Língua Portuguesa para Concursos: Quais são as Bancas Mais Difíceis?

A jornada de um concurseiro é pavimentada por horas de estudo, renúncias e, invariavelmente, pelo confronto com as temidas bancas examinadoras. No cenário dos concursos públicos brasileiros, a disciplina de Língua Portuguesa ocupa um lugar de destaque, não apenas por ser obrigatória em quase todos os editais, mas por ser utilizada como o principal filtro seletivo em certames de alto nível.

Embora o português seja a nossa língua materna, as abordagens acadêmicas e interpretativas das grandes instituições organizadoras transformam o idioma em um verdadeiro campo de batalha lógico e semântico. Compreender o perfil de cada banca é, portanto, tão importante quanto dominar a gramática normativa. A seguir, detalho as bancas consideradas mais difíceis e complexas na matéria de Língua Portuguesa, analisando seus estilos e os desafios que impõem aos candidatos.

Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Atualmente, a FGV é quase unanimemente considerada a banca mais difícil e imprevisível em Língua Portuguesa. Diferente de outras instituições que focam na gramática normativa tradicional (regras de acentuação, concordância ou regência de forma direta), a FGV prioriza a Lógica Textual e a Semântica.

As provas da FGV são conhecidas por enunciados curtos, mas extremamente densos, que exigem uma percepção aguda de nuances linguísticas. A banca frequentemente utiliza provérbios, fragmentos de textos filosóficos ou microtextos para cobrar conceitos como polifonia, intertextualidade e tipos de inferência. O que torna a FGV "traiçoeira" é a subjetividade: muitas vezes, o candidato se depara com cinco alternativas que parecem gramaticalmente corretas, mas deve identificar aquela que melhor atende ao comando da questão sob a ótica específica (e por vezes peculiar) da banca.

Um tema recorrente é a reescrita de frases, onde uma pequena mudança na ordem dos termos ou a troca de um conectivo por um sinônimo aparente altera o sentido lógico de forma sutil. Para vencer a FGV, não basta decorar regras; é preciso "pensar como a banca", desenvolvendo um raciocínio crítico sobre como a linguagem constrói sentidos em contextos específicos.

Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe)

O antigo CESPE, agora Cebraspe, é famoso pelo seu modelo de itens de "Certo ou Errado", onde uma resposta incorreta anula uma correta. Essa característica, por si só, já eleva o nível de dificuldade emocional da prova, mas a complexidade técnica em português também é elevada.

Diferente da FGV, o Cebraspe é extremamente técnico e rigoroso na aplicação da gramática voltada ao texto. A banca costuma apresentar textos longos e extrair deles dezenas de afirmações que o candidato deve julgar. O desafio aqui reside na interdisciplinaridade interna: uma única questão pode exigir que o aluno analise, simultaneamente, a função sintática de um termo, a manutenção do sentido original após uma substituição e a correção gramatical da nova estrutura.

As questões de interpretação do Cebraspe exigem que o candidato diferencie claramente o que está explícito (compreensão) do que pode ser inferido (interpretação). A banca é mestre em criar assertivas que parecem logicamente óbvias, mas que extrapolam os limites do que o texto realmente afirma. O domínio de termos como "anafórico", "catafórico", "exofórico" e o uso das partículas "se" e "que" são vitais para quem enfrenta esta organizadora.

Fundação Carlos Chagas (FCC)

Houve um tempo em que a FCC era apelidada de "Fundação Copia e Cola", devido à sua preferência por cobrar a literalidade das leis e regras gramaticais. No entanto, essa realidade mudou drasticamente na última década. Hoje, a FCC elabora provas de português extremamente sofisticadas, especialmente para cargos de tribunais (TRTs, TREs e TRFs).

O foco da FCC é a Sintaxe e a Redação. As questões de "Vozes Verbais", "Concordância" e "Regência" são clássicas e costumam aparecer em blocos de reescrita de frases. A banca apresenta um período longo e pede que o candidato identifique qual opção mantém a correção e o sentido original. Essas alternativas costumam ser muito parecidas, exigindo uma atenção redobrada aos detalhes de pontuação e flexão verbal.

Outro ponto de alta dificuldade na FCC é a cobrança de Pronomes. A banca adora exigir a substituição de complementos verbais por pronomes átonos, o que requer conhecimento profundo de transitividade verbal e colocação pronominal. É uma prova que pune o candidato que estuda de forma superficial, pois exige precisão cirúrgica no conhecimento das estruturas frasais.

Fundação Vunesp

A Vunesp é frequentemente vista como uma banca "justa", mas não se deve confundir justiça com facilidade. Nas provas de alto nível, como para o Tribunal de Justiça de São Paulo ou carreiras policiais de elite, o português da Vunesp torna-se um grande obstáculo.

A característica marcante da Vunesp é o uso de textos literários, crônicas e quadrinhos, o que torna a leitura mais palatável, mas a cobrança é exaustiva. Ela costuma varrer todo o edital: desde a acentuação gráfica até as figuras de linguagem e a análise de orações. O maior desafio na Vunesp é a extensão da prova. O candidato precisa manter a concentração elevada durante 20 ou 30 questões de português que exigem análise constante de sentido de palavras em contexto (sinonímia) e o uso rigoroso da norma culta em questões de crase e pontuação.

Diferente da FGV, a Vunesp raramente apresenta questões ambíguas, mas ela utiliza "distratores" (alternativas incorretas) muito bem elaborados que exploram erros comuns do cotidiano dos falantes, como o uso incorreto de "onde" em vez de "em que" ou confusões entre "mal" e "mau".

Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan) e Quadrix

Estas duas bancas têm ganhado espaço e notoriedade pela crescente dificuldade. A Quadrix, em especial, tem adotado o modelo de "Certo ou Errado" e um estilo de cobrança muito similar ao do Cebraspe, focando em reescrita e coesão textual.

Já o Idecan tem surpreendido concurseiros com provas de português extremamente longas e cansativas, com textos de apoio que ocupam colunas inteiras e enunciados que exigem conhecimentos teóricos de linguística que muitas vezes vão além da gramática tradicional ensinada em cursos preparatórios comuns. A banca costuma cobrar morfossintaxe de forma integrada, o que exige que o candidato saiba não apenas a classe da palavra, mas a função que ela desempenha naquele contexto específico.

A dificuldade dessas bancas não reside apenas na complexidade das regras, mas na capacidade de testar a resistência psicológica e a atenção aos detalhes do candidato. O português é o alicerce; sem ele, mesmo o conhecimento mais profundo em Direito ou Exatas pode não ser suficiente para garantir a aprovação.

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Sobre o Autor

Frederico Lima é escritor, graduado, mestre e doutor em Letras pela UFPB, com trabalhos publicados em Revistas científicas, capítulos de livros e anais de eventos.

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