O que é DÍFONO? Português para concursos
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De forma simplificada, o dífono ocorre quando uma única letra (grafema) é capaz de representar dois sons distintos (fonemas) pronunciados em sequência imediata. É o fenômeno inverso do dígrafo (onde duas letras representam um único som, como em "ch" ou "lh").
Na língua portuguesa, o dífono é um caso singular de economia gráfica. Enquanto a tendência do idioma é buscar uma correspondência de um som para cada letra, o dífono quebra essa simetria. O exemplo por excelência deste fenômeno é a letra "x" quando pronunciada com o som de /ks/.
Ao pronunciarmos a palavra "táxi", percebemos claramente que, após o som da vogal "á", nossos órgãos articuladores produzem dois ruídos consonantais sucessivos: primeiro uma oclusão velar (/k/), seguida de uma fricção alveolar (/s/). Embora na escrita utilizemos apenas um caractere, na corrente sonora existem dois eventos fonéticos.
A gramática normativa identifica o "x" com valor de /ks/ como o principal (e para muitos autores, o único) dífono da nossa língua. Este fenômeno é também chamado de "x" fixo ou "x" de ligação, e sua ocorrência está profundamente ligada à etimologia das palavras, geralmente de origem grega ou latina.
Podemos observar o dífono em diversos contextos:
Palavras Eruditas e Técnicas: Termos como léxico, oxigênio, nexo, reflexo e anexo.
Termos Médicos ou Biológicos: Como tórax, axila, tóxico e maxilar.
Estrangeirismos Adaptados: Como o caso de boxe ou saxofone.
Uma das maiores implicações do dífono no ensino da gramática é a contagem de fonemas, tema recorrente em análises fonológicas e concursos. Como o dífono adiciona um som extra à palavra sem adicionar uma letra, a contagem de fonemas será sempre maior que a de letras.
Considere a análise da palavra "Fixo":
Grafemas (Letras): f - i - x - o (4 letras)
Fonemas (Sons): /f/ - /i/ - /k/ - /s/ - /o/ (5 fonemas)
Essa característica torna o dífono um "oposto" perfeito do dígrafo. No dígrafo "chuva", temos 5 letras e 4 fonemas (pois "ch" vale por um som). No dífono "nexo", temos 4 letras e 5 fonemas. Essa distinção é fundamental para que o estudante compreenda que a escrita é apenas uma representação, por vezes imperfeita ou econômica, da realidade sonora da fala.
A produção do dífono exige uma transição rápida entre um som oclusivo e um fricativo. Curiosamente, em algumas variantes regionais do português ou em falares mais rápidos e informais, existe uma tendência à simplificação. Algumas pessoas podem pronunciar "táxi" quase como "tássi", omitindo a oclusiva /k/. No entanto, a norma culta preserva a articulação dupla, que mantém a elegância e a clareza etimológica da palavra.
Além disso, é importante não confundir o dífono com encontros consonantais. Em "psicologia", as letras "p" e "s" estão escritas e representam seus respectivos sons; logo, temos um encontro consonantal. No dífono, o segundo som (/s/) não está escrito; ele está "embutido" na letra "x".
Na divisão silábica, o dífono não se separa de forma especial. A letra "x" segue as regras normais de transição silábica. No caso de "tá-xi", o grafema inicia a segunda sílaba. Foneticamente, no entanto, ocorre um fenômeno interessante: o som /k/ fecha a sílaba anterior na percepção auditiva de alguns falantes, enquanto o /s/ inicia a seguinte. Apesar dessa complexidade fonética, a gramática simplifica a questão mantendo a unidade da letra na escrita.
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