Macetes para o uso do HÁ e do A em questões de concurso

Cubos De Madeira Abc - Foto gratuita no Pixabay

Embora possuam a mesma sonoridade (são palavras homófonas), suas funções gramaticais são completamente distintas: enquanto uma indica o passado e a existência, a outra projeta o futuro ou mede o espaço. Dominar essa diferença é essencial para garantir a precisão temporal e a correção sintática.

O termo é uma forma conjugada do verbo haver. No contexto temporal, ele é classificado como um verbo impessoal que indica tempo decorrido ou passado. Sempre que for possível substituir a palavra por "faz", o uso correto será com "h".

Por exemplo, na frase "Moro nesta cidade dez anos", o verbo indica que o tempo já passou desde o início da ação. Uma característica fundamental do "há" temporal é a sua imutabilidade: por ser impessoal, ele não vai para o plural. Mesmo que o período seja de muitos anos, dizemos "há dez anos" e nunca "hão dez anos".

Outro ponto crucial é evitar o pleonasmo vicioso. É muito comum observarmos a expressão "há dois anos atrás". Do ponto de vista da norma culta, isso é uma redundância, pois o verbo "há" já carrega em si a ideia de passado. O correto é utilizar apenas "há dois anos" ou "dois anos atrás".

Além do tempo, o "há" também exerce a função de indicar existência, sendo sinônimo de "existir". Exemplo: " muitos livros na estante". Nestes casos, ele também permanece no singular, independentemente da quantidade de objetos mencionados.

A palavra a, neste contexto, funciona como uma preposição. Ela é utilizada para indicar uma projeção de tempo futuro ou para estabelecer uma distância física.

Diferente do "há", que olha para trás, o "a" preposicionado olha para frente. Quando dizemos "O evento começará daqui a duas horas", estamos marcando um ponto no tempo que ainda não ocorreu. Aqui, a substituição pelo verbo "faz" é impossível, o que serve como um teste rápido de correção.

No que se refere à distância, o "a" é o termo correto para medir o intervalo entre dois pontos geográficos ou espaciais. Exemplo: "Minha casa fica a três quilômetros daqui" ou "O posto de gasolina está a duzentos metros". Nestas situações, o uso do "há" seria um erro grave, pois não existe a ideia de "existir" ou de "tempo que passou", mas sim de extensão espacial.

Para nunca mais errar, o falante pode aplicar dois testes simples de substituição que revelam a natureza da palavra:

  1. O teste do "Faz": Tente trocar a palavra por "faz". Se a frase mantiver o sentido, use .

    • Exemplo: " muito tempo não o vejo" -> "Faz muito tempo não o vejo" (Correto).

  2. O teste do "Passado vs. Futuro": Se você puder inserir a palavra "passados" após o tempo, use . Se a ideia for de "daqui para frente", use a.

    • Exemplo: "Estamos a dez dias da viagem" (Futuro).

    • Exemplo: "Vi o filme dez dias" (Passado).

Existem situações em que a escolha entre um e outro altera drasticamente o sentido da frase. Imagine a sentença: "Estamos a um mês do Natal". Isso significa que o Natal ainda vai chegar. Agora, se dissermos: "Estamos no Natal um mês" (supondo um cenário hipotético), significaria que já se passou um mês desde o dia de Natal.

A preposição "a" também aparece em locuções que indicam proximidade ou limite, como em "vender a prazo" ou "chegar a tempo", onde não há relação direta com o verbo haver, reforçando sua natureza de conectivo gramatical de direção ou modo.

A regra de ouro para o uso dessas duas formas é a observação do eixo temporal. O é o marcador do que já foi, do estoque de tempo que consumimos ou da presença de algo no espaço. O a é a seta que aponta para o horizonte, seja ele um minuto à frente ou um quilômetro de distância. Ao escrever, pergunte-se: "Isso já aconteceu ou está para acontecer?". Essa simples reflexão é suficiente para eliminar as dúvidas e garantir que sua mensagem seja transmitida com a precisão que a gramática da língua portuguesa exige.

Nenhum comentário:

Postar um comentário