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De forma simplificada, a sílaba é um grupo de fonemas (sons) emitidos em um único impulso de voz. Diferente da escrita, que se baseia em letras, a sílaba baseia-se na sonoridade e na expiração do ar. Na nossa gramática, a sílaba possui uma característica inegociável: a vogal é o seu núcleo indispensável. Não existe sílaba sem vogal, e nunca haverá mais de uma vogal dentro de uma mesma sílaba.
Para entender como uma sílaba se forma, imagine-a como uma pequena construção arquitetônica. O centro dessa construção é a vogal. Ao redor dela, podem gravitar as consoantes e as semivogais. Por exemplo, na palavra "pé", temos uma consoante (P) e uma vogal (É). Na palavra "trans-vê", a primeira sílaba é composta por um complexo grupo de consoantes em torno da vogal "a".
A classificação das sílabas quanto ao número de letras ou sons é variada, mas a sua função é sempre a mesma: organizar o ritmo da fala. Quando pronunciamos uma palavra pausadamente, estamos, na verdade, identificando as suas divisões silábicas.
A gramática portuguesa classifica as palavras de acordo com a quantidade de impulsos sonoros que as compõem:
Monossílabas: Palavras que possuem apenas uma sílaba. Exemplos: mão, sol, fé, lá.
Dissílabas: Palavras formadas por duas sílabas. Exemplos: ca-sa, li-vro, pon-te.
Trissílabas: Palavras com três sílabas. Exemplos: ca-der-no, es-co-la, cam-pe-ão.
Polissílabas: Palavras que possuem quatro ou mais sílabas. Exemplos: u-ni-ver-si-da-de, ma-te-má-ti-ca, es-pe-ta-cu-lar.
A Tonicidade: Sílabas Tônicas e Átonas
Nem todas as sílabas são pronunciadas com a mesma força. Essa variação de intensidade é o que chamamos de tonicidade.
Sílaba Tônica: É a sílaba pronunciada com maior intensidade sonora. Em cada palavra, existe apenas uma sílaba tônica. Por exemplo, em "ca-fé", a última é a forte; em "me-sa", é a penúltima.
Sílaba Átona: São todas as outras sílabas da palavra que possuem uma pronúncia mais fraca ou reduzida.
A posição da sílaba tônica determina a classificação da palavra como oxítona (última sílaba forte), paroxítona (penúltima forte) ou proparoxítona (antepenúltima forte). Este conceito é o pilar das regras de acentuação gráfica do português.
Regras de Divisão Silábica
A divisão silábica na escrita (translineação) segue a fonética da fala, mas possui regras específicas que frequentemente geram dúvidas:
Ditongos e Tritongos: Nunca se separam. Em "pai-xe", o encontro "ai" permanece unido porque é um ditongo (uma vogal e uma semivogal).
Hiatos: Devem ser sempre separados. Em "sa-ú-de", o "a" e o "u" são duas vogais, portanto, cada uma deve ocupar sua própria sílaba.
Dígrafos: Alguns se separam (RR, SS, SC, SÇ, XC), como em "car-ro" e "pas-so". Outros são inseparáveis (CH, LH, NH, GU, QU), como em "cha-ve" e "fo-lha".
Encontros Consonantais: Se o encontro ocorre no início da palavra ou se a segunda consoante for "L" ou "R", eles geralmente não se separam (ex: prato, globo). Caso contrário, a separação ocorre (ex: ad-je-ti-vo, ap-tão).
O estudo das sílabas não é apenas um exercício escolar de separação com hifens. Ele é fundamental para a métrica poética (escansão), onde o ritmo do poema é ditado pelo número de sílabas poéticas, que diferem das gramaticais por considerarem a elisão (fusão de sons na fala fluida). Além disso, a correta identificação silábica previne erros ortográficos comuns e auxilia na pronúncia correta de palavras complexas, garantindo uma comunicação clara e eficiente.
Frederico Lima é graduado, mestre e doutor em Letras pela UFPB. Possui trabalhos publicados em periódicos científicos, capítulos de livros e anais de eventos.