01/01/2026

A personagem ou O personagem: qual é a forma correta no português para concursos?

A dúvida sobre o gênero da palavra personagem é uma das mais frequentes na língua portuguesa, especialmente em contextos de análise literária e redações para concursos. A resposta curta e gramaticalmente precisa é que ambas as formas estão corretas, porém, elas carregam nuances históricas e de uso que valem a pena ser exploradas para quem deseja escrever com rigor e elegância.

Historicamente, a palavra "personagem" é um substantivo sobrecomum, o que significa que possui um único gênero gramatical para designar tanto homens quanto mulheres. Por sua origem no francês personnage, a palavra entrou no português como um substantivo feminino. Assim, durante muito tempo, a norma culta exigia o uso de "a personagem", independentemente de a figura representada ser masculina ou feminina. Dizia-se, por exemplo, "A personagem Bentinho" ou "A personagem Capitu".

Com o passar do tempo e a evolução natural do idioma, a força do uso cotidiano passou a tratar a palavra como um substantivo comum de dois gêneros. Isso significa que o gênero do artigo (o ou a) passou a ser flexionado para concordar com o sexo real do ser representado. Hoje, a maioria dos dicionários modernos e manuais de redação, como o da Academia Brasileira de Letras, aceita o uso de "o personagem" para figuras masculinas e "a personagem" para figuras femininas. Essa mudança trouxe maior clareza visual e lógica para o texto: ao ler "o personagem", o leitor imediatamente identifica que se trata de um homem ou de um ser de identidade masculina.

No entanto, no âmbito estritamente literário e acadêmico, ainda existe uma forte preferência pela forma feminina ("a personagem"). Muitos críticos e escritores argumentam que a palavra refere-se à "persona" ou à "máscara" (origem etimológica do termo), que são conceitos abstratos e femininos. Para esses puristas, o gênero da palavra deve ser preservado independentemente de quem ela representa. Se você estiver escrevendo uma tese de doutorado ou um ensaio crítico profundo, o uso de "a personagem" para todos os casos demonstra um domínio mais conservador e erudito da língua.

Por outro lado, em textos jornalísticos, roteiros de cinema ou em questões de concursos que não foquem especificamente na tradição purista, o uso flexionado é o mais comum. O importante é manter a coerência e a coesão dentro do texto. Se você optar por iniciar sua análise literária tratando o protagonista como "o personagem", deve manter essa concordância até o fim. O erro mais grave, do ponto de vista da elegância textual, é oscilar entre os dois gêneros no mesmo parágrafo, o que pode passar uma imagem de descuido ortográfico.

Dito isso, se o seu objetivo é seguir a tradição clássica da literatura, use "a personagem". Se o seu objetivo é a comunicação clara e moderna, sinta-se livre para usar "o personagem" para homens e "a personagem" para mulheres. Ambas são formas legítimas de nossa rica e viva língua portuguesa.


Esse conteúdo foi útil para você?

O estudo realizado para confeccionar cada postagem aqui do Blog corresponde ao esforço de apenas uma pessoa. Se o conteúdo foi significativo para você, considere realizar uma doação, de qualquer valor, via PIX, para ajudar na manutenção deste trabalho. Desde já, obrigado pelo apoio! Sucesso nos teus estudos!

Descrição da imagem
Leia também:
  • Carregando sugestões...

Sua opinião é fundamental! 💬

O que você achou desta postagem? Se tiver críticas, sugestões, dúvidas ou se encontrou algum erro, não hesite em escrever abaixo. Adoramos ouvir nossos leitores!

Nota: Os comentários são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.

0 Comentar:

Postar um comentário