O que são VOGAIS? Português para concursos

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As vogais ocupam o papel de protagonistas na gramática da Língua Portuguesa, sendo consideradas o núcleo de toda e qualquer sílaba no português. Diferente das consoantes, que encontram obstáculos à passagem do ar, a vogal é um som produzido sem barreiras, permitindo que a voz flua livremente pelo trato vocal.

Do ponto de vista fisiológico, as vogais são sons produzidos pela vibração das pregas vocais (são sempre sonoras) que ressoam nas cavidades bucal e nasal. A principal distinção entre uma vogal e uma consoante reside na liberdade de articulação: enquanto na consoante o ar é interrompido ou friccionado pelos dentes, lábios ou língua, na vogal a boca funciona como uma caixa de ressonância aberta, cuja forma é alterada apenas pela posição da língua e pela abertura dos lábios.

Na gramática da língua portuguesa, as vogais são classificadas de acordo com três critérios principais: a intensidade, a articulação (ponto e modo) e a ressonância.

As vogais podem ser tônicas, quando recebem o acento principal da palavra (como o "a" em "casa"), ou átonas, quando são pronunciadas com menor força (como o "a" final em "casa"). Além disso, existem as semivogais. Na língua portuguesa, os fonemas /i/ e /u/, quando aparecem junto a uma vogal em uma mesma sílaba, são pronunciados de forma mais breve e fraca, agindo como apoio e não como núcleo. É o que ocorre, por exemplo, na palavra "noite", onde o "o" é a vogal e o "i" é a semivogal.

A gramática divide as vogais conforme a elevação da língua e a abertura da boca:

  • Vogal Aberta: A língua fica no fundo da boca e a abertura é máxima (Ex: /a/).

  • Vogais Médias: Podem ser abertas (como o "é" em "café") ou fechadas (como o "ê" em "você").

  • Vogais Fechadas: A língua se eleva em direção ao palato, reduzindo a passagem do ar (Ex: /i/, /u/).

Este é um diferencial importante do português em relação a outras línguas românicas, como o espanhol:

  • Orais: O ar sai exclusivamente pela boca (Ex: a, é, ê, i, ó, ô, u).

  • Nasais: O véu palatino se abaixa, permitindo que parte do ar ressoe na cavidade nasal. Na escrita, são marcadas pelo til (~), pela letra "m" ou "n" ao final da sílaba (Ex: lã, campo, vento).

Graficamente, as vogais costumam ser representadas em um triângulo (ou trapézio) vocálico, que ilustra a posição da língua. No ápice inferior temos o /a/ (central e aberta). De um lado, as vogais anteriores ou palatais (/é/, /ê/, /i/), onde a língua se projeta para a frente. Do outro, as vogais posteriores ou velares (/ó/, /ô/, /u/), onde a língua recua e os lábios geralmente se arredondam.

Um dos pilares da gramática portuguesa é a regra de ouro: toda sílaba possui uma, e apenas uma, vogal. As consoantes são fonemas dependentes; elas "soam com" a vogal (daí o nome con-soante). Se tentarmos pronunciar a letra "p", teremos apenas um ruído explosivo; para que ele se torne um som linguístico estruturado, precisamos de uma vogal (pa, pe, pi...). Por isso, a vogal é a base fonológica sobre a qual se constrói todo o sistema rítmico e melódico do nosso idioma.

Em suma, as vogais não são apenas letras de um alfabeto, mas sim a energia vibratória que dá corpo às palavras. Elas definem a musicalidade da fala, permitem a distinção de significados (como em "avó" e "avô") e sustentam a arquitetura de cada frase pronunciada.

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