O que são DISSÍLABAS? Português para concursos

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Na gramática da língua portuguesa, as palavras dissílabas (ou dissílabos) são aquelas compostas por exatamente duas sílabas. O termo deriva do prefixo grego di- (dois) unido ao radical sílaba, indicando que, durante a emissão sonora da palavra, o falante realiza dois impulsos de voz distintos.

Como a base de cada sílaba no português é obrigatoriamente uma vogal, uma palavra dissílaba possui, necessariamente, dois núcleos vocálicos. Esses núcleos podem estar acompanhados por consoantes ou semivogais, mas a estrutura fundamental sempre respeitará a existência de dois momentos fonéticos.

As palavras dissílabas podem apresentar diversas combinações de fonemas. Elas podem ser formadas por:

  • Vogais isoladas: Como na palavra "a-í".

  • Consoante + Vogal (CV): O modelo mais comum, como em "ca-sa" ou "bo-la".

  • Estruturas complexas: Envolvendo encontros consonantais ou dígrafos, como em "bras-sa" ou "pran-cha".

É importante notar que a classificação como dissílaba depende exclusivamente da fonética (o som) e não da quantidade de letras. Por exemplo, a palavra "pneu" é monossílaba (um único impulso), enquanto "i-te" (unidade de medida) seria dissílaba, apesar de ter menos letras.

Assim como ocorre com palavras maiores, as dissílabas possuem uma hierarquia de força entre suas sílabas. Em português, um dissílabo nunca terá duas sílabas com a mesma intensidade; uma será sempre a sílaba tônica (forte) e a outra será a sílaba átona (fraca).

Essa dinâmica de força divide as dissílabas em dois grupos principais:

  1. Oxítonas: Quando a força recai na segunda sílaba (a última). Exemplos: ca-, gu-ru, pa-péis.

  2. Paroxítonas: Quando a força recai na primeira sílaba (a penúltima). Exemplos: li-vro, me-sa, -cil.

A imensa maioria das palavras dissílabas da língua portuguesa é paroxítona, o que confere ao idioma o seu ritmo característico, com o declínio da intensidade sonora ao final das palavras.

O estudo dos dissílabos é essencial para aplicar corretamente as regras de acentuação. Por exemplo, sabemos que dissílabos oxítonos terminados em "a", "e" e "o" devem ser acentuados (como em "Pará"), enquanto paroxítonos com essas mesmas terminações não recebem acento (como em "casa").

Além disso, a identificação correta de uma palavra como dissílaba exige atenção aos hiatos e ditongos. Na palavra "sa-í", temos um hiato (duas vogais que se separam), resultando em duas sílabas. Já na palavra "cais", temos um ditongo (vogal + semivogal), o que a mantém como monossílaba. Portanto, a análise correta dos encontros vocálicos é o que define se uma palavra entrará ou não na categoria das dissílabas.

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Frederico Lima é graduado, mestre e doutor em Letras pela UFPB. Possui trabalhos publicados em periódicos científicos, capítulos de livros e anais de eventos.

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