O emprego do dígrafo SS na língua portuguesa é um dos temas que mais desafiam candidatos a concursos e escritores em formação, pois o som que ele representa, o fonema sibilante surdo /s/, pode ser grafado de diversas outras formas, como S, C, Ç, X ou até SC. No entanto, a gramática normativa estabelece diretrizes claras, baseadas principalmente na posição da letra dentro da palavra e em processos de derivação sufixal, que ajudam a eliminar a insegurança ortográfica.
A Regra de Ouro: Posição entre Vogais
A regra fundamental e mais conhecida do "SS" diz respeito à sua posição fonética: o dígrafo é utilizado exclusivamente entre duas vogais para manter o som de /s/. É importante lembrar que a letra "S" simples, quando situada entre vogais, assume obrigatoriamente o som de /z/ (como em casa ou tesoura). Portanto, para grafar palavras como massa, passagem, professor ou essencial, o uso das duas letras é indispensável para garantir a pronúncia correta.
Vale ressaltar uma restrição absoluta: jamais se inicia uma palavra com "SS" na língua portuguesa, assim como nunca se utiliza o dígrafo após uma consoante. Em palavras como ensino ou pensamento, o "S" já possui som de /s/ naturalmente devido à presença da consoante anterior, tornando o "SS" desnecessário e incorreto nesses contextos.
Derivação de Verbos: O Segredo da Terminação
Para quem estuda para o magistério ou carreiras jurídicas, o maior segredo para não errar o "SS" reside na análise da raiz dos verbos de origem. Grande parte das palavras escritas com "SS" são substantivos ou adjetivos derivados de verbos cujos radicais terminam em sequências específicas. Dominar essas correlações é o que diferencia um candidato comum de um especialista:
Verbos terminados em -CEDER: Geram substantivos com o sufixo -cesso.
Exemplos: Conceder (concessão), exceder (excesso), proceder (processo), retroceder (retrocesso).
Verbos terminados em -GREDIR: Geram substantivos com o sufixo -gressão.
Exemplos: Agredir (agressão), progredir (progressão), regredir (regressão), transgredir (transgressão).
Verbos terminados em -METER: Geram substantivos com o sufixo -missão ou -messa.
Exemplos: Comprometer (compromisso), demitir/meter (demissão), prometer (promessa), transmitir (transmissão).
Verbos terminados em -PRIMIR: Geram substantivos com o sufixo -pressão.
Exemplos: Comprimir (compressão), imprimir (impressão), oprimir (opressão), reprimir (repressão).
Verbos terminados em -CUTIR: Geram substantivos com o sufixo -cussão.
Exemplos: Discutir (discussão), percutir (percussão), repercutir (repercussão).
O Uso do Sufixo -ÍSSIMO
Outro emprego recorrente do "SS" ocorre na formação do superlativo absoluto sintético. Quando desejamos elevar o grau de um adjetivo ao seu nível máximo, utilizamos o sufixo -íssimo. Este sufixo é sempre grafado com "SS", independentemente da origem do adjetivo.
Exemplos: Belo (belíssimo), difícil (dificílimo, exceção de forma, mas mantém a lógica do S duplo em variações como baixíssimo), rico (riquíssimo) e veloz (velocíssimo).
Divisão Silábica: O "SS" no Particionamento de Texto
Um detalhe técnico essencial para a produção de textos e redações é a translineação (divisão da palavra no fim da linha). O "SS" é um dígrafo separável. Isso significa que, ao dividir uma palavra, cada letra "S" deve obrigatoriamente ficar em uma sílaba diferente.
Correto: pro-fes-sor, pas-sa-do, as-sis-tên-cia.
Errado: profe-ssor, pa-ssado.
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