palavras.
Em "Mãe", o "e" tem som de "i" e atua como semivogal.
Em "Pão", o "o" tem som de "u" e atua como semivogal.
Em "Cãibra", temos a representação clássica do "i".
Além disso, as letras "m" e "n" em final de palavra, como em "Bem" ou "Falam", também indicam a presença de uma semivogal nasal. Em "Falam", a pronúncia real é /fálãw/, onde o "m" representa a semivogal nasalizada.
A interação entre vogais e semivogais dá origem aos encontros vocálicos conhecidos como ditongos e tritongos:
Ditongo Crescente: Ocorre quando a semivogal vem antes da vogal (SV + V). O som "cresce" em intensidade. Exemplo: Gló-ria (o "i" é semivogal, o "a" é vogal).
Ditongo Decrescente: Ocorre quando a vogal vem antes da semivogal (V + SV). O som "decai". Exemplo: Causa (o "a" é vogal, o "u" é semivogal).
Tritongo: É a sequência obrigatória de Semivogal + Vogal + Semivogal em uma mesma sílaba. Exemplo: U-ru-guai. Aqui, o "a" é o núcleo (vogal), ladeado por dois apoios (semivogais).
Entender o que são semivogais é fundamental para o domínio da acentuação gráfica e da divisão silábica. Por exemplo, a regra das paroxítonas terminadas em ditongo crescente (como "história" ou "série") depende da percepção de que aquele encontro final não se separa, pois a semivogal e a vogal formam uma unidade sonora indivisível.
Se o estudante confunde uma semivogal com uma vogal, ele tenderá a separar as letras, cometendo erros de partição (hiato vs. ditongo). A semivogal é, portanto, o elemento que permite a fluidez da fala, evitando que a língua portuguesa seja composta apenas por sílabas estáticas e isoladas, conferindo-lhe sua característica sonoridade melódica e rítmica.
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