Macetes para o uso do HÁ e do A em questões de concurso
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Embora possuam a mesma sonoridade (são palavras homófonas), suas funções gramaticais são completamente distintas: enquanto uma indica o passado e a existência, a outra projeta o futuro ou mede o espaço. Dominar essa diferença é essencial para garantir a precisão temporal e a correção sintática.
O termo há é uma forma conjugada do verbo haver. No contexto temporal, ele é classificado como um verbo impessoal que indica tempo decorrido ou passado. Sempre que for possível substituir a palavra por "faz", o uso correto será com "h".
Por exemplo, na frase "Moro nesta cidade há dez anos", o verbo indica que o tempo já passou desde o início da ação. Uma característica fundamental do "há" temporal é a sua imutabilidade: por ser impessoal, ele não vai para o plural. Mesmo que o período seja de muitos anos, dizemos "há dez anos" e nunca "hão dez anos".
Outro ponto crucial é evitar o pleonasmo vicioso. É muito comum observarmos a expressão "há dois anos atrás". Do ponto de vista da norma culta, isso é uma redundância, pois o verbo "há" já carrega em si a ideia de passado. O correto é utilizar apenas "há dois anos" ou "dois anos atrás".
Além do tempo, o "há" também exerce a função de indicar existência, sendo sinônimo de "existir". Exemplo: "Há muitos livros na estante". Nestes casos, ele também permanece no singular, independentemente da quantidade de objetos mencionados.
A palavra a, neste contexto, funciona como uma preposição. Ela é utilizada para indicar uma projeção de tempo futuro ou para estabelecer uma distância física.
Diferente do "há", que olha para trás, o "a" preposicionado olha para frente. Quando dizemos "O evento começará daqui a duas horas", estamos marcando um ponto no tempo que ainda não ocorreu. Aqui, a substituição pelo verbo "faz" é impossível, o que serve como um teste rápido de correção.
No que se refere à distância, o "a" é o termo correto para medir o intervalo entre dois pontos geográficos ou espaciais. Exemplo: "Minha casa fica a três quilômetros daqui" ou "O posto de gasolina está a duzentos metros". Nestas situações, o uso do "há" seria um erro grave, pois não existe a ideia de "existir" ou de "tempo que passou", mas sim de extensão espacial.
Para nunca mais errar, o falante pode aplicar dois testes simples de substituição que revelam a natureza da palavra:
O teste do "Faz": Tente trocar a palavra por "faz". Se a frase mantiver o sentido, use há.
Exemplo: "Há muito tempo não o vejo" -> "Faz muito tempo não o vejo" (Correto).
O teste do "Passado vs. Futuro": Se você puder inserir a palavra "passados" após o tempo, use há. Se a ideia for de "daqui para frente", use a.
Exemplo: "Estamos a dez dias da viagem" (Futuro).
Exemplo: "Vi o filme há dez dias" (Passado).
Existem situações em que a escolha entre um e outro altera drasticamente o sentido da frase. Imagine a sentença: "Estamos a um mês do Natal". Isso significa que o Natal ainda vai chegar. Agora, se dissermos: "Estamos no Natal há um mês" (supondo um cenário hipotético), significaria que já se passou um mês desde o dia de Natal.
A preposição "a" também aparece em locuções que indicam proximidade ou limite, como em "vender a prazo" ou "chegar a tempo", onde não há relação direta com o verbo haver, reforçando sua natureza de conectivo gramatical de direção ou modo.
A regra de ouro para o uso dessas duas formas é a observação do eixo temporal. O há é o marcador do que já foi, do estoque de tempo que consumimos ou da presença de algo no espaço. O a é a seta que aponta para o horizonte, seja ele um minuto à frente ou um quilômetro de distância. Ao escrever, pergunte-se: "Isso já aconteceu ou está para acontecer?". Essa simples reflexão é suficiente para eliminar as dúvidas e garantir que sua mensagem seja transmitida com a precisão que a gramática da língua portuguesa exige.
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