O que são DÍGRAFOS CONSONANTAIS?

Os dígrafos consonantais constituem um dos tópicos fundamentais da fonologia e da ortografia da língua portuguesa. Para compreendê-los com clareza, é necessário, primeiramente, distinguir dois conceitos essenciais: a letra (grafema) e o som (fonema). Enquanto a letra é a representação visual e escrita, o fonema é a unidade sonora mínima da fala. O termo "dígrafo" deriva do grego (di, dois; graphos, escrever), significando, literalmente, "duas letras". Portanto, um dígrafo ocorre quando duas letras são utilizadas para representar um único fonema.

No caso específico dos dígrafos consonantais, essa união de duas letras resulta em um som de natureza consonantal. É comum que estudantes confundam dígrafos com encontros consonantais, mas a diferença é crucial: no encontro consonantal (como em "prato" ou "claro"), cada letra mantém o seu som individual e distintivo ($/p/ + /r/$, $/c/ + /l/$). Já no dígrafo, a individualidade sonora das letras se perde em favor de um som único e novo.

Os dígrafos consonantais podem ser divididos em dois grandes grupos: os inseparáveis (que permanecem na mesma sílaba) e os separáveis (em que cada letra fica em uma sílaba distinta durante a divisão silábica).

Dígrafos Inseparáveis

Estes são os mais comuns e frequentemente encontrados no início ou no meio das palavras. Eles nunca se dividem na transposição de linha:

  • CH: Representa o fonema $/ʃ/$. Exemplo: Chave, chuva, recheio.

  • LH: Representa o fonema lateral palatal. Exemplo: Alho, filho, palha.

  • NH: Representa o fonema nasal palatal. Exemplo: Ninho, amanhã, banho.

  • GU e QU: Funcionam como dígrafos apenas quando seguidos das vogais e ou i, e desde que a letra "u" não seja pronunciada. Exemplo: Guerra, guia, queijo, quilo. (Nota: em palavras como "agudo" ou "quase", onde o "u" é falado, não há dígrafo).

Dígrafos Separáveis

Estes dígrafos ocorrem quando a grafia exige a repetição de letras ou combinações que, na partição silábica, devem ser isoladas:

  • RR: Utilizado para representar o som do "r" forte entre vogais. Exemplo: Carro (car-ro).

  • SS: Utilizado para o som de "s" sibilante entre vogais. Exemplo: Passo (pas-so).

  • SC: Ocorre em palavras como nascer (nas-cer) ou descer.

  • SÇ: Comum em conjugações verbais, como nasça (nas-ça).

  • XC: Presente em vocábulos como exceção (ex-ce-ção) ou excelente.

  • XS: Menos comum, mas presente em palavras como exsudar (ex-su-dar).

A existência dos dígrafos revela a complexidade da evolução da língua portuguesa. Muitas dessas formações são heranças etimológicas do latim ou de adaptações fonéticas ao longo dos séculos. Por exemplo, o "CH" e o "LH" são soluções gráficas para sons que não possuíam uma letra única correspondente no alfabeto latino original quando aplicados às línguas românicas.

É fundamental que o falante domine os dígrafos para evitar erros ortográficos e de pronúncia. Um erro clássico ocorre com os grupos GU e QU. Com o fim do trema no último acordo ortográfico, a distinção visual em palavras como "pinguim" (onde o 'u' soa) e "guindaste" (onde o 'u' é mudo) desapareceu, exigindo maior conhecimento lexical do usuário. Se o "u" é pronunciado, temos um ditongo; se é mudo, temos um dígrafo.

Os dígrafos consonantais são ferramentas ortográficas essenciais que permitem à língua portuguesa representar uma vasta gama de sons consonantais utilizando um alfabeto limitado de 26 letras. 

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Sobre o Autor

Frederico Lima é escritor, graduado, mestre e doutor em Letras pela UFPB, com trabalhos publicados em Revistas científicas, capítulos de livros e anais de eventos.

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