Quais os tipos de avaliação/revisão de originais adotados por periódicos científicos?

O processo de avaliação de originais, conhecido como revisão por pares (peer review), é o mecanismo fundamental para garantir a qualidade e a integridade da ciência. Embora o objetivo final seja sempre o mesmo (validar o rigor da pesquisa) existem diferentes modelos de avaliação que variam de acordo com o nível de anonimato e transparência entre autores e revisores. Abaixo, detalho os principais tipos utilizados pelos periódicos científicos:


1. Avaliação Simples-Cego (Single-Blind Review)

É o modelo mais tradicional. Nele, o revisor sabe quem são os autores do artigo, mas os autores não sabem quem são os revisores.

Vantagem: Permite que o revisor identifique possíveis conflitos de interesse ou plágio com base no histórico do autor.

Desvantagem: Pode dar margem a vieses pessoais ou institucionais (por exemplo, um revisor ser mais leniente com um autor famoso ou mais rigoroso com um pesquisador de uma instituição menos prestigiada).


2. Avaliação Duplo-Cego (Double-Blind Review)

Neste modelo, o anonimato é garantido para ambas as partes: os revisores não sabem a identidade dos autores e vice-versa. É o sistema mais comum nas Ciências Humanas e Sociais.

Vantagem: Reduz o preconceito e o viés de autoridade, garantindo que o manuscrito seja julgado estritamente pelo seu conteúdo técnico.

Desvantagem: Às vezes, o anonimato é difícil de manter, pois referências cruzadas ou o estilo de escrita podem "denunciar" a autoria a um especialista da área.


3. Avaliação Triplo-Cego (Triple-Blind Review)

Neste nível mais restrito, as identidades dos autores são ocultadas não apenas dos revisores, mas também dos editores que gerenciam o processo de revisão.

Vantagem: Elimina qualquer viés editorial na fase de seleção inicial.

Desvantagem: É logisticamente complexo para as revistas gerenciarem, exigindo sistemas automatizados muito rigorosos.


4. Avaliação Aberta (Open Peer Review)

Este modelo ganha força com o movimento da Ciência Aberta. Aqui, as identidades de ambas as partes são conhecidas. Em alguns casos, os pareceres dos revisores são publicados junto com o artigo final.

Vantagem: Incentiva críticas mais construtivas e honestas, aumenta a responsabilidade do revisor e dá crédito público ao trabalho de quem avaliou.

Desvantagem: Pode inibir revisores mais jovens de criticar duramente pesquisadores seniores e influentes por medo de retaliação na carreira.


5. Revisão Colaborativa (Collaborative Review)

Ocorre quando dois ou mais revisores discutem o artigo entre si antes de enviar um veredito unificado ao editor, ou quando revisores e autores interagem em uma plataforma comum para debater pontos do texto.

Vantagem: Resolve disparidades entre pareceres conflitantes de forma mais rápida e produtiva.


6. Revisão Pós-Publicação (Post-Publication Review)

Diferente dos modelos anteriores, aqui o artigo é publicado em uma plataforma (como o PubPeer) ou em repositórios de preprints, e a comunidade científica faz a avaliação após a leitura pública.

Vantagem: Permite uma verificação contínua e em larga escala do conhecimento.

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Frederico Lima é graduado, mestre e doutor em Letras pela UFPB. Possui trabalhos publicados em periódicos científicos, capítulos de livros e anais de eventos.

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