Letra H: regras de uso no português para concursos

A letra H ocupa um lugar singular no sistema ortográfico da língua portuguesa. Diferente de todas as outras letras do nosso alfabeto, ela é a única que se caracteriza por ser etimológica e sem valor fonético próprio quando aparece isolada no início das palavras. Isso significa que, na fala, o "H" é mudo; ele existe na escrita apenas para preservar a história e a origem (etimologia) das palavras vindas, em sua maioria, do latim ou do grego. Compreender o seu emprego é fundamental para o domínio da norma culta, especialmente em contextos acadêmicos e de concursos públicos.

O "H" Inicial: Uma Herança Histórica

O uso mais comum do "H" ocorre no início de palavras consagradas pelo uso etimológico. Como não há som, a regra aqui é puramente de memorização e contato com a leitura. Exemplos clássicos incluem hoje, haver, honra, homem, herança, hábito e hesitar.

É importante notar que, em palavras derivadas, a manutenção do "H" depende de como a palavra se estruturou ao longo do tempo. Por exemplo, honra mantém o "H", assim como seu derivado honroso. No entanto, existem casos de "H" que desaparecem em derivados devido à evolução fonética ou tradição ortográfica específica, embora sejam raros. Um ponto de atenção para concurseiros é o verbo haver (com H) versus a preposição a (sem H). O "H" de indica tempo decorrido ou existência, enquanto o "a" indica tempo futuro ou distância.

O "H" nos Dígrafos: A Alteração do Som

Se isoladamente o "H" não possui som, sua função muda drasticamente quando se une a outras consoantes para formar dígrafos. Nesse caso, ele é essencial para representar fonemas específicos da nossa língua:

  1. CH: Utilizado para representar o som /x/, como em chave, chuva e chegar.

  2. LH: Representa o fonema lateral palatal, comum em folha, mulher e trabalho.

  3. NH: Representa o fonema nasal palatal, presente em ninho, amanhã e carinho.

Sem a presença do "H", essas palavras se transformariam em sons completamente diferentes (cave, fola, nino), o que demonstra que, embora "mudo" no início, ele é um articulador sonoro indispensável no meio das sílabas.

O Emprego do "H" no Meio das Palavras e o Hífen

Uma das maiores dúvidas sobre a letra "H" surgiu com o Acordo Ortográfico de 2009, que alterou as regras de hifenização. A regra geral é clara: o hífen deve ser utilizado quando o segundo elemento de uma palavra composta começa com "H".

  • Exemplos: anti-higiênico, super-homem, pré-história, extra-humano, semi-hospitalar.

A única exceção notável a essa regra ocorre com o prefixo des- e in-, onde o "H" da palavra seguinte é suprimido e os termos se aglutinam. É o que vemos em desumano (des + humano) e inumano (in + humano). Nestes casos, a letra desaparece porque a junção dos morfemas consolidou-se na língua sem a separação pelo hífen.

Usos Específicos: Interjeições e Nomes Próprios

O "H" também aparece no final de certas interjeições para indicar uma prolongação ou uma entonação específica, como em Ah!, Oh!, Hein? ou Bah!. Nesses casos, ele serve como uma marca de expressividade.

Já nos antropônimos (nomes próprios de pessoas), o uso do "H" é muito variado devido à liberdade de registro civil. Nomes como Helena, Humberto ou Thiago (onde o H é interno e etimológico) seguem tradições familiares e históricas. No entanto, em exames oficiais, segue-se a regra de que nomes próprios devem, preferencialmente, adaptar-se às regras da língua portuguesa, embora a grafia do registro seja respeitada legalmente.

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