A coerência textual é um dos elementos essenciais para que um texto faça sentido e seja compreendido pelo leitor. Ela está diretamente relacionada à construção e à organização lógica das ideias, garantindo que o conteúdo apresentado forme um conjunto harmonioso, sem contradições ou rupturas de sentido. Enquanto a coesão diz respeito aos mecanismos linguísticos que conectam palavras, frases e parágrafos, a coerência se refere ao significado global do texto, à lógica interna que permite ao leitor interpretar corretamente a mensagem. Assim, um texto coerente é aquele em que as informações se articulam de maneira clara, ordenada e relevante, possibilitando que o leitor acompanhe o raciocínio do autor sem dificuldades.
Segundo as fontes consultadas, a coerência textual pode ser entendida como o princípio que assegura a continuidade de sentido dentro de um texto, permitindo que suas partes se relacionem de forma lógica e compreensível. Ela depende tanto de elementos linguísticos, como conectores, pronomes e estruturas sintáticas, quanto de elementos extralinguísticos, como o conhecimento prévio do leitor, o contexto de produção e a situação comunicativa. Isso significa que a coerência não está apenas no texto em si, mas também na interação entre o texto e o leitor. Para que haja coerência, é necessário que o leitor consiga estabelecer relações entre as informações apresentadas, interpretando-as à luz de seu repertório e do contexto em que o texto está inserido.
A coerência textual pode se manifestar de diferentes formas, classificadas em tipos específicos. A coerência sintática, por exemplo, refere-se à relação estrutural entre os componentes do texto, garantindo que a organização das frases e períodos siga uma lógica compreensível. Já a coerência semântica diz respeito às relações de sentido entre palavras, expressões e ideias, evitando contradições e garantindo que o texto mantenha uma linha temática clara. A coerência temática, por sua vez, ocorre quando o texto não se desvia do assunto principal, mantendo o foco e a relevância das informações apresentadas.
Outro tipo importante é a coerência pragmática, que envolve elementos extralinguísticos e depende do contexto de produção e recepção do texto. Ela considera fatores como a intenção comunicativa do autor, o conhecimento de mundo do leitor e a situação em que o texto é produzido e interpretado. Há também a coerência estilística, que se refere ao uso adequado da variedade linguística, levando em conta o gênero textual, o público-alvo e o propósito comunicativo. Por fim, a coerência genérica diz respeito ao respeito às características do gênero textual escolhido, como estrutura, linguagem e finalidade.
Além desses tipos, a coerência textual se apoia em três princípios fundamentais: a não contradição, a não tautologia e a relevância. O princípio da não contradição estabelece que o texto não deve apresentar informações conflitantes entre si. Por exemplo, seria incoerente afirmar que “o dia estava ensolarado” e, logo em seguida, dizer que “não havia luz natural”. Já o princípio da não tautologia determina que o texto não deve repetir informações de maneira desnecessária, o que prejudica a fluidez e a clareza. Por fim, o princípio da relevância exige que as informações apresentadas sejam pertinentes ao tema e contribuam para o desenvolvimento da ideia central.
A coerência também está intimamente ligada à progressão temática, isto é, à forma como as ideias avançam ao longo do texto. Um texto coerente apresenta uma sequência lógica de informações, evitando saltos abruptos ou mudanças repentinas de assunto. Essa progressão pode ocorrer por meio de explicações, exemplos, comparações, argumentos ou descrições, dependendo do tipo de texto. Em textos narrativos, por exemplo, a coerência se manifesta na ordem dos acontecimentos e na relação entre as ações das personagens. Já em textos argumentativos, ela aparece na organização dos argumentos e na sustentação lógica da tese defendida.
É importante destacar que a coerência não depende apenas do autor, mas também do leitor. O leitor desempenha um papel ativo na construção do sentido, utilizando seu conhecimento prévio, suas experiências e seu repertório cultural para interpretar o texto. Por isso, um mesmo texto pode ser interpretado de maneiras diferentes por leitores distintos. No entanto, cabe ao autor fornecer pistas suficientes para orientar essa interpretação, garantindo que a mensagem pretendida seja compreendida.
A coerência textual também se relaciona com a coesão, embora sejam conceitos distintos. A coesão diz respeito aos mecanismos linguísticos que conectam as partes do texto, como pronomes, conjunções e elipses. Já a coerência refere-se ao sentido global do texto, que depende tanto desses mecanismos quanto de fatores extralinguísticos. Assim, um texto pode ser coeso, mas incoerente, se apresentar contradições ou informações desconexas. Por outro lado, um texto pode ser coerente mesmo com pouca coesão, embora isso dificulte a leitura.
Ou seja, a coerência textual é o elemento que garante a unidade de sentido de um texto, permitindo que suas partes se articulem de maneira lógica, clara e relevante. Ela depende da organização das ideias, da relação entre as informações, do respeito ao tema e ao gênero textual, e da interação entre autor, texto e leitor. Dominar a coerência é fundamental para produzir textos eficazes, capazes de transmitir mensagens de forma clara e compreensível.
Frederico Lima é graduado, mestre e doutor em Letras pela UFPB. Possui trabalhos publicados em periódicos científicos, capítulos de livros e anais de eventos.