Estão abertas as chamadas para o novo dossiê temático da Revista LiteralMENTE, referente ao volume 6, número 1, de 2026, o qual explorará as profundezas e as reinvenções da literatura oriental. Com o título poético "Marcada pelo signo do poente, ensanguentada pela honra furiosa, a literatura oriental se reinventa em solo autóctone e, com impetuosidade gueixesca, aromatiza as cidadelas do Ocidente", a publicação busca reunir pesquisas que investiguem desde as raízes mitológicas até as hibridizações da modernidade.
Texto da chamada
Na ulterioridade nascente do sentido, nutrida pela seiva genesíaca que o cosmos oferta, a literatura oriental expõe os sufrágios de uma lira altissonante, cujas cordas, dedilhadas pelas mãos trêmulas da História, fazem propagar os vaticínios ardorosos, adormecidos ou pululantes, no incauto coração dos homens. Com uma potencialidade eminente, germinante, assenta os eflúvios primaveris, em seus gorjeios úberos, à procura de um significante-mestre, imiscuindo-se entre as mitologias seculares, sob a égide luminosa do silêncio, à espreita das bestas agonizantes do abismo. Eis, em célere ilustração, o viço melopeico da Linguagem dos pássaros (Farid ud-Din Attar), ou o bailado auroral do Canto para Govinda (Jayadeva), rebentos dos primeiros ritmos do Oriente. Doravante, imediatamente sensível aos clamores sazonais dos sábios deuses, no centro do alpendre solar, crispam-se as cerejeiras épicas do veranil ardor. No cimo, nas frondes, jazem as mil faces do herói, onde a jornada do aprendiz se revela em vícios e superações, experiências que, revividas em substância estética, rompem a rígida carapaça que condena o ser ao ínvio destino. Tal empreendimento, antes caminho para os solos saudosos no despontar dos séculos, reclama, a exemplo, a belicosidade amorosa de Genji (Genji monogatari), ou mesmo o pélago indômito da Jornada do Oeste (Xī Yóu Jì), verdadeiros pilares da literatura dos novos milênios. Alhures, sem defesas e amorosamente atraída pela cadência outonal, a poiésis oriental impregna o verbo de ininterruptos vazios, adesões ao nada, num culto fortuito aos lúgubres reinos dos mortos, em que registros tibetanos (Bardo Thodo) e chineses (Yama) confluem à finitude, à putrefação do verso, a uma alquimia particular, suspensa por sinestesias de elevação da vida íntima, responsável pela expiação das corrupções. Com igual maestria, conduzida pelas forças invernais da invenção/criação, que tingem o Oriente com tons outros, a deambulação literária, faz-se, nesse paradigma, peregrina nas ruelas e grandes avenidas da modernidade, no sôfrego encalço das “gerações perdidas” nas Grandes Guerras, deixando-se levar pelos vendavais insurrectos, próprios da globalização, hábeis em fomentar a hibridização de gêneros e temáticas, afluentes do Inovo império de escritores(as) orientais que não se privaram de influências perante o Novo Mundo. Assim, nas reentrâncias do simbólico, aliando-se aos equinócios do extremo continental, o presente dossiê debruçar-se-á em trabalhos/pesquisas que urdem o saber sobre a literatura oriental em suas particularidades míticas ou tessituras modernas, bem como produções ocidentais que se harmonizam, temática e esteticamente, às realidades do oriente. Assim, irmanadas às estâncias das eras, traçar-se-ão os (des)caminhos dhármicos que desvendarão à palavra ao divino substrato de suas poeticidades.
Organizadores:
Prof.ª Dr.ª Tânia Sandroni (USP/UNIP)
Prof. Me. Matheus Pereira de Freitas (UFPB)
Mais informações
Período de submissão de artigos: 30 de abril de 2026.
Período previsto para publicação: junho de 2026.
Página da chamada: https://periodicos.ufpb.br/index.php/rl/announcement/view/1064