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UFMG abre chamada de artigos para dossiê sobre as "Figurações do Outro" nas Literaturas de Língua Portuguesa

 

Capa Revista do Centro de Estudos Portugueses

A Revista do Centro de Estudos Portugueses (CESP), vinculada à Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), anunciou a abertura do período de submissões para o seu volume do primeiro semestre de 2026. O novo número traz como tema central o dossiê "Figurações do Outro nas literaturas de língua portuguesa".

Pesquisadores e acadêmicos interessados em contribuir têm até o dia 30 de abril de 2026 para enviar seus trabalhos originais.

Identidade e Alteridade em Pauta

A proposta do dossiê parte da premissa de que a literatura é o palco principal para a encenação de tensões entre o "nós" e o "outro". Baseando-se em referenciais teóricos de peso — como Giorgio Agamben, Roberto Esposito e Benedict Anderson — a publicação busca explorar como a construção de identidades nacionais e coletivas depende, intrinsecamente, da imagem de uma alteridade, muitas vezes moldada como oposição ou "inimigo".

O conceito de imunidade, discutido por Esposito sob a ótica biopolítica, e a ideia de comunidades imaginadas, de Anderson, servem de norte para as reflexões. O objetivo é entender como os textos literários funcionam como espaços de construção e propagação dos imaginários que sustentam sociedades e grupos políticos ao longo da história.

Texto da chamada

A literatura sempre foi um espaço propício para a encenação de tensões entre alteridades. Desde a construção de imaginários sobre um povo à afirmação de identidades nacionais, a literatura elaborou a existência de um nós, que só seria possível diante da imagem de um outro, igualmente construído. Giorgio Agamben, em “Construir o inimigo”, propõe que “ter um inimigo é importante, não apenas para definir a nossa identidade, mas também para arranjarmos um obstáculo em relação ao qual seja medido o nosso sistema de valores e para mostrar, no afrontá-lo, o nosso valor.” (2011, p. 12). Roberto Esposito (2010), em Bios – Biopolítica e Filosofia, sugere que se pense a dinâmica entre o social e o político, que visa perpetuar um agrupamento humano específico, a partir do paradigma da imunidade. A figura dialética da imunidade coloca-se na interseção entre a vida e o direito. No sentido biomédico, o termo está ligado “a uma condição de refrangibilidade, natural ou induzida, em relação a uma dada doença por parte de um organismo vivo” (p. 73). Em linguagem jurídica, imunidade refere-se “à isenção, temporária ou definitiva, de um sujeito em relação a determinadas obrigações, ou responsabilidades, às quais normalmente está vinculado” (p. 73). Também Benedict Anderson (2008), em Comunidades Imaginadas, se propôs a pensar os vínculos entre sujeitos na construção de uma ideia de comum que se demarca em relação a certa alteridade. A proposta de Anderson é analisar o nacionalismo “alinhando-o não a ideologias políticas conscientemente adotadas, mas aos grandes sistemas cultuais que o precederam, e a partir dos quais ele surgiu, inclusive para combatê-los” (p. 32). Esta relação limite entre uma comunidade e aqueles que não fazem parte encontra na literatura um espaço propício de figuração, na medida em que o espaço da cultura é exatamente o de construção e propagação dos imaginários que sustentam identidades.

Organização

O volume conta com uma comissão organizadora de prestígio internacional, unindo instituições brasileiras e estrangeiras:

Profa. Dra. Roberta Guimarães Franco (UFMG/CNPq/FAPEMIG)

Profa. Dra. Sandra Sousa (University of Central Florida)

Profa. Dra. Renata Flávia da Silva (UFF)

Prof. Dr. Daniel Marinho Laks (UFSCar/CNPq)

+ Informações

Página da chamada: https://periodicos.ufmg.br/index.php/cesp/announcement/view/705

Normas para submissão: https://periodicos.ufmg.br/index.php/cesp/about/submissions

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