Você já sentiu que o mundo ao seu redor parece um "deserto de almas"? É sob essa metáfora poderosa que mergulhamos no universo de Caio Fernando Abreu, um dos escritores mais sensíveis e urbanos da nossa literatura
No conto Aqueles dois, publicado originalmente em 1982 na coletânea Morangos Mofados, conhecemos Raul e Saul
O que começa como um café compartilhado e conversas sobre cinema e música evolui para uma intimidade profunda
A narrativa é um retrato fiel de como a sociedade, representada pela firma onde trabalham, reage com hostilidade ao que foge do padrão heteronormativo
- A Repressão: No conto, o simples fato de chegarem juntos ao trabalho com os cabelos molhados é o suficiente para desencadear o silêncio das moças e os olhares maliciosos dos colegas
. - O Estigma: O artigo lembra que CFA escreveu em um período sombrio (Ditadura Militar) e enfrentou o estigma da AIDS, sendo um dos primeiros a levar o tema para a ficção brasileira
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Um dos pontos altos do artigo é a retomada da visão de Sigmund Freud sobre a homossexualidade. Em uma carta histórica de 1935, Freud defendeu que a homossexualidade não é um vício, degradação ou doença, mas uma "variante da função sexual"
A análise reforça que a sexualidade humana possui uma "plasticidade" conduzida pelo desejo, e não uma fixação biológica obrigatória
Por que ler Caio Fernando Abreu hoje?
A obra de CFA permanece urgente porque nos lembra que o amor, em suas múltiplas formas, é uma resistência contra a desumanização
Leia o artigo original: Corpos apartados, afetos em co(a)lizão: o inventário homoerótico e os espólios da perversão em Aqueles dois, de Caio Fernando Abreu
Sugestão de leitura sobre essa temática
Morangos mofados
Caio Fernando Abreu
A prosa visceral dos dezoito contos de Morangos mofados ― potencializada pela hesitação coletiva de um país que vislumbrava a redemocratização ante a falência incipiente do regime militar ― traduziu as inconstâncias humanas mais profundas e continua, ainda hoje, arrebatando leitores de todas as gerações.
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