O que é CENSURA para a psicanálise?
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Para a psicanálise, a censura é entendida como uma função psíquica fundamental que atua como uma espécie de "filtro" ou "porteiro" entre os diferentes sistemas da mente, especificamente entre o Inconsciente, o Pré-consciente e o Consciente. Introduzida por Sigmund Freud, essa analogia serve para explicar como certos desejos, impulsos e pensamentos são impedidos de chegar à consciência por serem considerados perturbadores, vergonhosos ou contrários à moralidade do indivíduo. A censura exerce um papel de vigilância constante, protegendo o equilíbrio do sujeito ao barrar conteúdos que causariam um mal-estar insuportável caso fossem acessados diretamente.
O funcionamento desse mecanismo é mais visível na teoria dos sonhos. Freud argumentava que, enquanto dormimos, a censura relaxa, mas não desaparece por completo. Para contornar essa barreira, o desejo inconsciente (chamado de conteúdo latente) precisa passar por um trabalho de disfarce e simbolização, transformando-se no conteúdo manifesto, que é a história muitas vezes estranha ou fragmentada da qual nos lembramos ao acordar. Assim, o sonho é, na verdade, a realização disfarçada de um desejo que foi filtrado pela censura.
É importante diferenciar a censura do recalque (ou repressão): enquanto a censura é a função de vigilância que avalia e decide o que é proibido, o recalque é a operação clínica e o esforço psíquico que efetivamente expulsa ou mantém esses conteúdos longe da consciência. Ao longo da evolução da obra freudiana, essa função de "juiz interno" passou a ser atribuída principalmente ao Superego, a instância da personalidade que interioriza as normas sociais e as exigências parentais, ditando o que é aceitável ou não para o Ego. Em última análise, a censura explica por que não somos "donos da nossa própria casa", revelando que muito do que pensamos e sentimos passa por uma rigorosa edição interna antes de ser admitido pela nossa razão.
Sugestão de leitura sobre essa temática
A interpretação dos sonhos
Sigmund Freud
A primeira edição de A interpretação dos sonhos foi lançada no final de 1899 (com data de 1900) numa tiragem de apenas seiscentos exemplares, que levaram oito anos para serem vendidos. Mais de um século depois, ele se tornou um dos livros mais influentes da época moderna, com incontáveis edições em dezenas de línguas.
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