O que são DÍGRAFOS VOCÁLICOS ou NASAIS? - Português para concursos
| Letras Prensa De Impressão - Foto gratuita no Pixabay |
Os dígrafos vocálicos (também chamados de dígrafos nasais) representam um fenômeno fonético e ortográfico essencial da língua portuguesa. Assim como nos consonantais, o conceito central aqui é a utilização de duas letras para representar um único fonema. No entanto, a diferença fundamental reside na natureza do som produzido: enquanto os consonantais resultam em sons de consoantes, os vocálicos resultam em uma vogal nasalizada.
Na prática, o dígrafo vocálico ocorre quando as vogais (a, e, i, o, u) são seguidas das consoantes m ou n na mesma sílaba. Nesse contexto, as letras "m" e "n" perdem sua função de consoante (não há o fechamento labial completo do "m" ou o toque da língua nos dentes do "n") e passam a atuar meramente como um sinal de nasalidade para a vogal que as precede. É como se elas funcionassem de maneira idêntica ao sinal do til (~).
Existem dez dígrafos vocálicos na língua portuguesa, divididos entre aqueles terminados em "m" e os terminados em "n". É importante notar que, na divisão silábica, essas letras nunca se separam da vogal anterior, pois formam com ela um som único.
Dígrafos com a letra "M"
Utilizados geralmente antes das consoantes p e b, ou ao final de algumas palavras específicas:
AM: Som $/ã/$. Exemplo: campo, tampa.
EM: Som $/ẽ/$. Exemplo: tempo, lembrança.
IM: Som $/ĩ/$. Exemplo: limpo, símbolo.
OM: Som $/õ/$. Exemplo: ombro, rombo.
UM: Som $/ũ/$. Exemplo: tumba, bumbo.
Dígrafos com a letra "N"
Utilizados antes de qualquer outra consoante que não seja p ou b:
AN: Som $/ã/$. Exemplo: canto, sangue.
EN: Som $/ẽ/$. Exemplo: vento, fenda.
IN: Som $/ĩ/$. Exemplo: tinta, lindo.
ON: Som $/õ/$. Exemplo: ponte, tonto.
UN: Som $/ũ/$. Exemplo: fundo, mundo.
Uma confusão muito comum no estudo da gramática é misturar os dígrafos vocálicos com os ditongos. A regra de ouro é observar a emissão sonora. No ditongo (um encontro vocálico), pronunciamos dois sons em uma única sílaba (uma vogal e uma semivogal), como em "pai" ou "mau". No dígrafo vocálico, ouvimos apenas um som.
Por exemplo, na palavra "campo", a escrita possui cinco letras, mas apenas quatro fonemas: $/k/ - /ã/ - /p/ - /o/$. O grupo "am" funde-se em um som só. Já na palavra "pauta", todas as letras são pronunciadas, configurando um encontro vocálico e não um dígrafo.
É crucial ficar atento à posição das letras "m" e "n". Elas só formam dígrafos se estiverem no final da sílaba. Se estiverem seguidas de uma vogal (como em "cama" ou "pena"), elas recuperam sua função de consoante, pois iniciam uma nova sílaba. Nesse caso, ouvimos distintamente o som da consoante, e não há dígrafo.
Outro ponto de atenção ocorre no final das palavras. Terminações como -am ou -em em posição átona (como em "amaram" ou "viagem") costumam ser classificadas por muitos foneticistas como ditongos nasais, pois há uma leve pronúncia de um som de "u" ou "i" ao final ($/ãw/$, $/ẽy/$). Portanto, a classificação de dígrafo vocálico é mais consensual quando o grupo ocorre no meio da palavra, seguido de consoante.
O entendimento desses dígrafos é o que permite a correta contagem de fonemas em uma palavra, um tema recorrente em exames e concursos. Além disso, auxilia na compreensão da acentuação e da rima na poesia, já que a nasalidade altera o peso e o timbre das vogais na composição estética do texto.
A língua portuguesa utiliza esse recurso para dar ritmo e uma sonoridade "aveludada" à fala, característica marcante do português em comparação com outras línguas latinas que perderam parte dessa nasalidade ao longo do tempo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário